Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 28/05/2017

28 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (69): Interpretação e tradução da Bíblia

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28 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (69): Interpretação e tradução da Bíblia

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13/11/2016 00:00 - Atualizado em 14/11/2016 18:16

A Palavra de Deus na Bíblia (69): Interpretação e tradução da Bíblia 0

13/11/2016 00:00 - Atualizado em 14/11/2016 18:16

Neste artigo, concluiremos as observações sobre as importantes contribuições da Exegese Patrística no desenvolvimento da interpreta­ção bíblica, no âmbito na história da Igreja, como intérprete privi­legiada das Sagradas Escrituras.

O recurso à alegoria deriva também da convicção de que a Bíblia, livro de Deus, foi dado por Ele a seu povo, a Igreja. A ale­goria tem um papel importante no processo de atualização e ressignificação do texto bíblico por parte da Igreja:

“Modo de expressão ou interpretação que con­siste em representar pensamentos, ideias, qualidades sob forma fi­gurada. Ou o método de interpretação aplicado por pensadores gregos (pré-socráticos, estoicos etc.) aos textos homéricos, por meio do qual se pretendia descobrir ideias ou concepções filosóficas embutidas figurativamente nas narrativas mitológicas.”1

Uma alegoria (do grego αλλος, allos, “outro”, e αγορευειν, agoreuein, “falar em público”, pelo latim allegoria) é uma figu­ra de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos além do literal.

Muito importante destacar este pro­cesso, pelo qual esta figura de linguagem virtualiza o significado das passagens, isto é, amplia sua capacidade comunicati­va, ou ainda, expande a sua compreensão do literal.

Em princípio, nada deve ser deixado de lado como antiquado ou definitiva­mente caduco. Deus dirige uma men­sagem sempre de atualidade a seu povo cristão.

“Em suas explicações da Bíblia, os Padres misturam e entrelaçam as interpretações tipológicas e alegó­ricas de maneira mais ou menos inextricável, sempre com finalidade pastoral e pedagógica. Tudo o que está escrito o foi para nossa instru­ção (cf 1Cor 10,11).”2

Portanto, a alegorização constituía um esforço pastoral dos Padres da Igre­ja, em vista da permanente apropriação dos profusos significados das escrituras, inseríveis na contextualidade eclesial, que lê sempre no presente dos leitores a mensagem eterna da revelação, guardada nas Escrituras Sagradas. Sempre com finalidade pastoral e pedagógica.

Persuadidos de que se trata do li­vro de Deus, portanto inesgotável, os Padres creem poder interpretar uma passagem segundo um determinado esquema alegórico, mas eles estimam que cada um permaneça livre para pro­por outra coisa, contanto que respeite a analogia da fé.

Depois da evolução do método histó­rico-crítico, do século 19 em diante, hou­ve, da parte de ambientes protestantes, uma refutação generalizada ao uso e ao valor da alegorização, quase desterrando este esquema, como fator de falsificação do significado literal das Escrituras Sa­gradas. Exageros à parte, de ambas as frentes, a alegoria permanece uma sadia contribuição à construção de sentido, que traz a exigência de beber para além da literalidade, sem ignorá-la!

A interpretação alegórica das escritu­ras, que caracteriza a Exegese Patrística, corre o risco de desorientar o homem moderno, mas a experiência de Igreja que esta exegese exprime oferece uma contribuição sempre útil (cf. Divino afflante Spiritu 31-32; Dei Verbum, 23). Os Padres ensinam a ler teologicamente a Bíblia no seio de uma tradição viva com um autêntico espírito cristão.

Como citada acima, a Constituição Dogmática Dei Verbum (Palavra de Deus), no Concílio Vaticano II, asse­vera-nos que o abandono de qualquer prática interpretativa válida, ocorrida no percurso (longo) da Igreja Católica, representa um depauperamento da nobre, complexa e obrigatória tarefa de interpretar, que cabe à Igreja, como dever sagrado:

“A esposa do Verbo encarnado, isto é, a Igreja, ensinada pelo Espírito Santo, esforça-se por conseguir uma inteligência cada vez mais pro­funda da Sagrada Escritura, para poder alimentar continuamente os seus filhos com os divinos ensina­mentos. Por isso, vai fomentando também convenientemente o estudo dos santos Padres do Oriente e do Ocidente, bem como das sagradas liturgias. É preciso, porém, que os exegetas católicos e os demais estudio­sos da sagrada teologia traba­lhem em íntima colaboração de esforços, para que, sob a vigilância do sagrado magistério, lançando mão de meios aptos, estudem e expliquem as divinas le­tras, de modo que o maior número possível de ministros da Palavra de Deus possa oferecer como fruto, ao povo de Deus, o alimento das Escrituras, que ilumine o espírito, robusteça as vontades, e inflame os corações dos homens no amor de Deus. O sagrado Concílio encoraja os filhos da Igreja que cultivam as ciências bíblicas, para que conti­nuem a realizar com todo o em­penho, segundo o sentir da Igreja, a empresa felizmente começada, renovando constantemente as suas forças.”3


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A Palavra de Deus na Bíblia (69): Interpretação e tradução da Bíblia

13/11/2016 00:00 - Atualizado em 14/11/2016 18:16

Neste artigo, concluiremos as observações sobre as importantes contribuições da Exegese Patrística no desenvolvimento da interpreta­ção bíblica, no âmbito na história da Igreja, como intérprete privi­legiada das Sagradas Escrituras.

O recurso à alegoria deriva também da convicção de que a Bíblia, livro de Deus, foi dado por Ele a seu povo, a Igreja. A ale­goria tem um papel importante no processo de atualização e ressignificação do texto bíblico por parte da Igreja:

“Modo de expressão ou interpretação que con­siste em representar pensamentos, ideias, qualidades sob forma fi­gurada. Ou o método de interpretação aplicado por pensadores gregos (pré-socráticos, estoicos etc.) aos textos homéricos, por meio do qual se pretendia descobrir ideias ou concepções filosóficas embutidas figurativamente nas narrativas mitológicas.”1

Uma alegoria (do grego αλλος, allos, “outro”, e αγορευειν, agoreuein, “falar em público”, pelo latim allegoria) é uma figu­ra de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos além do literal.

Muito importante destacar este pro­cesso, pelo qual esta figura de linguagem virtualiza o significado das passagens, isto é, amplia sua capacidade comunicati­va, ou ainda, expande a sua compreensão do literal.

Em princípio, nada deve ser deixado de lado como antiquado ou definitiva­mente caduco. Deus dirige uma men­sagem sempre de atualidade a seu povo cristão.

“Em suas explicações da Bíblia, os Padres misturam e entrelaçam as interpretações tipológicas e alegó­ricas de maneira mais ou menos inextricável, sempre com finalidade pastoral e pedagógica. Tudo o que está escrito o foi para nossa instru­ção (cf 1Cor 10,11).”2

Portanto, a alegorização constituía um esforço pastoral dos Padres da Igre­ja, em vista da permanente apropriação dos profusos significados das escrituras, inseríveis na contextualidade eclesial, que lê sempre no presente dos leitores a mensagem eterna da revelação, guardada nas Escrituras Sagradas. Sempre com finalidade pastoral e pedagógica.

Persuadidos de que se trata do li­vro de Deus, portanto inesgotável, os Padres creem poder interpretar uma passagem segundo um determinado esquema alegórico, mas eles estimam que cada um permaneça livre para pro­por outra coisa, contanto que respeite a analogia da fé.

Depois da evolução do método histó­rico-crítico, do século 19 em diante, hou­ve, da parte de ambientes protestantes, uma refutação generalizada ao uso e ao valor da alegorização, quase desterrando este esquema, como fator de falsificação do significado literal das Escrituras Sa­gradas. Exageros à parte, de ambas as frentes, a alegoria permanece uma sadia contribuição à construção de sentido, que traz a exigência de beber para além da literalidade, sem ignorá-la!

A interpretação alegórica das escritu­ras, que caracteriza a Exegese Patrística, corre o risco de desorientar o homem moderno, mas a experiência de Igreja que esta exegese exprime oferece uma contribuição sempre útil (cf. Divino afflante Spiritu 31-32; Dei Verbum, 23). Os Padres ensinam a ler teologicamente a Bíblia no seio de uma tradição viva com um autêntico espírito cristão.

Como citada acima, a Constituição Dogmática Dei Verbum (Palavra de Deus), no Concílio Vaticano II, asse­vera-nos que o abandono de qualquer prática interpretativa válida, ocorrida no percurso (longo) da Igreja Católica, representa um depauperamento da nobre, complexa e obrigatória tarefa de interpretar, que cabe à Igreja, como dever sagrado:

“A esposa do Verbo encarnado, isto é, a Igreja, ensinada pelo Espírito Santo, esforça-se por conseguir uma inteligência cada vez mais pro­funda da Sagrada Escritura, para poder alimentar continuamente os seus filhos com os divinos ensina­mentos. Por isso, vai fomentando também convenientemente o estudo dos santos Padres do Oriente e do Ocidente, bem como das sagradas liturgias. É preciso, porém, que os exegetas católicos e os demais estudio­sos da sagrada teologia traba­lhem em íntima colaboração de esforços, para que, sob a vigilância do sagrado magistério, lançando mão de meios aptos, estudem e expliquem as divinas le­tras, de modo que o maior número possível de ministros da Palavra de Deus possa oferecer como fruto, ao povo de Deus, o alimento das Escrituras, que ilumine o espírito, robusteça as vontades, e inflame os corações dos homens no amor de Deus. O sagrado Concílio encoraja os filhos da Igreja que cultivam as ciências bíblicas, para que conti­nuem a realizar com todo o em­penho, segundo o sentir da Igreja, a empresa felizmente começada, renovando constantemente as suas forças.”3


Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica