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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 07/12/2019

07 de Dezembro de 2019

“O Filho de Deus se fez homem”

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“O Filho de Deus se fez homem”

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20/09/2013 15:24 - Atualizado em 23/09/2013 15:50

“O Filho de Deus se fez homem” 0

20/09/2013 15:24 - Atualizado em 23/09/2013 15:50

Uma das verdades de nossa fé professa que Jesus Cristo é o Filho de Deus que assumiu nossa natureza humana em sua Pessoa Divina, a fim de redimi-la e de elevá-la. Após a Encarnação, a Pessoa do Verbo de Deus possui duas naturezas: a divina e a humana, de tal maneira que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ao longo dos primeiros séculos, a Igreja foi afirmando paulatinamente a sua fé. Através das heresias que se apresentavam, ela ia discernindo e rechaçando aquilo que não era de acordo com a sua maneira de crer.

 

As heresias Cristológicas

A primeira heresia cristológica que assolou a Igreja era a tentação de salientar mais a natureza divina de Jesus. Os gnósticos chegaram a afirmar que o corpo de Jesus era um corpo aparente e não real. A Igreja apresentou a realidade da Encarnação na qual Deus se fez carne. Depois, outro grupo vai afirmar que Jesus era um homem que foi adotado por Deus como Filho (adopcionismo) ou, ainda, que Jesus foi criado e estava subordinado ao Pai (arianismo). O Concílio de Nicéia, em 325, vai afirmar que Jesus e o Pai são consubstanciais, ou seja, ambos possuem a mesma e única substância divina e que o Pai gera Jesus. No século 5, o Nestorianismo defende que em Jesus existem duas pessoas (a humana e a divina). O Concílio de Éfeso, em 431, vai afirmar que existe uma única Pessoa divina em Jesus que vai assumir a natureza humana. O Apolinarismo acredita que a natureza divina fez o lugar da alma humana. Assim, Jesus não teria nem um conhecimento humano, nem uma vontade humana. O Concílio de Calcedônia, em 451, definiu que em Jesus as duas naturezas estão completas e possui todas as suas propriedades.

 

Jesus verdadeiro Deus

O Mistério da Santíssima Trindade afirma que existe uma única substância divina pertencente as três Pessoas divinas. Cada uma delas é Deus por inteiro, não existindo uma hierarquia ou uma subordinação entre elas. Todavia, em função da origem de cada uma destas, podemos afirmar uma distinção real pessoal: o Pai gera eternamente o Filho, o Filho é eternamente gerado pelo Pai e o Espírito procede do Pai e do Filho. Assim, o único Deus em três Pessoas vive sua unidade substancial e sua diferença pessoal e relacional.

Em Deus só existe uma única natureza e uma única operação. Todavia, cada Pessoa cumpre sua função salvífica segundo sua propriedade pessoal. Assim, é o Filho quem se Encarna, em sua Pessoa e natureza divina, com a missão de salvar os homens. Por natureza divina, queremos dizer que Ele é Deus plenamente: Ele possui a inteligência e a vontade divina. O Pai, o Filho e o Espírito possuem a mesma vontade, a mesma inteligência, a mesma potência e os mesmos atributos divinos.

 

Jesus verdadeiro homem

A Pessoa do Verbo com sua natureza divina assume a natureza humana. Com a natureza humana, entendemos que o Filho de Deus passa a ter uma alma humana, com seus atributos (paixões, inteligência, vontade e liberdade humana), e um corpo humano com suas propriedades.

 

O conhecimento humano de Jesus

Assim como todos os homens, Jesus tinha um conhecimento experimental das coisas e das pessoas dado no tempo e no espaço, de acordo com as vicissitudes de sua cultura. Ele crescia em sabedoria. Além disto, pela sua vida santíssima, Ele tinha uma penetração mística, pois sua inteligência humana estava em profunda comunhão com sua inteligência divina. Jesus manifestava o conhecimento das coisas divinas que veio revelar através de sua natureza humana para que os homens pudessem compreender estas verdades tão sublimes. As coisas que Jesus desconhecia em sua inteligência humana eram realidades que não lhe cabiam revelar. Em sua inteligência divina, Ele é a Verdade.

 

A vontade humana de Jesus

Jesus possui também duas vontades: a divina e a humana. Em sua vontade humana Jesus quis e obedeceu em tudo a sua vontade divina. Entre estas duas vontades existiam cooperação e subordinação da humana sob a divina. Elas não eram opostas nem contraditórias. Em sua natureza humana, Jesus foi fiel aos planos da vontade divina e aqui se revela, também, a sua santidade. 

 

O corpo de Jesus

Jesus assumiu não só uma alma humana, mas também um corpo. Assim, a divindade se expressou dentro das limitações corpóreas de tempo e lugar, dentro das possibilidades comunicativas e dentro das dimensões da humanidade. Por Jesus pode ser contemplado como um “Mistério”. Ele é uma realidade visível que nos deixa entrar em contato com uma realidade invisível. Através da humanidade de Cristo (sua expressões, seus sentimentos, suas palavras, seu silêncio e seus gestos), conhecemos e somos admitidos na amizade com Deus.

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, indicamos o CIC do número 470 até 478; o Compêndio do Catecismo, perguntas 90, 91, 92 e 93; e, o Youcat, perguntas 77 e 78.

 

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida

 

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“O Filho de Deus se fez homem”

20/09/2013 15:24 - Atualizado em 23/09/2013 15:50

Uma das verdades de nossa fé professa que Jesus Cristo é o Filho de Deus que assumiu nossa natureza humana em sua Pessoa Divina, a fim de redimi-la e de elevá-la. Após a Encarnação, a Pessoa do Verbo de Deus possui duas naturezas: a divina e a humana, de tal maneira que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ao longo dos primeiros séculos, a Igreja foi afirmando paulatinamente a sua fé. Através das heresias que se apresentavam, ela ia discernindo e rechaçando aquilo que não era de acordo com a sua maneira de crer.

 

As heresias Cristológicas

A primeira heresia cristológica que assolou a Igreja era a tentação de salientar mais a natureza divina de Jesus. Os gnósticos chegaram a afirmar que o corpo de Jesus era um corpo aparente e não real. A Igreja apresentou a realidade da Encarnação na qual Deus se fez carne. Depois, outro grupo vai afirmar que Jesus era um homem que foi adotado por Deus como Filho (adopcionismo) ou, ainda, que Jesus foi criado e estava subordinado ao Pai (arianismo). O Concílio de Nicéia, em 325, vai afirmar que Jesus e o Pai são consubstanciais, ou seja, ambos possuem a mesma e única substância divina e que o Pai gera Jesus. No século 5, o Nestorianismo defende que em Jesus existem duas pessoas (a humana e a divina). O Concílio de Éfeso, em 431, vai afirmar que existe uma única Pessoa divina em Jesus que vai assumir a natureza humana. O Apolinarismo acredita que a natureza divina fez o lugar da alma humana. Assim, Jesus não teria nem um conhecimento humano, nem uma vontade humana. O Concílio de Calcedônia, em 451, definiu que em Jesus as duas naturezas estão completas e possui todas as suas propriedades.

 

Jesus verdadeiro Deus

O Mistério da Santíssima Trindade afirma que existe uma única substância divina pertencente as três Pessoas divinas. Cada uma delas é Deus por inteiro, não existindo uma hierarquia ou uma subordinação entre elas. Todavia, em função da origem de cada uma destas, podemos afirmar uma distinção real pessoal: o Pai gera eternamente o Filho, o Filho é eternamente gerado pelo Pai e o Espírito procede do Pai e do Filho. Assim, o único Deus em três Pessoas vive sua unidade substancial e sua diferença pessoal e relacional.

Em Deus só existe uma única natureza e uma única operação. Todavia, cada Pessoa cumpre sua função salvífica segundo sua propriedade pessoal. Assim, é o Filho quem se Encarna, em sua Pessoa e natureza divina, com a missão de salvar os homens. Por natureza divina, queremos dizer que Ele é Deus plenamente: Ele possui a inteligência e a vontade divina. O Pai, o Filho e o Espírito possuem a mesma vontade, a mesma inteligência, a mesma potência e os mesmos atributos divinos.

 

Jesus verdadeiro homem

A Pessoa do Verbo com sua natureza divina assume a natureza humana. Com a natureza humana, entendemos que o Filho de Deus passa a ter uma alma humana, com seus atributos (paixões, inteligência, vontade e liberdade humana), e um corpo humano com suas propriedades.

 

O conhecimento humano de Jesus

Assim como todos os homens, Jesus tinha um conhecimento experimental das coisas e das pessoas dado no tempo e no espaço, de acordo com as vicissitudes de sua cultura. Ele crescia em sabedoria. Além disto, pela sua vida santíssima, Ele tinha uma penetração mística, pois sua inteligência humana estava em profunda comunhão com sua inteligência divina. Jesus manifestava o conhecimento das coisas divinas que veio revelar através de sua natureza humana para que os homens pudessem compreender estas verdades tão sublimes. As coisas que Jesus desconhecia em sua inteligência humana eram realidades que não lhe cabiam revelar. Em sua inteligência divina, Ele é a Verdade.

 

A vontade humana de Jesus

Jesus possui também duas vontades: a divina e a humana. Em sua vontade humana Jesus quis e obedeceu em tudo a sua vontade divina. Entre estas duas vontades existiam cooperação e subordinação da humana sob a divina. Elas não eram opostas nem contraditórias. Em sua natureza humana, Jesus foi fiel aos planos da vontade divina e aqui se revela, também, a sua santidade. 

 

O corpo de Jesus

Jesus assumiu não só uma alma humana, mas também um corpo. Assim, a divindade se expressou dentro das limitações corpóreas de tempo e lugar, dentro das possibilidades comunicativas e dentro das dimensões da humanidade. Por Jesus pode ser contemplado como um “Mistério”. Ele é uma realidade visível que nos deixa entrar em contato com uma realidade invisível. Através da humanidade de Cristo (sua expressões, seus sentimentos, suas palavras, seu silêncio e seus gestos), conhecemos e somos admitidos na amizade com Deus.

Para aprofundar...

Para saber mais sobre o assunto, indicamos o CIC do número 470 até 478; o Compêndio do Catecismo, perguntas 90, 91, 92 e 93; e, o Youcat, perguntas 77 e 78.

 

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida