Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/02/2017

26 de Fevereiro de 2017

Vimos a estrela!

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05/01/2017 09:56 - Atualizado em 05/01/2017 09:56

Vimos a estrela! 0

05/01/2017 09:56 - Atualizado em 05/01/2017 09:56

No domingo seguinte ao dia 6 de janeiro, a Igreja celebra a manifestação de Jesus como Aquele que veio salvar o mundo inteiro: a Epifania, que significa “manifestação”. Os sábios que seguiram a estrela, também chamados reis ou magos, representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para encontrar e adorar Jesus, o Salvador, o Messias.

A Solenidade da Epifania convida todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo”. (LG. 17). Aqui temos o plano de Deus de fazer toda a humanidade participante da salvação em Cristo! Esta é a Boa Nova, o Evangelho. Por isso, devemos hoje dar graças a Deus por nossa vocação cristã. Para que isso aconteça é preciso que trilhemos o caminho dos sábios do Oriente. Qual será este caminho? Primeiramente é preciso estarmos atentos aos sinais de Deus, colocarmo-nos a caminho e termos o desejo de encontrá-Lo e adorá-Lo.

Na Primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 60, 1-6) descreve a glória de Jerusalém, para quem se levanta uma grande luz. Esta luz é Cristo, o Messias Salvador! Ele é a luz para Jerusalém e para a nova Jerusalém, a Igreja e toda a humanidade. Cumpre-se o que o profeta Isaías falara na primeira leitura: “Levanta-te, Jerusalém, acende as luzes, porque chegou tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor! Eis que está a Terra envolvida em trevas, e nuvens cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti! Levanta os olhos ao redor e vê: será uma inundação de camelos de Madiã e Efa; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor”! Mas, estejamos atentos, por que a festa de hoje esconde um drama: a Jerusalém segundo a carne não reconheceu o Salvador: “O rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém”. Ela conhecia a profecia, mas de nada lhe adiantou pela dureza de coração. É na nova Jerusalém, na Igreja, que somos nós, na nossa Mãe católica, que esta profecia de Isaías se cumpre. É a Igreja que acolherá todos os povos, unidos não pelos laços da carne, mas pela mesma fé em Cristo e o mesmo batismo no seu Espírito.

Na Segunda Leitura (Ef 3, 2-3ª.5-6), São Paulo nos fala de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não-judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, Ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela, qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir universalmente a todos, ao conduzir os pastores da Judéia e os sábios do Oriente, a fim de formar em Si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É a bela manifestação (Epifania) de que Aquele que nasceu em Belém veio para todo o universo.

Jerusalém (Mt 2,1-12), que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz que conduz ao Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, veem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem Nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante Dele e O adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe os presentes simbólicos: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para O que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos creem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”.

Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Há, com certeza, uma luz em seu caminho! Abra os olhos do coração e siga! Somos chamados também a ajudar os povos a enxergar essa luz! E com os sábios do Oriente, ajoelhemo-nos diante Daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria, Mãe de Deus: “ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-Lo até o fim”. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes”. “Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz”. (Rm 13, 13.12).

Peçamos ao Senhor que Ele nos faça seguir o mesmo itinerário percorrido pelos chamados “reis magos” e nos coloquemos a caminho.  Que a luz da estrela de Belém nos conduza ao encontro de Jesus Cristo Salvador, que nasceu em Belém e nos espera como frágil criança em um presépio pobre, Ele, o Menino Deus! Após este encontro, possamos também nós seguir por outro caminho: o caminho da conversão, o caminho da santidade, o caminho de uma vida nova. 


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05/01/2017 09:56 - Atualizado em 05/01/2017 09:56

No domingo seguinte ao dia 6 de janeiro, a Igreja celebra a manifestação de Jesus como Aquele que veio salvar o mundo inteiro: a Epifania, que significa “manifestação”. Os sábios que seguiram a estrela, também chamados reis ou magos, representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para encontrar e adorar Jesus, o Salvador, o Messias.

A Solenidade da Epifania convida todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo”. (LG. 17). Aqui temos o plano de Deus de fazer toda a humanidade participante da salvação em Cristo! Esta é a Boa Nova, o Evangelho. Por isso, devemos hoje dar graças a Deus por nossa vocação cristã. Para que isso aconteça é preciso que trilhemos o caminho dos sábios do Oriente. Qual será este caminho? Primeiramente é preciso estarmos atentos aos sinais de Deus, colocarmo-nos a caminho e termos o desejo de encontrá-Lo e adorá-Lo.

Na Primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 60, 1-6) descreve a glória de Jerusalém, para quem se levanta uma grande luz. Esta luz é Cristo, o Messias Salvador! Ele é a luz para Jerusalém e para a nova Jerusalém, a Igreja e toda a humanidade. Cumpre-se o que o profeta Isaías falara na primeira leitura: “Levanta-te, Jerusalém, acende as luzes, porque chegou tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor! Eis que está a Terra envolvida em trevas, e nuvens cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti! Levanta os olhos ao redor e vê: será uma inundação de camelos de Madiã e Efa; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor”! Mas, estejamos atentos, por que a festa de hoje esconde um drama: a Jerusalém segundo a carne não reconheceu o Salvador: “O rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém”. Ela conhecia a profecia, mas de nada lhe adiantou pela dureza de coração. É na nova Jerusalém, na Igreja, que somos nós, na nossa Mãe católica, que esta profecia de Isaías se cumpre. É a Igreja que acolherá todos os povos, unidos não pelos laços da carne, mas pela mesma fé em Cristo e o mesmo batismo no seu Espírito.

Na Segunda Leitura (Ef 3, 2-3ª.5-6), São Paulo nos fala de um Mistério escondido e que agora foi revelado: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Eis: com a visita dos pagãos vindos de longe, é prefigurado o anúncio do Evangelho aos não-judeus, aos pagãos, aos que desconheciam o Deus de Israel. Ainda Santo Agostinho, explicando o mistério da festa hodierna, explicava muito bem: “Ele é a nossa paz, Ele, que de dois povos fez um só (cf. Ef 2,14). Já se revela, qual pedra angular, este Recém-nascido que é anunciado e como tal aparece nos primórdios do nascimento. Começa a unir universalmente a todos, ao conduzir os pastores da Judéia e os sábios do Oriente, a fim de formar em Si mesmo, dos dois, um só homem novo, estabelecendo a paz. Paz para os que estão longe e paz para os que estão perto”. É a bela manifestação (Epifania) de que Aquele que nasceu em Belém veio para todo o universo.

Jerusalém (Mt 2,1-12), que conhecia a Palavra, não crê e, descrendo, não vê a Estrela, não vê a luz que conduz ao Menino. Os magos, pagãos, porque têm boa vontade e são humildes, veem a Estrela do Rei, deixam tudo, partem sem saber para onde iam, deixando-se guiar pela luz do Menino… e, assim, atingem o Inatingível e, vendo o Menino, reconhecem Nele o Deus perfeito: “ajoelharam-se diante Dele e O adoraram”. Com humildade, oferecem-lhe os presentes simbólicos: “Abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”: ouro para o Rei, incenso para o Deus, mirra para O que, feito homem, morrerá e será sepultado! Os magos creem e encontram o Menino e “sentiram uma alegria muito grande”.

Deixemo-nos guiar pela Estrela do Menino, deixemo-nos iluminar pela sua luz! Há, com certeza, uma luz em seu caminho! Abra os olhos do coração e siga! Somos chamados também a ajudar os povos a enxergar essa luz! E com os sábios do Oriente, ajoelhemo-nos diante Daquele que nasceu para nós e está nos braços da sempre Virgem Maria, Mãe de Deus: “ofereçamos-lhe nossos dons: não mais mirra, incenso e ouro, mas a nossa liberdade, a nossa consciência e a nossa decisão de segui-Lo até o fim”. Assim, alegrar-nos-emos com grande alegria e voltaremos ao mundo por outro caminho, “não em orgias e bebedeiras, nem em devassidão e libertinagem, nem em rixas e ciúmes”. “Mas vesti-vos do Senhor Jesus e não procureis satisfazer os desejos da carne. Deixemos as obras das trevas e vistamos a armadura da luz”. (Rm 13, 13.12).

Peçamos ao Senhor que Ele nos faça seguir o mesmo itinerário percorrido pelos chamados “reis magos” e nos coloquemos a caminho.  Que a luz da estrela de Belém nos conduza ao encontro de Jesus Cristo Salvador, que nasceu em Belém e nos espera como frágil criança em um presépio pobre, Ele, o Menino Deus! Após este encontro, possamos também nós seguir por outro caminho: o caminho da conversão, o caminho da santidade, o caminho de uma vida nova. 


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro