Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/11/2019

20 de Novembro de 2019

Eucaristia e Misericórdia

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Eucaristia e Misericórdia

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19/09/2016 00:00 - Atualizado em 23/09/2016 12:59

Eucaristia e Misericórdia 0

19/09/2016 00:00 - Atualizado em 23/09/2016 12:59

Como já é tradicional em nossa amada Arquidiocese, anualmente tenho a graça de investir no exercício do Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística os candidatos preparados pelos vicariatos para exercerem o ofício de primeiro auxiliar dos Ministros Ordinários da Comunhão, que são todos os presbíteros em suas sedes paroquiais, capelanias e comunidades eclesiais. Foi o que pude fazer neste final de semana. Meu primeiro agradecimento é ao nosso bispo auxiliar, Dom Roque Costa Souza, pelo seu dedicado trabalho de acompanhamento desta pastoral. Minha palavra de gratidão à preparação, que teve como artífice o Reverendo Padre Marcelo Batista.

A Eucaristia é a fonte e o centro de toda a vida cristã, de tal forma que se pode afirmar que a Igreja vive da Eucaristia. Neste sentido, o serviço litúrgico dos ministros extraordinários da comunhão deve ser entendido como expressão do cuidado pastoral para promover a devoção ao mistério eucarístico.

Toda a presidência litúrgica deve ser a expressão do “Cristo cabeça da Igreja”. Os fiéis batizados, primeiros destinatários da Celebração da Santa Eucaristia, “os leigos são admiravelmente chamados e munidos para que neles se produzam sempre mais abundantes frutos do Espírito” (Sacrosanctum Concilium, 34) e tornem-se “hóstias espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Ped 2,5).  Todos os que exercem funções dentro da celebração: coroinhas, ministro extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística, animadores, leitores, salmista, ministério do canto (cantores), equipe de acolhida (recepcionista) “desempenhem um verdadeiro ministério litúrgico. Cumpram sua função com a piedade e ordem que convém a tão grande ministério. Sejam imbuídos do espírito litúrgico e preparados para executar as suas partes, perfeita e ordenadamente”. (Sacrosanctum Concilium, 29). A concentração e a capacidade de elevação espiritual se refletem por inteiro na comunidade celebrante. “Na liturgia, Deus fala a seu povo. E o povo responde a Deus, ora com cânticos, ora com orações”. (Sacrosanctum Concilium, 33).

A missão do Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística é um serviço. Como serviço deve ser uma participação alheia ou desinteressada. Quem preside, quem prega e toda a equipe de celebração não é uma prestadora de serviço.

Todos sabemos que a principal missão do Ministro Extraordinário da Comunhão é auxiliar na distribuição do Sacramento da Eucaristia. Sob esse aspecto já tive ocasião de escrever várias vezes. Entretanto, dentro do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, eu creio que é uma grande obra de misericórdia o Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística empenhar-se, semana a semana, durante todo o ano na visita aos enfermos e encarcerados. Isso é uma admirável obra de Misericórdia.

A principal diferença da visita do Ministro Extraordinário da Comunhão ao irmão enfermo é a evangelização da família que será visitada pelo Santíssimo Sacramento. Gostaria de pedir aos novos ministros instituídos, assim como aos antigos, que antes de levarem comunhão ao doente façam um tempo de oração diante do sacrário, assim como conheçam e visitem a família do enfermo. Vamos evangelizar primeiro: conhecendo a realidade local. Conhecer as condições de saúde do doente e se este necessita da confissão sacramental, e algumas vezes também da unção dos enfermos. Também ter atenção para não faltar, neste Ano Santo, a graça da Confissão aos doentes e encarcerados. O Ministro Extraordinário deverá se questionar se o doente realmente tem condições de entender o sacramento que está recebendo. Também a família deve ser evangelizada, envolvida, conhecendo sua prática religiosa e a participação na vida da comunidade. Assim, a família deverá ser avisada quando o padre ou o Ministro Extraordinário da Comunhão irá atender o doente, para que possa se preparar.

É sempre importante orientar a família como preparar o ambiente para a comunhão Eucarística. Seguir as normas e orientações do Manual do Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística e o Ritual para a visita ao doente: 1. Cuidar da teca, sanguíneo, corporal e bolsa onde se leva o corpo do Senhor; 2. Manifestar de forma concreta e prática o zelo pela Eucaristia. “Deus age em nós, por nós e conosco”.   3. Não ficar conversando com as pessoas pelo caminho enquanto leva a Sagrada Eucaristia para o doente. Se possível levar junto um acompanhante para auxiliar nas orações ou dirigir o veículo. O acompanhante não necessariamente precisa ser um ministro instituído. 4. Pode ocorrer que não foram consumidas as hóstias consagradas por ocasião da visita ao doente, não deixar guardada na sua casa. O pão consagrado deve ser consumido na casa do último doente a ser visitado. O próprio Ministro da Sagrada Comunhão deve consumir caso sobre. Cuidar bem da teca, sanguíneo, corporal e bolsa utilizada para a comunhão. Lembro que os idosos e doentes estão dispensados do jejum eucarístico. Esse momento único de Jesus, que é dado na Santa Eucaristia aos doentes, é o ápice da misericórdia da Igreja aos que estão vivendo o sofrimento da doença.

Convido todos os ministros extraordinários estudarem a Instruçãoda “Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos”, “Redemptionis Sacramentum”, “sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia”, de 19 de março de 2004.

Acesse: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html (acessado pela última vez em 17 de setembro de 2016).

Seria oportuno também que o Ministro Extraordinário sempre consulte a“Instrução Geral do Missal Romano”, que disciplina a celebração da Santa Missa. http://www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/23-13/01MISSALROMANO.html (acessado pela última vez em 17 de setembro de 2016).

Os Ministros Extraordinários da Comunhão devem cuidar da sua vida espiritual e empenhar-se na sua formação cristã, participando em exercícios espirituais e em atividades de reflexão teológica. Eles devem ser testemunhas credíveis do Evangelho por uma vida autenticamente santa, como excelentes leigos inseridos no mundo, dando testemunho vivo do Cristo Eucarístico. Cristo está presente na Eucaristia sob as espécies de pão e de vinho. Ora, pão e vinho são alimentos. Logo, o sentido da presença de Cristo na Eucaristia é que nós nos alimentemos dele.

Desejo vivamente que os novos Ministros Extraordinários vivam este ministério sagrado com dignidade, lembrando que devem ser homens e mulheres imbuídos de uma vida cristã autêntica, sejam maduros na fé, e possam servir a Igreja. O Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística deve ensinar e viver o que a Igreja ensina, especialmente em relação à Eucaristia.

Que a sua vida seja constantemente voltada para o diálogo e a promoção da comunhão de todos com Cristo. Recebam minha bênção e levem meu afetuoso abraço de misericórdia a todos os que cruzarem o caminho de seu ministério, que desejo seja de compaixão e de concórdia.

 

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Eucaristia e Misericórdia

19/09/2016 00:00 - Atualizado em 23/09/2016 12:59

Como já é tradicional em nossa amada Arquidiocese, anualmente tenho a graça de investir no exercício do Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística os candidatos preparados pelos vicariatos para exercerem o ofício de primeiro auxiliar dos Ministros Ordinários da Comunhão, que são todos os presbíteros em suas sedes paroquiais, capelanias e comunidades eclesiais. Foi o que pude fazer neste final de semana. Meu primeiro agradecimento é ao nosso bispo auxiliar, Dom Roque Costa Souza, pelo seu dedicado trabalho de acompanhamento desta pastoral. Minha palavra de gratidão à preparação, que teve como artífice o Reverendo Padre Marcelo Batista.

A Eucaristia é a fonte e o centro de toda a vida cristã, de tal forma que se pode afirmar que a Igreja vive da Eucaristia. Neste sentido, o serviço litúrgico dos ministros extraordinários da comunhão deve ser entendido como expressão do cuidado pastoral para promover a devoção ao mistério eucarístico.

Toda a presidência litúrgica deve ser a expressão do “Cristo cabeça da Igreja”. Os fiéis batizados, primeiros destinatários da Celebração da Santa Eucaristia, “os leigos são admiravelmente chamados e munidos para que neles se produzam sempre mais abundantes frutos do Espírito” (Sacrosanctum Concilium, 34) e tornem-se “hóstias espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1Ped 2,5).  Todos os que exercem funções dentro da celebração: coroinhas, ministro extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística, animadores, leitores, salmista, ministério do canto (cantores), equipe de acolhida (recepcionista) “desempenhem um verdadeiro ministério litúrgico. Cumpram sua função com a piedade e ordem que convém a tão grande ministério. Sejam imbuídos do espírito litúrgico e preparados para executar as suas partes, perfeita e ordenadamente”. (Sacrosanctum Concilium, 29). A concentração e a capacidade de elevação espiritual se refletem por inteiro na comunidade celebrante. “Na liturgia, Deus fala a seu povo. E o povo responde a Deus, ora com cânticos, ora com orações”. (Sacrosanctum Concilium, 33).

A missão do Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística é um serviço. Como serviço deve ser uma participação alheia ou desinteressada. Quem preside, quem prega e toda a equipe de celebração não é uma prestadora de serviço.

Todos sabemos que a principal missão do Ministro Extraordinário da Comunhão é auxiliar na distribuição do Sacramento da Eucaristia. Sob esse aspecto já tive ocasião de escrever várias vezes. Entretanto, dentro do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, eu creio que é uma grande obra de misericórdia o Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística empenhar-se, semana a semana, durante todo o ano na visita aos enfermos e encarcerados. Isso é uma admirável obra de Misericórdia.

A principal diferença da visita do Ministro Extraordinário da Comunhão ao irmão enfermo é a evangelização da família que será visitada pelo Santíssimo Sacramento. Gostaria de pedir aos novos ministros instituídos, assim como aos antigos, que antes de levarem comunhão ao doente façam um tempo de oração diante do sacrário, assim como conheçam e visitem a família do enfermo. Vamos evangelizar primeiro: conhecendo a realidade local. Conhecer as condições de saúde do doente e se este necessita da confissão sacramental, e algumas vezes também da unção dos enfermos. Também ter atenção para não faltar, neste Ano Santo, a graça da Confissão aos doentes e encarcerados. O Ministro Extraordinário deverá se questionar se o doente realmente tem condições de entender o sacramento que está recebendo. Também a família deve ser evangelizada, envolvida, conhecendo sua prática religiosa e a participação na vida da comunidade. Assim, a família deverá ser avisada quando o padre ou o Ministro Extraordinário da Comunhão irá atender o doente, para que possa se preparar.

É sempre importante orientar a família como preparar o ambiente para a comunhão Eucarística. Seguir as normas e orientações do Manual do Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística e o Ritual para a visita ao doente: 1. Cuidar da teca, sanguíneo, corporal e bolsa onde se leva o corpo do Senhor; 2. Manifestar de forma concreta e prática o zelo pela Eucaristia. “Deus age em nós, por nós e conosco”.   3. Não ficar conversando com as pessoas pelo caminho enquanto leva a Sagrada Eucaristia para o doente. Se possível levar junto um acompanhante para auxiliar nas orações ou dirigir o veículo. O acompanhante não necessariamente precisa ser um ministro instituído. 4. Pode ocorrer que não foram consumidas as hóstias consagradas por ocasião da visita ao doente, não deixar guardada na sua casa. O pão consagrado deve ser consumido na casa do último doente a ser visitado. O próprio Ministro da Sagrada Comunhão deve consumir caso sobre. Cuidar bem da teca, sanguíneo, corporal e bolsa utilizada para a comunhão. Lembro que os idosos e doentes estão dispensados do jejum eucarístico. Esse momento único de Jesus, que é dado na Santa Eucaristia aos doentes, é o ápice da misericórdia da Igreja aos que estão vivendo o sofrimento da doença.

Convido todos os ministros extraordinários estudarem a Instruçãoda “Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos”, “Redemptionis Sacramentum”, “sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia”, de 19 de março de 2004.

Acesse: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20040423_redemptionis-sacramentum_po.html (acessado pela última vez em 17 de setembro de 2016).

Seria oportuno também que o Ministro Extraordinário sempre consulte a“Instrução Geral do Missal Romano”, que disciplina a celebração da Santa Missa. http://www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/23-13/01MISSALROMANO.html (acessado pela última vez em 17 de setembro de 2016).

Os Ministros Extraordinários da Comunhão devem cuidar da sua vida espiritual e empenhar-se na sua formação cristã, participando em exercícios espirituais e em atividades de reflexão teológica. Eles devem ser testemunhas credíveis do Evangelho por uma vida autenticamente santa, como excelentes leigos inseridos no mundo, dando testemunho vivo do Cristo Eucarístico. Cristo está presente na Eucaristia sob as espécies de pão e de vinho. Ora, pão e vinho são alimentos. Logo, o sentido da presença de Cristo na Eucaristia é que nós nos alimentemos dele.

Desejo vivamente que os novos Ministros Extraordinários vivam este ministério sagrado com dignidade, lembrando que devem ser homens e mulheres imbuídos de uma vida cristã autêntica, sejam maduros na fé, e possam servir a Igreja. O Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística deve ensinar e viver o que a Igreja ensina, especialmente em relação à Eucaristia.

Que a sua vida seja constantemente voltada para o diálogo e a promoção da comunhão de todos com Cristo. Recebam minha bênção e levem meu afetuoso abraço de misericórdia a todos os que cruzarem o caminho de seu ministério, que desejo seja de compaixão e de concórdia.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro