Arquidiocese do Rio de Janeiro

27º 15º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/07/2017

24 de Julho de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (76): Interpretação e tradução da Bíblia

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24 de Julho de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (76): Interpretação e tradução da Bíblia

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30/12/2016 11:09 - Atualizado em 30/12/2016 11:09

A Palavra de Deus na Bíblia (76): Interpretação e tradução da Bíblia 0

30/12/2016 11:09 - Atualizado em 30/12/2016 11:09

Nestes próximos artigos concluiremos a dimensão e a importância da tarefa do exegeta católico para a interpretação da Bíblia na Igreja.

Os professores de exegese devem comunicar aos estudantes uma profunda estima pela Santa Escritura, mostrando o quanto ela merece um estudo atento e objetivo que permita apreciar melhor seu valor literário, histórico, social e teológico1.

‘Comunicar profunda estima’ não é uma tarefa para meros pesquisadores de um antigo livro. O exegeta é um crente, um mestre, um amante da fé que as Escrituras comunicam e guardam. Não basta saber, é preciso que ele creia, vivencie e testemunhe o que estuda. Uma estima que permite o melhor apreçamento das Sagradas Escrituras.

Eles não podem se contentar em transmitir uma série de conhecimentos a serem registrados passivamente, mas devem dar uma iniciação aos métodos exegéticos, explicando suas principais operações para tornar os estudantes capazes de julgamento pessoal2.

Mestre na arte de produzir novos mestres das Escrituras. O Povo de Deus precisa de sacerdotes e diáconos que amem, pelo estudo e a oração (Lectio Divina) as Sagradas Escrituras. Nesta atmosfera religiosa de fanatismo, isto é de ruidosa ignorância, precisa-se de mestres na leitura e interpretação sábias, equilibradas e que realizem o que se lê!

Visto o tempo limitado que se dispõe, convém utilizar alternativamente duas maneiras de ensinar: de um lado, por meio de exposições sintéticas, que introduzem ao estudo de livros bíblicos inteiros e não deixem de lado nenhum setor importante do Antigo Testamento nem do Novo; de outro lado, por meio de análises aprofundadas de alguns textos bem escolhidos, que sejam ao mesmo tempo uma iniciação à prática da exegese. Tanto em um como em outro caso é preciso cuidar para não ser unilateral, isto é, de não se limitar nem a um comentário espiritual desprovido de base histórico-crítica, nem a um comentário histórico-crítico desprovido de conteúdo doutrinal e espiritual (cf Divino afflante SpirituE. B., 551-552; PC, De Sacra Scriptura recte docendaE. B., 598)3 .

Muito interessante que a Igreja recorde a necessidade de manter-se um sano equilíbrio entre ciência bíblica, acentuação pastoral e espiritualidade bíblica no ensino das Sagradas Escrituras. Esta recomendação da Igreja é válida em todas as instâncias de atuação do exegeta, do teólogo e do pastor. Nenhum grupo ou associação pastoral deve ser nutrido com uma formação, na qual este equilíbrio este ausente, em nome de facilitações (‘o Povo não entende...’) ou preferências pessoais.

O ensinamento deve mostrar ao mesmo tempo as raízes históricas dos escritos bíblicos, o aspecto deles enquanto palavra pessoal do Pai celeste que se dirige com amor a seus filhos (Dei Verbum, 21) e o papel indispensável que têm no ministério pastoral (2Tim 3,16):

21. A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da Palavra de Deus, quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito de uma vez para sempre, continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: “A palavra de Deus é viva e eficaz” (Hebr. 4,12), “capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados”, (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13).

A Igreja Católica jamais colocou em segundo plano o papel e a importância das Sagradas Escrituras na vida, na fé, e na espiritualidade: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo.”

4. Publicações

Como fruto da pesquisa e complemento do ensinamento, as publicações têm uma função de grande importância para o progresso e a difusão da exegese. Em nossos dias, a publicação não se realiza mais somente pelos textos impressos, mas também por outros meios, mais rápidos e mais potentes (rádio, televisão, técnicas eletrônicas), dos quais convém aprender a se servir4.

As publicações de alto nível científico são o instrumento principal de diálogo, de discussão e de cooperação entre os pesquisadores. Graças a elas a exegese católica pode se manter em relação recíproca com outros ambientes da pesquisa exegética e também com o mundo dos estudiosos em geral.

A curto prazo, são as outras publicações que prestam grandes serviços, pois se adaptam a diversas categorias de leitores, desde o público cultivado até as crianças dos catecismos, passando pelos grupos bíblicos, os movimentos apostólicos e as congregações religiosas.

Os exegetas dotados para a divulgação fazem uma obra extremamente útil e fecunda, indispensável para assegurar aos estudos exegéticos a irradiação que devem ter. Neste setor, a necessidade de atualização da mensagem bíblica faz-se sentir de maneira mais premente5.

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

3http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

4http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

5http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

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A Palavra de Deus na Bíblia (76): Interpretação e tradução da Bíblia

30/12/2016 11:09 - Atualizado em 30/12/2016 11:09

Nestes próximos artigos concluiremos a dimensão e a importância da tarefa do exegeta católico para a interpretação da Bíblia na Igreja.

Os professores de exegese devem comunicar aos estudantes uma profunda estima pela Santa Escritura, mostrando o quanto ela merece um estudo atento e objetivo que permita apreciar melhor seu valor literário, histórico, social e teológico1.

‘Comunicar profunda estima’ não é uma tarefa para meros pesquisadores de um antigo livro. O exegeta é um crente, um mestre, um amante da fé que as Escrituras comunicam e guardam. Não basta saber, é preciso que ele creia, vivencie e testemunhe o que estuda. Uma estima que permite o melhor apreçamento das Sagradas Escrituras.

Eles não podem se contentar em transmitir uma série de conhecimentos a serem registrados passivamente, mas devem dar uma iniciação aos métodos exegéticos, explicando suas principais operações para tornar os estudantes capazes de julgamento pessoal2.

Mestre na arte de produzir novos mestres das Escrituras. O Povo de Deus precisa de sacerdotes e diáconos que amem, pelo estudo e a oração (Lectio Divina) as Sagradas Escrituras. Nesta atmosfera religiosa de fanatismo, isto é de ruidosa ignorância, precisa-se de mestres na leitura e interpretação sábias, equilibradas e que realizem o que se lê!

Visto o tempo limitado que se dispõe, convém utilizar alternativamente duas maneiras de ensinar: de um lado, por meio de exposições sintéticas, que introduzem ao estudo de livros bíblicos inteiros e não deixem de lado nenhum setor importante do Antigo Testamento nem do Novo; de outro lado, por meio de análises aprofundadas de alguns textos bem escolhidos, que sejam ao mesmo tempo uma iniciação à prática da exegese. Tanto em um como em outro caso é preciso cuidar para não ser unilateral, isto é, de não se limitar nem a um comentário espiritual desprovido de base histórico-crítica, nem a um comentário histórico-crítico desprovido de conteúdo doutrinal e espiritual (cf Divino afflante SpirituE. B., 551-552; PC, De Sacra Scriptura recte docendaE. B., 598)3 .

Muito interessante que a Igreja recorde a necessidade de manter-se um sano equilíbrio entre ciência bíblica, acentuação pastoral e espiritualidade bíblica no ensino das Sagradas Escrituras. Esta recomendação da Igreja é válida em todas as instâncias de atuação do exegeta, do teólogo e do pastor. Nenhum grupo ou associação pastoral deve ser nutrido com uma formação, na qual este equilíbrio este ausente, em nome de facilitações (‘o Povo não entende...’) ou preferências pessoais.

O ensinamento deve mostrar ao mesmo tempo as raízes históricas dos escritos bíblicos, o aspecto deles enquanto palavra pessoal do Pai celeste que se dirige com amor a seus filhos (Dei Verbum, 21) e o papel indispensável que têm no ministério pastoral (2Tim 3,16):

21. A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da Palavra de Deus, quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito de uma vez para sempre, continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: “A palavra de Deus é viva e eficaz” (Hebr. 4,12), “capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados”, (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13).

A Igreja Católica jamais colocou em segundo plano o papel e a importância das Sagradas Escrituras na vida, na fé, e na espiritualidade: “A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo.”

4. Publicações

Como fruto da pesquisa e complemento do ensinamento, as publicações têm uma função de grande importância para o progresso e a difusão da exegese. Em nossos dias, a publicação não se realiza mais somente pelos textos impressos, mas também por outros meios, mais rápidos e mais potentes (rádio, televisão, técnicas eletrônicas), dos quais convém aprender a se servir4.

As publicações de alto nível científico são o instrumento principal de diálogo, de discussão e de cooperação entre os pesquisadores. Graças a elas a exegese católica pode se manter em relação recíproca com outros ambientes da pesquisa exegética e também com o mundo dos estudiosos em geral.

A curto prazo, são as outras publicações que prestam grandes serviços, pois se adaptam a diversas categorias de leitores, desde o público cultivado até as crianças dos catecismos, passando pelos grupos bíblicos, os movimentos apostólicos e as congregações religiosas.

Os exegetas dotados para a divulgação fazem uma obra extremamente útil e fecunda, indispensável para assegurar aos estudos exegéticos a irradiação que devem ter. Neste setor, a necessidade de atualização da mensagem bíblica faz-se sentir de maneira mais premente5.

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

3http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

4http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

5http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica