Arquidiocese do Rio de Janeiro

29º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/11/2017

22 de Novembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (65): Interpretação e tradução

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22 de Novembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (65): Interpretação e tradução

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14/10/2016 16:19 - Atualizado em 14/10/2016 16:19

A Palavra de Deus na Bíblia (65): Interpretação e tradução 0

14/10/2016 16:19 - Atualizado em 14/10/2016 16:19

Daquilo que foi dito, pode-se concluir que a Bíblia contém numerosas indicações e sugestões sobre a arte de interpretar. A Bíblia é efetivamente, desde o início, ela mesma uma interpretação[1].

No artigo anterior, tratamos da questão das tradições na Bíblia, ela mesma fonte de sua interpretação, graças ao complexo e longo processo de autointerpretação que ocorreu ao longo de sua formação.

O diálogo com a Santa Escritura, em seu conjunto, e assim, com a compreensão da fé própria a épocas anteriores, é acompanhado necessariamente de um diálogo com a geração presente. Isto provoca o estabelecimento de uma relação de continuidade, mas também a constatação de diferenças. Conclui-se que a interpretação da Escritura comporta um trabalho de verificação e de triagem. Ele permanece em continuidade com as tradições exegéticas anteriores, das quais conserva e toma para si muitos elementos, mas em outros pontos se separa delas para poder progredir[2].

Além disso, é a Igreja em sua sabedoria, inspirada divinamente, a responsável pelo desenvolvimento e o encerramento da lista bíblica dos livros inspirados pelo Espírito Santo entregue à leitura, pela proclamação e evangelização.

A interpretação na tradição da Igreja

A Igreja, povo de Deus, tem consciência de ser ajudada pelo Espírito Santo em sua compreensão e interpretação das Escrituras. Os primeiros discípulos de Jesus sabiam que não estavam à altura de compreender imediatamente, em todos os seus aspectos, a totalidade do que tinham recebido. Faziam a experiência, na vida de comunidade conduzida com perseverança, de um aprofundamento e de uma explicitação progressiva da revelação recebida. Eles reconheciam nisso a influência e a ação do Espírito da Verdade, que o Cristo lhes havia prometido, para guiá-los em direção à plenitude da verdade (Jo 16,12-13). É assim igualmente que a Igreja prossegue seu caminho, sustentada pela promessa do Cristo: “O Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14,26).

O primeiro elemento que se destaca nesta questão sobre a interpretação da Bíblia na Igreja, como tarefa bem sucedida em sua operação, é a consciência viva da Igreja, desde os apóstolos (como se lê em Atos), que eles são assistidos pelo Espírito Santo, na garantia de uma interpretação segura e correta das Escrituras: “A Igreja, povo de Deus, tem consciência de ser ajudada pelo Espírito Santo em sua compreensão e sua interpretação das Escrituras”[3].

É o que nos afirma o Catecismo da Igreja Católica (CIC 683):

“Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ a não ser pela ação do Espírito Santo (1Cor12, 3). ‘Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá! Pai! (Gl 4,6). Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele quem nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Batismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja.”[4]

Sendo assim, a primeira etapa de nossa reflexão se volta para um tema fundamental no estudo das Sagradas Escrituras: o Cânon Bíblico.

Guiada pelo Espírito Santo à luz da Tradição viva que ela recebeu, a Igreja discerniu os escritos que devem ser olhados como Santa Escritura no sentido de que, “tendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, eles têm Deus por autor, foram transmitidos como tais à Igreja” (Dei Verbum, 11) e contêm “a verdade que Deus, para nossa salvação, quis ver consignada nas letras sagradas” (ibid.).

Eis os elementos que compõem a compreensão correta do Cânon:

Primeiramente, trata-se de uma tarefa da Igreja, capaz de cumpri-la por ter sido plenamente assistida pelo Espírito Santo: o discernimento dos escritos ‘que devem ser olhados como Santa Escritura’. Isto é, nem tudo o que se escrevera e se difundia no seio das comunidades primitivas foi considerado como autêntica comunicação da Revelação Divina, plena em Jesus Cristo.

Por isso o surgimento dos textos apócrifos:

“Apócrifo é uma palavra que descreve, em termos bíblicos, livros que tratam de temas paralelos àqueles presentes na Bíblia, mas que não têm a mesma consideração dos livros que formam efetivamente os livros considerados bíblicos, 73 para os católicos e 66 para os protestantes. A lista dos livros bíblicos é chamada de Cânon. Os livros que não entraram nesta lista são livros apócrifos.”[5]

Segundo elemento na formação do Cânon, ou lista de livros, é que a sua aparição no conjunto dos 73(2) livros das Escrituras se dá pelo seu conteúdo: exprimem autenticamente a Revelação Divina, isto é, “eles têm Deus por autor, foram transmitidos como tais à Igreja”.

E, por fim, nestes escritos, que formam o Cânon Bíblico da Igreja, todo leitor (e fiel) encontrará o conteúdo da salvação (diverso das gnoses), pois contêm “a verdade que Deus, para nossa salvação, quis ver consignada nas letras sagradas”.

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A Palavra de Deus na Bíblia (65): Interpretação e tradução

14/10/2016 16:19 - Atualizado em 14/10/2016 16:19

Daquilo que foi dito, pode-se concluir que a Bíblia contém numerosas indicações e sugestões sobre a arte de interpretar. A Bíblia é efetivamente, desde o início, ela mesma uma interpretação[1].

No artigo anterior, tratamos da questão das tradições na Bíblia, ela mesma fonte de sua interpretação, graças ao complexo e longo processo de autointerpretação que ocorreu ao longo de sua formação.

O diálogo com a Santa Escritura, em seu conjunto, e assim, com a compreensão da fé própria a épocas anteriores, é acompanhado necessariamente de um diálogo com a geração presente. Isto provoca o estabelecimento de uma relação de continuidade, mas também a constatação de diferenças. Conclui-se que a interpretação da Escritura comporta um trabalho de verificação e de triagem. Ele permanece em continuidade com as tradições exegéticas anteriores, das quais conserva e toma para si muitos elementos, mas em outros pontos se separa delas para poder progredir[2].

Além disso, é a Igreja em sua sabedoria, inspirada divinamente, a responsável pelo desenvolvimento e o encerramento da lista bíblica dos livros inspirados pelo Espírito Santo entregue à leitura, pela proclamação e evangelização.

A interpretação na tradição da Igreja

A Igreja, povo de Deus, tem consciência de ser ajudada pelo Espírito Santo em sua compreensão e interpretação das Escrituras. Os primeiros discípulos de Jesus sabiam que não estavam à altura de compreender imediatamente, em todos os seus aspectos, a totalidade do que tinham recebido. Faziam a experiência, na vida de comunidade conduzida com perseverança, de um aprofundamento e de uma explicitação progressiva da revelação recebida. Eles reconheciam nisso a influência e a ação do Espírito da Verdade, que o Cristo lhes havia prometido, para guiá-los em direção à plenitude da verdade (Jo 16,12-13). É assim igualmente que a Igreja prossegue seu caminho, sustentada pela promessa do Cristo: “O Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14,26).

O primeiro elemento que se destaca nesta questão sobre a interpretação da Bíblia na Igreja, como tarefa bem sucedida em sua operação, é a consciência viva da Igreja, desde os apóstolos (como se lê em Atos), que eles são assistidos pelo Espírito Santo, na garantia de uma interpretação segura e correta das Escrituras: “A Igreja, povo de Deus, tem consciência de ser ajudada pelo Espírito Santo em sua compreensão e sua interpretação das Escrituras”[3].

É o que nos afirma o Catecismo da Igreja Católica (CIC 683):

“Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ a não ser pela ação do Espírito Santo (1Cor12, 3). ‘Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá! Pai! (Gl 4,6). Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contacto com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele quem nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Batismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja.”[4]

Sendo assim, a primeira etapa de nossa reflexão se volta para um tema fundamental no estudo das Sagradas Escrituras: o Cânon Bíblico.

Guiada pelo Espírito Santo à luz da Tradição viva que ela recebeu, a Igreja discerniu os escritos que devem ser olhados como Santa Escritura no sentido de que, “tendo sido escritos sob a inspiração do Espírito Santo, eles têm Deus por autor, foram transmitidos como tais à Igreja” (Dei Verbum, 11) e contêm “a verdade que Deus, para nossa salvação, quis ver consignada nas letras sagradas” (ibid.).

Eis os elementos que compõem a compreensão correta do Cânon:

Primeiramente, trata-se de uma tarefa da Igreja, capaz de cumpri-la por ter sido plenamente assistida pelo Espírito Santo: o discernimento dos escritos ‘que devem ser olhados como Santa Escritura’. Isto é, nem tudo o que se escrevera e se difundia no seio das comunidades primitivas foi considerado como autêntica comunicação da Revelação Divina, plena em Jesus Cristo.

Por isso o surgimento dos textos apócrifos:

“Apócrifo é uma palavra que descreve, em termos bíblicos, livros que tratam de temas paralelos àqueles presentes na Bíblia, mas que não têm a mesma consideração dos livros que formam efetivamente os livros considerados bíblicos, 73 para os católicos e 66 para os protestantes. A lista dos livros bíblicos é chamada de Cânon. Os livros que não entraram nesta lista são livros apócrifos.”[5]

Segundo elemento na formação do Cânon, ou lista de livros, é que a sua aparição no conjunto dos 73(2) livros das Escrituras se dá pelo seu conteúdo: exprimem autenticamente a Revelação Divina, isto é, “eles têm Deus por autor, foram transmitidos como tais à Igreja”.

E, por fim, nestes escritos, que formam o Cânon Bíblico da Igreja, todo leitor (e fiel) encontrará o conteúdo da salvação (diverso das gnoses), pois contêm “a verdade que Deus, para nossa salvação, quis ver consignada nas letras sagradas”.

Referências:


Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica