Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 19/08/2017

19 de Agosto de 2017

Jesus e Zaqueu

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Jesus e Zaqueu

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28/10/2016 14:34 - Atualizado em 28/10/2016 14:35

Jesus e Zaqueu 0

28/10/2016 14:34 - Atualizado em 28/10/2016 14:35

A celebração eucarística do trigésimo primeiro domingo do tempo comum apresenta como narrativa evangélica o encontro entre Jesus e Zaqueu (cf. Lc 19,1-10). O Senhor, no seu caminho rumo a Jerusalém, chegou ao interior do território da Judéia, na cidade de Jericó. Ali, a misericórdia divina se manifestou perdoando e convertendo aquele que se deixou impactar pela presença salvadora de Cristo – Zaqueu é o ícone do homem encontrado pelo Senhor. Da mesma maneira, a assembleia litúrgica é convidada a experimentar a força renovadora da graça de Deus.

O texto descreve o interlocutor de Jesus com as seguintes características: “um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico” (Lc 19,2). Apesar de seu nome Zakkaj significar ‘puro’ e ‘inocente’, a sua vida era a de um pecador público: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” (Lc 19,7). De fato, sendo sua profissão cobrador de impostos e, ainda, o chefe deles, era odiado por coletar taxas de seus compatriotas. O fato de ser qualificado como rico demonstra que sua fortuna vinha dessa espoliação tributária. Todavia, Zaqueu “deseja ver quem era Jesus” (Lc 19,3) e se esforçou para isso superando seus limites físicos – “ele correu à frente e subiu em uma figueira para ver Jesus, que devia passar por ali” (Lc 19,4). A fórmula ‘ver Jesus’ aparece duas vezes, revelando a postura fundamental para o encontro com o profeta peregrino.

O Senhor, por sua vez, olhando para o alto, disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5). O vocativo expõe a contradição entre o que Zaqueu era chamado a ser – puro e inocente –, e sua condição pecadora – cobrador de impostos –, e a ordem de descer da figueira o repõe na sua altura real, em condição para o encontro. O tempo da salvação é sempre o ‘hoje’ – Lucas utiliza 11 vezes este advérbio no seu texto para falar da salvação divina: “Nasceu-vos hoje um salvador, que é o Cristo-Senhor!” (Lc 2,11) e “Ele respondeu: Em verdade, te digo, hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). O termo ‘devo’ – na verdade, a melhor tradução seria ‘é necessário’ – aparece 18 vezes no texto do terceiro evangelho usado para expressar a adesão livre de Cristo à vontade paterna: “Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49). Por conseguinte, o seu interesse central é permanecer com Zaqueu: ‘ficar na tua casa’. Ora, Jesus queria criar intimidade com aquele cobrador de impostos, a fim de que pudesse ajudá-lo a entrar no caminho de Deus.

Realmente, Jesus possui um ‘método’ de conversão. Diferente de outros mestres e pregadores do seu tempo – por exemplo, João Batista –, o Senhor acreditava que sua presença e sua abertura misericordiosa eram condições para que as pessoas pudessem perceber seu pecado, assumi-los e converter-se. No caso de Zaqueu, Jesus pediu para ser hóspede na sua casa porque percebia que somente no trato íntimo poderia ocorrer a salvação. Tantas outras passagens do Evangelho de Lucas desenvolvem esta sensibilidade de Cristo no contato com os pecadores – muito forte, neste sentido, são as parábolas da misericórdia nas quais se apresenta a busca pelo pecador perdido, em contraposição ao comportamento condenatório dos fariseus e escribas (cf. Lc 15).

A Igreja é chamada a vivenciar, na intimidade da Ceia do Senhor, o amor misericordioso de Deus – aquele que, à semelhança do que aconteceu com Zaqueu, olha para nós e resgata nossa verdadeira identidade, possibilitando que abandonemos a vida de pecado e passemos a nos responsabilizar pelo mal que causamos aos nossos irmãos. Neste sentido, o Papa Francisco nos afirma: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão” (MV 19).

 

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Jesus e Zaqueu

28/10/2016 14:34 - Atualizado em 28/10/2016 14:35

A celebração eucarística do trigésimo primeiro domingo do tempo comum apresenta como narrativa evangélica o encontro entre Jesus e Zaqueu (cf. Lc 19,1-10). O Senhor, no seu caminho rumo a Jerusalém, chegou ao interior do território da Judéia, na cidade de Jericó. Ali, a misericórdia divina se manifestou perdoando e convertendo aquele que se deixou impactar pela presença salvadora de Cristo – Zaqueu é o ícone do homem encontrado pelo Senhor. Da mesma maneira, a assembleia litúrgica é convidada a experimentar a força renovadora da graça de Deus.

O texto descreve o interlocutor de Jesus com as seguintes características: “um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico” (Lc 19,2). Apesar de seu nome Zakkaj significar ‘puro’ e ‘inocente’, a sua vida era a de um pecador público: “Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!” (Lc 19,7). De fato, sendo sua profissão cobrador de impostos e, ainda, o chefe deles, era odiado por coletar taxas de seus compatriotas. O fato de ser qualificado como rico demonstra que sua fortuna vinha dessa espoliação tributária. Todavia, Zaqueu “deseja ver quem era Jesus” (Lc 19,3) e se esforçou para isso superando seus limites físicos – “ele correu à frente e subiu em uma figueira para ver Jesus, que devia passar por ali” (Lc 19,4). A fórmula ‘ver Jesus’ aparece duas vezes, revelando a postura fundamental para o encontro com o profeta peregrino.

O Senhor, por sua vez, olhando para o alto, disse: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5). O vocativo expõe a contradição entre o que Zaqueu era chamado a ser – puro e inocente –, e sua condição pecadora – cobrador de impostos –, e a ordem de descer da figueira o repõe na sua altura real, em condição para o encontro. O tempo da salvação é sempre o ‘hoje’ – Lucas utiliza 11 vezes este advérbio no seu texto para falar da salvação divina: “Nasceu-vos hoje um salvador, que é o Cristo-Senhor!” (Lc 2,11) e “Ele respondeu: Em verdade, te digo, hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). O termo ‘devo’ – na verdade, a melhor tradução seria ‘é necessário’ – aparece 18 vezes no texto do terceiro evangelho usado para expressar a adesão livre de Cristo à vontade paterna: “Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49). Por conseguinte, o seu interesse central é permanecer com Zaqueu: ‘ficar na tua casa’. Ora, Jesus queria criar intimidade com aquele cobrador de impostos, a fim de que pudesse ajudá-lo a entrar no caminho de Deus.

Realmente, Jesus possui um ‘método’ de conversão. Diferente de outros mestres e pregadores do seu tempo – por exemplo, João Batista –, o Senhor acreditava que sua presença e sua abertura misericordiosa eram condições para que as pessoas pudessem perceber seu pecado, assumi-los e converter-se. No caso de Zaqueu, Jesus pediu para ser hóspede na sua casa porque percebia que somente no trato íntimo poderia ocorrer a salvação. Tantas outras passagens do Evangelho de Lucas desenvolvem esta sensibilidade de Cristo no contato com os pecadores – muito forte, neste sentido, são as parábolas da misericórdia nas quais se apresenta a busca pelo pecador perdido, em contraposição ao comportamento condenatório dos fariseus e escribas (cf. Lc 15).

A Igreja é chamada a vivenciar, na intimidade da Ceia do Senhor, o amor misericordioso de Deus – aquele que, à semelhança do que aconteceu com Zaqueu, olha para nós e resgata nossa verdadeira identidade, possibilitando que abandonemos a vida de pecado e passemos a nos responsabilizar pelo mal que causamos aos nossos irmãos. Neste sentido, o Papa Francisco nos afirma: “Este é o momento favorável para mudar de vida! Este é o tempo de se deixar tocar o coração. Diante do mal cometido, mesmo crimes graves, é o momento de ouvir o pranto das pessoas inocentes espoliadas dos bens, da dignidade, dos afetos, da própria vida. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão” (MV 19).

 

Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida