Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/02/2017

27 de Fevereiro de 2017

Perseverar e esperar

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13/11/2016 14:01 - Atualizado em 13/11/2016 14:01

Perseverar e esperar 0

13/11/2016 14:01 - Atualizado em 13/11/2016 14:01

O décimo terceiro domingo do Tempo Comum apresenta o tema da perseverança cristã diante das dificuldades inerentes à vida e à história humana. Situado entre a Solenidade de Todos os Santos e a de Cristo rei do universo, este domingo abre uma janela para que a comunidade eclesial – militante na Terra – se encha de esperança na vivência cotidiana da caridade num contexto verdadeiramente hostil à sua mensagem. O evangelho proclamado na liturgia da palavra é de difícil compreensão para nós, pois se reveste de uma linguagem estranha à nossa mentalidade: o gênero apocalíptico. Realmente, sem uma chave de leitura, o texto de Lc 21,5-19, ao invés de causar os efeitos esperados pelo seu autor – perseverança e esperança –, gera o oposto: medo dos eventos e, até mesmo, de Deus.

Os evangelhos sinóticos terminam o ministério público de Jesus com um grande discurso escatológico (cf. Mc 13,1-37; Mt 24,1-36; Lc 21,5-36). Tal discurso tem um tom de despedida no qual o Senhor oferece instruções precisas aos discípulos para as certas contrariedades na caminhada eclesial. Para isso, na narrativa lucana, três eventos importantes são usados como pano de fundo: a destruição do Templo de Jerusalém, a perseguição da comunidade primitiva e a expectativa da segunda vinda do filho do homem. Assim, em meio às graves questões de seu tempo, o evangelista quer encorajar seus irmãos na fé a perseverarem na esperança da consumação do reino definitivo de Deus. No texto evangélico escutado, temos uma parte do discurso escrito no terceiro evangelho com as seguintes subpartes: a introdução do discurso (5-7), os sinais religiosos, sociais e cósmicos (8-11) e a perseguição da comunidade primitiva (12-19).

O discurso principia com a admiração dos circunstantes sobre a beleza e a riqueza do templo de Jerusalém. Jesus tem, então, a oportunidade de captar a atenção dos seus ouvintes para o tema próprio de seu interesse. Anunciando a destruição do Templo, criou o ambiente propício para começar a ensinar como os discípulos são chamados a se posicionarem diante das problemáticas mais urgentes: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído. Mas eles perguntaram: Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” (Lc 19,6-7). A pergunta dos ouvintes marca a atenção devida às palavras de Cristo e, ainda, uma ocasião para revelar os tipos de obstáculos presentes na caminha dos seus seguidores e, na verdade, de toda a humanidade.

O desenvolvimento da descrição dos sinais enfrentados pelos homens se estende desde os sinais religiosos – “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu e ainda: O tempo está próximo. Não sigais essa gente! (Lc 21,8) –, passando pelos sociais – “Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim. E Jesus continuou: Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país” (Lc 21,9-10) – e chegando, enfim, as problemáticas cósmicas – “Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu” (Lc 21,11). Ora, o conjunto dos sinais não está circunscrito nem apenas naquela década do século primeiro nem ao momento conclusivo da história. São questões que acompanharão os cristãos (e toda a humanidade): despotismo e charlatanismo religioso, guerras e revoluções, terremotos, fomes e doenças. A lista poderia até se multiplicar – o que importa de fato é que a comunidade humana enfrenta a cada momento urgentes questões em todas as esferas da existência.

O desfecho do texto deste domingo posiciona as barreiras particulares da comunidade cristã: perseguição religiosa, estatal e familiar – “antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome” (Lc 19,12.16-17). E termina com a postura requerida dos discípulos de Jesus: a perseverança na fé e a esperança na vitória final – “Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 19,13.18-19).


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13/11/2016 14:01 - Atualizado em 13/11/2016 14:01

O décimo terceiro domingo do Tempo Comum apresenta o tema da perseverança cristã diante das dificuldades inerentes à vida e à história humana. Situado entre a Solenidade de Todos os Santos e a de Cristo rei do universo, este domingo abre uma janela para que a comunidade eclesial – militante na Terra – se encha de esperança na vivência cotidiana da caridade num contexto verdadeiramente hostil à sua mensagem. O evangelho proclamado na liturgia da palavra é de difícil compreensão para nós, pois se reveste de uma linguagem estranha à nossa mentalidade: o gênero apocalíptico. Realmente, sem uma chave de leitura, o texto de Lc 21,5-19, ao invés de causar os efeitos esperados pelo seu autor – perseverança e esperança –, gera o oposto: medo dos eventos e, até mesmo, de Deus.

Os evangelhos sinóticos terminam o ministério público de Jesus com um grande discurso escatológico (cf. Mc 13,1-37; Mt 24,1-36; Lc 21,5-36). Tal discurso tem um tom de despedida no qual o Senhor oferece instruções precisas aos discípulos para as certas contrariedades na caminhada eclesial. Para isso, na narrativa lucana, três eventos importantes são usados como pano de fundo: a destruição do Templo de Jerusalém, a perseguição da comunidade primitiva e a expectativa da segunda vinda do filho do homem. Assim, em meio às graves questões de seu tempo, o evangelista quer encorajar seus irmãos na fé a perseverarem na esperança da consumação do reino definitivo de Deus. No texto evangélico escutado, temos uma parte do discurso escrito no terceiro evangelho com as seguintes subpartes: a introdução do discurso (5-7), os sinais religiosos, sociais e cósmicos (8-11) e a perseguição da comunidade primitiva (12-19).

O discurso principia com a admiração dos circunstantes sobre a beleza e a riqueza do templo de Jerusalém. Jesus tem, então, a oportunidade de captar a atenção dos seus ouvintes para o tema próprio de seu interesse. Anunciando a destruição do Templo, criou o ambiente propício para começar a ensinar como os discípulos são chamados a se posicionarem diante das problemáticas mais urgentes: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído. Mas eles perguntaram: Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” (Lc 19,6-7). A pergunta dos ouvintes marca a atenção devida às palavras de Cristo e, ainda, uma ocasião para revelar os tipos de obstáculos presentes na caminha dos seus seguidores e, na verdade, de toda a humanidade.

O desenvolvimento da descrição dos sinais enfrentados pelos homens se estende desde os sinais religiosos – “Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu e ainda: O tempo está próximo. Não sigais essa gente! (Lc 21,8) –, passando pelos sociais – “Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim. E Jesus continuou: Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país” (Lc 21,9-10) – e chegando, enfim, as problemáticas cósmicas – “Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu” (Lc 21,11). Ora, o conjunto dos sinais não está circunscrito nem apenas naquela década do século primeiro nem ao momento conclusivo da história. São questões que acompanharão os cristãos (e toda a humanidade): despotismo e charlatanismo religioso, guerras e revoluções, terremotos, fomes e doenças. A lista poderia até se multiplicar – o que importa de fato é que a comunidade humana enfrenta a cada momento urgentes questões em todas as esferas da existência.

O desfecho do texto deste domingo posiciona as barreiras particulares da comunidade cristã: perseguição religiosa, estatal e familiar – “antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão por causa do meu nome” (Lc 19,12.16-17). E termina com a postura requerida dos discípulos de Jesus: a perseverança na fé e a esperança na vitória final – “Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 19,13.18-19).


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida