Arquidiocese do Rio de Janeiro

36º 27º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/01/2017

17 de Janeiro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (72): Interpretação e tradução da Bíblia

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17 de Janeiro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (72): Interpretação e tradução da Bíblia

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02/12/2016 17:45 - Atualizado em 02/12/2016 17:45

A Palavra de Deus na Bíblia (72): Interpretação e tradução da Bíblia 0

02/12/2016 17:45 - Atualizado em 02/12/2016 17:45

Neste artigo concluiremos a seção tão importante sobre o “Papel dos Diversos Membros da Igreja na Interpretação bíblica”, para iniciar a questão da função do exegeta na Igreja:

Reconhecendo a diversidade de dons e de funções que o Espírito coloca a serviço da comunidade, particularmente o dom de ensinar (1 Co 12,28-30; Rm 12,6-7; Ef 4,11-16), a Igreja concede sua estima àqueles que manifestam uma capacidade particular de contribuir à construção do Corpo do Cristo pela competência que têm na interpretação da Escritura (Divino afflante Spiritu, 46-48, E. B., 564-565; Dei Verbum, 23; PCB, Instrução sobre a historicidade dos Evangelhos, Introd.). Se bem que seus trabalhos não tenham sempre obtido o encorajamento que se lhes dá agora, os exegetas que colocam seu saber a serviço da Igreja encontram-se situados em uma rica tradição que se estende desde os primeiros séculos, com Orígenes e Jerônimo, até os tempos mais recentes, com o padre Lagrange e outros, e prolonga-se até nossos dias1.

Sim, os exegetas têm um papel discreto, mas importante, entre aqueles de outros cristãos. Eles situam-se na teia da Igreja, que tem por obrigação e dom, refletir sobe a relevância da interpretação da Igreja na decorrer de sua trajetória e missão: ‘manifestam uma capacidade particular de contribuir à construção do Corpo do Cristo pela competência que têm na interpretação da Escritura’.

Particularmente a pesquisa do sentido literal da Escritura, sobre o qual doravante insiste-se tanto, requer os esforços conjugados daqueles que têm competências em matéria de línguas antigas, de história e de cultura, de crítica textual e de análise de formas literárias, e que sabem utilizar os métodos da crítica científica.

Além desta atenção ao texto em seu contexto histórico original, a Igreja confia em exegetas animados pelo mesmo Espírito que inspirou a Escritura para assegurar que “um maior número possível de servidores da Palavra de Deus esteja à altura de oferecer efetivamente ao povo de Deus o alimento das Escrituras” (Divino afflante Spiritu, 24; 53-55; E. B., 551, 567; Dei Verbum, 23; Paulo VI, Sedula cura [1971]). Um motivo de satisfação é dado à nossa época pelo número crescente de mulheres exegetas, que trazem mais de uma vez à interpretação da Escritura novas visões mais penetrantes e colocam em evidência aspectos que tinham caído no esquecimento2.

A Igreja destaca a presença, nunca totalmente extinta da voz feminina na exegeta cristã, dada a extensa carreira de doutoras no trajeto da interpretação bíblica ao longo da História da Igreja.

Se as Escrituras, como se lembrou acima, são o bem da Igreja inteira e fazem parte da “herança da fé” que todos, pastores e fiéis, “conservam, professam e colocam em prática em um esforço comum”, é bem verdade no entanto que a “tarefa de interpretar de maneira autêntica a Palavra de Deus, transmitida pela Escritura ou pela Tradição, foi confiada unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade exerce-se em nome de Jesus Cristo” (Dei Verbum, 10).

Assim, em última análise, é o Magistério que tem a tarefa de garantir a autenticidade de interpretação e de indicar, quando ocorre, que uma ou outra interpretação particular é incompatível com o autêntico Evangelho. Ele desempenha encargo no interior da koinônia3 do Corpo, exprimindo oficialmente a fé da Igreja para servir a Igreja; para este efeito ele consulta teólogos, exegetas e outros expertos, dos quais reconhece a legítima liberdade e com os quais permanece ligado por uma relação recíproca com o fim comum de “conservar o povo de Deus na verdade que torna livre” (CDF, Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo, 21)4.

No serviço único e indispensável do magistério, a consulta a exegetas e teólogos católicos exprime a Koinonia da Igreja e a dignidade dos carismas na construção da Igreja inteira, pela Verdade que liberta!

A tarefa dos exegetas

A tarefa dos exegetas católicos comporta vários aspectos. É uma tarefa de Igreja, pois ela consiste em estudar e explicar a Santa Escritura de maneira a colocar todas as riquezas à disposição dos pastores e dos fiéis. Mas é ao mesmo tempo uma tarefa científica que coloca o exegeta católico em relação com seus colegas não católicos e com vários setores da pesquisa científica. De outro lado, esta tarefa compreende ao mesmo tempo o trabalho de pesquisa e aquele de ensinamento. Tanto um como outro concluem normalmente em publicações5.

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

3Koinonia é uma palavra de origem grega e significa “comunhão”. Este termo se tornou muito comum entre os cristãos, sendo utilizado no sentido de companheirismo, participação, compartilhamento e contribuição com o próximo e com Deus. Com a tradução da bíblia hebraica para o grego, o termo koinonia foi inserido no Novo Testamento, aparecendo pela primeira vez no livro de Atos 2:42, explicando como a vida cristã era compartilhada pelos crentes de Jerusalém. Cf. https://www.significados.com.br/koinonia/

4http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

5http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV


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A Palavra de Deus na Bíblia (72): Interpretação e tradução da Bíblia

02/12/2016 17:45 - Atualizado em 02/12/2016 17:45

Neste artigo concluiremos a seção tão importante sobre o “Papel dos Diversos Membros da Igreja na Interpretação bíblica”, para iniciar a questão da função do exegeta na Igreja:

Reconhecendo a diversidade de dons e de funções que o Espírito coloca a serviço da comunidade, particularmente o dom de ensinar (1 Co 12,28-30; Rm 12,6-7; Ef 4,11-16), a Igreja concede sua estima àqueles que manifestam uma capacidade particular de contribuir à construção do Corpo do Cristo pela competência que têm na interpretação da Escritura (Divino afflante Spiritu, 46-48, E. B., 564-565; Dei Verbum, 23; PCB, Instrução sobre a historicidade dos Evangelhos, Introd.). Se bem que seus trabalhos não tenham sempre obtido o encorajamento que se lhes dá agora, os exegetas que colocam seu saber a serviço da Igreja encontram-se situados em uma rica tradição que se estende desde os primeiros séculos, com Orígenes e Jerônimo, até os tempos mais recentes, com o padre Lagrange e outros, e prolonga-se até nossos dias1.

Sim, os exegetas têm um papel discreto, mas importante, entre aqueles de outros cristãos. Eles situam-se na teia da Igreja, que tem por obrigação e dom, refletir sobe a relevância da interpretação da Igreja na decorrer de sua trajetória e missão: ‘manifestam uma capacidade particular de contribuir à construção do Corpo do Cristo pela competência que têm na interpretação da Escritura’.

Particularmente a pesquisa do sentido literal da Escritura, sobre o qual doravante insiste-se tanto, requer os esforços conjugados daqueles que têm competências em matéria de línguas antigas, de história e de cultura, de crítica textual e de análise de formas literárias, e que sabem utilizar os métodos da crítica científica.

Além desta atenção ao texto em seu contexto histórico original, a Igreja confia em exegetas animados pelo mesmo Espírito que inspirou a Escritura para assegurar que “um maior número possível de servidores da Palavra de Deus esteja à altura de oferecer efetivamente ao povo de Deus o alimento das Escrituras” (Divino afflante Spiritu, 24; 53-55; E. B., 551, 567; Dei Verbum, 23; Paulo VI, Sedula cura [1971]). Um motivo de satisfação é dado à nossa época pelo número crescente de mulheres exegetas, que trazem mais de uma vez à interpretação da Escritura novas visões mais penetrantes e colocam em evidência aspectos que tinham caído no esquecimento2.

A Igreja destaca a presença, nunca totalmente extinta da voz feminina na exegeta cristã, dada a extensa carreira de doutoras no trajeto da interpretação bíblica ao longo da História da Igreja.

Se as Escrituras, como se lembrou acima, são o bem da Igreja inteira e fazem parte da “herança da fé” que todos, pastores e fiéis, “conservam, professam e colocam em prática em um esforço comum”, é bem verdade no entanto que a “tarefa de interpretar de maneira autêntica a Palavra de Deus, transmitida pela Escritura ou pela Tradição, foi confiada unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade exerce-se em nome de Jesus Cristo” (Dei Verbum, 10).

Assim, em última análise, é o Magistério que tem a tarefa de garantir a autenticidade de interpretação e de indicar, quando ocorre, que uma ou outra interpretação particular é incompatível com o autêntico Evangelho. Ele desempenha encargo no interior da koinônia3 do Corpo, exprimindo oficialmente a fé da Igreja para servir a Igreja; para este efeito ele consulta teólogos, exegetas e outros expertos, dos quais reconhece a legítima liberdade e com os quais permanece ligado por uma relação recíproca com o fim comum de “conservar o povo de Deus na verdade que torna livre” (CDF, Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo, 21)4.

No serviço único e indispensável do magistério, a consulta a exegetas e teólogos católicos exprime a Koinonia da Igreja e a dignidade dos carismas na construção da Igreja inteira, pela Verdade que liberta!

A tarefa dos exegetas

A tarefa dos exegetas católicos comporta vários aspectos. É uma tarefa de Igreja, pois ela consiste em estudar e explicar a Santa Escritura de maneira a colocar todas as riquezas à disposição dos pastores e dos fiéis. Mas é ao mesmo tempo uma tarefa científica que coloca o exegeta católico em relação com seus colegas não católicos e com vários setores da pesquisa científica. De outro lado, esta tarefa compreende ao mesmo tempo o trabalho de pesquisa e aquele de ensinamento. Tanto um como outro concluem normalmente em publicações5.

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

3Koinonia é uma palavra de origem grega e significa “comunhão”. Este termo se tornou muito comum entre os cristãos, sendo utilizado no sentido de companheirismo, participação, compartilhamento e contribuição com o próximo e com Deus. Com a tradução da bíblia hebraica para o grego, o termo koinonia foi inserido no Novo Testamento, aparecendo pela primeira vez no livro de Atos 2:42, explicando como a vida cristã era compartilhada pelos crentes de Jerusalém. Cf. https://www.significados.com.br/koinonia/

4http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

5http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV


Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica