Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/03/2019

20 de Março de 2019

O Cardeal da Esperança

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20 de Março de 2019

O Cardeal da Esperança

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14/12/2016 18:21 - Atualizado em 14/12/2016 18:22

O Cardeal da Esperança 0

14/12/2016 18:21 - Atualizado em 14/12/2016 18:22

Na plenitude da vida, viver é um grande dom, uma dádiva que supera qualquer contingência humana. Hoje a irmã morte veio ao encontro deste grande ícone da esperança, da caridade, e da fraternidade cristã e franciscana seu nome Paulo Evaristo Arns, seguidor fiel das pegadas de Francisco e Clara de Assis, pautou sua vida no carisma do poverello de Assis, se fez frade menor, seguindo o ideal da fraternidade, esposo da pobreza, irmão dos pobres, o frei Paulo Evaristo foi antes de tudo um irmão, um homem da esperança.

A graça de Deus na sua infinita bondade o chamou ao ministério sacerdotal e o frade soube testemunhar eloquentemente o carisma franciscano assumindo com simplicidade o sacramento da ordem, assim foi vivendo e servindo a Igreja como um sacerdote animador do povo de Deus nas mais diversas frentes de atuação missionária, sua missão de frade sacerdote foi como que fermento na massa, sal e luz da terra, junto aos pobres e desvalidos soube ser presença libertadora. Foi um professor exemplar e exímio formador das novas gerações franciscanas.

A missão da Igreja é um dom que se perpetua de forma universal e sem fronteiras, foi assim que a Igreja elegeu este irmão sacerdote filho de são Francisco ao grau do episcopado. Eleito bispo, arcebispo e criado Cardeal da Santa Igreja Romana, Dom Paulo foi sinal de esperança e ternura, foi um DOM de Deus no coração da Igreja universal, especialmente para a Igreja Particular de São Paulo, que por mais de 3 décadas foi cardeal arcebispo da grande metrópole, deixando marcado no coração da paulicéia o seu carisma da esperança contra toda esperança humana. Eu o conheci quando eu, ainda jovem estudante religioso, residindo em São Paulo, na Região Episcopal Santana, onde D. Paulo Evaristo era o Bispo Auxiliar encarregado da área. Em suas visitas à Paróquia de Nossa Senhora das Graças em Vila Nova Cachoeirinha pude começar a conhecer esse grande homem com quem neste ano tive a graça de concelebrar a missa agradecendo pelos seus 50 anos de episcopado.

Seu episcopado foi marcado pela esperança evangélica, o Evangelho palavra viva e encarnada, foi sua inspiração e lema, o bispo e cardeal da esperança viveu seu ministério com tão grande zelo e dedicação, especialmente nos tempos obscuros da história do Brasil, em tempos de exceção, como não lembrar deste Cardeal encorajando, incentivando, acolhendo, protegendo e amparando seu povo das perseguições cruéis e desumanas, protegendo as suas ovelhas e fiel ao diálogo ecumênico e inter-religioso também protegendo os não católicos e a todos dando guarida misericordiosa. Dom Paulo Evaristo foi sem dúvida como que o Evangelho encarnado nesse cenário de crueldade e morte. Assim ele promoveu a vida, foi profeta da esperança, guiando e conduzindo seu rebanho ao jeito de são Francisco de Assis seu patriarca, e em tempos de tão grande perseguição política ideológica e desumana, este destemido Cardeal foi capaz de ir na contramão da história, remando contramaré do sistema, ele foi o irmão de todo irmão, foi sinal vivo da esperança que acolhe, perdoa, anima e promove a vida ao jeito de Jesus cristo o eterno sacerdote.

No exercício pastoral de seu ministério episcopal, incentivou a Igreja no Brasil a alargar os horizontes da comunhão e participação ativa dos fieis leigos, a caminhar em comunhão com seus pastores, sendo protagonistas da ação missionária libertadora. Ele foi irmão dos pequenos e excluídos, dedicou-se incansavelmente pela causa dos oprimidos, defendeu a vida das crianças, incentivou e apoiou a fundação, junto à sua irmã Zilda Arns, da Pastoral da Criança no Brasil e que, depois, se expandiu para o resto do mundo. Dom Paulo Evaristo de fato foi um DOM especial para a Igreja no Brasil e no mundo inteiro, um DOM não somente de nome, mas de vida e testemunho.

O Cardeal Paulo Evaristo Arns foi um profeta da esperança defendendo os mais pobres e necessitados e denunciando as injustiças, usando o Evangelho como caminho de diálogo e de superação. Encarnou o Evangelho da Vida fazendo-se frade menor no meio dos menores e sempre foi uma presença luminosa nas periferias existências de São Paulo. Combateu o bom combate e permanecerá exemplo de justiça e de misericórdia para a Igreja e para todo o Brasil.

Hoje acolhido no seio da irmã morte, recebido no coração de Deus, este Deus que o saudoso purpurado soube amar concretamente no rosto dos excluídos, este Deus que Dom Paulo Evaristo serviu tão perfeitamente quando acolheu  a vocação franciscana,  abraçando para toda  a vida o carisma do Evangelho das bem aventuranças, foi o DOM Paulo irmão dos pequenos, Cardeal da esperança, profeta dos desprezados, promotor da vida, defensor dos direitos humanos, ícone da fraternidade e da paz.

Ao cumprimentar os meus veneráveis irmãos Cardeais, Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e Dom Frei Cláudio Hummes, OFM, sucessor de Dom Paulo e Arcebispo Emérito de São Paulo, bem como todos os bispos auxiliares e todo o presbitério da Arquidiocese de São Paulo, assim como a amada gente de Piratininga e paulista, bem como a família Franciscana, em nome da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e meu próprio, quero apresentar a Deus a prece especial, para que, do céu, Dom Paulo seja intercessor do Brasil, que precisa de esperança, de justiça e de paz. Recebi a notícia, enquanto celebrava a Eucaristia nesse horário e já coloquei no mesmo instante a intenção pelo repouso eterno do querido irmão que partiu.

Serão muitas histórias contadas sobre tão longevo cardeal, com muitos acontecimentos e fatos. Mas, sem dúvida, a grande razão de tudo o que D. Paulo realizou foi sua paixão pelo Cristo, por quem deu sua vida e, por causa d’Ele, pela causa dos irmãos mais necessitados. Foi um homem de Deus que serviu a Igreja com alegria.

Dom Paulo Evaristo Arns hoje recebe a coroa da glória eterna a ele reservada por tão nobre missão, que ficará eternamente gravado no coração da Igreja do Brasil e no mundo inteiro; foi um dom universal de  Deus que ama, e  jamais será esquecido na vida de seu povo, povo que ele soube amar, incansavelmente, com a ternura e a paixão franciscana de ser e viver. Obrigado, querido Dom Paulo Evaristo, nosso irmão, cardeal da esperança.

 

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O Cardeal da Esperança

14/12/2016 18:21 - Atualizado em 14/12/2016 18:22

Na plenitude da vida, viver é um grande dom, uma dádiva que supera qualquer contingência humana. Hoje a irmã morte veio ao encontro deste grande ícone da esperança, da caridade, e da fraternidade cristã e franciscana seu nome Paulo Evaristo Arns, seguidor fiel das pegadas de Francisco e Clara de Assis, pautou sua vida no carisma do poverello de Assis, se fez frade menor, seguindo o ideal da fraternidade, esposo da pobreza, irmão dos pobres, o frei Paulo Evaristo foi antes de tudo um irmão, um homem da esperança.

A graça de Deus na sua infinita bondade o chamou ao ministério sacerdotal e o frade soube testemunhar eloquentemente o carisma franciscano assumindo com simplicidade o sacramento da ordem, assim foi vivendo e servindo a Igreja como um sacerdote animador do povo de Deus nas mais diversas frentes de atuação missionária, sua missão de frade sacerdote foi como que fermento na massa, sal e luz da terra, junto aos pobres e desvalidos soube ser presença libertadora. Foi um professor exemplar e exímio formador das novas gerações franciscanas.

A missão da Igreja é um dom que se perpetua de forma universal e sem fronteiras, foi assim que a Igreja elegeu este irmão sacerdote filho de são Francisco ao grau do episcopado. Eleito bispo, arcebispo e criado Cardeal da Santa Igreja Romana, Dom Paulo foi sinal de esperança e ternura, foi um DOM de Deus no coração da Igreja universal, especialmente para a Igreja Particular de São Paulo, que por mais de 3 décadas foi cardeal arcebispo da grande metrópole, deixando marcado no coração da paulicéia o seu carisma da esperança contra toda esperança humana. Eu o conheci quando eu, ainda jovem estudante religioso, residindo em São Paulo, na Região Episcopal Santana, onde D. Paulo Evaristo era o Bispo Auxiliar encarregado da área. Em suas visitas à Paróquia de Nossa Senhora das Graças em Vila Nova Cachoeirinha pude começar a conhecer esse grande homem com quem neste ano tive a graça de concelebrar a missa agradecendo pelos seus 50 anos de episcopado.

Seu episcopado foi marcado pela esperança evangélica, o Evangelho palavra viva e encarnada, foi sua inspiração e lema, o bispo e cardeal da esperança viveu seu ministério com tão grande zelo e dedicação, especialmente nos tempos obscuros da história do Brasil, em tempos de exceção, como não lembrar deste Cardeal encorajando, incentivando, acolhendo, protegendo e amparando seu povo das perseguições cruéis e desumanas, protegendo as suas ovelhas e fiel ao diálogo ecumênico e inter-religioso também protegendo os não católicos e a todos dando guarida misericordiosa. Dom Paulo Evaristo foi sem dúvida como que o Evangelho encarnado nesse cenário de crueldade e morte. Assim ele promoveu a vida, foi profeta da esperança, guiando e conduzindo seu rebanho ao jeito de são Francisco de Assis seu patriarca, e em tempos de tão grande perseguição política ideológica e desumana, este destemido Cardeal foi capaz de ir na contramão da história, remando contramaré do sistema, ele foi o irmão de todo irmão, foi sinal vivo da esperança que acolhe, perdoa, anima e promove a vida ao jeito de Jesus cristo o eterno sacerdote.

No exercício pastoral de seu ministério episcopal, incentivou a Igreja no Brasil a alargar os horizontes da comunhão e participação ativa dos fieis leigos, a caminhar em comunhão com seus pastores, sendo protagonistas da ação missionária libertadora. Ele foi irmão dos pequenos e excluídos, dedicou-se incansavelmente pela causa dos oprimidos, defendeu a vida das crianças, incentivou e apoiou a fundação, junto à sua irmã Zilda Arns, da Pastoral da Criança no Brasil e que, depois, se expandiu para o resto do mundo. Dom Paulo Evaristo de fato foi um DOM especial para a Igreja no Brasil e no mundo inteiro, um DOM não somente de nome, mas de vida e testemunho.

O Cardeal Paulo Evaristo Arns foi um profeta da esperança defendendo os mais pobres e necessitados e denunciando as injustiças, usando o Evangelho como caminho de diálogo e de superação. Encarnou o Evangelho da Vida fazendo-se frade menor no meio dos menores e sempre foi uma presença luminosa nas periferias existências de São Paulo. Combateu o bom combate e permanecerá exemplo de justiça e de misericórdia para a Igreja e para todo o Brasil.

Hoje acolhido no seio da irmã morte, recebido no coração de Deus, este Deus que o saudoso purpurado soube amar concretamente no rosto dos excluídos, este Deus que Dom Paulo Evaristo serviu tão perfeitamente quando acolheu  a vocação franciscana,  abraçando para toda  a vida o carisma do Evangelho das bem aventuranças, foi o DOM Paulo irmão dos pequenos, Cardeal da esperança, profeta dos desprezados, promotor da vida, defensor dos direitos humanos, ícone da fraternidade e da paz.

Ao cumprimentar os meus veneráveis irmãos Cardeais, Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, e Dom Frei Cláudio Hummes, OFM, sucessor de Dom Paulo e Arcebispo Emérito de São Paulo, bem como todos os bispos auxiliares e todo o presbitério da Arquidiocese de São Paulo, assim como a amada gente de Piratininga e paulista, bem como a família Franciscana, em nome da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro e meu próprio, quero apresentar a Deus a prece especial, para que, do céu, Dom Paulo seja intercessor do Brasil, que precisa de esperança, de justiça e de paz. Recebi a notícia, enquanto celebrava a Eucaristia nesse horário e já coloquei no mesmo instante a intenção pelo repouso eterno do querido irmão que partiu.

Serão muitas histórias contadas sobre tão longevo cardeal, com muitos acontecimentos e fatos. Mas, sem dúvida, a grande razão de tudo o que D. Paulo realizou foi sua paixão pelo Cristo, por quem deu sua vida e, por causa d’Ele, pela causa dos irmãos mais necessitados. Foi um homem de Deus que serviu a Igreja com alegria.

Dom Paulo Evaristo Arns hoje recebe a coroa da glória eterna a ele reservada por tão nobre missão, que ficará eternamente gravado no coração da Igreja do Brasil e no mundo inteiro; foi um dom universal de  Deus que ama, e  jamais será esquecido na vida de seu povo, povo que ele soube amar, incansavelmente, com a ternura e a paixão franciscana de ser e viver. Obrigado, querido Dom Paulo Evaristo, nosso irmão, cardeal da esperança.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro