Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 14º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/06/2017

26 de Junho de 2017

Sal e luz

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03/02/2017 10:48 - Atualizado em 03/02/2017 10:48

Sal e luz 0

03/02/2017 10:48 - Atualizado em 03/02/2017 10:48

Neste quinto domingo do Tempo Comum, a Igreja se reúne para celebrar o mistério da morte e ressurreição do Senhor Jesus. A liturgia da palavra da eucaristia dominical apresenta algumas características do discípulo de Cristo. As passagens bíblicas – Is 58,7-10; Sl 111; 1Cor 2,1-5; e, Mt 5,13-16 – permitem conhecer algo da profundidade da vocação cristã. Desta forma, depois de ter escutado o relato do chamado dos quatro primeiros discípulos (3º domingo do Tempo Comum) e o discurso das bem-aventurança (4º domingo do Tempo Comum), hoje, através do tema da luz e do sal, ficamos cientes do estilo de vida próprio esperado dos cristãos.

O Evangelho de Mt 5,13-16 pertence ao complexo conhecido como “Sermão da Montanha” (cf. Mt 5–7). O trecho escolhido pode ser dividido em duas partes. Na primeira, o autor trabalha a imagem do sal (cf. Mt 5,13), e na segunda, a imagem da luz (cf. Mt 5,14-16). Essas imagens – sal e luz – estão em referência direta ao modo de ser discípulo, pois seguem, imediatamente, o discurso das bem-aventuranças. É uma forte advertência aos seus seguidores para não perderem a centralidade da mensagem evangélica: “Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens (...) Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha”. Desta forma, o discipulado cristão corre sempre o risco de não se dar plenamente se os seguidores não cuidarem de realizar o testemunho em sua radicalidade.

O discurso, todavia, é positivo, visto que apresenta duas afirmações basilares sobre os discípulos: “Vos sois o sal da Terra”, e “vos sois a luz do mundo”. No Evangelho de João, é o próprio Jesus quem se atribui esta imagem: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). De fato, o sabor e a luz do discípulo decorrem do seu mestre. A vida de comunhão com Jesus precisa ser renovada a cada dia para que a qualidade do discípulo se mantenha. Sem dúvida, o processo de discipulado está assentado num viver com o Senhor, numa comunhão íntima de vida, num deixar-se transformar pela força do Espírito Santo em “outro Cristo”.

O modo de vida do discípulo precisa reproduzir o testemunho do próprio Senhor. Isto de tal forma que, em meio aos outros homens, nas vicissitudes do tempo e dos relacionamentos, o fiel pode comunicar a novidade do Evangelho – não apenas por um discurso preparado e religiosamente condicionado, mas por sua vivência real dos valores do amor, da misericórdia, da justiça e da bondade. Seria uma ferida grave se, em nome do próprio cristianismo, se adotasse um estilo de vida baseado na arrogância, na prepotência, no fechamento e no ódio... Não seria aqui, exatamente, que o sal perderia o sabor e se tornaria insosso? Ou, ainda, uma luz, que apesar de útil, se encontraria abafada por uma vasilha? Quando se torna mais fácil e conveniente apenas os discursos autoritários e simplistas, não se romperia o compromisso real com o Evangelho: bem-aventurado sois pobres em espíritos, aflitos, mansos, sedentos e famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz e até perseguidos e caluniados pela justiça (cf. Mt 5,1-12)?

Sal da terra e luz do mundo são imagens que dizem respeito a todos os batizados. Elas revelam a nossa vocação de continuadores do testemunho deixado por Jesus Cristo. Embora a beleza da vida cristã esteja, justamente, em encarnar os valores do Evangelho, é possível que isso se perca por meio de um modo de vida insosso e abafado. Fazendo eco da preocupação de Jesus, no evangelho de hoje, o Papa Francisco adverte seus filhos: “O cristão deveria ser uma pessoa luminosa, que dá luz, que dá sempre luz! Uma luz que não é sua, mas é dom de Deus, é o dom de Jesus. E nós levamos esta luz. Se o cristão apagar esta luz, a sua vida não terá sentido: é cristão só de nome, quem não leva a luz, uma vida sem sentido”.


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Sal e luz

03/02/2017 10:48 - Atualizado em 03/02/2017 10:48

Neste quinto domingo do Tempo Comum, a Igreja se reúne para celebrar o mistério da morte e ressurreição do Senhor Jesus. A liturgia da palavra da eucaristia dominical apresenta algumas características do discípulo de Cristo. As passagens bíblicas – Is 58,7-10; Sl 111; 1Cor 2,1-5; e, Mt 5,13-16 – permitem conhecer algo da profundidade da vocação cristã. Desta forma, depois de ter escutado o relato do chamado dos quatro primeiros discípulos (3º domingo do Tempo Comum) e o discurso das bem-aventurança (4º domingo do Tempo Comum), hoje, através do tema da luz e do sal, ficamos cientes do estilo de vida próprio esperado dos cristãos.

O Evangelho de Mt 5,13-16 pertence ao complexo conhecido como “Sermão da Montanha” (cf. Mt 5–7). O trecho escolhido pode ser dividido em duas partes. Na primeira, o autor trabalha a imagem do sal (cf. Mt 5,13), e na segunda, a imagem da luz (cf. Mt 5,14-16). Essas imagens – sal e luz – estão em referência direta ao modo de ser discípulo, pois seguem, imediatamente, o discurso das bem-aventuranças. É uma forte advertência aos seus seguidores para não perderem a centralidade da mensagem evangélica: “Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens (...) Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha”. Desta forma, o discipulado cristão corre sempre o risco de não se dar plenamente se os seguidores não cuidarem de realizar o testemunho em sua radicalidade.

O discurso, todavia, é positivo, visto que apresenta duas afirmações basilares sobre os discípulos: “Vos sois o sal da Terra”, e “vos sois a luz do mundo”. No Evangelho de João, é o próprio Jesus quem se atribui esta imagem: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). De fato, o sabor e a luz do discípulo decorrem do seu mestre. A vida de comunhão com Jesus precisa ser renovada a cada dia para que a qualidade do discípulo se mantenha. Sem dúvida, o processo de discipulado está assentado num viver com o Senhor, numa comunhão íntima de vida, num deixar-se transformar pela força do Espírito Santo em “outro Cristo”.

O modo de vida do discípulo precisa reproduzir o testemunho do próprio Senhor. Isto de tal forma que, em meio aos outros homens, nas vicissitudes do tempo e dos relacionamentos, o fiel pode comunicar a novidade do Evangelho – não apenas por um discurso preparado e religiosamente condicionado, mas por sua vivência real dos valores do amor, da misericórdia, da justiça e da bondade. Seria uma ferida grave se, em nome do próprio cristianismo, se adotasse um estilo de vida baseado na arrogância, na prepotência, no fechamento e no ódio... Não seria aqui, exatamente, que o sal perderia o sabor e se tornaria insosso? Ou, ainda, uma luz, que apesar de útil, se encontraria abafada por uma vasilha? Quando se torna mais fácil e conveniente apenas os discursos autoritários e simplistas, não se romperia o compromisso real com o Evangelho: bem-aventurado sois pobres em espíritos, aflitos, mansos, sedentos e famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz e até perseguidos e caluniados pela justiça (cf. Mt 5,1-12)?

Sal da terra e luz do mundo são imagens que dizem respeito a todos os batizados. Elas revelam a nossa vocação de continuadores do testemunho deixado por Jesus Cristo. Embora a beleza da vida cristã esteja, justamente, em encarnar os valores do Evangelho, é possível que isso se perca por meio de um modo de vida insosso e abafado. Fazendo eco da preocupação de Jesus, no evangelho de hoje, o Papa Francisco adverte seus filhos: “O cristão deveria ser uma pessoa luminosa, que dá luz, que dá sempre luz! Uma luz que não é sua, mas é dom de Deus, é o dom de Jesus. E nós levamos esta luz. Se o cristão apagar esta luz, a sua vida não terá sentido: é cristão só de nome, quem não leva a luz, uma vida sem sentido”.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida