Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/07/2017

24 de Julho de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (71): Interpretação e tradução da Bíblia

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24 de Julho de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (71): Interpretação e tradução da Bíblia

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25/11/2016 00:00

A Palavra de Deus na Bíblia (71): Interpretação e tradução da Bíblia 0

25/11/2016 00:00

Neste artigo concluiremos a seção dedicada a “O Papel dos diversos membros da Igreja na interpretação”, fonte de grande interesse no momento em que a Igreja no século XXI se autorreconhece como uma comunidade fraterna, em que papéis diversos não anulam a igualdade fundamental entre batizados.

O papel dos ministros ordenados, por carisma e função, garante que a interpretação dos fiéis, inspirada no sensus fidelium, seja correta e útil ao bom cumprimento da vida eclesial.

Enquanto presidentes da comunidade eucarística e educadores da fé, os ministros da Palavra têm como tarefa principal não apenas dar um ensinamento, mas ajudar os fiéis a entender e discernir o que a Palavra de Deus lhes diz ao coração quando eles escutam e meditam as Escrituras. É assim que o conjunto da Igreja local, segundo o modelo de Israel, povo de Deus (Ex 19,5-6), torna-se uma comunidade que sabe que Deus lhe fala (cf Jo 6,45) e se empenha em escutá-Lo com fé, amor e docilidade para com sua Palavra (Dt 6,4-6)1.

Tais comunidades, que escutam verdadeiramente a Palavra de Deus e à condição de permanecerem sempre unidas na fé e no amor com a Igreja inteira, tornam-se vigorosos focos de evangelização e de diálogo, assim como agentes de transformação social.

Como bem afirma a “Evangelii nuntiandi”, 1975, p. 57:

Consciente do seu dever de pregar a todos a salvação e sabendo que a mensagem evangélica não é reservada a um pequeno grupo de iniciados, de privilegiados ou de eleitos, mas destinada a todos, a Igreja assume como sua própria a angústia de Cristo diante das multidões errantes e prostradas “como ovelhas sem pastor”, e repete muitas vezes a sua mesma Palavra: “Tenho compaixão desta multidão”.(90) Mas a Igreja, entretanto, também está consciente de que, para a eficácia da pregação evangélica no coração das massas, deve dirigir a sua mensagem a comunidades de fiéis cuja ação, por sua vez, pode e deve ir atingir outros.

É muito clara e nítida a consciência da Igreja diante do anúncio do Evangelho: Não ceder às tentações de voltar-se para uma minoria privilegiada (‘um pequeno grupo de iniciados, de privilegiados ou de eleitos’), ao mesmo tempo em que o anúncio evangélico às massas necessita de verdadeiras testemunhas, para ser eficaz e contundente.

É bem verdade que ‘excessos’ de zelo hierárquico podem ter colocado sombras sobre uma verdade indiscutível: os fiéis, iluminados pelo Espírito Santo, são também sujeitos da interpretação bíblica:

O Espírito é dado também, claro, aos cristãos individualmente, de maneira que seus corações possam tornar-se “ardentes dentro deles” (cf Lc 24,32) quando rezam e fazem um estudo em oração das Escrituras no contexto da vida pessoal deles. É por isso que o Concílio Vaticano II pediu com insistência que o acesso às Escrituras seja facilitado de todas as maneiras possíveis (Dei Verbum 22, 25). Esse gênero de leitura, note-se, não é nunca completamente privado, pois, aquele que crê, também lê e interpreta a Escritura sempre na fé da Igreja e traz em seguida à comunidade o fruto de sua leitura, para enriquecer a fé comum2.

Aliás, é o que já insistia o Concílio Vaticano II em sua Constituição sobre a Palavra de Deus, n.22:

É preciso que os fiéis tenham acesso patente à Sagrada Escritura. Por esta razão, a Igreja logo desde o seus começo fez sua aquela tradução grega antiquíssima do Antigo Testamento chamada dos Setenta; e sempre tem em grande apreço as outras traduções, quer orientais quer latinas, sobretudo a chamada Vulgata. Mas, visto que a palavra de Deus deve estar sempre acessível a todos, a Igreja procura com solicitude maternal que se façam traduções aptas e fiéis nas várias línguas, sobretudo a partir dos textos originais dos livros sagrados. Se, porém, segundo a oportunidade e com a aprovação da autoridade da Igreja, essas traduções se fizerem em colaboração com os irmãos separados, poderão ser usadas por todos os cristãos3.

Uma afirmação que se impõe, dada a maturação de um estatuto social moderno, no qual se afirma que todo cidadão é leitor (leitura entendida também como interpretação perspicaz da realidade), tem acesso à leitura: ‘É preciso que os fiéis tenham acesso patente à Sagrada Escritura’.

Toda a tradição bíblica e, de uma maneira mais notável, o ensinamento de Jesus nos evangelhos indicam como ouvintes privilegiados da Palavra de Deus aqueles que o mundo considera como gente de condição humilde. Jesus reconheceu que coisas escondidas aos sábios e doutores foram reveladas aos simples (Mt 11,25; Lc 10,21) e que o Reino de Deus pertence àqueles que se parecem com as crianças (Mc 10,14 e paral.).

Na mesma linha, Jesus proclamou: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lc 6,20; cf Mt 5,3). Entre os sinais dos tempos messiânicos encontra-se a proclamação da boa nova aos pobres (Lc 4,18; 7,22; Mt 11,5; cf CDF, “Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação”, 47-48). Aqueles que, na incapacidade e na privação de seus recursos humanos, encontram-se forçados a colocar a única esperança deles em Deus e sua justiça, têm uma capacidade de escutar e interpretar a Palavra de Deus que deve ser levada em conta pela Igreja inteira e pede também uma resposta a nível social.4

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

3http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html

4http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html

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A Palavra de Deus na Bíblia (71): Interpretação e tradução da Bíblia

25/11/2016 00:00

Neste artigo concluiremos a seção dedicada a “O Papel dos diversos membros da Igreja na interpretação”, fonte de grande interesse no momento em que a Igreja no século XXI se autorreconhece como uma comunidade fraterna, em que papéis diversos não anulam a igualdade fundamental entre batizados.

O papel dos ministros ordenados, por carisma e função, garante que a interpretação dos fiéis, inspirada no sensus fidelium, seja correta e útil ao bom cumprimento da vida eclesial.

Enquanto presidentes da comunidade eucarística e educadores da fé, os ministros da Palavra têm como tarefa principal não apenas dar um ensinamento, mas ajudar os fiéis a entender e discernir o que a Palavra de Deus lhes diz ao coração quando eles escutam e meditam as Escrituras. É assim que o conjunto da Igreja local, segundo o modelo de Israel, povo de Deus (Ex 19,5-6), torna-se uma comunidade que sabe que Deus lhe fala (cf Jo 6,45) e se empenha em escutá-Lo com fé, amor e docilidade para com sua Palavra (Dt 6,4-6)1.

Tais comunidades, que escutam verdadeiramente a Palavra de Deus e à condição de permanecerem sempre unidas na fé e no amor com a Igreja inteira, tornam-se vigorosos focos de evangelização e de diálogo, assim como agentes de transformação social.

Como bem afirma a “Evangelii nuntiandi”, 1975, p. 57:

Consciente do seu dever de pregar a todos a salvação e sabendo que a mensagem evangélica não é reservada a um pequeno grupo de iniciados, de privilegiados ou de eleitos, mas destinada a todos, a Igreja assume como sua própria a angústia de Cristo diante das multidões errantes e prostradas “como ovelhas sem pastor”, e repete muitas vezes a sua mesma Palavra: “Tenho compaixão desta multidão”.(90) Mas a Igreja, entretanto, também está consciente de que, para a eficácia da pregação evangélica no coração das massas, deve dirigir a sua mensagem a comunidades de fiéis cuja ação, por sua vez, pode e deve ir atingir outros.

É muito clara e nítida a consciência da Igreja diante do anúncio do Evangelho: Não ceder às tentações de voltar-se para uma minoria privilegiada (‘um pequeno grupo de iniciados, de privilegiados ou de eleitos’), ao mesmo tempo em que o anúncio evangélico às massas necessita de verdadeiras testemunhas, para ser eficaz e contundente.

É bem verdade que ‘excessos’ de zelo hierárquico podem ter colocado sombras sobre uma verdade indiscutível: os fiéis, iluminados pelo Espírito Santo, são também sujeitos da interpretação bíblica:

O Espírito é dado também, claro, aos cristãos individualmente, de maneira que seus corações possam tornar-se “ardentes dentro deles” (cf Lc 24,32) quando rezam e fazem um estudo em oração das Escrituras no contexto da vida pessoal deles. É por isso que o Concílio Vaticano II pediu com insistência que o acesso às Escrituras seja facilitado de todas as maneiras possíveis (Dei Verbum 22, 25). Esse gênero de leitura, note-se, não é nunca completamente privado, pois, aquele que crê, também lê e interpreta a Escritura sempre na fé da Igreja e traz em seguida à comunidade o fruto de sua leitura, para enriquecer a fé comum2.

Aliás, é o que já insistia o Concílio Vaticano II em sua Constituição sobre a Palavra de Deus, n.22:

É preciso que os fiéis tenham acesso patente à Sagrada Escritura. Por esta razão, a Igreja logo desde o seus começo fez sua aquela tradução grega antiquíssima do Antigo Testamento chamada dos Setenta; e sempre tem em grande apreço as outras traduções, quer orientais quer latinas, sobretudo a chamada Vulgata. Mas, visto que a palavra de Deus deve estar sempre acessível a todos, a Igreja procura com solicitude maternal que se façam traduções aptas e fiéis nas várias línguas, sobretudo a partir dos textos originais dos livros sagrados. Se, porém, segundo a oportunidade e com a aprovação da autoridade da Igreja, essas traduções se fizerem em colaboração com os irmãos separados, poderão ser usadas por todos os cristãos3.

Uma afirmação que se impõe, dada a maturação de um estatuto social moderno, no qual se afirma que todo cidadão é leitor (leitura entendida também como interpretação perspicaz da realidade), tem acesso à leitura: ‘É preciso que os fiéis tenham acesso patente à Sagrada Escritura’.

Toda a tradição bíblica e, de uma maneira mais notável, o ensinamento de Jesus nos evangelhos indicam como ouvintes privilegiados da Palavra de Deus aqueles que o mundo considera como gente de condição humilde. Jesus reconheceu que coisas escondidas aos sábios e doutores foram reveladas aos simples (Mt 11,25; Lc 10,21) e que o Reino de Deus pertence àqueles que se parecem com as crianças (Mc 10,14 e paral.).

Na mesma linha, Jesus proclamou: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lc 6,20; cf Mt 5,3). Entre os sinais dos tempos messiânicos encontra-se a proclamação da boa nova aos pobres (Lc 4,18; 7,22; Mt 11,5; cf CDF, “Instrução sobre a liberdade cristã e a libertação”, 47-48). Aqueles que, na incapacidade e na privação de seus recursos humanos, encontram-se forçados a colocar a única esperança deles em Deus e sua justiça, têm uma capacidade de escutar e interpretar a Palavra de Deus que deve ser levada em conta pela Igreja inteira e pede também uma resposta a nível social.4

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

3http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html

4http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica