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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 08/12/2019

08 de Dezembro de 2019

“Para mim viver é Cristo e morrer é lucro”

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“Para mim viver é Cristo e morrer é lucro”

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20/09/2013 15:13 - Atualizado em 23/09/2013 15:38

“Para mim viver é Cristo e morrer é lucro” 0

20/09/2013 15:13 - Atualizado em 23/09/2013 15:38

Lendo o nº 164 do Catecismo da Igreja Católica (CIC), percebemos algumas realidades, apontadas pela nossa Igreja, que podem dificultar o ato de fé, a saber: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte. Tais experiências se apresentam como uma tentação ao homem, colocando-o em dúvida sobre a verdade do Amor de Deus e da Salvação em Cristo. Quantas vezes, também, nós nos questionamos a respeito destas situações e ficamos sem respostas. Assim, é necessário conhecer o que a nossa fé declara para estarmos firmes diante da tentação e para perseverarmos quando nos encontrarmos diante de situações difíceis. Dentre as quatro experiências citadas no CIC, refletiremos sobre a experiência da morte e o seu significado dentro da fé cristã.

Por ser uma questão crucial, os homens de todos os tempos meditaram sobre o sentido da morte. Filósofos, Antropólogos, Sociólogos, Psicólogos, outros cientistas e o senso comum refletiram sobre esta experiência tão universal e tão humana. De forma geral podemos dividir as conclusões que estes pensadores chegaram em dois grandes grupos: os que são pessimistas e os que são otimistas em relação à experiência da morte.

Os que são pessimistas afirmam que a morte é o fim certo da pessoa. Após a morte não podemos esperar nada. Por isso, a concentração do homem deve estar nesta vida, desfrutando dela ao máximo. O homem é um ser para a morte, um destino que não pode ser alterado; mas, apenas preparado. Assim, a vida aparece como caminho para a morte, um preparar-se para ela. A morte seria o aniquilamento da pessoa, pois a alma não existe e o corpo entra em decomposição até virar pó. As consequências desta visão podem ser várias: algumas pessoas sentem um medo tão intenso da morte (aniquilamento) que se entregam a todo tipo de experiências de prazer (hedonismo) para se anestesiar de um fim certo; outras, encaram com tal realismo o fato de que vão morrer e de que não tem nada a esperar, que vivem um estado de tristeza, de depressão e até de busca pelo suicídio, porque a vida perde seu sentido; ainda, outras, afastam de si tudo que seja relativo a morte, sem colocar realmente a questão pelo sentido dela; um quarto grupo, vive pregando a compaixão com os outros homens que como eles partilham de um mesmo destino limitado, triste e sem sentido.

Os que são otimistas afirmam que a morte é uma entrada em uma realidade mais intensa qualitativamente. Muitos pensadores acreditam que a morte deve ser encarada de forma positiva como uma abertura para uma novidade que realizará o homem em seus anseios e dará conta das experiências do mal e do sofrimento encontrados nesta vida. As culturas, de modo geral, apresentam um cuidado com os mortos e um culto aos antepassados. A maior consequência desta visão é a vivência da esperança diante do futuro. Esperança que se traduz na plenificação eterna no Ser após a morte.

A nossa Mãe Igreja responde as questões sobre a morte e seu sentido a partir da Revelação de Deus e do diálogo com estas posições pessimistas e otimistas em relação à experiência da morte e suas consequências para a vida. A Igreja entende que a morte é a separação da alma e do corpo, onde este último sofre sua corrupção (Cf. CIC 1005). A morte é compreendida de três maneiras: ela é o termo da vida terrestre; ela é consequência do pecado; e, ela foi transformada por Cristo.

O nº 1007 do CIC afirma que a morte é o termo da vida terrestre. Para entendermos a morte, temos que entender que a vida terrestre tem um início e um fim. Nós começamos a viver na fecundação e vamos passando por uma série de mudanças até o dia em que morremos. Este dia é aquele no qual nossa vida terrestre termina. É o dia em que nossa alma se separa de nosso corpo. É o dia em que nossa alma vai ao encontro de Deus e começa esperar o dia da ressurreição, dia feliz no qual nosso corpo se reencontrará com nossa alma. O fato de sabermos que nossa vida terrestre tem um fim e que após este se inicia a vida plena, marca a nossa vida com um caráter de urgência. Pois ela deve ser entendida como uma realidade transitória, que nos encaminhará para uma vida definitiva junto de Deus. A vida terrestre é tempo importante de acolhimento da graça de Deus, de preparação para a vida que há de vir, de espera pela nossa passagem para a casa do Pai. O cristão acredita que a morte é o fim de sua vida terrestre e a entrada na vida plena junto de Deus. A morte não significa o fim da vida!

O nº 1008 do CIC afirma que a morte é consequência do pecado. Deus criou o homem mortal, podendo morrer fisicamente. Todavia, tinha dado a este homem o dom da imortalidade, porque seu plano era o homem vivo. Contudo, o homem optou deliberadamente em se afastar da vontade divina e inaugurou, como consequência do seu afastamento, a experiência da morte terrestre (física) e da morte espiritual (afastamento da comunhão com Deus). Assim, a experiência de morte que nós passamos é possível pela nossa própria constituição, mas nos é estranha porque fomos criados para vivermos.

O nº 1009 do CIC afirma que a morte é transformada por Cristo. Aqui é o ponto mais genuíno de nossa fé. Jesus experimentou a realidade da morte e revelou o sentido dela para nós. Por isso, o cristão para entender e viver a experiência da morte deve ter como paradigma o Cristo. Ele mostrou a estranheza da morte no plano de seu Pai quando chora a morte de seu amigo Lázaro (Jo 11,35) ou ao suar sangue no Jardim das Oliveiras (Lc 22,44). Ele nos mostra que a vontade de Deus não é aquela para o homem. Ele veio nos dar a vida que tínhamos perdido, a vida eterna, a imortalidade, a comunhão com Deus. A morte de Cristo foi exatamente a oferta que Ele fez de si ao Pai para transformar a morte de física em passagem para a vida plena e a morte espiritual em comunhão com Deus. Assim, em Cristo se revela o sentido de nossa vida terrestre e de nossa morte.

Nossa vida terrestre tinha sido planejada pelo Pai como lugar de comunhão com Ele. Mas, o homem, pecando, transformou esta vida num lugar ambíguo de experiências de injustiças, de sofrimento, de morte. Cristo veio assumir e redimir esta vida enveredada pelo homem e reconduzí-lo ao projeto do Pai. Sem fé em Jesus, nós enxergamos esta vida como um lugar marcado pelo mal e tentamos nos proteger dele de várias maneiras. Em Cristo, nos ficamos com um coração grato porque fomos reconduzidos para a comunhão com Deus. Esta comunhão já se inicia aqui nesta vida terrestre, onde em meio as injustiças, os sofrimentos e a morte estamos unidos a Ele, e se completa plenamente na vida que há de vir. O modo de entrarmos na plenitude da vida é a morte. Esta não mais entendida como aniquilamento, como fim definitivo; mas, como abertura, como encontro pleno, como realização do que Deus planejou para nós.

Para aprofundar o tema, indicamos a leitura do CIC, nos nos 1005-1014; do Compêndio do Catecismo, pergunta 205; do YouCat, perguntas 154 e 155; da Lumen Gentium, do parágrafos 48 ao 51; e, da Gaudim et Spes, parágrafo 18.

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice diretor das Escolas Mater Ecclesiae e Luz evida

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20/09/2013 15:13 - Atualizado em 23/09/2013 15:38

Lendo o nº 164 do Catecismo da Igreja Católica (CIC), percebemos algumas realidades, apontadas pela nossa Igreja, que podem dificultar o ato de fé, a saber: as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte. Tais experiências se apresentam como uma tentação ao homem, colocando-o em dúvida sobre a verdade do Amor de Deus e da Salvação em Cristo. Quantas vezes, também, nós nos questionamos a respeito destas situações e ficamos sem respostas. Assim, é necessário conhecer o que a nossa fé declara para estarmos firmes diante da tentação e para perseverarmos quando nos encontrarmos diante de situações difíceis. Dentre as quatro experiências citadas no CIC, refletiremos sobre a experiência da morte e o seu significado dentro da fé cristã.

Por ser uma questão crucial, os homens de todos os tempos meditaram sobre o sentido da morte. Filósofos, Antropólogos, Sociólogos, Psicólogos, outros cientistas e o senso comum refletiram sobre esta experiência tão universal e tão humana. De forma geral podemos dividir as conclusões que estes pensadores chegaram em dois grandes grupos: os que são pessimistas e os que são otimistas em relação à experiência da morte.

Os que são pessimistas afirmam que a morte é o fim certo da pessoa. Após a morte não podemos esperar nada. Por isso, a concentração do homem deve estar nesta vida, desfrutando dela ao máximo. O homem é um ser para a morte, um destino que não pode ser alterado; mas, apenas preparado. Assim, a vida aparece como caminho para a morte, um preparar-se para ela. A morte seria o aniquilamento da pessoa, pois a alma não existe e o corpo entra em decomposição até virar pó. As consequências desta visão podem ser várias: algumas pessoas sentem um medo tão intenso da morte (aniquilamento) que se entregam a todo tipo de experiências de prazer (hedonismo) para se anestesiar de um fim certo; outras, encaram com tal realismo o fato de que vão morrer e de que não tem nada a esperar, que vivem um estado de tristeza, de depressão e até de busca pelo suicídio, porque a vida perde seu sentido; ainda, outras, afastam de si tudo que seja relativo a morte, sem colocar realmente a questão pelo sentido dela; um quarto grupo, vive pregando a compaixão com os outros homens que como eles partilham de um mesmo destino limitado, triste e sem sentido.

Os que são otimistas afirmam que a morte é uma entrada em uma realidade mais intensa qualitativamente. Muitos pensadores acreditam que a morte deve ser encarada de forma positiva como uma abertura para uma novidade que realizará o homem em seus anseios e dará conta das experiências do mal e do sofrimento encontrados nesta vida. As culturas, de modo geral, apresentam um cuidado com os mortos e um culto aos antepassados. A maior consequência desta visão é a vivência da esperança diante do futuro. Esperança que se traduz na plenificação eterna no Ser após a morte.

A nossa Mãe Igreja responde as questões sobre a morte e seu sentido a partir da Revelação de Deus e do diálogo com estas posições pessimistas e otimistas em relação à experiência da morte e suas consequências para a vida. A Igreja entende que a morte é a separação da alma e do corpo, onde este último sofre sua corrupção (Cf. CIC 1005). A morte é compreendida de três maneiras: ela é o termo da vida terrestre; ela é consequência do pecado; e, ela foi transformada por Cristo.

O nº 1007 do CIC afirma que a morte é o termo da vida terrestre. Para entendermos a morte, temos que entender que a vida terrestre tem um início e um fim. Nós começamos a viver na fecundação e vamos passando por uma série de mudanças até o dia em que morremos. Este dia é aquele no qual nossa vida terrestre termina. É o dia em que nossa alma se separa de nosso corpo. É o dia em que nossa alma vai ao encontro de Deus e começa esperar o dia da ressurreição, dia feliz no qual nosso corpo se reencontrará com nossa alma. O fato de sabermos que nossa vida terrestre tem um fim e que após este se inicia a vida plena, marca a nossa vida com um caráter de urgência. Pois ela deve ser entendida como uma realidade transitória, que nos encaminhará para uma vida definitiva junto de Deus. A vida terrestre é tempo importante de acolhimento da graça de Deus, de preparação para a vida que há de vir, de espera pela nossa passagem para a casa do Pai. O cristão acredita que a morte é o fim de sua vida terrestre e a entrada na vida plena junto de Deus. A morte não significa o fim da vida!

O nº 1008 do CIC afirma que a morte é consequência do pecado. Deus criou o homem mortal, podendo morrer fisicamente. Todavia, tinha dado a este homem o dom da imortalidade, porque seu plano era o homem vivo. Contudo, o homem optou deliberadamente em se afastar da vontade divina e inaugurou, como consequência do seu afastamento, a experiência da morte terrestre (física) e da morte espiritual (afastamento da comunhão com Deus). Assim, a experiência de morte que nós passamos é possível pela nossa própria constituição, mas nos é estranha porque fomos criados para vivermos.

O nº 1009 do CIC afirma que a morte é transformada por Cristo. Aqui é o ponto mais genuíno de nossa fé. Jesus experimentou a realidade da morte e revelou o sentido dela para nós. Por isso, o cristão para entender e viver a experiência da morte deve ter como paradigma o Cristo. Ele mostrou a estranheza da morte no plano de seu Pai quando chora a morte de seu amigo Lázaro (Jo 11,35) ou ao suar sangue no Jardim das Oliveiras (Lc 22,44). Ele nos mostra que a vontade de Deus não é aquela para o homem. Ele veio nos dar a vida que tínhamos perdido, a vida eterna, a imortalidade, a comunhão com Deus. A morte de Cristo foi exatamente a oferta que Ele fez de si ao Pai para transformar a morte de física em passagem para a vida plena e a morte espiritual em comunhão com Deus. Assim, em Cristo se revela o sentido de nossa vida terrestre e de nossa morte.

Nossa vida terrestre tinha sido planejada pelo Pai como lugar de comunhão com Ele. Mas, o homem, pecando, transformou esta vida num lugar ambíguo de experiências de injustiças, de sofrimento, de morte. Cristo veio assumir e redimir esta vida enveredada pelo homem e reconduzí-lo ao projeto do Pai. Sem fé em Jesus, nós enxergamos esta vida como um lugar marcado pelo mal e tentamos nos proteger dele de várias maneiras. Em Cristo, nos ficamos com um coração grato porque fomos reconduzidos para a comunhão com Deus. Esta comunhão já se inicia aqui nesta vida terrestre, onde em meio as injustiças, os sofrimentos e a morte estamos unidos a Ele, e se completa plenamente na vida que há de vir. O modo de entrarmos na plenitude da vida é a morte. Esta não mais entendida como aniquilamento, como fim definitivo; mas, como abertura, como encontro pleno, como realização do que Deus planejou para nós.

Para aprofundar o tema, indicamos a leitura do CIC, nos nos 1005-1014; do Compêndio do Catecismo, pergunta 205; do YouCat, perguntas 154 e 155; da Lumen Gentium, do parágrafos 48 ao 51; e, da Gaudim et Spes, parágrafo 18.

 

Pe. Vitor Gino Finelon

Vice diretor das Escolas Mater Ecclesiae e Luz evida

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida