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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/07/2017

24 de Julho de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (67): Interpretação e tradução da Bíblia

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24 de Julho de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (67): Interpretação e tradução da Bíblia

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28/10/2016 19:25 - Atualizado em 28/10/2016 19:25

A Palavra de Deus na Bíblia (67): Interpretação e tradução da Bíblia 0

28/10/2016 19:25 - Atualizado em 28/10/2016 19:25

No artigo anterior, havíamos avançado no estabelecimento das relações entre a Igreja, em sua consciência mais profunda, e o cânon das Sagradas Escrituras. Prosseguiremos nesta direção em relação à primeira forma de inteligência das Escrituras nas primeiras horas da Igreja: a Exegese Patrística.

Desde os primórdios, compreendeu-se que o mesmo Espírito Santo, que levou os autores do Novo Testamento a colocar por escrito a mensagem da salvação (Dei Verbum, 7,18), traz igualmente à Igreja uma assistência continua para a interpretação de seus escritos inspirados (cf Irineu, Adv. Haer. 3.24.1; cf 3.1.1; 4.33.8; Orígenes, De Princ., 2.7.2; Tertuliano, De Praescr., 22)1.

A assistência divino-trinitária do Espírito Santo que garantiu a autenticidade das Escrituras, pela inspiração dos hagiógrafos (escritores sagrados), é a mesma que garante à Igreja, em seu magistério, a interpretação verdadeira dos significados da Palavra de Deus. Isto é afirmado em DV 7:

“Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma (cfr. 2Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente (1), comunicando-lhes assim os dons divinos. Isto foi realizado com fidelidade, tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação (2)”2.

Tudo não confere à Igreja uma visão mecânica nem literalista das Escrituras, os mestres da interpretação gozaram, na Idade Clássica, do apoio racional da interpretação, costume antigo encontrado na tradição hebraica e, do outro lado, dado o influxo da filosofia difusa em ambientes helenísticos, nos quais crescia a Igreja antiga de língua grega.

Os Padres da Igreja, que tiveram um papel particular no processo de formação do cânon, tiveram igualmente um papel fundador em relação à tradição viva, que sem cessar acompanha e guia a leitura e a interpretação que a Igreja faz das Escrituras (cf Providentissimus Deus, E.B., 110-111; Divino afflante Spiritu, 28-30, E.B., 554; Dei Verbum, 23; PCB, Instr. de Evang. histor., 1)3.

No século II e seguintes foi fundamental para a expansão do Cristianismo o trabalho dos grandes Padres que escreveram as apologias em defesa da fé católica e dos cristãos perseguidos.

Eles escreveram inclusive aos imperadores romanos. Sua missão foi a de explicar a fé cristã, de modo compreensível, pela qual os mártires entregavam a vida. Foi na Grécia que teve início a apologética cristã com o ateniense Kodratos (ou Quadrato), no tempo do imperador Adriano (117-138), a quem escreveu uma carta explicando a doutrina cristã.

Entre eles encontramos Santo Inácio de Antioquia (†107). Também a carta já citada do autor desconhecido, escrita a Diogneto, que educou o imperador Marco Aurélio, é uma bela apologia cristã, e diz:

“O Cristianismo não é uma invenção terrena, nem tampouco um amálgama de mistérios humanos. É a verdade, a palavra santa, inabarcável, enviada aos homens pelo próprio Deus, o Todo-poderoso, o invisível criador do Universo.”4

No decorrer da grande tradição, a contribuição particular da exegese patrística consiste nisto: ela tirou do conjunto da Escritura as orientações de base que deram forma à tradição doutrinal da Igreja, e forneceu um rico ensinamento teológico para a instrução e o alimento espiritual dos fiéis.

Nos Padres da Igreja, a leitura da Escritura e sua interpretação ocupam um lugar considerável. Testemunhas disso são, primeiramente, as obras diretamente ligadas à inteligência das Escrituras, isto é, as homilias e os comentários, mas também as obras de controvérsia e de teologia, em que o apelo à Escritura serve de argumento principal5.

Referências:

1 www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html.

3 www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV.

4http://cleofas.com.br/os-padres-apologistas.

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A Palavra de Deus na Bíblia (67): Interpretação e tradução da Bíblia

28/10/2016 19:25 - Atualizado em 28/10/2016 19:25

No artigo anterior, havíamos avançado no estabelecimento das relações entre a Igreja, em sua consciência mais profunda, e o cânon das Sagradas Escrituras. Prosseguiremos nesta direção em relação à primeira forma de inteligência das Escrituras nas primeiras horas da Igreja: a Exegese Patrística.

Desde os primórdios, compreendeu-se que o mesmo Espírito Santo, que levou os autores do Novo Testamento a colocar por escrito a mensagem da salvação (Dei Verbum, 7,18), traz igualmente à Igreja uma assistência continua para a interpretação de seus escritos inspirados (cf Irineu, Adv. Haer. 3.24.1; cf 3.1.1; 4.33.8; Orígenes, De Princ., 2.7.2; Tertuliano, De Praescr., 22)1.

A assistência divino-trinitária do Espírito Santo que garantiu a autenticidade das Escrituras, pela inspiração dos hagiógrafos (escritores sagrados), é a mesma que garante à Igreja, em seu magistério, a interpretação verdadeira dos significados da Palavra de Deus. Isto é afirmado em DV 7:

“Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma (cfr. 2Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente (1), comunicando-lhes assim os dons divinos. Isto foi realizado com fidelidade, tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação (2)”2.

Tudo não confere à Igreja uma visão mecânica nem literalista das Escrituras, os mestres da interpretação gozaram, na Idade Clássica, do apoio racional da interpretação, costume antigo encontrado na tradição hebraica e, do outro lado, dado o influxo da filosofia difusa em ambientes helenísticos, nos quais crescia a Igreja antiga de língua grega.

Os Padres da Igreja, que tiveram um papel particular no processo de formação do cânon, tiveram igualmente um papel fundador em relação à tradição viva, que sem cessar acompanha e guia a leitura e a interpretação que a Igreja faz das Escrituras (cf Providentissimus Deus, E.B., 110-111; Divino afflante Spiritu, 28-30, E.B., 554; Dei Verbum, 23; PCB, Instr. de Evang. histor., 1)3.

No século II e seguintes foi fundamental para a expansão do Cristianismo o trabalho dos grandes Padres que escreveram as apologias em defesa da fé católica e dos cristãos perseguidos.

Eles escreveram inclusive aos imperadores romanos. Sua missão foi a de explicar a fé cristã, de modo compreensível, pela qual os mártires entregavam a vida. Foi na Grécia que teve início a apologética cristã com o ateniense Kodratos (ou Quadrato), no tempo do imperador Adriano (117-138), a quem escreveu uma carta explicando a doutrina cristã.

Entre eles encontramos Santo Inácio de Antioquia (†107). Também a carta já citada do autor desconhecido, escrita a Diogneto, que educou o imperador Marco Aurélio, é uma bela apologia cristã, e diz:

“O Cristianismo não é uma invenção terrena, nem tampouco um amálgama de mistérios humanos. É a verdade, a palavra santa, inabarcável, enviada aos homens pelo próprio Deus, o Todo-poderoso, o invisível criador do Universo.”4

No decorrer da grande tradição, a contribuição particular da exegese patrística consiste nisto: ela tirou do conjunto da Escritura as orientações de base que deram forma à tradição doutrinal da Igreja, e forneceu um rico ensinamento teológico para a instrução e o alimento espiritual dos fiéis.

Nos Padres da Igreja, a leitura da Escritura e sua interpretação ocupam um lugar considerável. Testemunhas disso são, primeiramente, as obras diretamente ligadas à inteligência das Escrituras, isto é, as homilias e os comentários, mas também as obras de controvérsia e de teologia, em que o apelo à Escritura serve de argumento principal5.

Referências:

1 www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV

2www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html.

3 www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html#IV.

4http://cleofas.com.br/os-padres-apologistas.

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica