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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/04/2017

27 de Abril de 2017

A árvore de Aleppo

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27 de Abril de 2017

A árvore de Aleppo

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27/12/2016 16:27 - Atualizado em 27/12/2016 16:27

A árvore de Aleppo 0

27/12/2016 16:27 - Atualizado em 27/12/2016 16:27

Após cinco anos do início da guerra civil na Síria, a população da cidade de Aleppo, devastada pela ação humana, acolheu com alegria a construção de um dos mais significativos símbolos do cristianismo para esta época do ano: a árvore de Natal.

Construída no bairro cristão de Aziziyeh, localizado na zona oeste da cidade, às vésperas do Natal, a árvore é o primeiro sinal da libertação do povo de Aleppo, como afirmou o responsável pela Associação responsável pela ajuda aos cristãos do Oriente, Alexandre Goodarzy, em entrevista concedida à ACI Imprensa: “estão muito felizes, porque para eles é o símbolo da vinda de Jesus, da paz, para eles é o Senhor da paz que está voltando para as suas vidas. Estão felizes de ver o símbolo do Natal. Inclusive os muçulmanos estão contentes com esta grande árvore.”

O sentimento que pairou nos corações de Aleppo tem fundamento.  A relação entre a árvore e o nascimento do Menino-Deus, remonta ao século VII, na Europa Central.  São Vilfrido, (634-710) era um monge anglo-saxão, que encontrava dificuldades em fazer a comunidade pagã abandonar os ídolos e acolher a realização da promessa messiânica.

Conta a lenda, que ele resolveu derrubar um velho e cultuado carvalho, que se encontrava diante de sua igreja. No momento em que a árvore caía, armava-se uma enorme tempestade. Quando os galhos tocaram o chão com grande estrondo, um raio partiu o tronco em quatro grandes pedaços, espalhando estilhaços de madeira por toda a parte. Mas, um pinheirinho, muito novo e verde, que nascera exatamente no lugar da queda, havia permanecido milagrosamente incólume.

Na noite de Natal, São Vilfrido associou o ocorrido ao nascimento de Jesus, ressaltando que o pinheirinho se conservava sempre verde, mesmo no inverno mais rigoroso e que, por isso, ele poderia também ser considerado um dos símbolos da imortalidade. A didática de São Vilfrido foi, ano após ano, sendo acolhida pelo povo e mais tarde repetida por São Bonifácio (637-754), numa pequena cidade da Alemanha, sempre no tempo de Natal, quando o solstício hibernal era normalmente carregado de tempestades e vendavais.

A associação entre a árvore e o nascimento de Jesus também desperta o interesse do povo, ao deparar-se com outras passagens bíblicas, em que a árvore aparece como um elemento importante: 1) a árvore da vida no meio do jardim (Gên. 2,9), como que significando distanciar-nos da morte e oferecer-nos a possibilidade de eternidade; 2) o Cristo ao se declarar “tronco” (videira, em Jo 15, 5), do qual os seus seguidores são os ramos, e sendo as boas obras (justiça, amor e paz) os frutos; 3) a videira, que precisava ser podada (Jo 15, 1-3) pelas tribulações, pela renúncia ao pecado etc., para dar frutos; 4) o madeiro da cruz, pelo qual Jesus, crucificado e morto, libertou-nos e abriu as portas do paraíso a todos (Gal. 3, 13-14).

A árvore de Aleppo abraça todas essas realidades e clama ao mundo: “seja acolhido Aquele que vem, para que todos tenham vida e vida em abundância.”

Paz na Terra!

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A árvore de Aleppo

27/12/2016 16:27 - Atualizado em 27/12/2016 16:27

Após cinco anos do início da guerra civil na Síria, a população da cidade de Aleppo, devastada pela ação humana, acolheu com alegria a construção de um dos mais significativos símbolos do cristianismo para esta época do ano: a árvore de Natal.

Construída no bairro cristão de Aziziyeh, localizado na zona oeste da cidade, às vésperas do Natal, a árvore é o primeiro sinal da libertação do povo de Aleppo, como afirmou o responsável pela Associação responsável pela ajuda aos cristãos do Oriente, Alexandre Goodarzy, em entrevista concedida à ACI Imprensa: “estão muito felizes, porque para eles é o símbolo da vinda de Jesus, da paz, para eles é o Senhor da paz que está voltando para as suas vidas. Estão felizes de ver o símbolo do Natal. Inclusive os muçulmanos estão contentes com esta grande árvore.”

O sentimento que pairou nos corações de Aleppo tem fundamento.  A relação entre a árvore e o nascimento do Menino-Deus, remonta ao século VII, na Europa Central.  São Vilfrido, (634-710) era um monge anglo-saxão, que encontrava dificuldades em fazer a comunidade pagã abandonar os ídolos e acolher a realização da promessa messiânica.

Conta a lenda, que ele resolveu derrubar um velho e cultuado carvalho, que se encontrava diante de sua igreja. No momento em que a árvore caía, armava-se uma enorme tempestade. Quando os galhos tocaram o chão com grande estrondo, um raio partiu o tronco em quatro grandes pedaços, espalhando estilhaços de madeira por toda a parte. Mas, um pinheirinho, muito novo e verde, que nascera exatamente no lugar da queda, havia permanecido milagrosamente incólume.

Na noite de Natal, São Vilfrido associou o ocorrido ao nascimento de Jesus, ressaltando que o pinheirinho se conservava sempre verde, mesmo no inverno mais rigoroso e que, por isso, ele poderia também ser considerado um dos símbolos da imortalidade. A didática de São Vilfrido foi, ano após ano, sendo acolhida pelo povo e mais tarde repetida por São Bonifácio (637-754), numa pequena cidade da Alemanha, sempre no tempo de Natal, quando o solstício hibernal era normalmente carregado de tempestades e vendavais.

A associação entre a árvore e o nascimento de Jesus também desperta o interesse do povo, ao deparar-se com outras passagens bíblicas, em que a árvore aparece como um elemento importante: 1) a árvore da vida no meio do jardim (Gên. 2,9), como que significando distanciar-nos da morte e oferecer-nos a possibilidade de eternidade; 2) o Cristo ao se declarar “tronco” (videira, em Jo 15, 5), do qual os seus seguidores são os ramos, e sendo as boas obras (justiça, amor e paz) os frutos; 3) a videira, que precisava ser podada (Jo 15, 1-3) pelas tribulações, pela renúncia ao pecado etc., para dar frutos; 4) o madeiro da cruz, pelo qual Jesus, crucificado e morto, libertou-nos e abriu as portas do paraíso a todos (Gal. 3, 13-14).

A árvore de Aleppo abraça todas essas realidades e clama ao mundo: “seja acolhido Aquele que vem, para que todos tenham vida e vida em abundância.”

Paz na Terra!

Michelle Figueiredo Neves
Autor

Michelle Figueiredo Neves

Ministra do Acolhimento