Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/04/2017

27 de Abril de 2017

Se és o Rei...

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18/11/2016 15:36 - Atualizado em 18/11/2016 15:36

Se és o Rei... 0

18/11/2016 15:36 - Atualizado em 18/11/2016 15:36

A trigésima quarta semana do Tempo Comum, a última deste ano litúrgico, se abre com a celebração da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do universo. Ela nos coloca em contato com o seguinte artigo do nosso símbolo batismal – “Ele voltará para julgar os vivos e os mortos e o seu reino não terá fim” – no qual se professa o retorno do Ressuscitado para consumar a obra salvífica: “E, então, verão o filho do homem vindo numa nuvem com poder e grande glória” (Lc 21,27). De fato, desde as primeiras comunidades cristãs, a espera da parusia de Cristo orna com um tom festivo e pascal a oração e a vida dos discípulos: “Maranathá” – “Vem, Senhor” (cf. 1Cor 16,22; Ap 22,20). Além, é claro, de aprofundar o conteúdo do título cristológico: Rei do universo.

O evangelho proclamado no domingo na Liturgia da Palavra pertence à narrativa lucana da crucificação de Jesus: Lc 23,35-43. Este trecho carrega três escárnios contra o crucificado: dos chefes – “a outros salvou, que salve a si mesmo, se és o Cristo de Deus, o Eleito” (Lc 23,35), dos soldados – “Se és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lc 23, 37) e dos criminosos – “não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós” (Lc 23,39). Tais escárnios, na verdade, atentam contra a identidade messiânica d’Ele: “Cristo de Deus”, ‘Rei dos judeus” e “Cristo”. Ademais, ficamos sabendo da causa da condenação de Jesus: “Acima d’Ele havia um letreiro: Este é o Rei dos Judeus” (Lc 23,38). No final do relato, o último condenado professa confiantemente a fé nele, dizendo: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino” (Lc 23,42). No transcurso da narrativa percebemos a temática “Jesus Rei” sendo desenvolvida pelo autor do terceiro evangelho.

Israel, na sua esperança salvífica, aguardava o advento do Rei Messias. A comunidade cristã afirma que Jesus é este “Cristo”. A contraposição entre a maneira como queriam conceber o reinado do Ungido e a forma própria como Jesus exerceu seu messianismo e sua realeza preenche vários textos dos evangelhos. O perigo daquele tempo, ainda tão presente hoje, é projetar para o Senhor expectativas diversas de quem Ele realmente é. Esse drama aparece na boca dos escarnecedores no relato evangélico deste domingo. Eles tinham uma falsa imagem messiânica e, por isso, não conseguiram enxergar naqu’Ele homem crucificado o grande Rei vindo da parte de Deus.

Neste ponto, a pergunta sobre o sentido do messianismo e da realeza de Jesus se impõe. Na perspectiva negativa (o que não é), pode-se dizer que o reinado de Deus não está coligado com os poderes despóticos civis e religiosos (simbolizados pela categoria dos “chefes”), nem com as aspirações violentas e mortais (presente na figura dos “soldados”) e, muito menos, com as anarquias sócias (vislumbradas nos prisioneiros que, condenados ao suplício da cruz, eram revoltosos). O Reino de Deus inaugurado na vida de Jesus, verdadeiro Rei, é manifestado no diálogo entre o malfeitor arrependido e o Senhor crucificado. Jesus é o messias-rei na perspectiva de que foi ungido pelo Pai para anunciar com palavras e atos o amor misericordioso divino. Por isso, o seu reino substitui a lógica do poder pela do serviço, da violência pela do acolhimento e da anarquia pela da comunidade de irmãos.

A Igreja é chamada a contemplar o seu Rei crucificado, se aproximar d’Ele com a súplica pela salvação e aguardar a sua doce voz dizer: “Em verdade, eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). Todavia, nesta espera, é chamada a destituir as forças da prepotência, da violência e do caos revestindo seus filhos, sempre mais, dos valores do reino de Deus: o serviço a Deus e aos irmãos, o acolhimento aos pequeninos e a promoção da comunhão entre os homens.


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18/11/2016 15:36 - Atualizado em 18/11/2016 15:36

A trigésima quarta semana do Tempo Comum, a última deste ano litúrgico, se abre com a celebração da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do universo. Ela nos coloca em contato com o seguinte artigo do nosso símbolo batismal – “Ele voltará para julgar os vivos e os mortos e o seu reino não terá fim” – no qual se professa o retorno do Ressuscitado para consumar a obra salvífica: “E, então, verão o filho do homem vindo numa nuvem com poder e grande glória” (Lc 21,27). De fato, desde as primeiras comunidades cristãs, a espera da parusia de Cristo orna com um tom festivo e pascal a oração e a vida dos discípulos: “Maranathá” – “Vem, Senhor” (cf. 1Cor 16,22; Ap 22,20). Além, é claro, de aprofundar o conteúdo do título cristológico: Rei do universo.

O evangelho proclamado no domingo na Liturgia da Palavra pertence à narrativa lucana da crucificação de Jesus: Lc 23,35-43. Este trecho carrega três escárnios contra o crucificado: dos chefes – “a outros salvou, que salve a si mesmo, se és o Cristo de Deus, o Eleito” (Lc 23,35), dos soldados – “Se és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo” (Lc 23, 37) e dos criminosos – “não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós” (Lc 23,39). Tais escárnios, na verdade, atentam contra a identidade messiânica d’Ele: “Cristo de Deus”, ‘Rei dos judeus” e “Cristo”. Ademais, ficamos sabendo da causa da condenação de Jesus: “Acima d’Ele havia um letreiro: Este é o Rei dos Judeus” (Lc 23,38). No final do relato, o último condenado professa confiantemente a fé nele, dizendo: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino” (Lc 23,42). No transcurso da narrativa percebemos a temática “Jesus Rei” sendo desenvolvida pelo autor do terceiro evangelho.

Israel, na sua esperança salvífica, aguardava o advento do Rei Messias. A comunidade cristã afirma que Jesus é este “Cristo”. A contraposição entre a maneira como queriam conceber o reinado do Ungido e a forma própria como Jesus exerceu seu messianismo e sua realeza preenche vários textos dos evangelhos. O perigo daquele tempo, ainda tão presente hoje, é projetar para o Senhor expectativas diversas de quem Ele realmente é. Esse drama aparece na boca dos escarnecedores no relato evangélico deste domingo. Eles tinham uma falsa imagem messiânica e, por isso, não conseguiram enxergar naqu’Ele homem crucificado o grande Rei vindo da parte de Deus.

Neste ponto, a pergunta sobre o sentido do messianismo e da realeza de Jesus se impõe. Na perspectiva negativa (o que não é), pode-se dizer que o reinado de Deus não está coligado com os poderes despóticos civis e religiosos (simbolizados pela categoria dos “chefes”), nem com as aspirações violentas e mortais (presente na figura dos “soldados”) e, muito menos, com as anarquias sócias (vislumbradas nos prisioneiros que, condenados ao suplício da cruz, eram revoltosos). O Reino de Deus inaugurado na vida de Jesus, verdadeiro Rei, é manifestado no diálogo entre o malfeitor arrependido e o Senhor crucificado. Jesus é o messias-rei na perspectiva de que foi ungido pelo Pai para anunciar com palavras e atos o amor misericordioso divino. Por isso, o seu reino substitui a lógica do poder pela do serviço, da violência pela do acolhimento e da anarquia pela da comunidade de irmãos.

A Igreja é chamada a contemplar o seu Rei crucificado, se aproximar d’Ele com a súplica pela salvação e aguardar a sua doce voz dizer: “Em verdade, eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). Todavia, nesta espera, é chamada a destituir as forças da prepotência, da violência e do caos revestindo seus filhos, sempre mais, dos valores do reino de Deus: o serviço a Deus e aos irmãos, o acolhimento aos pequeninos e a promoção da comunhão entre os homens.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida