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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/01/2017

20 de Janeiro de 2017

A humildade e a oração

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A humildade e a oração

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21/10/2016 11:40 - Atualizado em 21/10/2016 11:40

A humildade e a oração 0

21/10/2016 11:40 - Atualizado em 21/10/2016 11:40

No trigésimo domingo do tempo comum, o evangelho proclamado na celebração eucarística apresenta o tema da oração. Na verdade, São Lucas, no conjunto do terceiro evangelho, desenvolve uma verdadeira catequese sobre tal assunto. No capítulo dezoito, ele trabalha este tema em duas partes: a necessidade de orar sempre, sem nunca se cansar (Lc 18,1-8) e a humildade diante de Deus (Lc 18,9-14). Nas duas partes, Jesus conta uma parábola para exemplificar e elucidar melhor seu pensamento: a da viúva injustiçada e do juiz iníquo (Lc 18,2-5) e a da oração do fariseu e do publicano (Lc 18,10-13). Desta forma, o texto do terceiro evangelho quer iluminar duas perguntas: “Quando orar?” e “Como rezar?”.

A passagem bíblica deste domingo está estruturada em três etapas: a problemática inicial (Lc 18,9), a parábola na qual se contrapõe a postura do fariseu e do publicano diante de Deus (Lc 18,10-13) e a conclusão com o ensinamento próprio (Lc 18,14). Através da diferença contrastante da atitude e da fala dos dois personagens da parábola se consegue chegar ao cerne da oração cristã. O narrador diz que “Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros” (v.1). Podemos pensar que o Senhor, no seu ministério, se encontrou com pessoas que acreditavam mais na sua prática religiosa do que na bondade divina e que na comunidade lucana, também, se desenvolveu, entre os cristãos, este mesmo espírito ‘farisaico’.

A prece do ‘fariseu’ é um contramodelo da oração cristã, ou seja, apesar de apresentar elementos piedosos, ela carrega uma atitude de arrogância diante dos outros homens e de desprezo perante Deus. Diz o texto: “O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço’ ” – a fórmula de ação de graças é muito clara, inclusive, utilizando o verbo eucharistein. Todavia, o conteúdo do agradecimento é a superioridade de sua vida moral em relação aos outros: “porque não sou como os outros homens”. Comentando tal trecho, Santo Agostinho explica: “Tinha subido para louvar a Deus, mas acabou louvando a si mesmo”. Por sua vez, a oração do publicano é o paradigma da atitude verdadeiramente cristã. Os seus gestos – “ficou à distância”, “nem se atrevia a levantar os olhos para o céu” e “batia no peito” – manifestam sua consciência de ser pecador e de necessitar do amor compassivo divino. As suas palavras igualmente revelam seu desejo de ser perdoado e de ser renovado pela misericórdia de Deus: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!”. O bispo de Hipona comenta este trecho assim: “Eis aquele que reza de verdade! Ele se admira que Deus o perdoa desde o momento em que ele se reconhece pecador”.

A resposta oferecida no evangelho de Lucas para a questão “Como rezar?” está na figura do publicano da parábola. As suas palavras e seus gestos de humildade servem de remédio para uma postura autossuficiente e arrogante. A Tradição cristã sempre retornou tal modelo evangélico para repropor aos fiéis o caminho mais adequado para se aproximar de Deus. O preceito da regra de São Bento continua valendo não só para os monges, mas para todos aqueles que buscam o diálogo com o Pai do Céu: “Repete sempre no coração as palavras que o publicano do evangelho pronunciou com os olhos fixos na terra: ‘Senhor, eu sou pecador e, por isso, não sou digno de levantar os meus olhos ao céu’ ” (RB 7,65).


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21/10/2016 11:40 - Atualizado em 21/10/2016 11:40

No trigésimo domingo do tempo comum, o evangelho proclamado na celebração eucarística apresenta o tema da oração. Na verdade, São Lucas, no conjunto do terceiro evangelho, desenvolve uma verdadeira catequese sobre tal assunto. No capítulo dezoito, ele trabalha este tema em duas partes: a necessidade de orar sempre, sem nunca se cansar (Lc 18,1-8) e a humildade diante de Deus (Lc 18,9-14). Nas duas partes, Jesus conta uma parábola para exemplificar e elucidar melhor seu pensamento: a da viúva injustiçada e do juiz iníquo (Lc 18,2-5) e a da oração do fariseu e do publicano (Lc 18,10-13). Desta forma, o texto do terceiro evangelho quer iluminar duas perguntas: “Quando orar?” e “Como rezar?”.

A passagem bíblica deste domingo está estruturada em três etapas: a problemática inicial (Lc 18,9), a parábola na qual se contrapõe a postura do fariseu e do publicano diante de Deus (Lc 18,10-13) e a conclusão com o ensinamento próprio (Lc 18,14). Através da diferença contrastante da atitude e da fala dos dois personagens da parábola se consegue chegar ao cerne da oração cristã. O narrador diz que “Jesus lhes disse ainda esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros” (v.1). Podemos pensar que o Senhor, no seu ministério, se encontrou com pessoas que acreditavam mais na sua prática religiosa do que na bondade divina e que na comunidade lucana, também, se desenvolveu, entre os cristãos, este mesmo espírito ‘farisaico’.

A prece do ‘fariseu’ é um contramodelo da oração cristã, ou seja, apesar de apresentar elementos piedosos, ela carrega uma atitude de arrogância diante dos outros homens e de desprezo perante Deus. Diz o texto: “O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço’ ” – a fórmula de ação de graças é muito clara, inclusive, utilizando o verbo eucharistein. Todavia, o conteúdo do agradecimento é a superioridade de sua vida moral em relação aos outros: “porque não sou como os outros homens”. Comentando tal trecho, Santo Agostinho explica: “Tinha subido para louvar a Deus, mas acabou louvando a si mesmo”. Por sua vez, a oração do publicano é o paradigma da atitude verdadeiramente cristã. Os seus gestos – “ficou à distância”, “nem se atrevia a levantar os olhos para o céu” e “batia no peito” – manifestam sua consciência de ser pecador e de necessitar do amor compassivo divino. As suas palavras igualmente revelam seu desejo de ser perdoado e de ser renovado pela misericórdia de Deus: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!”. O bispo de Hipona comenta este trecho assim: “Eis aquele que reza de verdade! Ele se admira que Deus o perdoa desde o momento em que ele se reconhece pecador”.

A resposta oferecida no evangelho de Lucas para a questão “Como rezar?” está na figura do publicano da parábola. As suas palavras e seus gestos de humildade servem de remédio para uma postura autossuficiente e arrogante. A Tradição cristã sempre retornou tal modelo evangélico para repropor aos fiéis o caminho mais adequado para se aproximar de Deus. O preceito da regra de São Bento continua valendo não só para os monges, mas para todos aqueles que buscam o diálogo com o Pai do Céu: “Repete sempre no coração as palavras que o publicano do evangelho pronunciou com os olhos fixos na terra: ‘Senhor, eu sou pecador e, por isso, não sou digno de levantar os meus olhos ao céu’ ” (RB 7,65).


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida