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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/10/2017

20 de Outubro de 2017

Se alguém vem a mim

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02/09/2016 17:02 - Atualizado em 02/09/2016 17:02

Se alguém vem a mim 0

02/09/2016 17:02 - Atualizado em 02/09/2016 17:02

O evangelho proposto para o vigésimo terceiro domingo do tempo comum apresenta o tema do discipulado. Jesus se volta para as grandes multidões que o acompanhavam e, com o intuito de aprofundar a experiência de fé dessas, faz um discurso através do qual caracteriza a identidade dos seus seguidores. Com um tom exortativo muito forte, pode-se ler por três vezes a dura constatação: “não pode ser meu discípulo” (cf. Lc 14,26.27.33). Hoje, escutando as palavras desse texto bíblico, na celebração eucarística, também somos chamados a comparar nossa vida com os critérios do Reino, buscando configurar-nos cada vez mais na sequela Christi: “Se alguém vem a mim” (cf. Lc 14,26)

O texto de Lc 14,25-33 pode ser estruturado da seguinte forma: Jesus introduz duas características do discipulado (25-27) e propõe duas imagens comparativas – a construção de uma torre (28-30) e o rei estrategista (31-33). Os dois requisitos estão numa linguagem negativa: o primeiro: “quem não se desapega de seu pai e de sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida”, e o segundo: “quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim”. Normalmente nós temos uma dificuldade muito grande de compreender tais exigências. Contudo, se faz necessário perceber os valores que subjazem tais palavras. Em primeiro lugar, a liberdade de se deixar moldar pelos ensinamentos do Senhor para além dos condicionamentos familiares e sociais. Em seguida, a capacidade de suportar o sofrimento advindo da prática do amor e da vivência de fé. Desta forma, a liberdade e a cruz são dois elementos distintivos na experiência daqueles que passaram de simpatizantes na multidão para discípulos de Cristo.

As duas imagens comparativas usadas na perícope lucana pretendem ilustrar a necessidade de se discernir sobre a resposta ao chamado divino. Em ambas vemos um personagem que, na possibilidade de não conseguir êxito (seja na edificação de uma torre, seja na vitória de uma guerra), resolve, previamente, parar para meditar sobre sua capacidade de ação (a posse do capital suficiente para a obra e a convocação de um número suficiente de soldados para guerrear). Tudo isto, no fundo, quer servir de alerta para os que desejam responder subitamente ao discipulado: será que tenho a disposição para cooperar com a obra divina? Tal questionamento é de vital importância, pois revela a seriedade, o comprometimento e o empenho necessários para se dizer ‘sim’ ao Senhor. Seguramente, o que realiza a santificação de uma pessoa é a graça, mas não sem a consequente cooperação livre do homem.

Poderíamos enquadrar estas duas exigências (liberdade e cruz) em tantos discípulos de Jesus Cristo. Todavia, particularmente, se ressalta a figura de Maria. Apesar de não saber exatamente como se realizaria a sua especial vocação de mãe do Salvador, aceitou prontamente se colocando livremente nas mãos de Deus – não antepondo nem mesmo sua relação de noivado com São José – e participando particularmente nos sofrimentos por conta de sua escolha – “uma espada de dor te transpassará a alma” (cf. Lc 2,35). Como seria importante para todos os chamados aos sacramentos da Igreja um discernimento destes. Deus, que os chama à vida de santidade, conta com a correspondência livre, consciente e comprometida de cada um. Por isso, aos catecúmenos e aos catequizandos, aos noivos, aos seminaristas e aos padres, aos participantes da ceia do Senhor, cada um ao seu nível, cabe o discernimento para que o convite ao discipulado encontre uma resposta madura, séria e responsável dada na liberdade diante de tantos condicionamentos e na perseverança na missão de amar a Deus e ao próximo.


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02/09/2016 17:02 - Atualizado em 02/09/2016 17:02

O evangelho proposto para o vigésimo terceiro domingo do tempo comum apresenta o tema do discipulado. Jesus se volta para as grandes multidões que o acompanhavam e, com o intuito de aprofundar a experiência de fé dessas, faz um discurso através do qual caracteriza a identidade dos seus seguidores. Com um tom exortativo muito forte, pode-se ler por três vezes a dura constatação: “não pode ser meu discípulo” (cf. Lc 14,26.27.33). Hoje, escutando as palavras desse texto bíblico, na celebração eucarística, também somos chamados a comparar nossa vida com os critérios do Reino, buscando configurar-nos cada vez mais na sequela Christi: “Se alguém vem a mim” (cf. Lc 14,26)

O texto de Lc 14,25-33 pode ser estruturado da seguinte forma: Jesus introduz duas características do discipulado (25-27) e propõe duas imagens comparativas – a construção de uma torre (28-30) e o rei estrategista (31-33). Os dois requisitos estão numa linguagem negativa: o primeiro: “quem não se desapega de seu pai e de sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida”, e o segundo: “quem não carrega a sua cruz e não caminha atrás de mim”. Normalmente nós temos uma dificuldade muito grande de compreender tais exigências. Contudo, se faz necessário perceber os valores que subjazem tais palavras. Em primeiro lugar, a liberdade de se deixar moldar pelos ensinamentos do Senhor para além dos condicionamentos familiares e sociais. Em seguida, a capacidade de suportar o sofrimento advindo da prática do amor e da vivência de fé. Desta forma, a liberdade e a cruz são dois elementos distintivos na experiência daqueles que passaram de simpatizantes na multidão para discípulos de Cristo.

As duas imagens comparativas usadas na perícope lucana pretendem ilustrar a necessidade de se discernir sobre a resposta ao chamado divino. Em ambas vemos um personagem que, na possibilidade de não conseguir êxito (seja na edificação de uma torre, seja na vitória de uma guerra), resolve, previamente, parar para meditar sobre sua capacidade de ação (a posse do capital suficiente para a obra e a convocação de um número suficiente de soldados para guerrear). Tudo isto, no fundo, quer servir de alerta para os que desejam responder subitamente ao discipulado: será que tenho a disposição para cooperar com a obra divina? Tal questionamento é de vital importância, pois revela a seriedade, o comprometimento e o empenho necessários para se dizer ‘sim’ ao Senhor. Seguramente, o que realiza a santificação de uma pessoa é a graça, mas não sem a consequente cooperação livre do homem.

Poderíamos enquadrar estas duas exigências (liberdade e cruz) em tantos discípulos de Jesus Cristo. Todavia, particularmente, se ressalta a figura de Maria. Apesar de não saber exatamente como se realizaria a sua especial vocação de mãe do Salvador, aceitou prontamente se colocando livremente nas mãos de Deus – não antepondo nem mesmo sua relação de noivado com São José – e participando particularmente nos sofrimentos por conta de sua escolha – “uma espada de dor te transpassará a alma” (cf. Lc 2,35). Como seria importante para todos os chamados aos sacramentos da Igreja um discernimento destes. Deus, que os chama à vida de santidade, conta com a correspondência livre, consciente e comprometida de cada um. Por isso, aos catecúmenos e aos catequizandos, aos noivos, aos seminaristas e aos padres, aos participantes da ceia do Senhor, cada um ao seu nível, cabe o discernimento para que o convite ao discipulado encontre uma resposta madura, séria e responsável dada na liberdade diante de tantos condicionamentos e na perseverança na missão de amar a Deus e ao próximo.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida