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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 07/12/2019

07 de Dezembro de 2019

A Sagrada Escritura

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A Sagrada Escritura

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17/09/2013 18:30 - Atualizado em 17/09/2013 19:20

A Sagrada Escritura 0

17/09/2013 18:30 - Atualizado em 17/09/2013 19:20

A Sagrada Escritura / Arqrio
O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática “Dei Verbum”, no nº 21, afirma que “a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como também o próprio corpo do Senhor”, e, mais na frente, no mesmo número, que “sempre considerou as divinas Escrituras e continua a considerá-las, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé (...) Elas continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e apóstolos”. Consideremos agora alguns pontos importantes sobre a Escritura Sagrada.

Revelação e Escritura

Deus revelou-se a si mesmo e o mistério de sua vontade, a fim de que os homens pudessem ter acesso a sua vida. Esta revelação divina tem seu ponto culminante na pessoa de Jesus, que é o seu mediador e a sua plenitude. Ele é a palavra do Pai encarnada, que veio dar a vida em abundância aos homens. Ora, aquilo que o Senhor revelou, por atos e palavras, foi entregue aos apóstolos, com a missão de transmitir às futuras gerações. Esta tradição apostólica guarda e comunica na sua pregação oral, na sua vivência e nas suas instituições aquilo que receberam do próprio Cristo. Foi ela quem mostrou à Igreja quais são exatamente os livros sagrados que contêm a Palavra de Deus escrita pela inspiração do Espírito Santo. 

A Bíblia
Do ponto de vista etimológico, a palavra ‘Bíblia’ significa conjunto de pequenos livros. O termo latino tem sua origem no grego e, nesta língua, ‘bíblia’ é o diminutivo plural de biblos (livro). Bíblia ficou como designativo para os livros nos quais a Igreja reconheceu como inspirados. Outros nomes podem ser dados aos escritos, tais como Sagrada Escritura, Sagradas Letras, Divina Escritura. De forma geral, apresentam o duplo caráter dos escritos. Por um lado, são inspirados pela ação do Espírito Santo e, por outro, são escritos por homens, os hagiógrafos, situados em determinado momento histórico. 

Cânon Bíblico
O termo grego canôn significa relação, catálogo, tabela, lista. Sendo assim, o cânon bíblico é a lista dos livros que a Igreja reconheceu como inspirados e que contêm, por isso, a Palavra de Deus. Podemos perceber ao longo da história uma diferença na definição do cânon entre os cristãos: a Bíblia católica possui 73 livros, enquanto que a Bíblia protestante possui 66 livros. Esta última possui menos sete livros e alguns trechos (perícopes): Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13–14. 

Por que esta diferença?
Esta diferença se dá porque Lutero, no século 16, assumiu a classificação feita pelos judeus da Palestina, no primeiro século. A classificação palestinense ocorreu no sínodo de Jâmnia e dizia que os livros inspirados deviam obedecer quatro critérios: serem escritos em hebraico, serem escritos na Terra Santa, terem sido escritos antes do tempo do governador Esdras e, sem contradição, com a lei (Torá).
Ora, a questão é que os apóstolos e os evangelistas não utilizaram este cânon de Jâminia, mas usaram a versão dos Setenta, que possuía aqueles livros e perícopes rejeitadas pelos judeus. De fato, das 350 citações do Antigo Testamento no Novo, 300 pertencem à Bíblia dos Setenta. Até o século 16, a Tradição da Igreja sempre citou aqueles sete livros e aquelas passagens como Sagrada Escritura, levando o Concílio de Trento a afirmar, de maneira categórica, que eles são livros e passagens inspirados pertencentes ao cânon.

O Antigo e o Novo Testamento
A Bíblia se divide em duas partes segundo a centralidade do seu conteúdo. A primeira parte chamada de Antigo Testamento trata da Antiga Aliança que Deus selou com os israelitas, se tornando o seu Deus. Possui 46 livros divididos em quatro grupos, de acordo com o conteúdo e o gênero que pertencem: o Pentateuco; os livros históricos; os livros proféticos e os sapienciais. A segunda parte, chamada de Novo Testamento, trata da Nova Aliança, prometida já na Antiga. Esta Nova Aliança se dá com o mistério pascal de Cristo. Possui 27 livros, que podem ser divididos da seguinte maneira: os evangelhos; os Atos dos Apóstolos; as cartas de São Paulo; as cartas católicas e o livro do Apocalipse.
A nossa palavra ‘testamento’ vem do grego diathéke e significa “a vontade de um testamento; um pacto, uma aliança”. Esta, por sua vez, tenta traduzir o termo hebraico berit, que corresponde à aliança feita entre Deus e os homens, testemunhadas na Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, três alianças se destacam: a feita com Noé, a com Abraão e, por último e retomando todas as anteriores, a com o povo de Israel. No Novo Testamento, Jesus vai ser a Nova Aliança, plenificando a aliança com o Antigo Povo, universalizando-a e tornando-a eterna e definitiva.

Para aprofundar
Para saber mais sobre o assunto, conferir os parágrafos do Catecismo da Igreja Católica (CIC) dos números 51 a 82 e 101 a 133; o Compêndio do Catecismo, da pergunta 18 até a 24; e a Constituição Dogmática “Dei Verbum”, do número 14 ao 20.


 
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A Sagrada Escritura / Arqrio

A Sagrada Escritura

17/09/2013 18:30 - Atualizado em 17/09/2013 19:20

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática “Dei Verbum”, no nº 21, afirma que “a Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, como também o próprio corpo do Senhor”, e, mais na frente, no mesmo número, que “sempre considerou as divinas Escrituras e continua a considerá-las, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé (...) Elas continuam a dar-nos imutavelmente a palavra do próprio Deus e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e apóstolos”. Consideremos agora alguns pontos importantes sobre a Escritura Sagrada.

Revelação e Escritura

Deus revelou-se a si mesmo e o mistério de sua vontade, a fim de que os homens pudessem ter acesso a sua vida. Esta revelação divina tem seu ponto culminante na pessoa de Jesus, que é o seu mediador e a sua plenitude. Ele é a palavra do Pai encarnada, que veio dar a vida em abundância aos homens. Ora, aquilo que o Senhor revelou, por atos e palavras, foi entregue aos apóstolos, com a missão de transmitir às futuras gerações. Esta tradição apostólica guarda e comunica na sua pregação oral, na sua vivência e nas suas instituições aquilo que receberam do próprio Cristo. Foi ela quem mostrou à Igreja quais são exatamente os livros sagrados que contêm a Palavra de Deus escrita pela inspiração do Espírito Santo. 

A Bíblia
Do ponto de vista etimológico, a palavra ‘Bíblia’ significa conjunto de pequenos livros. O termo latino tem sua origem no grego e, nesta língua, ‘bíblia’ é o diminutivo plural de biblos (livro). Bíblia ficou como designativo para os livros nos quais a Igreja reconheceu como inspirados. Outros nomes podem ser dados aos escritos, tais como Sagrada Escritura, Sagradas Letras, Divina Escritura. De forma geral, apresentam o duplo caráter dos escritos. Por um lado, são inspirados pela ação do Espírito Santo e, por outro, são escritos por homens, os hagiógrafos, situados em determinado momento histórico. 

Cânon Bíblico
O termo grego canôn significa relação, catálogo, tabela, lista. Sendo assim, o cânon bíblico é a lista dos livros que a Igreja reconheceu como inspirados e que contêm, por isso, a Palavra de Deus. Podemos perceber ao longo da história uma diferença na definição do cânon entre os cristãos: a Bíblia católica possui 73 livros, enquanto que a Bíblia protestante possui 66 livros. Esta última possui menos sete livros e alguns trechos (perícopes): Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16; Daniel 3,24-20; 13–14. 

Por que esta diferença?
Esta diferença se dá porque Lutero, no século 16, assumiu a classificação feita pelos judeus da Palestina, no primeiro século. A classificação palestinense ocorreu no sínodo de Jâmnia e dizia que os livros inspirados deviam obedecer quatro critérios: serem escritos em hebraico, serem escritos na Terra Santa, terem sido escritos antes do tempo do governador Esdras e, sem contradição, com a lei (Torá).
Ora, a questão é que os apóstolos e os evangelistas não utilizaram este cânon de Jâminia, mas usaram a versão dos Setenta, que possuía aqueles livros e perícopes rejeitadas pelos judeus. De fato, das 350 citações do Antigo Testamento no Novo, 300 pertencem à Bíblia dos Setenta. Até o século 16, a Tradição da Igreja sempre citou aqueles sete livros e aquelas passagens como Sagrada Escritura, levando o Concílio de Trento a afirmar, de maneira categórica, que eles são livros e passagens inspirados pertencentes ao cânon.

O Antigo e o Novo Testamento
A Bíblia se divide em duas partes segundo a centralidade do seu conteúdo. A primeira parte chamada de Antigo Testamento trata da Antiga Aliança que Deus selou com os israelitas, se tornando o seu Deus. Possui 46 livros divididos em quatro grupos, de acordo com o conteúdo e o gênero que pertencem: o Pentateuco; os livros históricos; os livros proféticos e os sapienciais. A segunda parte, chamada de Novo Testamento, trata da Nova Aliança, prometida já na Antiga. Esta Nova Aliança se dá com o mistério pascal de Cristo. Possui 27 livros, que podem ser divididos da seguinte maneira: os evangelhos; os Atos dos Apóstolos; as cartas de São Paulo; as cartas católicas e o livro do Apocalipse.
A nossa palavra ‘testamento’ vem do grego diathéke e significa “a vontade de um testamento; um pacto, uma aliança”. Esta, por sua vez, tenta traduzir o termo hebraico berit, que corresponde à aliança feita entre Deus e os homens, testemunhadas na Sagrada Escritura. No Antigo Testamento, três alianças se destacam: a feita com Noé, a com Abraão e, por último e retomando todas as anteriores, a com o povo de Israel. No Novo Testamento, Jesus vai ser a Nova Aliança, plenificando a aliança com o Antigo Povo, universalizando-a e tornando-a eterna e definitiva.

Para aprofundar
Para saber mais sobre o assunto, conferir os parágrafos do Catecismo da Igreja Católica (CIC) dos números 51 a 82 e 101 a 133; o Compêndio do Catecismo, da pergunta 18 até a 24; e a Constituição Dogmática “Dei Verbum”, do número 14 ao 20.


 
Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida