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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/03/2019

20 de Março de 2019

Madre Teresa dos desvalidos

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Madre Teresa dos desvalidos

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03/09/2016 00:00 - Atualizado em 05/09/2016 14:14

Madre Teresa dos desvalidos 0

03/09/2016 00:00 - Atualizado em 05/09/2016 14:14

Tivemos uma semana cheia de acontecimentos importantes em Roma! No sábado, a celebração do Jubileu Extraordinário do Voluntariado, com todos aqueles que trabalham com o terceiro setor, a filantropia, a caridade, o atendimento aos que precisam de saúde, educação e caridade. Neste domingo, tivemos a canonização de Madre Teresa de Calcutá: o Papa Francisco a inscreveu no livro dos santos, elevada às glórias dos altares.

Lembramos da vocação universal de todos os batizados, já que o Mestre Jesus chama todos à santidade sem distinção de idade, profissão, raça ou condição social. Não há seguidores de Cristo sem vocação cristã, sem uma chamada pessoal à santidade. Deus nos escolheu para sermos santos e imaculados na Sua presença, dirá São Paulo aos primeiros cristãos de Éfeso; e para conseguirmos esta meta é necessário que nos empenhemos num esforço que se prolongará por todos os nossos dias aqui na Terra: O justo justifique-se mais, e o santo mais e mais se santifique.

Sobre esta doutrina do chamado universal à santidade, nos diz o Concílio Ecumênico Vaticano II: “todos os cristãos, seja qual for sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor, cada um no seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (Lumen Gentium, 11). Jesus convida todos os cristãos que estão absolvidos nas suas ocupações profissionais a encontrá-Lo precisamente nessas ocupações, realizando-as com perfeição humana e, ao mesmo tempo, com sentido sobrenatural: oferecendo-as a Deus, vivendo nelas a caridade e o espírito de sacrifício, elevando no meio delas o coração a Deus.

Sede, pois, perfeitos como vosso pai celestial é perfeito (Mt 5, 48). Jesus dirige estas palavras não somente aos Apóstolos, mas a todos os que de verdade queiram ser Seus discípulos. O Evangelho menciona expressamente que quando Jesus terminou esses discursos, a multidão ficou impressionada com a Sua doutrina. Essa multidão que O escutava devia estar formada por mães de família, pescadores, artesãos, doutores da lei, jovens... Todos O entendem e ficam impressionados, porque o Senhor dirige-se a todos. Algumas pessoas têm a graça de transmitir esta santidade e são reconhecidas, ou seja, canonizadas.

É o caso de Santa Madre Teresa de Calcutá que, neste domingo, dia 04 de setembro, a Mãe Igreja teve a graça de elevar aos seus altares, enquanto santa, a bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá. Nascida em 26 de agosto de 1910 em uma família albanesa em Skopje, capital da atual República da Macedônia, que na época pertencia à Albânia, Gonxhe Agnes Bojaxhiu entrou, em 1928, na Congregação religiosa das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, que tem sede na Irlanda, e passou a usar o nome Teresa em homenagem a Santa Teresa de Lisieux.

Enviada a Calcutá, na Índia, foi professora durante muitos anos em uma escola para meninas de classe alta, antes de receber o “chamado dos chamados”, ou seja, a vocação de servir a Deus através dos pobres. O arcebispo de Calcutá na época, Dom Fernando Periers, se negava a permitir que saísse de sua congregação, alegando que ela era muito jovem para o trabalho, apesar dos 37 anos.

No início de 1948, mudou-se para os bairros pobres de Calcutá, onde suas ex-alunas se tornaram, a seu lado, as primeiras Missionárias da Caridade. Em 1952, ao observar uma mulher agonizante, abandonada na rua e com os pés atacados por ratos, ela sentiu uma profunda comoção e decidiu assumir uma nova tarefa: ajudar os mais pobres entre os pobres.

Em Calcutá, Madre Teresa abriu também um orfanato, Sishu Bhavan, e um centro para leprosos, o Shantinagar, onde atualmente são produzidos os sáris brancos com bordado azul utilizados pelas 4.500 Missionárias da Caridade espalhadas em mais de 100 países.

Na sede da Congregação, em Calcutá, em uma avenida da megalópole indiana, Madre Teresa, famosa e premiada em todo o planeta por seu trabalho, levou uma vida austera, como sempre demonstrou a sua fragilidade física, envolta de uma grande luz e fortaleza espiritual, onde ela trabalhou sem descanso. Esteve no Rio de Janeiro para fundar uma casa das suas missionárias da caridade que ainda hoje exercem sua bela missão em nossa cidade. Ela faleceu no local em 5 de setembro de 1997, aos 87 anos, e seu túmulo está sempre coberto de pétalas de flores, como forma de homenagem.

Uma vez ela perguntou ao papa São João XXIII se as riquezas do Vaticano poderiam ser utilizadas para os pobres. O Papa bom então doou-lhe um Rolls Royce, que ela vendeu rapidamente por um bom preço em um leilão. Durante o Pontificado de Paulo VI, a Congregação se espalhou pelo mundo e chegou a fundar casas na América Latina. O Papa São João Paulo II reconheceu publicamente sua admiração pela freira. Na década de 1980, abençoou a pedra fundamental da casa que ela abriu em Roma para abrigar moradores de rua. O Papa Francisco, que a conheceu em 1994, admitiu que ficou impressionado com seu caráter forte, que teria provocado “medo” se fosse o seu superior.

Para a canonização de Madre Teresa, o milagre foi comprovado na vida de um brasileiro. De acordo com a Santa Sé Apostólica, o Papa Francisco abriu caminho para a canonização após aprovar um decreto reconhecendo um milagre atribuído à religiosa. O miraculado é o paulista Marcílio Haddad Andrino, diagnosticado com oito abscessos cerebrais, a graça operada por intercessão de Madre Teresa, que estava em fase terminal e se recuperou em 2008. O milagre aconteceu na diocese de Santos, no litoral de São Paulo. Hoje o miraculado vive no Estado do Rio de Janeiro.

Dentro do contexto do Ano Santo Jubilar Extraordinário da Misericórdia, Santa Madre Teresa de Calcutá nos ensina a cuidar mais dos pobres, como obra permanente de misericórdia, dando a nossa vida em favor dos que precisam não só de auxílios materiais, mas de atenção, caridade, inclusão.

Portanto, Cristo pede a todos os homens, sem exceção, que sejam perfeitos como seu Pai celestial é perfeito (Mt 5, 48). Para a grande maioria dos homens, ser santo significa santificar o seu próprio trabalho, santificar-se no trabalho e santificar os outros com o trabalho, e assim encontrar a Deus no caminho da vida.

Peçamos a Santa Teresa de Calcutá que nos dê a graça de fazer sempre a vontade de Deus, assim como ela dizia: “quero ser um lápis na mão de Deus, para Deus fazer assim o que quiser”.

Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós!

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Madre Teresa dos desvalidos

03/09/2016 00:00 - Atualizado em 05/09/2016 14:14

Tivemos uma semana cheia de acontecimentos importantes em Roma! No sábado, a celebração do Jubileu Extraordinário do Voluntariado, com todos aqueles que trabalham com o terceiro setor, a filantropia, a caridade, o atendimento aos que precisam de saúde, educação e caridade. Neste domingo, tivemos a canonização de Madre Teresa de Calcutá: o Papa Francisco a inscreveu no livro dos santos, elevada às glórias dos altares.

Lembramos da vocação universal de todos os batizados, já que o Mestre Jesus chama todos à santidade sem distinção de idade, profissão, raça ou condição social. Não há seguidores de Cristo sem vocação cristã, sem uma chamada pessoal à santidade. Deus nos escolheu para sermos santos e imaculados na Sua presença, dirá São Paulo aos primeiros cristãos de Éfeso; e para conseguirmos esta meta é necessário que nos empenhemos num esforço que se prolongará por todos os nossos dias aqui na Terra: O justo justifique-se mais, e o santo mais e mais se santifique.

Sobre esta doutrina do chamado universal à santidade, nos diz o Concílio Ecumênico Vaticano II: “todos os cristãos, seja qual for sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor, cada um no seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai” (Lumen Gentium, 11). Jesus convida todos os cristãos que estão absolvidos nas suas ocupações profissionais a encontrá-Lo precisamente nessas ocupações, realizando-as com perfeição humana e, ao mesmo tempo, com sentido sobrenatural: oferecendo-as a Deus, vivendo nelas a caridade e o espírito de sacrifício, elevando no meio delas o coração a Deus.

Sede, pois, perfeitos como vosso pai celestial é perfeito (Mt 5, 48). Jesus dirige estas palavras não somente aos Apóstolos, mas a todos os que de verdade queiram ser Seus discípulos. O Evangelho menciona expressamente que quando Jesus terminou esses discursos, a multidão ficou impressionada com a Sua doutrina. Essa multidão que O escutava devia estar formada por mães de família, pescadores, artesãos, doutores da lei, jovens... Todos O entendem e ficam impressionados, porque o Senhor dirige-se a todos. Algumas pessoas têm a graça de transmitir esta santidade e são reconhecidas, ou seja, canonizadas.

É o caso de Santa Madre Teresa de Calcutá que, neste domingo, dia 04 de setembro, a Mãe Igreja teve a graça de elevar aos seus altares, enquanto santa, a bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá. Nascida em 26 de agosto de 1910 em uma família albanesa em Skopje, capital da atual República da Macedônia, que na época pertencia à Albânia, Gonxhe Agnes Bojaxhiu entrou, em 1928, na Congregação religiosa das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, que tem sede na Irlanda, e passou a usar o nome Teresa em homenagem a Santa Teresa de Lisieux.

Enviada a Calcutá, na Índia, foi professora durante muitos anos em uma escola para meninas de classe alta, antes de receber o “chamado dos chamados”, ou seja, a vocação de servir a Deus através dos pobres. O arcebispo de Calcutá na época, Dom Fernando Periers, se negava a permitir que saísse de sua congregação, alegando que ela era muito jovem para o trabalho, apesar dos 37 anos.

No início de 1948, mudou-se para os bairros pobres de Calcutá, onde suas ex-alunas se tornaram, a seu lado, as primeiras Missionárias da Caridade. Em 1952, ao observar uma mulher agonizante, abandonada na rua e com os pés atacados por ratos, ela sentiu uma profunda comoção e decidiu assumir uma nova tarefa: ajudar os mais pobres entre os pobres.

Em Calcutá, Madre Teresa abriu também um orfanato, Sishu Bhavan, e um centro para leprosos, o Shantinagar, onde atualmente são produzidos os sáris brancos com bordado azul utilizados pelas 4.500 Missionárias da Caridade espalhadas em mais de 100 países.

Na sede da Congregação, em Calcutá, em uma avenida da megalópole indiana, Madre Teresa, famosa e premiada em todo o planeta por seu trabalho, levou uma vida austera, como sempre demonstrou a sua fragilidade física, envolta de uma grande luz e fortaleza espiritual, onde ela trabalhou sem descanso. Esteve no Rio de Janeiro para fundar uma casa das suas missionárias da caridade que ainda hoje exercem sua bela missão em nossa cidade. Ela faleceu no local em 5 de setembro de 1997, aos 87 anos, e seu túmulo está sempre coberto de pétalas de flores, como forma de homenagem.

Uma vez ela perguntou ao papa São João XXIII se as riquezas do Vaticano poderiam ser utilizadas para os pobres. O Papa bom então doou-lhe um Rolls Royce, que ela vendeu rapidamente por um bom preço em um leilão. Durante o Pontificado de Paulo VI, a Congregação se espalhou pelo mundo e chegou a fundar casas na América Latina. O Papa São João Paulo II reconheceu publicamente sua admiração pela freira. Na década de 1980, abençoou a pedra fundamental da casa que ela abriu em Roma para abrigar moradores de rua. O Papa Francisco, que a conheceu em 1994, admitiu que ficou impressionado com seu caráter forte, que teria provocado “medo” se fosse o seu superior.

Para a canonização de Madre Teresa, o milagre foi comprovado na vida de um brasileiro. De acordo com a Santa Sé Apostólica, o Papa Francisco abriu caminho para a canonização após aprovar um decreto reconhecendo um milagre atribuído à religiosa. O miraculado é o paulista Marcílio Haddad Andrino, diagnosticado com oito abscessos cerebrais, a graça operada por intercessão de Madre Teresa, que estava em fase terminal e se recuperou em 2008. O milagre aconteceu na diocese de Santos, no litoral de São Paulo. Hoje o miraculado vive no Estado do Rio de Janeiro.

Dentro do contexto do Ano Santo Jubilar Extraordinário da Misericórdia, Santa Madre Teresa de Calcutá nos ensina a cuidar mais dos pobres, como obra permanente de misericórdia, dando a nossa vida em favor dos que precisam não só de auxílios materiais, mas de atenção, caridade, inclusão.

Portanto, Cristo pede a todos os homens, sem exceção, que sejam perfeitos como seu Pai celestial é perfeito (Mt 5, 48). Para a grande maioria dos homens, ser santo significa santificar o seu próprio trabalho, santificar-se no trabalho e santificar os outros com o trabalho, e assim encontrar a Deus no caminho da vida.

Peçamos a Santa Teresa de Calcutá que nos dê a graça de fazer sempre a vontade de Deus, assim como ela dizia: “quero ser um lápis na mão de Deus, para Deus fazer assim o que quiser”.

Santa Teresa de Calcutá, rogai por nós!

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro