Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/11/2019

18 de Novembro de 2019

São Jerônimo: o homem da Palavra de Deus

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São Jerônimo: o homem da Palavra de Deus

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30/09/2016 13:51 - Atualizado em 30/09/2016 13:52

São Jerônimo: o homem da Palavra de Deus 0

30/09/2016 13:51 - Atualizado em 30/09/2016 13:52

Jerônimo nasceu no ano de 342. Era filho de Eusébio, da cidade de Stridon, já na divisa entre a Panomia e a Dalmácia, em terras não distantes de Aquileia, na Itália. Sua família era cristã, nobre e rica. Acompanhando o costume da época, foi batizado apenas aos 18 anos, contudo teve uma educação cristã desde criança. No centro do mundo civilizado de então, enquanto jovem dedicou-se com afinco aos estudos da gramática, da retórica e da filosofia. Estudou latim, tendo como professor de línguas um famoso pagão chamado Donato. São esses dados que encontramos nos livros e sites que falam de São Jerônimo que foram consultados para este artigo.

Jerônimo dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando livros de grandes autores latinos: Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito, e ainda encontrava disposição para conhecer autores gregos. Entre eles, Homero e Platão. Tal era seu entusiasmo e admiração pelos escritores clássicos que logo formou uma biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão vários desses livros.

Dedicando tanto tempo a esses autores, quase nunca encontrava ocasião para as leituras cristãs. Totalmente posto nessa situação nada conveniente, ele, contudo, não tinha rompido com os princípios que conhecera na infância; não havia, de todo, cortado os laços com suas raízes cristãs. Tempos mais tarde, Jerônimo admitiu que essa sua atitude o tinha colocado fora do verdadeiro caminho. Apesar disso, ele recordava também que Deus não o havia abandonado nunca e que o guiava constantemente. Foi por essa ocasião que ele se tornou catecúmeno. Continuava seus estudos e preparava-se para ser batizado. Seus domingos em Roma consistiam em constantes visitas às catacumbas. Ali ele meditava sobre a fé dos mártires, admirava a atitude deles e venerava suas relíquias.

Jerônimo recebeu o santo batismo na idade adulta. Ele foi batizado pelo Papa Libério. Já como cristão batizado, ele fez uma viagem de estudos pelas Gálias. Para acompanhá-lo, levou consigo seu irmão de leite, Bonoso. Jerônimo quis visitar Jerusalém. Queria caminhar pela Terra Santa, venerar os lugares que foram santificados pela presença de Nosso Senhor. Aproveitou a ocasião de sua estada em Jerusalém para aprofundar seus conhecimentos da língua hebraica; ele desejava ter um meio a mais para conhecer melhor as Sagradas Escrituras. Assim, poderia ter mais segurança nas respostas às questões que o Papa São Dâmaso lhe fazia constantemente a respeito de passagens difíceis dos Livros Sagrados.

No entanto, ler a Sagrada Escritura não lhe trazia prazer. Para Jerônimo, o texto bíblico era simples demais e não tinha ornato. Ele tinha sido formado na leitura dos clássicos latinos e gregos e se acostumara com a "eloquência" e "elegância" da literatura de estilo pagão. Sentia muita aridez na leitura da Bíblia. Apesar de ser um sábio para o mundo, um conhecedor com ampla visão das ciências de então, continuava cego para as coisas mais elevadas, as coisas divinas.

Durante três anos ele ali permaneceu estudando com São Gregório. Foi ele quem lhe abriu o espírito ao amor pela exegese das Sagradas Escrituras. Foi nessa ocasião também que Jerônimo teve oportunidade de fazer uma grande e profunda amizade com dois outros luzeiros que brilhavam na Igreja do Oriente: São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa.

Estava com mais de trinta anos quando se tornou sacerdote. Ele obteve condições especiais de vida sacerdotal. Poderia continuar sua vida como monge e não estar sujeito à jurisdição de nenhuma diocese. Quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tornou-se um monge, para quem o isolamento monacal seria ocasião para dedicação total ao estudo, à reflexão, à oração, tendo em vista a difusão do cristianismo.

Por causa do modo de ser e da mentalidade dos povos orientais, na Igreja do Oriente havia vários ambientes onde os erros doutrinários encontravam terreno propício para germinarem. As heresias se difundiam e causavam confusão em todo o corpo social.

Era tal a situação, que se tornou necessária uma reação da autoridade espiritual e da temporal. Elas tinham que se unir para defender-se dos erros que ali pululavam.  Para isso, o Imperador Teodósio e o Papa São Dâmaso resolveram convocar um sínodo em Roma. O secretário do evento deveria ser Santo Ambrósio, porém, o culto e famoso bispo de Milão adoeceu gravemente. Para substituí-lo, o Papa convidou Jerônimo. Ele desempenhou esse cargo com muita eficiência e sabedoria. Reconhecendo em São Jerônimo seus dotes extraordinários e seu grande saber, o Papa São Dâmaso quis tê-lo junto de si e o nomeou como seu secretário, assim que terminou o sínodo.

O Papa desejava ter uma tradução da Bíblia que fosse o mais fiel possível aos textos originais. Foi então que o Papa São Dâmaso encarregou São Jerônimo de verter os textos das Escrituras Sagradas para o latim. O Papa sabia que seu secretário teria condições para levar a cabo esse importante projeto. Ele já tinha provas do profundo conhecimento que Jerônimo tinha dos textos bíblicos. Sua fama de latinista erudito e poliglota consumado era sabida por todos. Além do latim, ele conhecia bem o grego e o hebraico, e ainda entendia bem o aramaico, línguas muito ligadas aos textos Sagrados.

O trabalho de São Jerônimo abrangeu praticamente sua vida toda. Ele escrevia com elegância clássica o latim e traduziu a Bíblia inteira. Daí foi que surgiu o texto da Bíblia conhecido como "Vulgata", que significa "de uso comum". Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento, e só cedeu o lugar nos últimos tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes.

São Jerônimo, porém, levava vida como monge de penitências rígidas. Seus últimos 35 anos, ele os passou em uma grande cova, próxima à Gruta do Presépio. Ali continuou, até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos, e com muita energia ainda escrevia contra os hereges que se atreviam a negar as verdades da Santa Igreja Católica, entre eles Helvídio e Joviano. No dia 30 do mês de setembro do ano 420, falece São Jerônimo. Estava avançado em idade e crescido em virtude.

Peçamos, neste Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, a proteção constante de São Jerônimo, para que possamos sempre contemplar a “lectio divina” e colocá-la em prática, porque a Palavra de Deus é luz para nossos caminhos e lâmpada para os nossos pés! São Jerônimo, rogai por nós!

 

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São Jerônimo: o homem da Palavra de Deus

30/09/2016 13:51 - Atualizado em 30/09/2016 13:52

Jerônimo nasceu no ano de 342. Era filho de Eusébio, da cidade de Stridon, já na divisa entre a Panomia e a Dalmácia, em terras não distantes de Aquileia, na Itália. Sua família era cristã, nobre e rica. Acompanhando o costume da época, foi batizado apenas aos 18 anos, contudo teve uma educação cristã desde criança. No centro do mundo civilizado de então, enquanto jovem dedicou-se com afinco aos estudos da gramática, da retórica e da filosofia. Estudou latim, tendo como professor de línguas um famoso pagão chamado Donato. São esses dados que encontramos nos livros e sites que falam de São Jerônimo que foram consultados para este artigo.

Jerônimo dedicava horas e horas de seus dias lendo, estudando e até decorando livros de grandes autores latinos: Cícero, Virgílio, Horácio, Tácito, e ainda encontrava disposição para conhecer autores gregos. Entre eles, Homero e Platão. Tal era seu entusiasmo e admiração pelos escritores clássicos que logo formou uma biblioteca só com obras deles, chegando até a copiar a mão vários desses livros.

Dedicando tanto tempo a esses autores, quase nunca encontrava ocasião para as leituras cristãs. Totalmente posto nessa situação nada conveniente, ele, contudo, não tinha rompido com os princípios que conhecera na infância; não havia, de todo, cortado os laços com suas raízes cristãs. Tempos mais tarde, Jerônimo admitiu que essa sua atitude o tinha colocado fora do verdadeiro caminho. Apesar disso, ele recordava também que Deus não o havia abandonado nunca e que o guiava constantemente. Foi por essa ocasião que ele se tornou catecúmeno. Continuava seus estudos e preparava-se para ser batizado. Seus domingos em Roma consistiam em constantes visitas às catacumbas. Ali ele meditava sobre a fé dos mártires, admirava a atitude deles e venerava suas relíquias.

Jerônimo recebeu o santo batismo na idade adulta. Ele foi batizado pelo Papa Libério. Já como cristão batizado, ele fez uma viagem de estudos pelas Gálias. Para acompanhá-lo, levou consigo seu irmão de leite, Bonoso. Jerônimo quis visitar Jerusalém. Queria caminhar pela Terra Santa, venerar os lugares que foram santificados pela presença de Nosso Senhor. Aproveitou a ocasião de sua estada em Jerusalém para aprofundar seus conhecimentos da língua hebraica; ele desejava ter um meio a mais para conhecer melhor as Sagradas Escrituras. Assim, poderia ter mais segurança nas respostas às questões que o Papa São Dâmaso lhe fazia constantemente a respeito de passagens difíceis dos Livros Sagrados.

No entanto, ler a Sagrada Escritura não lhe trazia prazer. Para Jerônimo, o texto bíblico era simples demais e não tinha ornato. Ele tinha sido formado na leitura dos clássicos latinos e gregos e se acostumara com a "eloquência" e "elegância" da literatura de estilo pagão. Sentia muita aridez na leitura da Bíblia. Apesar de ser um sábio para o mundo, um conhecedor com ampla visão das ciências de então, continuava cego para as coisas mais elevadas, as coisas divinas.

Durante três anos ele ali permaneceu estudando com São Gregório. Foi ele quem lhe abriu o espírito ao amor pela exegese das Sagradas Escrituras. Foi nessa ocasião também que Jerônimo teve oportunidade de fazer uma grande e profunda amizade com dois outros luzeiros que brilhavam na Igreja do Oriente: São Basílio e seu irmão São Gregório de Nissa.

Estava com mais de trinta anos quando se tornou sacerdote. Ele obteve condições especiais de vida sacerdotal. Poderia continuar sua vida como monge e não estar sujeito à jurisdição de nenhuma diocese. Quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tornou-se um monge, para quem o isolamento monacal seria ocasião para dedicação total ao estudo, à reflexão, à oração, tendo em vista a difusão do cristianismo.

Por causa do modo de ser e da mentalidade dos povos orientais, na Igreja do Oriente havia vários ambientes onde os erros doutrinários encontravam terreno propício para germinarem. As heresias se difundiam e causavam confusão em todo o corpo social.

Era tal a situação, que se tornou necessária uma reação da autoridade espiritual e da temporal. Elas tinham que se unir para defender-se dos erros que ali pululavam.  Para isso, o Imperador Teodósio e o Papa São Dâmaso resolveram convocar um sínodo em Roma. O secretário do evento deveria ser Santo Ambrósio, porém, o culto e famoso bispo de Milão adoeceu gravemente. Para substituí-lo, o Papa convidou Jerônimo. Ele desempenhou esse cargo com muita eficiência e sabedoria. Reconhecendo em São Jerônimo seus dotes extraordinários e seu grande saber, o Papa São Dâmaso quis tê-lo junto de si e o nomeou como seu secretário, assim que terminou o sínodo.

O Papa desejava ter uma tradução da Bíblia que fosse o mais fiel possível aos textos originais. Foi então que o Papa São Dâmaso encarregou São Jerônimo de verter os textos das Escrituras Sagradas para o latim. O Papa sabia que seu secretário teria condições para levar a cabo esse importante projeto. Ele já tinha provas do profundo conhecimento que Jerônimo tinha dos textos bíblicos. Sua fama de latinista erudito e poliglota consumado era sabida por todos. Além do latim, ele conhecia bem o grego e o hebraico, e ainda entendia bem o aramaico, línguas muito ligadas aos textos Sagrados.

O trabalho de São Jerônimo abrangeu praticamente sua vida toda. Ele escrevia com elegância clássica o latim e traduziu a Bíblia inteira. Daí foi que surgiu o texto da Bíblia conhecido como "Vulgata", que significa "de uso comum". Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento, e só cedeu o lugar nos últimos tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes.

São Jerônimo, porém, levava vida como monge de penitências rígidas. Seus últimos 35 anos, ele os passou em uma grande cova, próxima à Gruta do Presépio. Ali continuou, até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos, e com muita energia ainda escrevia contra os hereges que se atreviam a negar as verdades da Santa Igreja Católica, entre eles Helvídio e Joviano. No dia 30 do mês de setembro do ano 420, falece São Jerônimo. Estava avançado em idade e crescido em virtude.

Peçamos, neste Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, a proteção constante de São Jerônimo, para que possamos sempre contemplar a “lectio divina” e colocá-la em prática, porque a Palavra de Deus é luz para nossos caminhos e lâmpada para os nossos pés! São Jerônimo, rogai por nós!

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro