Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/02/2017

26 de Fevereiro de 2017

50º Dia Mundial da Paz

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26 de Fevereiro de 2017

50º Dia Mundial da Paz

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02/01/2017 09:48 - Atualizado em 02/01/2017 09:48

50º Dia Mundial da Paz 0

02/01/2017 09:48 - Atualizado em 02/01/2017 09:48

No primeiro dia de cada ano, nós celebramos o Dia Mundial da Paz. Esta data foi instituída pelo Beato Papa Paulo VI e é costume o Papa enviar uma mensagem ao mundo a respeito do tema diferente para cada ano.

Para o 50º Dia Mundial da Paz, será a quarta mensagem do Papa Francisco, que tanto tem lutado pela paz, denunciando as atrocidades das guerras, particularmente na Síria e no Médio Oriente. Ele aprofundou o tema: “A não-violência: estilo de uma política para a paz”.

Logo no início de seu discurso, o Papa começa a dizer: “Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta ‘dignidade mais profunda’” (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

Na Mensagem, o Santo Padre tem os seguintes subtemas: 1 – Um mundo dilacerado, 2 – A Boa Nova, 3 – Mais poderosa que a violência, 4 – A raiz doméstica de uma política não-violenta e 5 – O meu convite.

Segundo o Papa Francisco: “nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nós tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016)

1- Um mundo dilacerado

Neste ponto, o Santo Padre começa mencionando as duas Guerras Mundiais, que foram completamente devastadoras para o mundo, mas, hoje, temos guerras “aos pedaços”. Vemos no atual momento, vários conflitos circundando o mundo. Não são mundiais, mas estes, por sua vez, tomam proporções também drásticas para o determinado povo e, é claro, para a humanidade. A violência não se pode responder com violência.

2- A Boa Nova

Neste segundo tópico, o Papa Francisco fala de Jesus, que é a Boa Nova ou ainda a Boa Notícia. Recorda o Papa que o próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: “Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos” (Mc 7, 21). “Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até o fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (Ef 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: “A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

3- Mais poderosa que a violência

A não-violência não significa uma passividade. Aqui neste ponto, o Papa cita grandes personalidades, como: Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, Martin Luther King Jr. e São João Paulo II. Quanto à Madre Teresa de Calcutá hoje canonizada, é mencionada quando ela recebe o seu prêmio Nobel da Paz em 1979: “declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: “Na nossa família não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros (...). E poderemos superar todo o mal que há no mundo”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ último acesso em: 13/12/2016).

4- A Raiz doméstica de uma política não violenta

Aqui neste tópico, o Papa vai apresentar a família como local da comunhão e do resgate dos valores que na sociedade estão se perdendo. Ele recorda a Exortação Apostólica Amoris Laetitia que fala sobre a família. “A partir da família, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade. Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero. Neste sentido, lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética. Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças”. (Amoris Laetitia, n.16/17 e 18).

(Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

5- O meu convite

O convite apresentado aqui é olhar para o Cristo e ver n’Ele a proposta para uma busca de paz. Paz esta que será fruto do coração. Aqui o Papa apresenta as Bem-aventuranças como modelo de busca desta não-violência. Assim, o Papa Francisco assegura: “no ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações palavras e gestos de violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. “Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

Paz no Rio de Janeiro

O convite do Papa é eloquente e deve calar profundamente na população da cidade e do Estado do Rio de Janeiro para construirmos e vivermos a tão sonhada paz urbana. Contemplando o Cristo Redentor, que de braços abertos acolhe a todos, vamos construir a paz, fruto da nossa ação de não-violência diária, numa cultura de diálogo e de tolerância. A paz vem do alto e brota no coração da pessoa. Quem a acolhe semeará a mesma ao redor. Ao contemplarmos tão bela cidade, deixemo-nos conduzir pelo “belo” e que contagie nosso coração para a bondade de fazer o bem aos outros. Ao mudarmos o calendário, a agenda ou dígito do ano, se não mudarmos o coração para viver a não-violência, por mais que desejemos um “feliz ano novo” em grandes festas, essa novidade feliz nunca chegará. Ao nos cumprimentarmos, estamos justamente desejando que sejamos construtores da paz porque a experimentamos no amor de Deus, presente em Cristo entre nós.

Que Deus nos inspire, no ano de 2017, a vivermos este propósito de sermos construtores da paz!

 

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50º Dia Mundial da Paz

02/01/2017 09:48 - Atualizado em 02/01/2017 09:48

No primeiro dia de cada ano, nós celebramos o Dia Mundial da Paz. Esta data foi instituída pelo Beato Papa Paulo VI e é costume o Papa enviar uma mensagem ao mundo a respeito do tema diferente para cada ano.

Para o 50º Dia Mundial da Paz, será a quarta mensagem do Papa Francisco, que tanto tem lutado pela paz, denunciando as atrocidades das guerras, particularmente na Síria e no Médio Oriente. Ele aprofundou o tema: “A não-violência: estilo de uma política para a paz”.

Logo no início de seu discurso, o Papa começa a dizer: “Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta ‘dignidade mais profunda’” (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

Na Mensagem, o Santo Padre tem os seguintes subtemas: 1 – Um mundo dilacerado, 2 – A Boa Nova, 3 – Mais poderosa que a violência, 4 – A raiz doméstica de uma política não-violenta e 5 – O meu convite.

Segundo o Papa Francisco: “nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nós tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016)

1- Um mundo dilacerado

Neste ponto, o Santo Padre começa mencionando as duas Guerras Mundiais, que foram completamente devastadoras para o mundo, mas, hoje, temos guerras “aos pedaços”. Vemos no atual momento, vários conflitos circundando o mundo. Não são mundiais, mas estes, por sua vez, tomam proporções também drásticas para o determinado povo e, é claro, para a humanidade. A violência não se pode responder com violência.

2- A Boa Nova

Neste segundo tópico, o Papa Francisco fala de Jesus, que é a Boa Nova ou ainda a Boa Notícia. Recorda o Papa que o próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: “Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos” (Mc 7, 21). “Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até o fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (Ef 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: “A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

3- Mais poderosa que a violência

A não-violência não significa uma passividade. Aqui neste ponto, o Papa cita grandes personalidades, como: Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, Martin Luther King Jr. e São João Paulo II. Quanto à Madre Teresa de Calcutá hoje canonizada, é mencionada quando ela recebe o seu prêmio Nobel da Paz em 1979: “declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: “Na nossa família não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros (...). E poderemos superar todo o mal que há no mundo”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ último acesso em: 13/12/2016).

4- A Raiz doméstica de uma política não violenta

Aqui neste tópico, o Papa vai apresentar a família como local da comunhão e do resgate dos valores que na sociedade estão se perdendo. Ele recorda a Exortação Apostólica Amoris Laetitia que fala sobre a família. “A partir da família, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade. Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero. Neste sentido, lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética. Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças”. (Amoris Laetitia, n.16/17 e 18).

(Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

5- O meu convite

O convite apresentado aqui é olhar para o Cristo e ver n’Ele a proposta para uma busca de paz. Paz esta que será fruto do coração. Aqui o Papa apresenta as Bem-aventuranças como modelo de busca desta não-violência. Assim, o Papa Francisco assegura: “no ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações palavras e gestos de violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. “Nada é impossível se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”. (Retirado do site: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/peace/documents/papa-francesco_20161208_messaggio-l-giornata-mondiale-pace-2017.html/ Último acesso em: 13/12/2016).

Paz no Rio de Janeiro

O convite do Papa é eloquente e deve calar profundamente na população da cidade e do Estado do Rio de Janeiro para construirmos e vivermos a tão sonhada paz urbana. Contemplando o Cristo Redentor, que de braços abertos acolhe a todos, vamos construir a paz, fruto da nossa ação de não-violência diária, numa cultura de diálogo e de tolerância. A paz vem do alto e brota no coração da pessoa. Quem a acolhe semeará a mesma ao redor. Ao contemplarmos tão bela cidade, deixemo-nos conduzir pelo “belo” e que contagie nosso coração para a bondade de fazer o bem aos outros. Ao mudarmos o calendário, a agenda ou dígito do ano, se não mudarmos o coração para viver a não-violência, por mais que desejemos um “feliz ano novo” em grandes festas, essa novidade feliz nunca chegará. Ao nos cumprimentarmos, estamos justamente desejando que sejamos construtores da paz porque a experimentamos no amor de Deus, presente em Cristo entre nós.

Que Deus nos inspire, no ano de 2017, a vivermos este propósito de sermos construtores da paz!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro