Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 21/10/2017

21 de Outubro de 2017

Os bem-aventurados

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27/01/2017 13:48 - Atualizado em 27/01/2017 13:48

Os bem-aventurados 0

27/01/2017 13:48 - Atualizado em 27/01/2017 13:48

Celebrando o quarto do domingo do Tempo Comum, a Igreja escuta e proclama as bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12). Com este texto evangélico, se abre uma das páginas bíblicas mais importantes sobre a compreensão da vida cristã: o “Sermão da Montanha”. De fato, na sequência de seis domingos, começando com o 4º e concluindo com o 9º, a comunidade dos fiéis pode meditar sobre a maneira como deve viver no mundo, seguindo os ensinamentos de Jesus.

O sermão da montanha começa com o discurso sobre as bem-aventuranças – “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los” Na narrativa de Mateus, Jesus apresenta oito bem-aventurança: os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por causa da justiça e os injuriados por causa de Cristo. Para todas essas categorias de pessoas, normalmente compreendida como “sofredoras” ou até, em alguns casos “desgraçadas’, o Senhor afirma uma felicidade em função de uma promessa contrária à situação presente.

Este texto gera muitas perplexidades e dificuldade de entendimento na cultura atual, cuja mentalidade se caracteriza pela busca da “felicidade” no prazer. Ele parece dizer, numa leitura superficial, que é necessário, então, se fragilizar e se diminuir aqui para alcançar uma situação positiva no mundo que há de vir. Ainda mais, ao invés de buscar condições mais justas de vida para todos, se deveria, simplesmente, aceitar as condições de injustiça ou de sofrimento em prol de uma eternidade feliz. De forma nenhuma, o discurso das bem-aventuranças pode ser interpretado como um convite à passividade neste mundo em troca de benesses no céu.

Em primeiro lugar, as bem-aventuranças são um retrato do testemunho de vida de Jesus. Ele é o verdadeiro “feliz”, encarnando todas as situações descritas – o pobre, o aflito, o manso, o injustiçado, o misericordioso, o puro de coração, o pacífico, o perseguido por causa da justiça e o injuriado. E isso tudo por causa do seu compromisso e da sua perseverança na vivência da Palavra de Deus – caminho de reconstrução do ser humano e do mundo decaídos pelo pecado. Tais atitudes O conduziram a experimentar a hostilidade e a maldade dos seres humanos, fechados à realidade do amor divino, capaz de acolher e de perdoar. Desta forma, as bem-aventuranças não são um discurso para consolar, mas um paradigma, vivido por Cristo, deixado aos discípulos.

Depois, afastando a ideia de felicidade de prazer, o discípulo, por sua vez, precisa encarnar em sua vida o testemunho deixado pelo mestre. Assim, as bem-aventuranças não são palavras utópicas nem poéticas. Elas são um programa exigente de vida que coloca em cheque nossa fé e nosso seguimento. A felicidade aparece, então, como um redirecionamento total para a concretização da vontade divina e a compreensão das dificuldades de viver o amor incondicional: misericordioso, acolhedor e bondoso. Ressoa a pergunta sobre a disponibilidade dos discípulos de hoje: serão capazes de se comprometer com as demandas do Evangelho ao ponto de encarnarem eles também as bem-aventuranças? Na vivência do amor, serão eles ainda capazes de se tornarem pobres em espíritos, aflitos, mansos, sedentos e famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz e até perseguidos e caluniados pela justiça?

Abrindo o “Sermão da Montanha”, o discurso das bem-aventuranças apresenta, em primeiro plano, a vida de Jesus Cristo, servo de Deus, e, em segundo, o quadro exigente deixado aos seus discípulos. Na vivência dos valores evangélicos, a Igreja continua o testemunho do seu Senhor, encarnado o seu desejo de desenvolver neste mundo o Reino de Deus. Desta forma, a sua face e a dos seus membros refletem a do Cristo – “o bem-aventurado”.


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27/01/2017 13:48 - Atualizado em 27/01/2017 13:48

Celebrando o quarto do domingo do Tempo Comum, a Igreja escuta e proclama as bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12). Com este texto evangélico, se abre uma das páginas bíblicas mais importantes sobre a compreensão da vida cristã: o “Sermão da Montanha”. De fato, na sequência de seis domingos, começando com o 4º e concluindo com o 9º, a comunidade dos fiéis pode meditar sobre a maneira como deve viver no mundo, seguindo os ensinamentos de Jesus.

O sermão da montanha começa com o discurso sobre as bem-aventuranças – “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, e Jesus começou a ensiná-los” Na narrativa de Mateus, Jesus apresenta oito bem-aventurança: os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por causa da justiça e os injuriados por causa de Cristo. Para todas essas categorias de pessoas, normalmente compreendida como “sofredoras” ou até, em alguns casos “desgraçadas’, o Senhor afirma uma felicidade em função de uma promessa contrária à situação presente.

Este texto gera muitas perplexidades e dificuldade de entendimento na cultura atual, cuja mentalidade se caracteriza pela busca da “felicidade” no prazer. Ele parece dizer, numa leitura superficial, que é necessário, então, se fragilizar e se diminuir aqui para alcançar uma situação positiva no mundo que há de vir. Ainda mais, ao invés de buscar condições mais justas de vida para todos, se deveria, simplesmente, aceitar as condições de injustiça ou de sofrimento em prol de uma eternidade feliz. De forma nenhuma, o discurso das bem-aventuranças pode ser interpretado como um convite à passividade neste mundo em troca de benesses no céu.

Em primeiro lugar, as bem-aventuranças são um retrato do testemunho de vida de Jesus. Ele é o verdadeiro “feliz”, encarnando todas as situações descritas – o pobre, o aflito, o manso, o injustiçado, o misericordioso, o puro de coração, o pacífico, o perseguido por causa da justiça e o injuriado. E isso tudo por causa do seu compromisso e da sua perseverança na vivência da Palavra de Deus – caminho de reconstrução do ser humano e do mundo decaídos pelo pecado. Tais atitudes O conduziram a experimentar a hostilidade e a maldade dos seres humanos, fechados à realidade do amor divino, capaz de acolher e de perdoar. Desta forma, as bem-aventuranças não são um discurso para consolar, mas um paradigma, vivido por Cristo, deixado aos discípulos.

Depois, afastando a ideia de felicidade de prazer, o discípulo, por sua vez, precisa encarnar em sua vida o testemunho deixado pelo mestre. Assim, as bem-aventuranças não são palavras utópicas nem poéticas. Elas são um programa exigente de vida que coloca em cheque nossa fé e nosso seguimento. A felicidade aparece, então, como um redirecionamento total para a concretização da vontade divina e a compreensão das dificuldades de viver o amor incondicional: misericordioso, acolhedor e bondoso. Ressoa a pergunta sobre a disponibilidade dos discípulos de hoje: serão capazes de se comprometer com as demandas do Evangelho ao ponto de encarnarem eles também as bem-aventuranças? Na vivência do amor, serão eles ainda capazes de se tornarem pobres em espíritos, aflitos, mansos, sedentos e famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz e até perseguidos e caluniados pela justiça?

Abrindo o “Sermão da Montanha”, o discurso das bem-aventuranças apresenta, em primeiro plano, a vida de Jesus Cristo, servo de Deus, e, em segundo, o quadro exigente deixado aos seus discípulos. Na vivência dos valores evangélicos, a Igreja continua o testemunho do seu Senhor, encarnado o seu desejo de desenvolver neste mundo o Reino de Deus. Desta forma, a sua face e a dos seus membros refletem a do Cristo – “o bem-aventurado”.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida