Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/01/2017

19 de Janeiro de 2017

A Porta Santa

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18/11/2016 16:44 - Atualizado em 18/11/2016 16:44

A Porta Santa 0

18/11/2016 16:44 - Atualizado em 18/11/2016 16:44

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A Porta Santa, segundo antiguíssimo costume e tradição, refere-se a duas grandes verdades cristãs:

Primeira: o ano santo chama-nos sempre a uma generosa radical volta a Deus, ao Evangelho da santidade.

Segundo Jesus diz sobre o Reino de Deus: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, ele será salvo” (Jo 10,9). Ele, somente Ele é “o caminho, a verdade, a vida” (Jô 14,6). Então o entrar pela porta santa significa entregar-se a Jesus, entrar n’Ele, em uma santa intimidade. Ele quer nos levar para o Pai e isso traz a necessidade de nossa mais séria conversão. Não pode haver alguma aproximação ao Deus Santo sem a nossa decidida purificação. Passar pela Porta Santa é ir na direção de Deus. É ir, através do coração de Jesus, ao íntimo amor do Pai.

Em segundo lugar, ir pela Porta Santa é receber todo o chamado, todo o convite que Deus nos faz. Ele quer-nos unir a Si. Ele vem ao nosso encontro com a divina oferta de sua graça. Esta oferta divina, quero colocá-la sob três aspectos:

O primeiro ponto da divina oferta a nós: Na Porta Santa, Deus oferece-nos a riqueza de sua salvação, prometida desde o início. Quando o pecado dos homens tinha destruído o paraíso, Deus não só impôs a penitência. Mas abriu a mais luminosa certeza de salvação. Com justiça estas divinas palavras são chamadas de “proto-evangelho. Assim fala Deus: “Eu porei inimizade entre Satanás e a mulher, entre a descendência dele e a descendência dela. E ela (a mulher e a descendência dela) te esmagará a cabeça. Tu, satanás, lhe feriras o calcanhar” (Gn 3,15).

É em Maria e através de Maria que acontece esta luta vitoriosa contra Satanás. Ela é a cheia de graça, na qual se realiza este plano. Através do ‘sim’ dela, a misericórdia irrompe no mundo. Deus mesmo está entre nós como Salvador. Queremos entrar pela Porta Santa com o olhar para Deus que na mulher cheia de graça salva o mundo.

O segundo ponto: na plenitude dos tempos, que se inicia na concepção do Filho de Deus na Virgem Maria e se completa na Cruz e na Ressurreição, Deus fala-nos de modo tão maravilhoso. Jesus, o justo e santo, que sofre a mais atroz humilhação e destruição de seu ser humano. Em tudo igual a nós, fora o pecado” (cf. Hb 4,15), Jesus é odiado e condenado à morte mais cruel. Toma sobre si a maldição que deveria cair sobre os pecados (cf. Lc 22,42; Cl 3,13).

Como judeu piedoso, Jesus traz em sua alma os clamores dos profetas e dos salmos. Pronuncia o que já dizia o Salmo 31,6: “Em tuas mãos entrego o meu Espírito”. Esta palavra é pronunciada também por Jeremias na sua dolorosa humilhação (Jer 20,12). Mas o santo profeta Jeremias acrescentava toda a sua ira contra os seus inimigos perversos. “Eu verei a vingança que Deus tirará de meus inimigos. Serão humilhados na mais profunda vergonha, morrerão no exílio” (cf. Jer 20,11.14-17). Jesus não chamará sobre seus adversários a ira e a condenação por parte de Deus, mas abre todas as divinas portas da infinita misericórdia: “Pai, Pai, perdoa a eles, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). Quem entra na Porta Santa recebe sobre si esta divina invocação que o Filho de deus pronuncia ao Pai. “Pai, perdoa!”

O terceiro ponto que em nós acontece ao entrarmos pela Porta Santa. O Evangelho dirige-nos a Palavra, a interpelação de Deus. Quem passou pela Porta Santa é constituído portador desta divina interpelação: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também” (Lc 6,36-38).

Aqui começa verdadeiramente o Ano Santo, em você, em mim, em cada um de nós que nos atrevemos a entrar pela Porta Santa. Eu quero, eu devo agora levar pelo mundo afora a mensagem, a força e a graça do Ano da Misericórdia. “Sede misericordiosos como o Pai do céu é misericordioso!”

 

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18/11/2016 16:44 - Atualizado em 18/11/2016 16:44

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A Porta Santa, segundo antiguíssimo costume e tradição, refere-se a duas grandes verdades cristãs:

Primeira: o ano santo chama-nos sempre a uma generosa radical volta a Deus, ao Evangelho da santidade.

Segundo Jesus diz sobre o Reino de Deus: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, ele será salvo” (Jo 10,9). Ele, somente Ele é “o caminho, a verdade, a vida” (Jô 14,6). Então o entrar pela porta santa significa entregar-se a Jesus, entrar n’Ele, em uma santa intimidade. Ele quer nos levar para o Pai e isso traz a necessidade de nossa mais séria conversão. Não pode haver alguma aproximação ao Deus Santo sem a nossa decidida purificação. Passar pela Porta Santa é ir na direção de Deus. É ir, através do coração de Jesus, ao íntimo amor do Pai.

Em segundo lugar, ir pela Porta Santa é receber todo o chamado, todo o convite que Deus nos faz. Ele quer-nos unir a Si. Ele vem ao nosso encontro com a divina oferta de sua graça. Esta oferta divina, quero colocá-la sob três aspectos:

O primeiro ponto da divina oferta a nós: Na Porta Santa, Deus oferece-nos a riqueza de sua salvação, prometida desde o início. Quando o pecado dos homens tinha destruído o paraíso, Deus não só impôs a penitência. Mas abriu a mais luminosa certeza de salvação. Com justiça estas divinas palavras são chamadas de “proto-evangelho. Assim fala Deus: “Eu porei inimizade entre Satanás e a mulher, entre a descendência dele e a descendência dela. E ela (a mulher e a descendência dela) te esmagará a cabeça. Tu, satanás, lhe feriras o calcanhar” (Gn 3,15).

É em Maria e através de Maria que acontece esta luta vitoriosa contra Satanás. Ela é a cheia de graça, na qual se realiza este plano. Através do ‘sim’ dela, a misericórdia irrompe no mundo. Deus mesmo está entre nós como Salvador. Queremos entrar pela Porta Santa com o olhar para Deus que na mulher cheia de graça salva o mundo.

O segundo ponto: na plenitude dos tempos, que se inicia na concepção do Filho de Deus na Virgem Maria e se completa na Cruz e na Ressurreição, Deus fala-nos de modo tão maravilhoso. Jesus, o justo e santo, que sofre a mais atroz humilhação e destruição de seu ser humano. Em tudo igual a nós, fora o pecado” (cf. Hb 4,15), Jesus é odiado e condenado à morte mais cruel. Toma sobre si a maldição que deveria cair sobre os pecados (cf. Lc 22,42; Cl 3,13).

Como judeu piedoso, Jesus traz em sua alma os clamores dos profetas e dos salmos. Pronuncia o que já dizia o Salmo 31,6: “Em tuas mãos entrego o meu Espírito”. Esta palavra é pronunciada também por Jeremias na sua dolorosa humilhação (Jer 20,12). Mas o santo profeta Jeremias acrescentava toda a sua ira contra os seus inimigos perversos. “Eu verei a vingança que Deus tirará de meus inimigos. Serão humilhados na mais profunda vergonha, morrerão no exílio” (cf. Jer 20,11.14-17). Jesus não chamará sobre seus adversários a ira e a condenação por parte de Deus, mas abre todas as divinas portas da infinita misericórdia: “Pai, Pai, perdoa a eles, porque não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). Quem entra na Porta Santa recebe sobre si esta divina invocação que o Filho de deus pronuncia ao Pai. “Pai, perdoa!”

O terceiro ponto que em nós acontece ao entrarmos pela Porta Santa. O Evangelho dirige-nos a Palavra, a interpelação de Deus. Quem passou pela Porta Santa é constituído portador desta divina interpelação: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também” (Lc 6,36-38).

Aqui começa verdadeiramente o Ano Santo, em você, em mim, em cada um de nós que nos atrevemos a entrar pela Porta Santa. Eu quero, eu devo agora levar pelo mundo afora a mensagem, a força e a graça do Ano da Misericórdia. “Sede misericordiosos como o Pai do céu é misericordioso!”

 

Dom Karl Josef Romer
Autor

Dom Karl Josef Romer

Bispo emérito da Arquidiocese de são Sebastião do Rio de Janeiro