Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Aumenta a nossa fé!

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01/10/2016 00:00

Aumenta a nossa fé! 0

01/10/2016 00:00

Chegamos ao mês de outubro, mês das Missões, do Rosário, quando celebramos várias festas marianas, entre as quais a da Padroeira do Brasil, e iniciamos com a Semana Nacional da Vida.

No primeiro domingo deste mês, a liturgia é do XXVII Domingo do Tempo Comum e nos apresenta a realidade da fé. Surge a súplica dos Apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé”! (cf. Lc 17,5). E Jesus disse-lhes: “se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria” (cf. Lc 17,6). É uma linguagem figurada que exprime a onipotência da fé. Jesus não pede muito; pede apenas um pouquinho de fé, como o minúsculo grão de mostarda, bem menor do que a cabeça de um alfinete; mas, se for sincera, viva, convicta, a fé será capaz de coisas muito maiores, inconcebíveis à compreensão humana. Jesus quer educar os seus discípulos numa fé sem incertezas nem vacilações, numa fé que, apoiada na força de Deus, tudo crê, tudo espera, a tudo se atreve, e persevera invencível mesmo nas dificuldades mais árduas e difíceis.

Peçamos ao Senhor uma fé firme, que reanime o nosso amor e nos faça superar as nossas fraquezas, a fim de sermos testemunhas vivas no lugar em que se desenvolve a nossa vida. Que força comunica a fé! Com ela superamos os obstáculos de um ambiente adverso e as dificuldades pessoais que, com muita freqüência, são mais difíceis de vencer.

O profeta, que fala em nome de Deus, nem mesmo ele compreende totalmente o agir de Deus, e se angustia, e pergunta, e chora: “Senhor, por que ages assim? Por que teus caminhos nos escapam deste modo”? A verdade é que a fé não é uma realidade quieta e pacífica. O próprio Jesus adverte que somente os violentos conquistam o Reino dos céus (cf. Mt 11,12s); somente aqueles que lutam, que teimam em acreditar! A fé é uma realidade que sangra, sangra na dor de tantas perguntas sem respostas, sangra pelo sofrimento do inocente, pela vitória dos maus, pelo mal presente em tantas dimensões da nossa vida.

A resposta de Deus a Habacuc (Hab 1,2-3;2,2-4) não explica, mas convida a crer novamente, a abandonar-se novamente, a teimar na perseverança: “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”! (Cf. Hab 2,4). Deus é assim: convida-nos sempre à confiança renovada, ao abandono em Suas mãos. Quem não é correto, quem não se entrega nas mãos do Senhor perderá a fé, morrerá na sua amizade com Deus… mas o justo, o amigo de Deus, viverá, permanecerá firme pela sua fé total e confiante. O justo vive da fé! É isto que é tão difícil para o homem de hoje, que tudo deseja enquadrar na sua razão e, quando não enquadra, se revolta e dá as costas a Deus e, assim, termina na escuridão… porque viver sem Deus é a pior das mortes, o maior dos absurdos! O justo vive da fé, vive abandonado nas mãos do Senhor, como dizem as palavras da Antífona de Entrada que o missal coloca para a liturgia de hoje: “Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra, e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo”! (Est 13, 9.10-11).

No Evangelho, vimos que os discípulos pediam:“Aumenta a nossa fé!” (Cf. Lc 17,5). E Jesus responde – a eles e a nós“Se vós tivésseis fé (em mim), mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’ e ela vos obedeceria”(Cf. Lc 17,6). Ou seja: se crermos de verdade naquele amor que se manifestou até a cruz, se crermos – aconteça o que acontecer – que Deus nos ama a ponto de entregar o seu Filho, teremos a força de enfrentar todas as noites com a Sua luz, todos os pecados com a Sua graça, todas as mortes com a Sua vida! Mas, se não crermos, pereceremos… O que o Senhor espera dos seus servos é esta fé total, incondicional, pobre e amorosa! É o que o Senhor espera de nós. Queremos, porém, recompensas, provas, certezas lógicas!

Peçamos insistentemente ao Senhor que aumente a nossa fé, e não descuidemos desse tesouro. Cremos em Deus e lutamos pelo bem da humanidade e de cada pessoa que temos ao nosso lado, conscientes de que podemos e devemos oferecer aos nossos amigos o nosso tesouro, o que mais vale: a fé em Deus, a amizade com Cristo, o sentido para a vida e… para a morte.

 

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Aumenta a nossa fé!

01/10/2016 00:00

Chegamos ao mês de outubro, mês das Missões, do Rosário, quando celebramos várias festas marianas, entre as quais a da Padroeira do Brasil, e iniciamos com a Semana Nacional da Vida.

No primeiro domingo deste mês, a liturgia é do XXVII Domingo do Tempo Comum e nos apresenta a realidade da fé. Surge a súplica dos Apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé”! (cf. Lc 17,5). E Jesus disse-lhes: “se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: arranca-te daqui e planta-te no mar, e ela vos obedeceria” (cf. Lc 17,6). É uma linguagem figurada que exprime a onipotência da fé. Jesus não pede muito; pede apenas um pouquinho de fé, como o minúsculo grão de mostarda, bem menor do que a cabeça de um alfinete; mas, se for sincera, viva, convicta, a fé será capaz de coisas muito maiores, inconcebíveis à compreensão humana. Jesus quer educar os seus discípulos numa fé sem incertezas nem vacilações, numa fé que, apoiada na força de Deus, tudo crê, tudo espera, a tudo se atreve, e persevera invencível mesmo nas dificuldades mais árduas e difíceis.

Peçamos ao Senhor uma fé firme, que reanime o nosso amor e nos faça superar as nossas fraquezas, a fim de sermos testemunhas vivas no lugar em que se desenvolve a nossa vida. Que força comunica a fé! Com ela superamos os obstáculos de um ambiente adverso e as dificuldades pessoais que, com muita freqüência, são mais difíceis de vencer.

O profeta, que fala em nome de Deus, nem mesmo ele compreende totalmente o agir de Deus, e se angustia, e pergunta, e chora: “Senhor, por que ages assim? Por que teus caminhos nos escapam deste modo”? A verdade é que a fé não é uma realidade quieta e pacífica. O próprio Jesus adverte que somente os violentos conquistam o Reino dos céus (cf. Mt 11,12s); somente aqueles que lutam, que teimam em acreditar! A fé é uma realidade que sangra, sangra na dor de tantas perguntas sem respostas, sangra pelo sofrimento do inocente, pela vitória dos maus, pelo mal presente em tantas dimensões da nossa vida.

A resposta de Deus a Habacuc (Hab 1,2-3;2,2-4) não explica, mas convida a crer novamente, a abandonar-se novamente, a teimar na perseverança: “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”! (Cf. Hab 2,4). Deus é assim: convida-nos sempre à confiança renovada, ao abandono em Suas mãos. Quem não é correto, quem não se entrega nas mãos do Senhor perderá a fé, morrerá na sua amizade com Deus… mas o justo, o amigo de Deus, viverá, permanecerá firme pela sua fé total e confiante. O justo vive da fé! É isto que é tão difícil para o homem de hoje, que tudo deseja enquadrar na sua razão e, quando não enquadra, se revolta e dá as costas a Deus e, assim, termina na escuridão… porque viver sem Deus é a pior das mortes, o maior dos absurdos! O justo vive da fé, vive abandonado nas mãos do Senhor, como dizem as palavras da Antífona de Entrada que o missal coloca para a liturgia de hoje: “Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra, e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo”! (Est 13, 9.10-11).

No Evangelho, vimos que os discípulos pediam:“Aumenta a nossa fé!” (Cf. Lc 17,5). E Jesus responde – a eles e a nós“Se vós tivésseis fé (em mim), mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’ e ela vos obedeceria”(Cf. Lc 17,6). Ou seja: se crermos de verdade naquele amor que se manifestou até a cruz, se crermos – aconteça o que acontecer – que Deus nos ama a ponto de entregar o seu Filho, teremos a força de enfrentar todas as noites com a Sua luz, todos os pecados com a Sua graça, todas as mortes com a Sua vida! Mas, se não crermos, pereceremos… O que o Senhor espera dos seus servos é esta fé total, incondicional, pobre e amorosa! É o que o Senhor espera de nós. Queremos, porém, recompensas, provas, certezas lógicas!

Peçamos insistentemente ao Senhor que aumente a nossa fé, e não descuidemos desse tesouro. Cremos em Deus e lutamos pelo bem da humanidade e de cada pessoa que temos ao nosso lado, conscientes de que podemos e devemos oferecer aos nossos amigos o nosso tesouro, o que mais vale: a fé em Deus, a amizade com Cristo, o sentido para a vida e… para a morte.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro