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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 13/12/2019

13 de Dezembro de 2019

“Deus quer salvar a todos”

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“Deus quer salvar a todos”

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20/09/2013 15:18 - Atualizado em 23/09/2013 15:43

“Deus quer salvar a todos” 0

20/09/2013 15:18 - Atualizado em 23/09/2013 15:43

Nós sabemos, pela nossa fé, que após a morte física nossa alma vai ao encontro de um juízo particular. Neste, nossa vida terrestre é vista a luz da vida de Cristo, do amor que nós vivemos e transmitimos com nossas palavras e ações. Deste juízo, algumas almas entram em uma comunhão plena e eterna com Deus, outras precisam ser purificadas antes de viverem esta comunhão bem aventurada e outras ainda se afastam definitivamente de Deus.

 

O que é o inferno?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), no nº 1033, o inferno é “o estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados”. Nesta definição encontramos uma visão clara sobre os pontos principais para entendermos a realidade do inferno. O inferno é um estado, ou seja, ele não é um lugar, mas sim, um modo de ser da nossa alma após a morte. O inferno é uma autoexlcusão, pois Deus não deseja, planeja ou coloca ninguém neste estado. A própria pessoa usando a sua liberdade vai optando e construindo uma separação voluntária entre ela e Deus. Diante do amor, a pessoa se fecha deliberadamente contra ele. O inferno é definitivo, porque o tempo da conversão está nesta vida. O que nos espera após a morte é uma consequência irreversível: a salvação ou a perdição. O inferno é a ausência da comunhão com Deus e os santos. Esta é a conclusão do caminho daqueles que se afastam de Deus, da santidade, do amor, da paz, da bondade... O homem que se encontra separado de Deus na eternidade vive uma ausência e frustra o próprio sentido último de sua vida. Segundo o CIC, no nº 1035, “a pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira”.

 

Como o cristão pode entender a relação entre o Amor de Deus e o inferno?

Parece a algumas pessoas que o inferno é uma contradição à fé no amor de Deus. A verdade é que Deus é amor e que sua criação está repleta de sua bondade e de sua sabedoria. De todas as criaturas de Deus apenas dois tipos podem entrar num estado de separação eterno dEle: os anjos e os homens. Deus, em seu amor e bondade, os criou com as faculdades espirituais: inteligência, vontade e liberdade. Diferente de todos os outros seres, os anjos e os homens são seres espirituais que podem orientar a sua vida conhecendo e amando. Quando os anjos ou os homens deliberadamente se colocam contra a finalidade da vontade, que é o amor, e usam sua liberdade para enveredar por um caminho de ódio, de violência, de orgulho, eles estão se afastando, desfigurando o plano de Deus e inaugurando no mundo o mal, o sofrimento e a morte. Assim, estes seres, que se colocaram voluntariamente contra Deus e sua providência, se encontrarão num estado de ausência de comunhão com o Criador. Aos homens, ainda, é oferecido a pregação, os sacramentos e a misericórdia nesta vida, a fim de encontrarem o caminho abandonado e se entregarem a Deus para viver a felicidade do Céu.

 

A Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério nos falam do inferno

A Bíblia vai, paulatinamente, nos mostrando a realidade deste estado de separação entre o homem e Deus. Já no Antigo Testamento aparecem textos que nos mostram uma sorte diferente entre os que cumprem a Lei do Senhor e os que se afastam dela. No Novo Testamento se desenvolve a ideia deste destino final marcado por uma separação, um afastamento de Deus (Mt 24,46; Mc 9,45-48; Lc 3,17; Jo 3,36; 5,29; 2Ts 1,9; Jud 13; Ap 20,10; 21,8).

Poderíamos citar muitos textos que mostram a fé da Igreja e os posicionamentos do Magistério nesta questão. Todavia, vamos citar um texto do Concílio Vaticano II, da Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, nº 48, onde se afirma os possíveis destinos dos homens após sua morte e o caráter de vigilância que se deve ter nesta vida: “Mas, como não sabemos o dia nem a hora, devemos vigiar constantemente, segundo a recomendação do Senhor, para, ao terminar a nossa única passagem por esta vida terrena, merecermos entrar com ele no banquete nupcial, sermos contados entre os benditos de seu Pai, e não sermos repelidos como servos maus e indolentes, para o fogo eterno, para as trevas exteriores onde haverá choro e ranger de dentes”.

 

Como viver sabendo da possibilidade do inferno

A Igreja ensina aos seus filhos que as afirmações sobre o inferno possuem um chamado à responsabilidade (devemos assumir as consequências de nossas ações); um apelo insistente à conversão (devemos agir sempre para entramos em maior comunhão com Deus); e, um conhecimento do alcance de nossas ações (as consequências de nossas ações são temporais e eternas).

Para Aprofundar

Indicamos a leitura do CIC, nos números 1033-1037; do Compêndio do Catecismo, perguntas 212 e 213; do YOUCAT, perguntas 161 e 162; da “Lumen Gentium”, dos parágrafos 48 a 51; e da “Gaudim et Spes”, parágrafo 18.

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese

Mater Ecclesiae e Luz e Vida

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“Deus quer salvar a todos”

20/09/2013 15:18 - Atualizado em 23/09/2013 15:43

Nós sabemos, pela nossa fé, que após a morte física nossa alma vai ao encontro de um juízo particular. Neste, nossa vida terrestre é vista a luz da vida de Cristo, do amor que nós vivemos e transmitimos com nossas palavras e ações. Deste juízo, algumas almas entram em uma comunhão plena e eterna com Deus, outras precisam ser purificadas antes de viverem esta comunhão bem aventurada e outras ainda se afastam definitivamente de Deus.

 

O que é o inferno?

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC), no nº 1033, o inferno é “o estado de autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados”. Nesta definição encontramos uma visão clara sobre os pontos principais para entendermos a realidade do inferno. O inferno é um estado, ou seja, ele não é um lugar, mas sim, um modo de ser da nossa alma após a morte. O inferno é uma autoexlcusão, pois Deus não deseja, planeja ou coloca ninguém neste estado. A própria pessoa usando a sua liberdade vai optando e construindo uma separação voluntária entre ela e Deus. Diante do amor, a pessoa se fecha deliberadamente contra ele. O inferno é definitivo, porque o tempo da conversão está nesta vida. O que nos espera após a morte é uma consequência irreversível: a salvação ou a perdição. O inferno é a ausência da comunhão com Deus e os santos. Esta é a conclusão do caminho daqueles que se afastam de Deus, da santidade, do amor, da paz, da bondade... O homem que se encontra separado de Deus na eternidade vive uma ausência e frustra o próprio sentido último de sua vida. Segundo o CIC, no nº 1035, “a pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus, o único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira”.

 

Como o cristão pode entender a relação entre o Amor de Deus e o inferno?

Parece a algumas pessoas que o inferno é uma contradição à fé no amor de Deus. A verdade é que Deus é amor e que sua criação está repleta de sua bondade e de sua sabedoria. De todas as criaturas de Deus apenas dois tipos podem entrar num estado de separação eterno dEle: os anjos e os homens. Deus, em seu amor e bondade, os criou com as faculdades espirituais: inteligência, vontade e liberdade. Diferente de todos os outros seres, os anjos e os homens são seres espirituais que podem orientar a sua vida conhecendo e amando. Quando os anjos ou os homens deliberadamente se colocam contra a finalidade da vontade, que é o amor, e usam sua liberdade para enveredar por um caminho de ódio, de violência, de orgulho, eles estão se afastando, desfigurando o plano de Deus e inaugurando no mundo o mal, o sofrimento e a morte. Assim, estes seres, que se colocaram voluntariamente contra Deus e sua providência, se encontrarão num estado de ausência de comunhão com o Criador. Aos homens, ainda, é oferecido a pregação, os sacramentos e a misericórdia nesta vida, a fim de encontrarem o caminho abandonado e se entregarem a Deus para viver a felicidade do Céu.

 

A Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério nos falam do inferno

A Bíblia vai, paulatinamente, nos mostrando a realidade deste estado de separação entre o homem e Deus. Já no Antigo Testamento aparecem textos que nos mostram uma sorte diferente entre os que cumprem a Lei do Senhor e os que se afastam dela. No Novo Testamento se desenvolve a ideia deste destino final marcado por uma separação, um afastamento de Deus (Mt 24,46; Mc 9,45-48; Lc 3,17; Jo 3,36; 5,29; 2Ts 1,9; Jud 13; Ap 20,10; 21,8).

Poderíamos citar muitos textos que mostram a fé da Igreja e os posicionamentos do Magistério nesta questão. Todavia, vamos citar um texto do Concílio Vaticano II, da Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, nº 48, onde se afirma os possíveis destinos dos homens após sua morte e o caráter de vigilância que se deve ter nesta vida: “Mas, como não sabemos o dia nem a hora, devemos vigiar constantemente, segundo a recomendação do Senhor, para, ao terminar a nossa única passagem por esta vida terrena, merecermos entrar com ele no banquete nupcial, sermos contados entre os benditos de seu Pai, e não sermos repelidos como servos maus e indolentes, para o fogo eterno, para as trevas exteriores onde haverá choro e ranger de dentes”.

 

Como viver sabendo da possibilidade do inferno

A Igreja ensina aos seus filhos que as afirmações sobre o inferno possuem um chamado à responsabilidade (devemos assumir as consequências de nossas ações); um apelo insistente à conversão (devemos agir sempre para entramos em maior comunhão com Deus); e, um conhecimento do alcance de nossas ações (as consequências de nossas ações são temporais e eternas).

Para Aprofundar

Indicamos a leitura do CIC, nos números 1033-1037; do Compêndio do Catecismo, perguntas 212 e 213; do YOUCAT, perguntas 161 e 162; da “Lumen Gentium”, dos parágrafos 48 a 51; e da “Gaudim et Spes”, parágrafo 18.

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice-Diretor das Escolas de Fé e Catequese

Mater Ecclesiae e Luz e Vida

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida