Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/06/2017

26 de Junho de 2017

O Senhor salva!

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30/12/2016 11:03 - Atualizado em 30/12/2016 11:03

O Senhor salva! 0

30/12/2016 11:03 - Atualizado em 30/12/2016 11:03

Neste domingo, o primeiro do ano civil, a Igreja se reúne para celebrar a solenidade de Santa Maria, mãe de Deus. Tal solenidade nos introduz no mistério da identidade mais própria de Jesus – a segunda pessoa da Santíssima Trindade encarnada – e a participação peculiar de Maria no plano da salvação – a mulher escolhida para ser a mãe do Salvador. Com a abertura do Ano Mariano, a Igreja do Brasil procura se voltar para a figura da Virgem com intuito de aprender dela a “celebrar, fazer memória e agradecer”. Desta forma, fechando a oitava de Natal, a festa da maternidade de Maria quer ser uma forte experiência de escuta e de obediência ao chamado divino.

Os textos proclamados na liturgia da palavra deste dia solene são Nm 6,22-27 – A bênção de Aarão, Gl 4,4-7 – O filho de Deus nascido de mulher e Lc 2,16-21 – O encontro com os pastores (Lc 2,16-20) e a Circuncisão e a imposição do nome “Jesus” (Lc 2,21). O texto evangélico continua a narrativa da infância de Jesus iniciada na solenidade do Natal. De acordo com o costume judaico, a criança era circuncisada oito dias depois de seu nascimento e, assim, se deu também com o Senhor: “Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido” (Lc 2,21). Este versículo final carrega um denso valor teológico encontrado nas ideias de circuncisão e da imposição do nome Jesus (“Deus-salva”).

O tema da circuncisão está ligado ao pacto de aliança, de pertença ao povo santo de Israel. Jesus, quando foi circuncidado, entrou no regime prescrito por Deus junto a Abraão: “E eis a minha aliança, que será observada entre mim e vós; isto é, tu raça depois de ti. Todos os vossos homens serão circuncisados. Farei circuncisar a carne do vosso prepúcio. Este será o sinal da aliança entre mim e vós” (Gn 17,10-11). No fundo, com a narrativa lucana da circuncisão, se posiciona a identidade judaica do Senhor e, com isso, a sua ligação com a história salvífica precedente, bem como com o cumprimento e a plenitude das promessas feitas por Deus aos pais e aos profetas na economia vétero-testamentária: “como prometera desde os tempos remotos pela boca dos profetas (...) e o juramento que fez ao nosso Pai, Abraão” (Lc 1,72-73). Tudo isto encontramos também no pensamento de São Paulo: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei” (Gl 4,4).

A imposição do nome do Menino está ligada ao evento da circuncisão. O Filho de Deus entra na história de Israel para oferecer a salvação para todos os homens. Por isso, o próprio nome “Ieshu‘a” porta a identidade, a vocação e a missão única daquele menino: “o Senhor salva!”. O nome de Jesus está formado pela referência ao impronunciável nome divino – o tetragrama sagrada – e a ação característica e particular de Deus – salvar. Apesar de Maria e José colocarem o nome no Menino na oitava do seu nascimento, ele já tinha sido dado por Deus através do anjo Gabriel: “eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus” (Lc 1,31). A chave de compreensão da encarnação e da vida do Senhor deve ser sempre o desígnio salvífico do Pai. De fato, o nome “o Senhor salva!” já aponta para os eventos da morte e ressurreição: ápice do processo de salvação da humanidade!

Neste primeiro dia do ano, domingo – Dia do Senhor, na Solenidade de Maria, mãe de Deus, a comunidade eclesial é conduzida pelo Espírito Santo ao memorial da salvação promulgado pelo próprio Pai, em seu Filho Jesus Cristo. Inserido na longa esteira das ações divina, o nascimento do Senhor aparece como o início do cumprimento e da plenitude do projeto salvífico. O Natal é a aurora do dia sem ocaso da salvação, que encontra seu cume na vitória do Ressuscitado.


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30/12/2016 11:03 - Atualizado em 30/12/2016 11:03

Neste domingo, o primeiro do ano civil, a Igreja se reúne para celebrar a solenidade de Santa Maria, mãe de Deus. Tal solenidade nos introduz no mistério da identidade mais própria de Jesus – a segunda pessoa da Santíssima Trindade encarnada – e a participação peculiar de Maria no plano da salvação – a mulher escolhida para ser a mãe do Salvador. Com a abertura do Ano Mariano, a Igreja do Brasil procura se voltar para a figura da Virgem com intuito de aprender dela a “celebrar, fazer memória e agradecer”. Desta forma, fechando a oitava de Natal, a festa da maternidade de Maria quer ser uma forte experiência de escuta e de obediência ao chamado divino.

Os textos proclamados na liturgia da palavra deste dia solene são Nm 6,22-27 – A bênção de Aarão, Gl 4,4-7 – O filho de Deus nascido de mulher e Lc 2,16-21 – O encontro com os pastores (Lc 2,16-20) e a Circuncisão e a imposição do nome “Jesus” (Lc 2,21). O texto evangélico continua a narrativa da infância de Jesus iniciada na solenidade do Natal. De acordo com o costume judaico, a criança era circuncisada oito dias depois de seu nascimento e, assim, se deu também com o Senhor: “Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido” (Lc 2,21). Este versículo final carrega um denso valor teológico encontrado nas ideias de circuncisão e da imposição do nome Jesus (“Deus-salva”).

O tema da circuncisão está ligado ao pacto de aliança, de pertença ao povo santo de Israel. Jesus, quando foi circuncidado, entrou no regime prescrito por Deus junto a Abraão: “E eis a minha aliança, que será observada entre mim e vós; isto é, tu raça depois de ti. Todos os vossos homens serão circuncisados. Farei circuncisar a carne do vosso prepúcio. Este será o sinal da aliança entre mim e vós” (Gn 17,10-11). No fundo, com a narrativa lucana da circuncisão, se posiciona a identidade judaica do Senhor e, com isso, a sua ligação com a história salvífica precedente, bem como com o cumprimento e a plenitude das promessas feitas por Deus aos pais e aos profetas na economia vétero-testamentária: “como prometera desde os tempos remotos pela boca dos profetas (...) e o juramento que fez ao nosso Pai, Abraão” (Lc 1,72-73). Tudo isto encontramos também no pensamento de São Paulo: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei” (Gl 4,4).

A imposição do nome do Menino está ligada ao evento da circuncisão. O Filho de Deus entra na história de Israel para oferecer a salvação para todos os homens. Por isso, o próprio nome “Ieshu‘a” porta a identidade, a vocação e a missão única daquele menino: “o Senhor salva!”. O nome de Jesus está formado pela referência ao impronunciável nome divino – o tetragrama sagrada – e a ação característica e particular de Deus – salvar. Apesar de Maria e José colocarem o nome no Menino na oitava do seu nascimento, ele já tinha sido dado por Deus através do anjo Gabriel: “eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus” (Lc 1,31). A chave de compreensão da encarnação e da vida do Senhor deve ser sempre o desígnio salvífico do Pai. De fato, o nome “o Senhor salva!” já aponta para os eventos da morte e ressurreição: ápice do processo de salvação da humanidade!

Neste primeiro dia do ano, domingo – Dia do Senhor, na Solenidade de Maria, mãe de Deus, a comunidade eclesial é conduzida pelo Espírito Santo ao memorial da salvação promulgado pelo próprio Pai, em seu Filho Jesus Cristo. Inserido na longa esteira das ações divina, o nascimento do Senhor aparece como o início do cumprimento e da plenitude do projeto salvífico. O Natal é a aurora do dia sem ocaso da salvação, que encontra seu cume na vitória do Ressuscitado.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida