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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/02/2017

21 de Fevereiro de 2017

Fazer obras de justiça

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21 de Fevereiro de 2017

Fazer obras de justiça

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03/02/2017 12:21 - Atualizado em 03/02/2017 12:21

Fazer obras de justiça 0

03/02/2017 12:21 - Atualizado em 03/02/2017 12:21

A liturgia deste Domingo começa com um insistente pedido a Deus na oração coleta: “Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor”; e ainda, “guardai-nos sobre a vossa proteção”. Entre essas duas súplicas, a oração coleta exprime a confiança absoluta que devemos ter em Deus: “só confiamos na vossa graça”. É importante, na vida espiritual, ter presente essa máxima: confiar somente na graça de Deus. Não podemos colocar a nossa confiança nem nos outros, nem em nós mesmos. É a graça de Deus agindo em nós e, consequentemente, a nossa abertura e correspondência à mesma graça, que nos faz viver em conformidade com a vontade do Cristo para nós.

Em cada domingo, essa “vontade do Cristo” nos é apresentada, como que em pequenas doses, na Palavra que é proclamada na grande celebração dominical da Igreja: a Eucaristia. Somente abrindo-nos à graça é que obteremos a força necessária para colocar em prática a palavra ouvida e acolhida em nossos corações.

A primeira leitura é um trecho do capítulo 58 do profeta Isaías. Em Is 58,1-12 o profeta segue falando do “jejum que agrada a Deus”. Deus denuncia os pecados do povo mostrando que não adianta juntar ao jejum a prática da injustiça e do desamor aos irmãos. A partir do v. 6 o profeta começa a enumerar quais são as práticas que agradam a Deus e que deveriam ser feitas junto com o jejum, ou melhor ainda, deveriam preceder ao jejum. O v. 6 não é lido nesta liturgia de hoje, mas nos vv. 7-10 encontramos uma série de práticas que vêm acompanhadas por promessas:


Práticas

v.7: “repartir o pão com o faminto”; “abrigar os pobres”; “vestir o nu”

v.9: “afastar o jugo”; “afastar o gesto ameaçador”; “afastar a linguagem iníqua”

v.10: alimentar o faminto (idem ao v. 7)

 

Promessas

v.8: “a tua luz romperá como a aurora”; “as feridas se curarão rapidamente”; “os atos de justiça irão à frente do justo”; “a glória de Deus o protegerá”

v.9: a reposta de Deus será rápida ao grito do justo

v.10: a luz do justo brilhará

Como vemos acima, às práticas ordenadas por Deus, aos atos concretos de justiça exigidos por Ele, correspondem as suas promessas. Essas promessas e práticas poderiam ser resumidas numa sentença: se amares o teu próximo como a ti mesmo, tu experimentarás o cuidado e o amor de Deus para contigo.

Essas são as “boas obras” que o Senhor espera de nós. É delas, sem dúvida, que nos fala o Cristo no evangelho quando diz: “...brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.

No evangelho, Cristo utiliza duas imagens muito simples, mas cheias de significado, para nos dizer qual é o papel do cristão no mundo. O cristão deve ser “sal” e “luz”.

Ora, qual o papel do sal? A finalidade do sal é “revelar” o sabor que já existe nos alimentos. Sem o sal, o alimento se torna insosso; com sal em demasia, se torna salgado e insuportável. O sal, na medida certa, nos faz perceber o verdadeiro sabor deste e daquele alimento. Assim também deve ser o cristão. Se ele não está presente no mundo como quem “revela” o sabor das coisas, ele não serve para nada. Se, por outro lado, ele quer dar o sabor dele às coisas, tudo fica insuportável, como um alimento onde só se sente o gosto do sal. O cristão deve ser, no mundo, uma presença sadia, que ajuda os homens a perceber o verdadeiro sentido das coisas a partir de Cristo.

A mesma reflexão serve para a luz. A luz serve para nos fazer ver com distinção as coisas. Nas trevas tropeçamos em tudo, confundimos as formas e corremos o risco de tomar uma coisa por outra. No escuro podemos tomar um veneno pensando ser remédio, porque não estamos vendo distintamente. Ao se acender a luz tudo se esclarece. Assim também o cristão. Ele deve ser luz, ou melhor, deve ser no mundo um portador da luz de Cristo, a fim de que as pessoas possam ver tudo com distinção e não tomar os “venenos” que estão por aí como se fossem “remédios”.

Depois de refletir sobre o papel do cristão no mundo em termos tão simples, mas tão ricos de significado, Cristo termina com a exortação: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.” O cristão deve estar no mundo como “sal” e “luz”; deve realizar boas obras, as obras justiça (cf. primeira leitura); todavia, ele não pode se esquecer de que Ele não é o centro, porque o objetivo de tudo é doxológico, ou seja, é que os homens “louvem o vosso Pai que está nos céus”. Se assim procedermos, sobretudo no final da nossa vida, veremos acontecer conosco o que diz o refrão do Salmo 111 rezado hoje: “Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez”. Naquele momento derradeiro da nossa existência, quando tudo se apagar, uma “luz” será acesa para nós e receberemos o fruto da caridade: o Reino eterno preparado por Cristo para nós.


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Fazer obras de justiça

03/02/2017 12:21 - Atualizado em 03/02/2017 12:21

A liturgia deste Domingo começa com um insistente pedido a Deus na oração coleta: “Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor”; e ainda, “guardai-nos sobre a vossa proteção”. Entre essas duas súplicas, a oração coleta exprime a confiança absoluta que devemos ter em Deus: “só confiamos na vossa graça”. É importante, na vida espiritual, ter presente essa máxima: confiar somente na graça de Deus. Não podemos colocar a nossa confiança nem nos outros, nem em nós mesmos. É a graça de Deus agindo em nós e, consequentemente, a nossa abertura e correspondência à mesma graça, que nos faz viver em conformidade com a vontade do Cristo para nós.

Em cada domingo, essa “vontade do Cristo” nos é apresentada, como que em pequenas doses, na Palavra que é proclamada na grande celebração dominical da Igreja: a Eucaristia. Somente abrindo-nos à graça é que obteremos a força necessária para colocar em prática a palavra ouvida e acolhida em nossos corações.

A primeira leitura é um trecho do capítulo 58 do profeta Isaías. Em Is 58,1-12 o profeta segue falando do “jejum que agrada a Deus”. Deus denuncia os pecados do povo mostrando que não adianta juntar ao jejum a prática da injustiça e do desamor aos irmãos. A partir do v. 6 o profeta começa a enumerar quais são as práticas que agradam a Deus e que deveriam ser feitas junto com o jejum, ou melhor ainda, deveriam preceder ao jejum. O v. 6 não é lido nesta liturgia de hoje, mas nos vv. 7-10 encontramos uma série de práticas que vêm acompanhadas por promessas:


Práticas

v.7: “repartir o pão com o faminto”; “abrigar os pobres”; “vestir o nu”

v.9: “afastar o jugo”; “afastar o gesto ameaçador”; “afastar a linguagem iníqua”

v.10: alimentar o faminto (idem ao v. 7)

 

Promessas

v.8: “a tua luz romperá como a aurora”; “as feridas se curarão rapidamente”; “os atos de justiça irão à frente do justo”; “a glória de Deus o protegerá”

v.9: a reposta de Deus será rápida ao grito do justo

v.10: a luz do justo brilhará

Como vemos acima, às práticas ordenadas por Deus, aos atos concretos de justiça exigidos por Ele, correspondem as suas promessas. Essas promessas e práticas poderiam ser resumidas numa sentença: se amares o teu próximo como a ti mesmo, tu experimentarás o cuidado e o amor de Deus para contigo.

Essas são as “boas obras” que o Senhor espera de nós. É delas, sem dúvida, que nos fala o Cristo no evangelho quando diz: “...brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.

No evangelho, Cristo utiliza duas imagens muito simples, mas cheias de significado, para nos dizer qual é o papel do cristão no mundo. O cristão deve ser “sal” e “luz”.

Ora, qual o papel do sal? A finalidade do sal é “revelar” o sabor que já existe nos alimentos. Sem o sal, o alimento se torna insosso; com sal em demasia, se torna salgado e insuportável. O sal, na medida certa, nos faz perceber o verdadeiro sabor deste e daquele alimento. Assim também deve ser o cristão. Se ele não está presente no mundo como quem “revela” o sabor das coisas, ele não serve para nada. Se, por outro lado, ele quer dar o sabor dele às coisas, tudo fica insuportável, como um alimento onde só se sente o gosto do sal. O cristão deve ser, no mundo, uma presença sadia, que ajuda os homens a perceber o verdadeiro sentido das coisas a partir de Cristo.

A mesma reflexão serve para a luz. A luz serve para nos fazer ver com distinção as coisas. Nas trevas tropeçamos em tudo, confundimos as formas e corremos o risco de tomar uma coisa por outra. No escuro podemos tomar um veneno pensando ser remédio, porque não estamos vendo distintamente. Ao se acender a luz tudo se esclarece. Assim também o cristão. Ele deve ser luz, ou melhor, deve ser no mundo um portador da luz de Cristo, a fim de que as pessoas possam ver tudo com distinção e não tomar os “venenos” que estão por aí como se fossem “remédios”.

Depois de refletir sobre o papel do cristão no mundo em termos tão simples, mas tão ricos de significado, Cristo termina com a exortação: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.” O cristão deve estar no mundo como “sal” e “luz”; deve realizar boas obras, as obras justiça (cf. primeira leitura); todavia, ele não pode se esquecer de que Ele não é o centro, porque o objetivo de tudo é doxológico, ou seja, é que os homens “louvem o vosso Pai que está nos céus”. Se assim procedermos, sobretudo no final da nossa vida, veremos acontecer conosco o que diz o refrão do Salmo 111 rezado hoje: “Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez”. Naquele momento derradeiro da nossa existência, quando tudo se apagar, uma “luz” será acesa para nós e receberemos o fruto da caridade: o Reino eterno preparado por Cristo para nós.


Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida