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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/02/2017

26 de Fevereiro de 2017

A felicidade

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04/11/2016 11:35 - Atualizado em 04/11/2016 11:35

A felicidade 0

04/11/2016 11:35 - Atualizado em 04/11/2016 11:35

A Igreja celebra, neste domingo, a solenidade de Todos os Santos. Fazendo memória da comunidade dos bem-aventurados, ela contempla, por um lado, a vida de tantos homens e mulheres que se entregaram totalmente, na sequela de Jesus Cristo, para realizarem o plano de Deus e, por outro, o mistério da assembleia celestial na qual se canta o aleluia eterno diante de Deus e do seu cordeiro. Desta forma, os fiéis, peregrinos ainda na terra, entram em contato com o caminho de santidade testemunhado na história eclesial e também com a comunhão exultante daqueles que venceram a grande tribulação, lavando e alvejando suas vestes no sangue do cordeiro.

A santidade é, na verdade, a vocação de todos os homens e mulheres e só pode ser compreendida em sua densidade no testemunho deixado por nosso Senhor Jesus: “mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição” (LG 40). O evangelho, lido na liturgia da Palavra deste domingo, possui um destaque relevante na compreensão deste tema. O Sermão da Montanha, carta magna do discipulado, é aberto com as bem-aventuranças. Elas são a síntese da boa nova do estilo de vida cristã. Por isso, somos convidados a nos identificarmos ainda mais com esse estilo apontado pelo próprio Cristo – elas são o caminho de felicidade e de santidade apontado e vivenciado por Ele.

O evangelho de Mateus nomeia ‘felizes’ os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os que são perseguidos e injuriados por causa da justiça (cf. Mt 5,1-12). O evangelho de Lucas qualifica de ‘felizes’ os pobres, os que têm fome, os que choram, os odiados, injuriados e rejeitados (cf. Lc 6,20-23). Aqui, em ambos os textos evangélicos, temos um quadro paradigmático do discípulo de Jesus.

A felicidade cristã está em direcionar toda a existência, em colocar o sentido da vida na comunhão com a vontade divina. Jesus é o bem-aventurado por excelência, pois cada uma das bem-aventuranças foi experimentada em sua vida. Desta forma, seus discípulos são vocacionados ao empenho e ao compromisso com os planos de Deus: “Todos os fiéis se santificarão cada dia mais nas condições, tarefas e circunstâncias da própria vida e através de todas elas, se receberem tudo com fé da mão do Pai celeste e cooperarem com a divina vontade, manifestando a todos, na própria atividade temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (LG 41). É um choque tal afirmação, pois, culturalmente, recebemos imagens de felicidade contrárias ao ensinamento do evangelho. Para o Senhor, a felicidade não se encontra nos prazeres da vida, no sucesso, na riqueza, na saúde... A realização cristã está na aliança com Deus por meio de uma vida comprometida com sua vontade.

Quando paramos para contemplar a história dos santos, nos deparamos com homens e mulheres aliançados com a proposta de Cristo: são verdadeiramente bem-aventurados, isto é, foram pobres, aflitos, mansos, sedentos e famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz, perseguidos e injuriados por causa da justiça. A pergunta que se impõe hoje, nesta celebração, aos cristãos é sobre o sentido de sua vida, a busca pela felicidade e o compromisso com a vontade divina revelada por Jesus. Seremos agora uma comunidade de santos, nos moldes das bem-aventuranças evangélicas, ou nos deixaremos afastar das palavras do Senhor e nos esvaneceremos nos modelos de felicidade contrários ao seu testemunho e ao de seus santos?


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04/11/2016 11:35 - Atualizado em 04/11/2016 11:35

A Igreja celebra, neste domingo, a solenidade de Todos os Santos. Fazendo memória da comunidade dos bem-aventurados, ela contempla, por um lado, a vida de tantos homens e mulheres que se entregaram totalmente, na sequela de Jesus Cristo, para realizarem o plano de Deus e, por outro, o mistério da assembleia celestial na qual se canta o aleluia eterno diante de Deus e do seu cordeiro. Desta forma, os fiéis, peregrinos ainda na terra, entram em contato com o caminho de santidade testemunhado na história eclesial e também com a comunhão exultante daqueles que venceram a grande tribulação, lavando e alvejando suas vestes no sangue do cordeiro.

A santidade é, na verdade, a vocação de todos os homens e mulheres e só pode ser compreendida em sua densidade no testemunho deixado por nosso Senhor Jesus: “mestre e modelo divino de toda a perfeição, pregou a santidade de vida, de que Ele é autor e consumador, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição” (LG 40). O evangelho, lido na liturgia da Palavra deste domingo, possui um destaque relevante na compreensão deste tema. O Sermão da Montanha, carta magna do discipulado, é aberto com as bem-aventuranças. Elas são a síntese da boa nova do estilo de vida cristã. Por isso, somos convidados a nos identificarmos ainda mais com esse estilo apontado pelo próprio Cristo – elas são o caminho de felicidade e de santidade apontado e vivenciado por Ele.

O evangelho de Mateus nomeia ‘felizes’ os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os que são perseguidos e injuriados por causa da justiça (cf. Mt 5,1-12). O evangelho de Lucas qualifica de ‘felizes’ os pobres, os que têm fome, os que choram, os odiados, injuriados e rejeitados (cf. Lc 6,20-23). Aqui, em ambos os textos evangélicos, temos um quadro paradigmático do discípulo de Jesus.

A felicidade cristã está em direcionar toda a existência, em colocar o sentido da vida na comunhão com a vontade divina. Jesus é o bem-aventurado por excelência, pois cada uma das bem-aventuranças foi experimentada em sua vida. Desta forma, seus discípulos são vocacionados ao empenho e ao compromisso com os planos de Deus: “Todos os fiéis se santificarão cada dia mais nas condições, tarefas e circunstâncias da própria vida e através de todas elas, se receberem tudo com fé da mão do Pai celeste e cooperarem com a divina vontade, manifestando a todos, na própria atividade temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (LG 41). É um choque tal afirmação, pois, culturalmente, recebemos imagens de felicidade contrárias ao ensinamento do evangelho. Para o Senhor, a felicidade não se encontra nos prazeres da vida, no sucesso, na riqueza, na saúde... A realização cristã está na aliança com Deus por meio de uma vida comprometida com sua vontade.

Quando paramos para contemplar a história dos santos, nos deparamos com homens e mulheres aliançados com a proposta de Cristo: são verdadeiramente bem-aventurados, isto é, foram pobres, aflitos, mansos, sedentos e famintos de justiça, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz, perseguidos e injuriados por causa da justiça. A pergunta que se impõe hoje, nesta celebração, aos cristãos é sobre o sentido de sua vida, a busca pela felicidade e o compromisso com a vontade divina revelada por Jesus. Seremos agora uma comunidade de santos, nos moldes das bem-aventuranças evangélicas, ou nos deixaremos afastar das palavras do Senhor e nos esvaneceremos nos modelos de felicidade contrários ao seu testemunho e ao de seus santos?


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida