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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Clamor em favor da vida

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Clamor em favor da vida

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17/09/2016 00:00 - Atualizado em 23/09/2016 12:54

Clamor em favor da vida 0

17/09/2016 00:00 - Atualizado em 23/09/2016 12:54

Neste final de semana teremos o encerramento dos Jogos Paralímpicos aqui no Rio de Janeiro, com uma cerimônia de conclusão. Durante estes dias, as disputas paralímpicas, iniciadas com a bela cerimônia de abertura que encantou o mundo, e também com o elevado índice técnico e competitivo nas distintas modalidades, evidenciaram o valor, a garra, o amor à vida e a relevante missão que os atletas paralímpicos desempenham na civilização contemporânea. Demonstraram, ainda, a imensa consideração da sociedade não apenas pelos atletas e celebridades dos pódios, mas a todas as pessoas que, como eles, trabalham, estudam, realizam ações voluntárias, convivem em família, amam e são amadas. A criatura humana e sua dignidade, não obstante suas deficiências de nascimento ou adquiridas.

Fico pensando na beleza desse momento paralímpico, que traz o atleta muito mais próximo do povo, apesar da pouca divulgação pela TV Aberta. Ao mesmo tempo faz pensar como os retrógrados pensadores de ideologias ultrapassadas continuam insistindo em não respeitar a vida desde a sua concepção até a morte natural. A solicitação que agora corre no Supremo Tribunal Federal de pedido de aborto para mulheres grávidas que adoeceram com a zika é um tipo de “cavalo de Tróia” dessa cultura de morte que quer se instalar em nosso país.

É um grande desrespeito à vida de tantas pessoas que se superam em suas deficiências, seus familiares, amigos e ao povo brasileiro, a manifestação do procurador-geral da República, ao Supremo Tribunal Federal (STF), em defesa do aborto nos casos de infecção da gestante pelo vírus da zika, ante o risco de o bebê nascer com microcefalia. Seu parecer foi solicitado pela ministra Cármem Lúcia, relatora no STF da Ação Direta de Inconstitucionalidade 5581, apresentada pela Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), que propõe a medida, dentre outras providências relativas às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

O mais estranho é que tanto a Procuradoria Geral da República, assim como a Advocacia Geral da União (AGU), à qual a ministra e atual presidente do STF também pedira parecer, considerou a Anadep ilegítima para propor a ação. Por que, deve-se perguntar, o procurador não se limitou, como a AGU, à análise meramente jurídica sobre a validade da ação? Por que fez questão de ressaltar posição favorável ao aborto? Com ou sem intenção, a verdade é que sua postura, lamentavelmente, foi congruente com certo viés ideológico que se observa com frequência na análise do tema.

Matar um ser humano na sua concepção é tão grave quanto qualquer homicídio. No caso da microcefalia, é mais cruel ainda, pois o diagnóstico de sua existência só é feito após o sexto mês de gravidez, quando o bebê já está totalmente formado. Nas estatísticas conhecidas dos casos de suspeita da doença, cerca de 70% acabam não se confirmando. São informações biológicas importantes, embora irrelevantes ante o preceito cristão de defesa incondicional da vida humana em todas as suas fases. Não se deve negar a uma pessoa, e à sua revelia, o direito a uma existência, que será permeada desde suas contribuições à sociedade, passando pelo seu trabalho, até a conquista de medalhas paralímpicas e, mais importante do que tudo isso, pelo amor dos que a conceberam, que agradecem a Deus, todos os dias, a sua presença maravilhosa!

É necessário defender a vida, assim como orientar a população de modo correto. A paternidade e a maternidade responsáveis, que pressupõem a abstinência na relação íntima dos casais sempre que houver razões para isso, como epidemias e riscos de contágio, são um grandioso ato de amor! Por isso, seguimos persistentes na missão de difundir, inclusive no universo da juventude, esses conceitos alinhados à bondade e à sabedoria de Deus.

Aliás, o clamor divino em prol da vida, muito presente nas palavras de Cristo e reafirmado com ênfase na glória de Sua ressurreição, está expresso na voz do povo: pesquisa Datafolha realizada em fevereiro aponta que a maioria da população considera que as mulheres infectadas pelo vírus da zika não deveriam abortar.

Que ao contemplarmos a beleza dos Jogos Paralímpicos e a dignidade da pessoa humana com deficiência pensemos melhor antes de tirar a vida de alguém que não tem defesa e que clama por viver. 


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Clamor em favor da vida

17/09/2016 00:00 - Atualizado em 23/09/2016 12:54

Neste final de semana teremos o encerramento dos Jogos Paralímpicos aqui no Rio de Janeiro, com uma cerimônia de conclusão. Durante estes dias, as disputas paralímpicas, iniciadas com a bela cerimônia de abertura que encantou o mundo, e também com o elevado índice técnico e competitivo nas distintas modalidades, evidenciaram o valor, a garra, o amor à vida e a relevante missão que os atletas paralímpicos desempenham na civilização contemporânea. Demonstraram, ainda, a imensa consideração da sociedade não apenas pelos atletas e celebridades dos pódios, mas a todas as pessoas que, como eles, trabalham, estudam, realizam ações voluntárias, convivem em família, amam e são amadas. A criatura humana e sua dignidade, não obstante suas deficiências de nascimento ou adquiridas.

Fico pensando na beleza desse momento paralímpico, que traz o atleta muito mais próximo do povo, apesar da pouca divulgação pela TV Aberta. Ao mesmo tempo faz pensar como os retrógrados pensadores de ideologias ultrapassadas continuam insistindo em não respeitar a vida desde a sua concepção até a morte natural. A solicitação que agora corre no Supremo Tribunal Federal de pedido de aborto para mulheres grávidas que adoeceram com a zika é um tipo de “cavalo de Tróia” dessa cultura de morte que quer se instalar em nosso país.

É um grande desrespeito à vida de tantas pessoas que se superam em suas deficiências, seus familiares, amigos e ao povo brasileiro, a manifestação do procurador-geral da República, ao Supremo Tribunal Federal (STF), em defesa do aborto nos casos de infecção da gestante pelo vírus da zika, ante o risco de o bebê nascer com microcefalia. Seu parecer foi solicitado pela ministra Cármem Lúcia, relatora no STF da Ação Direta de Inconstitucionalidade 5581, apresentada pela Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep), que propõe a medida, dentre outras providências relativas às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

O mais estranho é que tanto a Procuradoria Geral da República, assim como a Advocacia Geral da União (AGU), à qual a ministra e atual presidente do STF também pedira parecer, considerou a Anadep ilegítima para propor a ação. Por que, deve-se perguntar, o procurador não se limitou, como a AGU, à análise meramente jurídica sobre a validade da ação? Por que fez questão de ressaltar posição favorável ao aborto? Com ou sem intenção, a verdade é que sua postura, lamentavelmente, foi congruente com certo viés ideológico que se observa com frequência na análise do tema.

Matar um ser humano na sua concepção é tão grave quanto qualquer homicídio. No caso da microcefalia, é mais cruel ainda, pois o diagnóstico de sua existência só é feito após o sexto mês de gravidez, quando o bebê já está totalmente formado. Nas estatísticas conhecidas dos casos de suspeita da doença, cerca de 70% acabam não se confirmando. São informações biológicas importantes, embora irrelevantes ante o preceito cristão de defesa incondicional da vida humana em todas as suas fases. Não se deve negar a uma pessoa, e à sua revelia, o direito a uma existência, que será permeada desde suas contribuições à sociedade, passando pelo seu trabalho, até a conquista de medalhas paralímpicas e, mais importante do que tudo isso, pelo amor dos que a conceberam, que agradecem a Deus, todos os dias, a sua presença maravilhosa!

É necessário defender a vida, assim como orientar a população de modo correto. A paternidade e a maternidade responsáveis, que pressupõem a abstinência na relação íntima dos casais sempre que houver razões para isso, como epidemias e riscos de contágio, são um grandioso ato de amor! Por isso, seguimos persistentes na missão de difundir, inclusive no universo da juventude, esses conceitos alinhados à bondade e à sabedoria de Deus.

Aliás, o clamor divino em prol da vida, muito presente nas palavras de Cristo e reafirmado com ênfase na glória de Sua ressurreição, está expresso na voz do povo: pesquisa Datafolha realizada em fevereiro aponta que a maioria da população considera que as mulheres infectadas pelo vírus da zika não deveriam abortar.

Que ao contemplarmos a beleza dos Jogos Paralímpicos e a dignidade da pessoa humana com deficiência pensemos melhor antes de tirar a vida de alguém que não tem defesa e que clama por viver. 


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro