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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/12/2017

16 de Dezembro de 2017

O Batismo do Senhor

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16 de Dezembro de 2017

O Batismo do Senhor

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07/01/2017 00:00

O Batismo do Senhor 0

07/01/2017 00:00

A Festa do Batismo do Senhor será celebrada nesse ano na primeira segunda-feira após o Domingo da Epifania. Com o Batismo do Senhor, encerra-se o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor – o ciclo de Natal. Na terça-feira após esta festa, iniciaremos a Primeira Semana do Tempo Comum, que, nesse início de ano, irá até a Terça-feira antes da Quaresma.

Comemoramos nesta festa a manifestação de Jesus como o Filho Amado, cheio do Espírito Santo, que veio para salvar a todos, e o início de sua vida pública. Isso acontece logo após o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito, tal como se submetera às demais observâncias legais que também não O obrigavam. João chamava as pessoas à penitência para preparar a vinda do Messias. Ele foi o precursor.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no Céu e na Terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19).

Por isso, junto com a bela manifestação da Trindade e da Missão de Jesus, esta festa nos faz refletir sobre a nossa vida batismal. A partir do Batismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. O Batismo é a porta por onde se entra na Igreja. Em virtude do Batismo, somos chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo. Como diz o Documento de Aparecida nº 209: “Os fiéis leigos são os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo a sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. São homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja”.

Às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, Aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, Ele irá começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão ele começou desde que Se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-Se publicamente a Israel e a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que Ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que Ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte, e morte de cruz.

Podemos fazer um paralelo de Isaías 42, do Servo sofredor com Jesus. Jesus, que é o Filho, é também o Servo sofredor anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que Ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, será tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na Terra”. O Senhor Deus estará sempre com Ele e Ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da Terra: Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

O batismo de João não é o Sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre Ele o Espírito como vida da sua vida. Então Ele, pleno do Espírito Santo que O ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Os cristãos são batizados na água e no Espírito (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de Sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao Se fazer homem igual a nós! O testemunho é dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia! 

Portanto, no Batismo está em jogo um bem infinitamente maior do que qualquer outro: a Graça e a Fé; a salvação eterna! Só por ignorância e por uma fé adormecida se pode explicar que muitas crianças sejam privadas pelos seus próprios pais, já cristãos, do maior dom da sua vida. Recordemos também a importância da Iniciação Cristã em nossas comunidades. Fazendo um itinerário batismal, teremos pessoas mais conscientes de sua missão e identidade. Esse caminho trilhado pela Igreja, e agora mais incrementado, deve ser uma oportunidade de, aproveitando a conclusão do Tempo do Natal, darmos passos em nossos trabalhos paroquiais para que a iniciação cristã seja uma realidade que nos ajude a encontrar o Senhor Jesus, tornarmo-nos seus discípulos e, consequentemente, anunciá-Lo ao mundo pela vida, testemunho e palavra. 


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O Batismo do Senhor

07/01/2017 00:00

A Festa do Batismo do Senhor será celebrada nesse ano na primeira segunda-feira após o Domingo da Epifania. Com o Batismo do Senhor, encerra-se o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor – o ciclo de Natal. Na terça-feira após esta festa, iniciaremos a Primeira Semana do Tempo Comum, que, nesse início de ano, irá até a Terça-feira antes da Quaresma.

Comemoramos nesta festa a manifestação de Jesus como o Filho Amado, cheio do Espírito Santo, que veio para salvar a todos, e o início de sua vida pública. Isso acontece logo após o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito, tal como se submetera às demais observâncias legais que também não O obrigavam. João chamava as pessoas à penitência para preparar a vinda do Messias. Ele foi o precursor.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no Céu e na Terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19).

Por isso, junto com a bela manifestação da Trindade e da Missão de Jesus, esta festa nos faz refletir sobre a nossa vida batismal. A partir do Batismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. O Batismo é a porta por onde se entra na Igreja. Em virtude do Batismo, somos chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo. Como diz o Documento de Aparecida nº 209: “Os fiéis leigos são os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Realizam, segundo a sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo. São homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja”.

Às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, Aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, Ele irá começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão ele começou desde que Se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-Se publicamente a Israel e a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que Ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que Ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte, e morte de cruz.

Podemos fazer um paralelo de Isaías 42, do Servo sofredor com Jesus. Jesus, que é o Filho, é também o Servo sofredor anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que Ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, será tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na Terra”. O Senhor Deus estará sempre com Ele e Ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da Terra: Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

O batismo de João não é o Sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre Ele o Espírito como vida da sua vida. Então Ele, pleno do Espírito Santo que O ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Os cristãos são batizados na água e no Espírito (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de Sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao Se fazer homem igual a nós! O testemunho é dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia! 

Portanto, no Batismo está em jogo um bem infinitamente maior do que qualquer outro: a Graça e a Fé; a salvação eterna! Só por ignorância e por uma fé adormecida se pode explicar que muitas crianças sejam privadas pelos seus próprios pais, já cristãos, do maior dom da sua vida. Recordemos também a importância da Iniciação Cristã em nossas comunidades. Fazendo um itinerário batismal, teremos pessoas mais conscientes de sua missão e identidade. Esse caminho trilhado pela Igreja, e agora mais incrementado, deve ser uma oportunidade de, aproveitando a conclusão do Tempo do Natal, darmos passos em nossos trabalhos paroquiais para que a iniciação cristã seja uma realidade que nos ajude a encontrar o Senhor Jesus, tornarmo-nos seus discípulos e, consequentemente, anunciá-Lo ao mundo pela vida, testemunho e palavra. 


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro