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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/01/2017

19 de Janeiro de 2017

Sagrada Família!

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19 de Janeiro de 2017

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30/12/2016 10:30 - Atualizado em 30/12/2016 10:30

Sagrada Família! 0

30/12/2016 10:30 - Atualizado em 30/12/2016 10:30

No domingo da Oitava do Natal celebra-se a Festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Neste ano, porém, o Domingo após o Natal é dia 01 de janeiro, quando se celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Por isso, a Sagrada Família será celebrada, neste ano, no dia 30 de dezembro. Deus quis manifestar-Se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Neste dia celebramos o verdadeiro Dia da Família.

Para nós, cristãos, a família é sagrada: nasce do Sacramento do Matrimônio, no qual o marido e a esposa recebem a graça de viverem como sinal da aliança de amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Nascida do Matrimônio, a família vai crescendo pela fecundidade do amor humano, consagrado nas águas do Batismo de cada novo membro que nasce. E vai alimentando-se não somente da comida e da bebida da mesa de cada dia, mas, sobretudo, do pão e do vinho, Corpo e Sangue do Senhor, dado e recebido na Eucaristia. Estejamos atentos a este fato importantíssimo! A família não é uma realidade simplesmente humana, sociológica! A família é sagrada: querida por Deus, amada por Deus, criada por Deus, sustentada por Deus! Quem destrói a família peca gravemente contra Deus! E mais ainda: a família como Deus a pensou, repitamos para que não haja dúvida, é composta “nuclearmente” por um esposo, uma esposa e os filhos! É claro que nos atuais tempos muitas vezes estão presentes avós e outros parentes, alargando assim a família. Porém, os cristãos não poderão nunca pensar em outros modelos de convivência como sendo uma família nos moldes desejados por Deus. Ao vivermos num mundo plural, somos chamados a ser testemunhas do Plano de Deus e propor os caminhos do Senhor nestes tempos históricos.

A liturgia desta festa é muito rica. A Primeira Leitura (Eclo. 3, 3 - 7. 14 -17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

Na Segunda Leitura, São Paulo, (Cl 3, 12 - 21) enumera as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família; é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.

“O que Deus uniu não o separe o homem”. (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre, como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”. (Retirado do site: http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-familia-e-o-sinodo. Último acesso em: 04/12/2016).

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

Contudo, Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo. Nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do Matrimônio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano.

Nesse dia da Sagrada Família, quando o Evangelho nos mostra a unidade dela mesmo no momento da fuga para o Egito (Mt, 2, 13-15.19-23), e nos mostra a família de Nazaré inserida na tragédia humana que ilumina tantas perseguições e exílios de hoje, quando tantas famílias são expulsas de seus lares e começam uma caminhada de exílio por causa de tantas perseguições. As pessoas ainda não aprenderam a viver em fraternidade. Por isso a importância de celebrarmos a festa da família cristã e um ano especial dedicado à família, à luz do Ano Mariano. Nestes tempos tão sofridos de perseguição e intolerância, a vida na família cristã é necessária para o equilíbrio da pessoa e a caminhada na construção de um mundo mais justo, humano e cristão.

           
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Sagrada Família!

30/12/2016 10:30 - Atualizado em 30/12/2016 10:30

No domingo da Oitava do Natal celebra-se a Festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Neste ano, porém, o Domingo após o Natal é dia 01 de janeiro, quando se celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. Por isso, a Sagrada Família será celebrada, neste ano, no dia 30 de dezembro. Deus quis manifestar-Se aos homens integrado numa família humana. Ele quis nascer numa família, quis transformar a família num presépio vivo. Neste dia celebramos o verdadeiro Dia da Família.

Para nós, cristãos, a família é sagrada: nasce do Sacramento do Matrimônio, no qual o marido e a esposa recebem a graça de viverem como sinal da aliança de amor entre o Cristo-Esposo e a Igreja-Esposa. Nascida do Matrimônio, a família vai crescendo pela fecundidade do amor humano, consagrado nas águas do Batismo de cada novo membro que nasce. E vai alimentando-se não somente da comida e da bebida da mesa de cada dia, mas, sobretudo, do pão e do vinho, Corpo e Sangue do Senhor, dado e recebido na Eucaristia. Estejamos atentos a este fato importantíssimo! A família não é uma realidade simplesmente humana, sociológica! A família é sagrada: querida por Deus, amada por Deus, criada por Deus, sustentada por Deus! Quem destrói a família peca gravemente contra Deus! E mais ainda: a família como Deus a pensou, repitamos para que não haja dúvida, é composta “nuclearmente” por um esposo, uma esposa e os filhos! É claro que nos atuais tempos muitas vezes estão presentes avós e outros parentes, alargando assim a família. Porém, os cristãos não poderão nunca pensar em outros modelos de convivência como sendo uma família nos moldes desejados por Deus. Ao vivermos num mundo plural, somos chamados a ser testemunhas do Plano de Deus e propor os caminhos do Senhor nestes tempos históricos.

A liturgia desta festa é muito rica. A Primeira Leitura (Eclo. 3, 3 - 7. 14 -17) lembra aos filhos o dever de honrarem pai e mãe, de socorrê-los e compadecer-se deles na velhice, ter piedade, isto é, respeito e dedicação para com eles; isto é cumprimento da vontade de Deus.

Na Segunda Leitura, São Paulo, (Cl 3, 12 - 21) enumera as virtudes que devem reinar na família: sentimentos de compaixão, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportar-se uns aos outros com amor, perdoar-se mutuamente. Revestir-se de caridade e ser agradecidos. Se a família não estiver alicerçada no amor cristão, será muito difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações. Quando esse amor existe, tudo se supera, tudo se aceita; mas, se falta esse amor mútuo, tudo se faz sumamente pesado. E o único amor que perdura, não obstante os possíveis contrastes no seio da família; é aquele que tem o seu fundamento no amor de Deus.

“O que Deus uniu não o separe o homem”. (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projeto de Deus. “Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre, como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimônio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”. (Retirado do site: http://www.a12.com/formacao/detalhes/a-familia-e-o-sinodo. Último acesso em: 04/12/2016).

A família é a forma básica e mais simples da sociedade. É a principal escola de todas as virtudes sociais. É a sementeira da vida social, pois é na família que se pratica a obediência, a preocupação pelos outros, o sentido de responsabilidade, a compreensão e a ajuda mútua, a coordenação amorosa entre os diversos modos de ser. Está comprovado que a saúde de uma sociedade se mede pela saúde das famílias. Esta é a razão pela qual os ataques diretos à família são ataques diretos à própria sociedade, cujos resultados não tardam a manifestar-se.

Contudo, Maria e José educaram Jesus, em primeiro lugar, com o seu exemplo. Nos seus pais, Ele conheceu toda a beleza da fé, do amor a Deus e à sua Lei, assim como as exigências da justiça, que encontra o seu pleno cumprimento no amor (cf. Rm 13, 10). Deles aprendeu que antes de tudo é necessário realizar a vontade de Deus, e que o laço espiritual vale mais que o vínculo do sangue. A Sagrada Família de Nazaré é verdadeiramente o “protótipo” de cada família cristã que, unida no Sacramento do Matrimônio e alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, é chamada a realizar a maravilhosa vocação e missão de ser célula viva não apenas da sociedade, mas da Igreja, sinal e instrumento de unidade para todo o gênero humano.

Nesse dia da Sagrada Família, quando o Evangelho nos mostra a unidade dela mesmo no momento da fuga para o Egito (Mt, 2, 13-15.19-23), e nos mostra a família de Nazaré inserida na tragédia humana que ilumina tantas perseguições e exílios de hoje, quando tantas famílias são expulsas de seus lares e começam uma caminhada de exílio por causa de tantas perseguições. As pessoas ainda não aprenderam a viver em fraternidade. Por isso a importância de celebrarmos a festa da família cristã e um ano especial dedicado à família, à luz do Ano Mariano. Nestes tempos tão sofridos de perseguição e intolerância, a vida na família cristã é necessária para o equilíbrio da pessoa e a caminhada na construção de um mundo mais justo, humano e cristão.

           
Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro