Arquidiocese do Rio de Janeiro

24º 20º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/04/2017

27 de Abril de 2017

Aos caríssimos sacerdotes

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01/01/2017 00:00 - Atualizado em 02/01/2017 10:23

Aos caríssimos sacerdotes 0

01/01/2017 00:00 - Atualizado em 02/01/2017 10:23

Estamos no final cronológico do ano civil, quando se fazem os “balanços, retrospectivas, prospectivas” e as pessoas são levadas a fazerem suas confraternizações, desejando um novo ano melhor. É o desejo inscrito no coração de todos nós: que construamos um tempo melhor com a graça de Deus.

Durante as homilias da Vigília e dia de Natal na Catedral tive a oportunidade de dirigir ao povo, mesmo via meios de comunicações arquidiocesanos, um pouco dos pensamentos e reflexões sobre o nosso estado atual e a missão da Igreja diante da situação mundial, nacional e local.

No dia de confraternização com os padres, no Sumaré, no momento da reflexão da Oração da Tarde (Vésperas), pudemos falar diretamente aos padres que trabalham na arquidiocese, tanto diocesanos como religiosos. Celebrávamos nesse dia a Festa de Santo Estêvão, primeiro mártir da Igreja, dentro da Oitava do Natal.

Nessa ocasião pude expressar minha gratidão pela colaboração e unidade do presbitério que serve ao povo de Deus nesta arquidiocese. Lembrei de todos os queridos irmãos presbíteros que são os primeiros colaboradores da ordem episcopal.

Agora que iniciamos um novo ano e estamos às portas da festa do padroeiro de nossa cidade e arquidiocese, São Sebastião, louvo a Deus pela missão e pela vida de cada sacerdote que doa e gasta sua vida nessa grande cidade para servir com alegria o povo de Deus.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que: “Cooperadores esclarecidos da Ordem episcopal, sua ajuda e instrumento, chamados para o serviço do povo de Deus, os presbíteros constituem com o seu bispo um único presbyterium com diversas funções. Onde quer que se encontre uma comunidade de fiéis, eles tornam, de certo modo, presente o bispo ao qual estão associados, de ânimo fiel e generoso, e cujos encargos e solicitude assumem, segundo a própria medida, traduzindo-os na prática do cuidado quotidiano dos fiéis” (52). “Os presbíteros exercem o seu ministério na comunhão com seu bispo. A promessa de obediência que fazem ao bispo no momento da ordenação, e o ósculo da paz dado pelo bispo no final da liturgia de ordenação, significam que o bispo os considera seus colaboradores, filhos, irmãos e amigos” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1567). “Os que foram elevados pela ordenação à Ordem do presbiterado estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental. Especialmente na diocese, a cujo serviço, sob o bispo respectivo estão consagrados, “formam um só presbitério” (53). A unidade do presbitério tem uma expressão litúrgica no costume segundo o qual, durante o rito da ordenação presbiteral, os presbíteros impõem também eles as mãos, depois do bispo” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1568).

Aqui no Edifício João Paulo II, no nosso auditório, o amado Papa Francisco, em discurso aos Bispos do Brasil, disse palavras iluminadas que sintetizam o que espero de cada um dos sacerdotes de nossa Arquidiocese: “A Igreja tem sempre a necessidade urgente de não desaprender a lição de Aparecida; não a pode esquecer. As redes da Igreja são frágeis, talvez remendadas; a barca da Igreja não tem a força dos grandes transatlânticos que cruzam os oceanos. E, contudo, Deus quer se manifestar justamente através dos nossos meios, meios pobres, por que é sempre Ele que está agindo. Queridos irmãos, o resultado do trabalho pastoral não assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor. Fazem falta certamente a tenacidade, a fadiga, o trabalho, o planejamento, a organização, mas, antes de tudo, vocês devem saber que a força da Igreja não reside nela própria, mas se esconde nas águas profundas de Deus, nas quais ela é chamada a lançar as redes. Outra lição que a Igreja deve sempre lembrar é que não pode afastar-se da simplicidade; caso contrário desaprende a linguagem do Mistério. E não só ela fica fora da porta do Mistério, mas, obviamente, não consegue entrar naqueles que pretendem da Igreja aquilo que não podem dar-se por si mesmos: Deus. Às vezes, perdemos aqueles que não nos entendem por que desaprendemos a simplicidade, inclusive importando de fora uma racionalidade alheia ao nosso povo. Sem a gramática da simplicidade, a Igreja se priva das condições que tornam possível «pescar» Deus nas águas profundas do seu Mistério. Uma última lembrança: Aparecida surgiu em um lugar de cruzamento. A estrada que ligava Rio, a capital, com São Paulo, a província empreendedora que estava nascendo, e Minas Gerais, as minas muito cobiçadas pelas cortes europeias: uma encruzilhada do Brasil colonial. Deus aparece nos cruzamentos. A Igreja no Brasil não pode esquecer esta vocação inscrita em si mesma desde a sua primeira respiração: ser capaz de sístole e diástole, de recolher e divulgar”. (https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130727_gmg-episcopato-brasile.html, acessado pela última vez no dia 26 de dezembro de 2016).

Eu tenho consciência das muitas dificuldades que, no desenvolvimento da sua ação evangelizadora, os padres encontram no exercício de seu ministério, que é uma riqueza imensa para a Igreja. Quero estar próximo de todos os que passam por momentos de provação ou de dificuldades, e enviar-lhes meu abraço e manifestar a minha vizinhança espiritual a todos os presbíteros de nossa Arquidiocese. Nunca é demais lembrar as palavras de São Paulo: “O poder, o senhorio, a glória e a sabedoria de Deus não se manifestam somente no que é grande e pleno; belo e saudável. A graça e a glória de Deus trilham ainda mais, por contraste, na fraqueza e na impotência, na loucura e no escândalo da cruz” (Cf. 1Cor 1-2): “quando a graça de Deus é derramada em vasos de argila, quando o tesouro do seu amor eterno, absolutamente gratuito e indestrutível, é recebido e carregado em mãos de barro, nas pobres e frágeis mãos da Igreja”. (cf. 2Cor 4,6-7, 12,7-10).

Por isso agradeço-lhes pelo importante trabalho pastoral de primeiros colaboradores da nossa ordem episcopal. Amar indistintamente aos fiéis e servir a todos com alegria é o binômio da felicidade ministerial.

Ao agradecer a todos os presbíteros de nossa Arquidiocese quero ainda lembrar a figura maiúscula do Cura d'Ars, que consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: "Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina". "Oh, como é grande o padre! [...] Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. [...] Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra-Se numa pequena hóstia".

Continua São João Maria Vianney: "Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a Terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. [...] Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a Terra [...]. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens [...]. Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. [...] O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós".

Queridos padres, ao fazer a retrospectiva deste ano e olhando osw desafios do ano que chega, repito: obrigado pelo seu SIM. O seu ministério é precioso para a Igreja e fundamental para a evangelização. Diante das dificuldades nunca lhes falte a materna proteção de Maria, nossa Mãe, Aparecida e da Penha. Que Deus nos ajude a viver sempre a unidade pedida por Cristo. Nunca lhes falte a graça de Deus e a proteção de São Sebastião! Deus os abençoe.


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Estamos no final cronológico do ano civil, quando se fazem os “balanços, retrospectivas, prospectivas” e as pessoas são levadas a fazerem suas confraternizações, desejando um novo ano melhor. É o desejo inscrito no coração de todos nós: que construamos um tempo melhor com a graça de Deus.

Durante as homilias da Vigília e dia de Natal na Catedral tive a oportunidade de dirigir ao povo, mesmo via meios de comunicações arquidiocesanos, um pouco dos pensamentos e reflexões sobre o nosso estado atual e a missão da Igreja diante da situação mundial, nacional e local.

No dia de confraternização com os padres, no Sumaré, no momento da reflexão da Oração da Tarde (Vésperas), pudemos falar diretamente aos padres que trabalham na arquidiocese, tanto diocesanos como religiosos. Celebrávamos nesse dia a Festa de Santo Estêvão, primeiro mártir da Igreja, dentro da Oitava do Natal.

Nessa ocasião pude expressar minha gratidão pela colaboração e unidade do presbitério que serve ao povo de Deus nesta arquidiocese. Lembrei de todos os queridos irmãos presbíteros que são os primeiros colaboradores da ordem episcopal.

Agora que iniciamos um novo ano e estamos às portas da festa do padroeiro de nossa cidade e arquidiocese, São Sebastião, louvo a Deus pela missão e pela vida de cada sacerdote que doa e gasta sua vida nessa grande cidade para servir com alegria o povo de Deus.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que: “Cooperadores esclarecidos da Ordem episcopal, sua ajuda e instrumento, chamados para o serviço do povo de Deus, os presbíteros constituem com o seu bispo um único presbyterium com diversas funções. Onde quer que se encontre uma comunidade de fiéis, eles tornam, de certo modo, presente o bispo ao qual estão associados, de ânimo fiel e generoso, e cujos encargos e solicitude assumem, segundo a própria medida, traduzindo-os na prática do cuidado quotidiano dos fiéis” (52). “Os presbíteros exercem o seu ministério na comunhão com seu bispo. A promessa de obediência que fazem ao bispo no momento da ordenação, e o ósculo da paz dado pelo bispo no final da liturgia de ordenação, significam que o bispo os considera seus colaboradores, filhos, irmãos e amigos” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1567). “Os que foram elevados pela ordenação à Ordem do presbiterado estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental. Especialmente na diocese, a cujo serviço, sob o bispo respectivo estão consagrados, “formam um só presbitério” (53). A unidade do presbitério tem uma expressão litúrgica no costume segundo o qual, durante o rito da ordenação presbiteral, os presbíteros impõem também eles as mãos, depois do bispo” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1568).

Aqui no Edifício João Paulo II, no nosso auditório, o amado Papa Francisco, em discurso aos Bispos do Brasil, disse palavras iluminadas que sintetizam o que espero de cada um dos sacerdotes de nossa Arquidiocese: “A Igreja tem sempre a necessidade urgente de não desaprender a lição de Aparecida; não a pode esquecer. As redes da Igreja são frágeis, talvez remendadas; a barca da Igreja não tem a força dos grandes transatlânticos que cruzam os oceanos. E, contudo, Deus quer se manifestar justamente através dos nossos meios, meios pobres, por que é sempre Ele que está agindo. Queridos irmãos, o resultado do trabalho pastoral não assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor. Fazem falta certamente a tenacidade, a fadiga, o trabalho, o planejamento, a organização, mas, antes de tudo, vocês devem saber que a força da Igreja não reside nela própria, mas se esconde nas águas profundas de Deus, nas quais ela é chamada a lançar as redes. Outra lição que a Igreja deve sempre lembrar é que não pode afastar-se da simplicidade; caso contrário desaprende a linguagem do Mistério. E não só ela fica fora da porta do Mistério, mas, obviamente, não consegue entrar naqueles que pretendem da Igreja aquilo que não podem dar-se por si mesmos: Deus. Às vezes, perdemos aqueles que não nos entendem por que desaprendemos a simplicidade, inclusive importando de fora uma racionalidade alheia ao nosso povo. Sem a gramática da simplicidade, a Igreja se priva das condições que tornam possível «pescar» Deus nas águas profundas do seu Mistério. Uma última lembrança: Aparecida surgiu em um lugar de cruzamento. A estrada que ligava Rio, a capital, com São Paulo, a província empreendedora que estava nascendo, e Minas Gerais, as minas muito cobiçadas pelas cortes europeias: uma encruzilhada do Brasil colonial. Deus aparece nos cruzamentos. A Igreja no Brasil não pode esquecer esta vocação inscrita em si mesma desde a sua primeira respiração: ser capaz de sístole e diástole, de recolher e divulgar”. (https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/july/documents/papa-francesco_20130727_gmg-episcopato-brasile.html, acessado pela última vez no dia 26 de dezembro de 2016).

Eu tenho consciência das muitas dificuldades que, no desenvolvimento da sua ação evangelizadora, os padres encontram no exercício de seu ministério, que é uma riqueza imensa para a Igreja. Quero estar próximo de todos os que passam por momentos de provação ou de dificuldades, e enviar-lhes meu abraço e manifestar a minha vizinhança espiritual a todos os presbíteros de nossa Arquidiocese. Nunca é demais lembrar as palavras de São Paulo: “O poder, o senhorio, a glória e a sabedoria de Deus não se manifestam somente no que é grande e pleno; belo e saudável. A graça e a glória de Deus trilham ainda mais, por contraste, na fraqueza e na impotência, na loucura e no escândalo da cruz” (Cf. 1Cor 1-2): “quando a graça de Deus é derramada em vasos de argila, quando o tesouro do seu amor eterno, absolutamente gratuito e indestrutível, é recebido e carregado em mãos de barro, nas pobres e frágeis mãos da Igreja”. (cf. 2Cor 4,6-7, 12,7-10).

Por isso agradeço-lhes pelo importante trabalho pastoral de primeiros colaboradores da nossa ordem episcopal. Amar indistintamente aos fiéis e servir a todos com alegria é o binômio da felicidade ministerial.

Ao agradecer a todos os presbíteros de nossa Arquidiocese quero ainda lembrar a figura maiúscula do Cura d'Ars, que consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: "Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina". "Oh, como é grande o padre! [...] Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. [...] Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do Céu e encerra-Se numa pequena hóstia".

Continua São João Maria Vianney: "Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a Terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. [...] Sem o padre, a Morte e a Paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a Terra [...]. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, se não houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens [...]. Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. [...] O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós".

Queridos padres, ao fazer a retrospectiva deste ano e olhando osw desafios do ano que chega, repito: obrigado pelo seu SIM. O seu ministério é precioso para a Igreja e fundamental para a evangelização. Diante das dificuldades nunca lhes falte a materna proteção de Maria, nossa Mãe, Aparecida e da Penha. Que Deus nos ajude a viver sempre a unidade pedida por Cristo. Nunca lhes falte a graça de Deus e a proteção de São Sebastião! Deus os abençoe.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro