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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/11/2017

19 de Novembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (78): Interpretação e tradução da Bíblia

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19 de Novembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (78): Interpretação e tradução da Bíblia

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13/01/2017 00:00 - Atualizado em 30/01/2017 16:33

A Palavra de Deus na Bíblia (78): Interpretação e tradução da Bíblia 0

13/01/2017 00:00 - Atualizado em 30/01/2017 16:33

No universo da interpretação bíblica, a exegese estabelece não somente a qualidade semântica do texto bíblico, isto é, possibilita aos leitores uma correta compreensão dos significados da Revelação ali incluídos, como também, e por isso mesmo, está posta em relação com outras ciências teológicas. Continuamos neste artigo a examinar essas relações.

2. Exegese e teologia dogmática

Sem ser seu único locus theologicus, a Santa Escritura constitui a base privilegiada dos estudos teológicos. Para interpretar a Escritura com exatidão científica e precisão, os teólogos necessitam do trabalho dos exegetas. De outro lado, os exegetas devem orientar suas pesquisas de tal maneira que o “estudo da Santa Escritura” possa efetivamente ser “como a alma da teologia” (Dei Verbum, 24). A este efeito, é preciso dar uma atenção particular ao conteúdo religioso dos escritos bíblicos[1].

A primeira afirmação do documento não pode passar despercebida ao leitor deste texto: ‘Sem ser seu único locus theologicus, a Santa Escritura constitui a base privilegiada dos estudos teológicos’. Exatamente isso, a Bíblia constitui-se com a tradição da Igreja a fonte do conhecimento da revelação. Nada se admite, por isso, sola Scriptura, como projetou erroneamente Lutero.

De outra parte, não se realiza e se estrutura a teologia católica sem o ardor, o estudo e o amor às Sagradas Escrituras, testemunha fidedigna da revelação, ‘alma da teologia’.

Os exegetas podem ajudar os dogmáticos a evitar dois extremos: de um lado o dualismo, que separa completamente uma verdade doutrinal de sua expressão linguística, considerada como sem importância; de outro lado o fundamentalismo que, confundindo o humano e o divino, considera como verdade revelada mesmo os aspectos contingentes das expressões humanas.

A colaboração entre exegetas e teólogos no universo da religião é de grande valia para os fiéis. Esses colaboram para a preservação de uma forma sadia da experiência religiosa, na qual a razão e a fé se relacionam de modo equânime, sem exclusões mútuas, que mutilam o rosto e a dinâmica da fé.

Destaco também a perspectiva do ‘fundamentalismo’ apresentada no documento, isto é, a força de sua imensa sedução sobre as massas no fundamentalismo existe, de modo inconfessado, na forma de ‘panteísmo’, uma fusão entre humano e divino. Não se trata de uma compreensão correta do Mistério da Encarnação, mas de uma distorção ou manipulação da fé, em geral, em vista do lucro pessoal e de finalidades pecuniárias.

Para evitar esses dois extremos é preciso distinguir sem separar, e assim aceitar uma tensão persistente. A Palavra de Deus exprimiu-se na obra de autores humanos. Pensamento e palavras são ao mesmo tempo de Deus e do homem, de maneira que tudo na Bíblia vem ao mesmo tempo de Deus e do autor inspirado.

Não se conclui, no entanto, que Deus tenha dado um valor absoluto ao condicionamento histórico de sua mensagem. Esta é suscetível de ser interpretada e atualizada, isto é, de ser separada, pelo menos parcialmente, de seu condicionamento histórico passado para ser transplantada no condicionamento histórico presente.

O exegeta estabelece as bases desta operação que o dogmático continua, levando em consideração os outros loci theologici[2] que contribuem ao desenvolvimento do dogma[3].

Passemos assim a outro campo não menos importante de relacionamento colaborativo entre a exegese e a teologia.

3. Exegese e teologia moral

Observações análogas podem ser feitas sobre as relações entre exegese e teologia moral. Aos relatos concernentes à história da salvação, a Bíblia une estreitamente múltiplas instruções sobre a conduta a ser mantida: mandamentos, interdições, prescrições jurídicas, exortações, invectivas proféticas, conselhos de sábios. Uma das tarefas da exegese consiste em precisar o alcance deste abundante material e em preparar, assim, o trabalho dos moralistas[4].

Em contato com a Palavra de Deus, o crente, como ouvinte do Verbo Encarnado, torna-se sábio, adquire conhecimento, ciência do absoluto e da realidade celeste, mas também percebe com clareza que nem todos os modos de proceder, nem todas as formas sociais de vida correspondem a este cabedal trazido pela revelação. Em outras palavras, a liberdade redimida do pecado tem uma trajetória própria, em consonância com o agir de Cristo.

Esta tarefa não é simples, pois muitas vezes os textos bíblicos não se preocupam em distinguir preceitos morais universais, prescrições de pureza ritual e ordens jurídicas particulares. Tudo é posto junto[5].

Referências:



[2] Tópicos ou temáticas teológicas!

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A Palavra de Deus na Bíblia (78): Interpretação e tradução da Bíblia

13/01/2017 00:00 - Atualizado em 30/01/2017 16:33

No universo da interpretação bíblica, a exegese estabelece não somente a qualidade semântica do texto bíblico, isto é, possibilita aos leitores uma correta compreensão dos significados da Revelação ali incluídos, como também, e por isso mesmo, está posta em relação com outras ciências teológicas. Continuamos neste artigo a examinar essas relações.

2. Exegese e teologia dogmática

Sem ser seu único locus theologicus, a Santa Escritura constitui a base privilegiada dos estudos teológicos. Para interpretar a Escritura com exatidão científica e precisão, os teólogos necessitam do trabalho dos exegetas. De outro lado, os exegetas devem orientar suas pesquisas de tal maneira que o “estudo da Santa Escritura” possa efetivamente ser “como a alma da teologia” (Dei Verbum, 24). A este efeito, é preciso dar uma atenção particular ao conteúdo religioso dos escritos bíblicos[1].

A primeira afirmação do documento não pode passar despercebida ao leitor deste texto: ‘Sem ser seu único locus theologicus, a Santa Escritura constitui a base privilegiada dos estudos teológicos’. Exatamente isso, a Bíblia constitui-se com a tradição da Igreja a fonte do conhecimento da revelação. Nada se admite, por isso, sola Scriptura, como projetou erroneamente Lutero.

De outra parte, não se realiza e se estrutura a teologia católica sem o ardor, o estudo e o amor às Sagradas Escrituras, testemunha fidedigna da revelação, ‘alma da teologia’.

Os exegetas podem ajudar os dogmáticos a evitar dois extremos: de um lado o dualismo, que separa completamente uma verdade doutrinal de sua expressão linguística, considerada como sem importância; de outro lado o fundamentalismo que, confundindo o humano e o divino, considera como verdade revelada mesmo os aspectos contingentes das expressões humanas.

A colaboração entre exegetas e teólogos no universo da religião é de grande valia para os fiéis. Esses colaboram para a preservação de uma forma sadia da experiência religiosa, na qual a razão e a fé se relacionam de modo equânime, sem exclusões mútuas, que mutilam o rosto e a dinâmica da fé.

Destaco também a perspectiva do ‘fundamentalismo’ apresentada no documento, isto é, a força de sua imensa sedução sobre as massas no fundamentalismo existe, de modo inconfessado, na forma de ‘panteísmo’, uma fusão entre humano e divino. Não se trata de uma compreensão correta do Mistério da Encarnação, mas de uma distorção ou manipulação da fé, em geral, em vista do lucro pessoal e de finalidades pecuniárias.

Para evitar esses dois extremos é preciso distinguir sem separar, e assim aceitar uma tensão persistente. A Palavra de Deus exprimiu-se na obra de autores humanos. Pensamento e palavras são ao mesmo tempo de Deus e do homem, de maneira que tudo na Bíblia vem ao mesmo tempo de Deus e do autor inspirado.

Não se conclui, no entanto, que Deus tenha dado um valor absoluto ao condicionamento histórico de sua mensagem. Esta é suscetível de ser interpretada e atualizada, isto é, de ser separada, pelo menos parcialmente, de seu condicionamento histórico passado para ser transplantada no condicionamento histórico presente.

O exegeta estabelece as bases desta operação que o dogmático continua, levando em consideração os outros loci theologici[2] que contribuem ao desenvolvimento do dogma[3].

Passemos assim a outro campo não menos importante de relacionamento colaborativo entre a exegese e a teologia.

3. Exegese e teologia moral

Observações análogas podem ser feitas sobre as relações entre exegese e teologia moral. Aos relatos concernentes à história da salvação, a Bíblia une estreitamente múltiplas instruções sobre a conduta a ser mantida: mandamentos, interdições, prescrições jurídicas, exortações, invectivas proféticas, conselhos de sábios. Uma das tarefas da exegese consiste em precisar o alcance deste abundante material e em preparar, assim, o trabalho dos moralistas[4].

Em contato com a Palavra de Deus, o crente, como ouvinte do Verbo Encarnado, torna-se sábio, adquire conhecimento, ciência do absoluto e da realidade celeste, mas também percebe com clareza que nem todos os modos de proceder, nem todas as formas sociais de vida correspondem a este cabedal trazido pela revelação. Em outras palavras, a liberdade redimida do pecado tem uma trajetória própria, em consonância com o agir de Cristo.

Esta tarefa não é simples, pois muitas vezes os textos bíblicos não se preocupam em distinguir preceitos morais universais, prescrições de pureza ritual e ordens jurídicas particulares. Tudo é posto junto[5].

Referências:



[2] Tópicos ou temáticas teológicas!

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica