Arquidiocese do Rio de Janeiro

31º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 26/05/2017

26 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (60): Interpretação e tradução da Bíblia

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26 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (60): Interpretação e tradução da Bíblia

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09/09/2016 00:00 - Atualizado em 07/10/2016 15:48

A Palavra de Deus na Bíblia (60): Interpretação e tradução da Bíblia 0

09/09/2016 00:00 - Atualizado em 07/10/2016 15:48

“(...) propor algumas observações sobre a interpretação dos textos bíblicos no interior da própria Bíblia”. Com esta afirmação concluímos o artigo anterior sobre a discussão das Tradições na Bíblia.

Queremos agora avançar nesta direção ao considerarmos os aspectos específicos da tradição exegética católica da Bíblia.

Diversos exemplos são encontrados no interior da Bíblia e demonstram este processo tradicional na Bíblia.

Aliás, ela só pode ser bem interpretada se consideramos esta característica: um processo de leituras recíprocas no interior do Cânon, que nos possibilitam estabelecer os parâmetros corretos de compreensão bíblica:

É assim que a herança de uma terra prometida por Deus a Abrahão para a sua descendência (Gn15,7.18) torna-se a entrada no santuário de Deus (Ex 15,17), uma participação ao repouso de Deus (Sal 132,7-8) reservada aos verdadeiros fiéis (Sal 95,8-11; He 3,7-4,11) e, finalmente, a entrada no santuário celeste (He 6,12.18-20), “herança eterna” (He 9,15)1.

Uma temática tão tradicional, como a “Herança da Terra”, percorre em outros ambientes históricos, gêneros literários e mesmo testamentos (do Antigo ao Novo). Serve de exemplificação da formação da Bíblia.

Ou ainda outros exemplos da tradição, neste caso, a Promessa sobre a “Casa de Davi” como processo dinâmico, presente na arquitetura do texto bíblico e do desenvolvimento do Cânon Bíblico e de sua mensagem:

O oráculo do profeta Natã, que promete a Davi uma “casa”, isto é, uma sucessão dinástica, “estável para sempre” (2 Sam 7,12-16), é lembrado em numerosas ocasiões (2 Sam 23,5; 1 Re2,4; 3,6; 1 Cron 17,11-14), especialmente nos tempos de aflição (Sal 89,20-38), não sem variações significativas, e ele é desenvolvido por outros oráculos (Sal 2,7-8; 110,1.4; Am 9,11; Is7,13-14; Jer 23,5-6; etc.), alguns dos quais anunciam o retorno do próprio reino de Davi (Os 3,5;Jer 30,9; Ez 34,24; 37,24-25; cf Mc 11,10). O reino prometido torna-se universal (Sal 2,8; Dn2,35.44; 7,14; cf Mt 28,18). Ele realiza plenamente a vocação do homem (Gn 1,28; Sal 8,6-9;Sab 9,2-3; 10,2)2.

O que ocorre aqui? A temática da estabilidade da Casa de Davi percorre a longa história de Israel em seus diversos contextos felizes e dramáticos, e serve de base para a construção de respostas e compreensões da Ação Divina no meio da História.

Percebe-se como esta tradição de promessas se transmuta em diversas formas de oráculos proféticos no desenrolar do drama de Israel, sempre recordando a Fidelidade Divina de Jahweh.

Na Profecia de Jeremias, o documento nos oferece outro elemento de compreensão do complexo processo no qual se dá a construção do texto bíblico, mas não só do texto, mas também da evolução da recepção e compreensão da Mensagem Divina na dinâmica da história de Israel e da Igreja:

O oráculo de Jeremias sobre os 70 anos de castigo merecidos por Jerusalém e Judá (Jer 25,11-12; 29,10) é lembrado em 2 Cron 25,20-23, que constata sua realização. Mas, no entanto, ele é remeditado após muito tempo pelo autor de Daniel na convicção de que esta Palavra de Deus guarda ainda um sentido escondido, que deve iluminar a situação presente (Dn 9,24-27)3.

A ‘remeditação’ da profecia de Jeremias em outros contextos da história de Israel, que atravessará muitos séculos entre Jeremias e Daniel, explicita a existência de uma ação elaborada de sentidos percorrendo as vias interiores da grande narração bíblica:

A afirmação fundamental da justiça retributiva de Deus, que recompensa os bons e pune os maus (Sal 1,1-6; 112,1-10; Lv 26,3-33; etc.), choca-se com a experiência imediata, que muitas vezes não corresponde a ela. A Escritura deixa, então, o protesto e a contestação exprimirem-se com vigor (Sal 44; Jó 10,1-7; 13,3-28; 23-24) e aprofunda progressivamente o mistério (Sal 37; Jó38-42; Is 53; Sab 3-5)4.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

3 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

 

 

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A Palavra de Deus na Bíblia (60): Interpretação e tradução da Bíblia

09/09/2016 00:00 - Atualizado em 07/10/2016 15:48

“(...) propor algumas observações sobre a interpretação dos textos bíblicos no interior da própria Bíblia”. Com esta afirmação concluímos o artigo anterior sobre a discussão das Tradições na Bíblia.

Queremos agora avançar nesta direção ao considerarmos os aspectos específicos da tradição exegética católica da Bíblia.

Diversos exemplos são encontrados no interior da Bíblia e demonstram este processo tradicional na Bíblia.

Aliás, ela só pode ser bem interpretada se consideramos esta característica: um processo de leituras recíprocas no interior do Cânon, que nos possibilitam estabelecer os parâmetros corretos de compreensão bíblica:

É assim que a herança de uma terra prometida por Deus a Abrahão para a sua descendência (Gn15,7.18) torna-se a entrada no santuário de Deus (Ex 15,17), uma participação ao repouso de Deus (Sal 132,7-8) reservada aos verdadeiros fiéis (Sal 95,8-11; He 3,7-4,11) e, finalmente, a entrada no santuário celeste (He 6,12.18-20), “herança eterna” (He 9,15)1.

Uma temática tão tradicional, como a “Herança da Terra”, percorre em outros ambientes históricos, gêneros literários e mesmo testamentos (do Antigo ao Novo). Serve de exemplificação da formação da Bíblia.

Ou ainda outros exemplos da tradição, neste caso, a Promessa sobre a “Casa de Davi” como processo dinâmico, presente na arquitetura do texto bíblico e do desenvolvimento do Cânon Bíblico e de sua mensagem:

O oráculo do profeta Natã, que promete a Davi uma “casa”, isto é, uma sucessão dinástica, “estável para sempre” (2 Sam 7,12-16), é lembrado em numerosas ocasiões (2 Sam 23,5; 1 Re2,4; 3,6; 1 Cron 17,11-14), especialmente nos tempos de aflição (Sal 89,20-38), não sem variações significativas, e ele é desenvolvido por outros oráculos (Sal 2,7-8; 110,1.4; Am 9,11; Is7,13-14; Jer 23,5-6; etc.), alguns dos quais anunciam o retorno do próprio reino de Davi (Os 3,5;Jer 30,9; Ez 34,24; 37,24-25; cf Mc 11,10). O reino prometido torna-se universal (Sal 2,8; Dn2,35.44; 7,14; cf Mt 28,18). Ele realiza plenamente a vocação do homem (Gn 1,28; Sal 8,6-9;Sab 9,2-3; 10,2)2.

O que ocorre aqui? A temática da estabilidade da Casa de Davi percorre a longa história de Israel em seus diversos contextos felizes e dramáticos, e serve de base para a construção de respostas e compreensões da Ação Divina no meio da História.

Percebe-se como esta tradição de promessas se transmuta em diversas formas de oráculos proféticos no desenrolar do drama de Israel, sempre recordando a Fidelidade Divina de Jahweh.

Na Profecia de Jeremias, o documento nos oferece outro elemento de compreensão do complexo processo no qual se dá a construção do texto bíblico, mas não só do texto, mas também da evolução da recepção e compreensão da Mensagem Divina na dinâmica da história de Israel e da Igreja:

O oráculo de Jeremias sobre os 70 anos de castigo merecidos por Jerusalém e Judá (Jer 25,11-12; 29,10) é lembrado em 2 Cron 25,20-23, que constata sua realização. Mas, no entanto, ele é remeditado após muito tempo pelo autor de Daniel na convicção de que esta Palavra de Deus guarda ainda um sentido escondido, que deve iluminar a situação presente (Dn 9,24-27)3.

A ‘remeditação’ da profecia de Jeremias em outros contextos da história de Israel, que atravessará muitos séculos entre Jeremias e Daniel, explicita a existência de uma ação elaborada de sentidos percorrendo as vias interiores da grande narração bíblica:

A afirmação fundamental da justiça retributiva de Deus, que recompensa os bons e pune os maus (Sal 1,1-6; 112,1-10; Lv 26,3-33; etc.), choca-se com a experiência imediata, que muitas vezes não corresponde a ela. A Escritura deixa, então, o protesto e a contestação exprimirem-se com vigor (Sal 44; Jó 10,1-7; 13,3-28; 23-24) e aprofunda progressivamente o mistério (Sal 37; Jó38-42; Is 53; Sab 3-5)4.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

3 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

 

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica