Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 23º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/03/2019

19 de Março de 2019

Hoje devo ficar em tua casa

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

19 de Março de 2019

Hoje devo ficar em tua casa

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

29/10/2016 00:00 - Atualizado em 30/10/2016 18:21

Hoje devo ficar em tua casa 0

29/10/2016 00:00 - Atualizado em 30/10/2016 18:21

O Evangelho do XXXI Domingo do Tempo Comum nos fala sobre a vida de Zaqueu. O Evangelho (Lc 19,1-10) nos situa a localização: Jesus estava “atravessando a cidade” de Jericó. Anos, decênios, séculos, milênios atrás, outro atravessou Jericó: Josué. Sabe-se que a palavra de Jesus é a transcrição grega da palavra Yeschowah, que significa “O Senhor (Javé) é o Salvador”. Os nomes de Jesus e de Josué têm raízes comuns.

A narração da conquista de Jericó é grandiloquente. A arca do Senhor presidia aquela imponente procissão, sete sacerdotes tocavam as trombetas diante da arca e diante dos sacerdotes um exército em ordem de batalha. Durante seis dias, o Povo de Deus dava uma volta ao redor de Jericó; no sétimo dia, porém, sete voltas, toque de trombetas, gritos do povo e muralha ao chão. Jericó já estava derrotada! A Sagrada Escritura nos diz que eles “tomaram a cidade e votaram-na ao interdito, passando a fio de espada tudo o que nela se encontrava: homens, mulheres, crianças, velhos e até mesmo os bois, as ovelhas e os jumentos”. (Js 6,21).

O Evangelho (Lc. 19, 1-10) fala-nos do encontro misericordioso de Jesus com Zaqueu. O Senhor passa por Jericó, a caminho de Jerusalém! Uma multidão apinhava-se nas ruas por onde o Mestre passava, e lá no meio da multidão encontrava-se um homem chefe dos publicanos e rico, bem conhecido em Jericó pelo seu cargo. Os publicanos eram cobradores de impostos. O imposto era fixado pela autoridade romana e os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam. Isto se prestava a arbitrariedades, razão pela qual eram facilmente hostilizados pela população.

São Lucas diz que Zaqueu procurava ver Jesus para conhecê-Lo, mas não podia por causa da multidão, pois era muito baixo. Mas o seu desejo é eficaz! Para conseguir realizar o seu propósito, começa por misturar-se com a multidão e depois, sem pensar no ridículo da sua atitude, correndo adiante sobe a um sicômoro para ver Jesus, que devia passar por ali. Não se importa com o que as pessoas possam pensar ao verem um homem da sua posição começar a correr e depois subir numa árvore.

No Novo Testamento, o Novo Josué não tinha como objetivo destruir os muros de Jericó, o que Jesus queria era derrubar os muros do coração de Zaqueu que, por contraste, “era de baixa estatura”. (Lc 19,3). Ademais, Zaqueu não pôs resistência ao chamado de Jesus. Zaqueu era uma dessas pessoas que podemos chamar “um homem de boa vontade”: ele queria ver Jesus; rico como era, fez o esforço de subir a um sicômoro para ver um profeta; quando Jesus o chamou, esse homem não só aceita com toda alegria que Jesus entre na sua casa, mas é tão generoso que, ao descobrir o tesouro da amizade de Jesus, relativiza totalmente aquilo que ele tanto desejou e conquistou durante a sua vida, dinheiro. Jesus votou o coração de Zaqueu ao interdito, passando a fio de espada os vícios que nele se encontravam.

Qualquer esforço que façamos por aproximar-nos de Cristo é amplamente recompensado. Disse Jesus: “Zaqueu, desce depressa! Hoje Eu devo ficar na tua casa”. (Lc 19, 5). Que alegria imensa! Zaqueu, que já se dava por satisfeito de vê-Lo do alto de uma árvore, ouve Jesus chamá-lo pelo nome, como a um velho amigo, e, com a mesma confiança, fazer-se convidar para sua casa. Comenta Santo Agostinho: “Aquele que tinha por coisa grande e inefável vê-Lo passar, mereceu imediatamente tê-Lo em casa”. O Mestre, que tinha lido no coração do publicano os seus desejos, não quis deixar passar a ocasião. Zaqueu descobre que é amado pessoalmente por Aquele que se apresenta como o Messias esperado, sente-se tocado no íntimo do seu espírito e abre o seu coração.

“Hoje entrou a salvação nesta casa”. (Lc 19, 9). É um convite à esperança: se alguma vez o Senhor permite que passemos por dificuldades, se nos sentimos às escuras e perdidos, temos de saber que Jesus, o Bom Pastor, sairá imediatamente em nossa busca. Diz Santo Ambrósio: “O Senhor escolhe um chefe de publicanos: quem poderá desesperar se ele alcançou a graça”? O Senhor nunca se esquece dos seus.

Que possamos todos nós, a exemplo de Zaqueu, acolher o mestre Jesus em nossas casas e, sobretudo, em nossos corações. Jesus não veio para os sadios, mas para os pecadores. Por isso, mais do que nunca temos a graça de vê-Lo passar e agir em nossa vida. Que a oração e o convite de Zaqueu sejam o nosso nesse mundo cheio de rivalidades e carente de paz, aonde somos chamados a fazer comunhão divina: “entra na minha casa, entra na minha vida”.


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Hoje devo ficar em tua casa

29/10/2016 00:00 - Atualizado em 30/10/2016 18:21

O Evangelho do XXXI Domingo do Tempo Comum nos fala sobre a vida de Zaqueu. O Evangelho (Lc 19,1-10) nos situa a localização: Jesus estava “atravessando a cidade” de Jericó. Anos, decênios, séculos, milênios atrás, outro atravessou Jericó: Josué. Sabe-se que a palavra de Jesus é a transcrição grega da palavra Yeschowah, que significa “O Senhor (Javé) é o Salvador”. Os nomes de Jesus e de Josué têm raízes comuns.

A narração da conquista de Jericó é grandiloquente. A arca do Senhor presidia aquela imponente procissão, sete sacerdotes tocavam as trombetas diante da arca e diante dos sacerdotes um exército em ordem de batalha. Durante seis dias, o Povo de Deus dava uma volta ao redor de Jericó; no sétimo dia, porém, sete voltas, toque de trombetas, gritos do povo e muralha ao chão. Jericó já estava derrotada! A Sagrada Escritura nos diz que eles “tomaram a cidade e votaram-na ao interdito, passando a fio de espada tudo o que nela se encontrava: homens, mulheres, crianças, velhos e até mesmo os bois, as ovelhas e os jumentos”. (Js 6,21).

O Evangelho (Lc. 19, 1-10) fala-nos do encontro misericordioso de Jesus com Zaqueu. O Senhor passa por Jericó, a caminho de Jerusalém! Uma multidão apinhava-se nas ruas por onde o Mestre passava, e lá no meio da multidão encontrava-se um homem chefe dos publicanos e rico, bem conhecido em Jericó pelo seu cargo. Os publicanos eram cobradores de impostos. O imposto era fixado pela autoridade romana e os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam. Isto se prestava a arbitrariedades, razão pela qual eram facilmente hostilizados pela população.

São Lucas diz que Zaqueu procurava ver Jesus para conhecê-Lo, mas não podia por causa da multidão, pois era muito baixo. Mas o seu desejo é eficaz! Para conseguir realizar o seu propósito, começa por misturar-se com a multidão e depois, sem pensar no ridículo da sua atitude, correndo adiante sobe a um sicômoro para ver Jesus, que devia passar por ali. Não se importa com o que as pessoas possam pensar ao verem um homem da sua posição começar a correr e depois subir numa árvore.

No Novo Testamento, o Novo Josué não tinha como objetivo destruir os muros de Jericó, o que Jesus queria era derrubar os muros do coração de Zaqueu que, por contraste, “era de baixa estatura”. (Lc 19,3). Ademais, Zaqueu não pôs resistência ao chamado de Jesus. Zaqueu era uma dessas pessoas que podemos chamar “um homem de boa vontade”: ele queria ver Jesus; rico como era, fez o esforço de subir a um sicômoro para ver um profeta; quando Jesus o chamou, esse homem não só aceita com toda alegria que Jesus entre na sua casa, mas é tão generoso que, ao descobrir o tesouro da amizade de Jesus, relativiza totalmente aquilo que ele tanto desejou e conquistou durante a sua vida, dinheiro. Jesus votou o coração de Zaqueu ao interdito, passando a fio de espada os vícios que nele se encontravam.

Qualquer esforço que façamos por aproximar-nos de Cristo é amplamente recompensado. Disse Jesus: “Zaqueu, desce depressa! Hoje Eu devo ficar na tua casa”. (Lc 19, 5). Que alegria imensa! Zaqueu, que já se dava por satisfeito de vê-Lo do alto de uma árvore, ouve Jesus chamá-lo pelo nome, como a um velho amigo, e, com a mesma confiança, fazer-se convidar para sua casa. Comenta Santo Agostinho: “Aquele que tinha por coisa grande e inefável vê-Lo passar, mereceu imediatamente tê-Lo em casa”. O Mestre, que tinha lido no coração do publicano os seus desejos, não quis deixar passar a ocasião. Zaqueu descobre que é amado pessoalmente por Aquele que se apresenta como o Messias esperado, sente-se tocado no íntimo do seu espírito e abre o seu coração.

“Hoje entrou a salvação nesta casa”. (Lc 19, 9). É um convite à esperança: se alguma vez o Senhor permite que passemos por dificuldades, se nos sentimos às escuras e perdidos, temos de saber que Jesus, o Bom Pastor, sairá imediatamente em nossa busca. Diz Santo Ambrósio: “O Senhor escolhe um chefe de publicanos: quem poderá desesperar se ele alcançou a graça”? O Senhor nunca se esquece dos seus.

Que possamos todos nós, a exemplo de Zaqueu, acolher o mestre Jesus em nossas casas e, sobretudo, em nossos corações. Jesus não veio para os sadios, mas para os pecadores. Por isso, mais do que nunca temos a graça de vê-Lo passar e agir em nossa vida. Que a oração e o convite de Zaqueu sejam o nosso nesse mundo cheio de rivalidades e carente de paz, aonde somos chamados a fazer comunhão divina: “entra na minha casa, entra na minha vida”.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro