Arquidiocese do Rio de Janeiro

25º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 12/11/2019

12 de Novembro de 2019

Marina Araújo: apóstola da caridade!

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12 de Novembro de 2019

Marina Araújo: apóstola da caridade!

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31/08/2016 00:00 - Atualizado em 01/09/2016 12:23

Marina Araújo: apóstola da caridade! 0

31/08/2016 00:00 - Atualizado em 01/09/2016 12:23

No desenvolvimento do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, Deus chamou a Si, no mesmo dia da páscoa dos Servos de Deus Dom Helder Pessoa Câmara e Dom Luciano Pedro de Almeida, uma leiga muito especial. Falamos de Marina Martins de Araújo. Viveu, na prática, uma consagrada ao trabalho social como consequência de sua vida cristã.

Marina Martins de Araújo nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 23 de setembro de 1922 (portanto, estava lucidamente vivendo seus 93 anos), filha de Manoel Martins de Araújo, (Português) e Maria Luiza Machado de Araújo. Sétima filha de oito irmãos, morou a vida toda em Botafogo. Estudou no Colégio Sacré-Coeur de Marie e no Instituto Social da PUC.  Dona Marina sempre teve intensa atuação na vida da Igreja, participou da JEC (Juventude Estudantil Católica) e foi membro integrante da Ação Católica, movimentos de leigos. Participou, ativamente, do grupo de voluntários que atendeu ao convite de Dom Hélder Câmara para fundar o Banco da Providência, em 1959.

Durante o período do Concílio Ecumênico Concílio Vaticano II, Dona Marina fazia parte do grupo do Palácio São Joaquim: recebia correspondência de Dom Helder (cartas à família São Joaquim) com referências aos conteúdos aprovados, com a finalidade de atualizar os trabalhos dos grupos ligados à ação social do recém-criado Banco da Providência.

Há quase 50 anos dirigiu o Banco da Providência, tendo seu cargo, como diretora, sido confirmado pelos Arcebispos da cidade, Dom Eugenio de Araújo Salles, Dom Eusébio Oscar Scheid e por mim.  Na direção do Banco da Providência, participou das constantes avaliações da programação, atualizando a missão institucional de acordo com os desafios impostos ao Banco da Providência como instituição, símbolo da luta contra a exclusão social na cidade do Rio de janeiro. Durante estes anos, a legislação brasileira mudou muito e, mesmo com as dificuldades ideológicas impostas, o Banco da Providência continuou sua obra. Marina começou coordenando a Feira da Providência desde sua primeira edição, e iniciou também o trabalho voluntário de milhares de pessoas. Desenvolveu ações de captação de patrocinadores para a Feira, assim como de mobilização da participação de representantes dos Governos, empresariado e entidades nacionais e internacionais. De 2003 a 2014, coordenou o Arraial da Providência junto com a Conselheira do Banco da Providência, Gisela Amaral.

Devemos ressaltar as homenagens que Dona Marina recebeu: 2005 – Medalha de Mérito Pedro Ernesto em nome do Banco da Providência; 2006– Prêmio Mulher pela Paz – Rádio Catedral; 2008 – Mulheres que fazem o Bem – entregue no Dia Internacional da Mulher pelo Governo do Estado. 

Em sua direção, o Banco da Providência promoveu o planejamento estratégico em 2003, criando um novo foco para os projetos sociais, o Programa de Inclusão Social de Famílias. Um programa que tem por objetivo colaborar para diminuir o número de famílias vivendo abaixo da linha da pobreza, na cidade do Rio de Janeiro. Atende cerca de 40 mil pessoas por ano, entre os extremamente pobres de nossa cidade.

Na celebração da missa de exéquias que presidi no domingo, dia 28 de agosto, dia em que comemoramos a vocação dos fiéis batizados e o dia da catequista, fiquei impactado, desde a hora em que tomei conhecimento da sua morte, precisamente no sábado, dia 27, mesmo dia da páscoa de Dom Helder e de Dom Luciano, da singela da vida escondida de Dona Marina. Dona Marina sempre foi suave, discreta, humilde, vivendo uma vida de dedicação exclusiva aos mais pobres, aos mais desvalidos, e o que apenas interessava a ela era o que era rejeitado pelo mundo. Muito oportuno que também nesse Dia do Cristão Leigo, dentro do Mês Vocacional, também celebrássemos o Dia do Catequista. Ela sempre se preocupou com a orientação catequética para as pessoas em recuperação e na orientação dos necessitados.

A liturgia de suas exéquias, com as leituras desse 22º Domingo do Tempo Comum do ano “C”, resumia perfeitamente pela voz de Deus e da Igreja o que foi a vida e o trabalho de Dona Marina: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e, assim, encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes” (Eclo 3,19-21). É nesta glorificação de sua dedicação aos mais pobres e excluídos que Dona Marina entra no céu para cantar, eternamente, o que rezamos nas suas exéquias: “Os justos se alegram na presença do Senhor, rejubilam satisfeitos e exultam de alegria! Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! O seu nome é Senhor: exultai diante dele!”(Sl 67).

Neste Ano Santo, a Igreja Arquidiocesana do Rio de Janeiro agradece a vida de excepcional santidade na vivência da caridade ao próximo na pessoa da grande leiga, Dona Marina Martins de Araújo. O seu exemplo fortificará muitos frutos em favor do Banco da Providência. Ainda mais neste ano de tantas dificuldades para os patrocínios da Feira da Providência, e em tempos de tantas necessidades sociais, o exemplo da tenacidade e coragem de Marina irá inspirar os que continuam essa obra iniciada aqui no Rio de Janeiro por D. Helder Câmara.

Vamos confiar que na vida eterna Dona Marina continue sendo permanente inspiração para a Igreja do Rio de Janeiro, e muitos leigos e leigas sigam por esse mesmo caminho de dedicação, pro-atividades, santidade, unidade e carinho com a Igreja nesses trabalhos sociais.

 

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Marina Araújo: apóstola da caridade!

31/08/2016 00:00 - Atualizado em 01/09/2016 12:23

No desenvolvimento do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, Deus chamou a Si, no mesmo dia da páscoa dos Servos de Deus Dom Helder Pessoa Câmara e Dom Luciano Pedro de Almeida, uma leiga muito especial. Falamos de Marina Martins de Araújo. Viveu, na prática, uma consagrada ao trabalho social como consequência de sua vida cristã.

Marina Martins de Araújo nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 23 de setembro de 1922 (portanto, estava lucidamente vivendo seus 93 anos), filha de Manoel Martins de Araújo, (Português) e Maria Luiza Machado de Araújo. Sétima filha de oito irmãos, morou a vida toda em Botafogo. Estudou no Colégio Sacré-Coeur de Marie e no Instituto Social da PUC.  Dona Marina sempre teve intensa atuação na vida da Igreja, participou da JEC (Juventude Estudantil Católica) e foi membro integrante da Ação Católica, movimentos de leigos. Participou, ativamente, do grupo de voluntários que atendeu ao convite de Dom Hélder Câmara para fundar o Banco da Providência, em 1959.

Durante o período do Concílio Ecumênico Concílio Vaticano II, Dona Marina fazia parte do grupo do Palácio São Joaquim: recebia correspondência de Dom Helder (cartas à família São Joaquim) com referências aos conteúdos aprovados, com a finalidade de atualizar os trabalhos dos grupos ligados à ação social do recém-criado Banco da Providência.

Há quase 50 anos dirigiu o Banco da Providência, tendo seu cargo, como diretora, sido confirmado pelos Arcebispos da cidade, Dom Eugenio de Araújo Salles, Dom Eusébio Oscar Scheid e por mim.  Na direção do Banco da Providência, participou das constantes avaliações da programação, atualizando a missão institucional de acordo com os desafios impostos ao Banco da Providência como instituição, símbolo da luta contra a exclusão social na cidade do Rio de janeiro. Durante estes anos, a legislação brasileira mudou muito e, mesmo com as dificuldades ideológicas impostas, o Banco da Providência continuou sua obra. Marina começou coordenando a Feira da Providência desde sua primeira edição, e iniciou também o trabalho voluntário de milhares de pessoas. Desenvolveu ações de captação de patrocinadores para a Feira, assim como de mobilização da participação de representantes dos Governos, empresariado e entidades nacionais e internacionais. De 2003 a 2014, coordenou o Arraial da Providência junto com a Conselheira do Banco da Providência, Gisela Amaral.

Devemos ressaltar as homenagens que Dona Marina recebeu: 2005 – Medalha de Mérito Pedro Ernesto em nome do Banco da Providência; 2006– Prêmio Mulher pela Paz – Rádio Catedral; 2008 – Mulheres que fazem o Bem – entregue no Dia Internacional da Mulher pelo Governo do Estado. 

Em sua direção, o Banco da Providência promoveu o planejamento estratégico em 2003, criando um novo foco para os projetos sociais, o Programa de Inclusão Social de Famílias. Um programa que tem por objetivo colaborar para diminuir o número de famílias vivendo abaixo da linha da pobreza, na cidade do Rio de Janeiro. Atende cerca de 40 mil pessoas por ano, entre os extremamente pobres de nossa cidade.

Na celebração da missa de exéquias que presidi no domingo, dia 28 de agosto, dia em que comemoramos a vocação dos fiéis batizados e o dia da catequista, fiquei impactado, desde a hora em que tomei conhecimento da sua morte, precisamente no sábado, dia 27, mesmo dia da páscoa de Dom Helder e de Dom Luciano, da singela da vida escondida de Dona Marina. Dona Marina sempre foi suave, discreta, humilde, vivendo uma vida de dedicação exclusiva aos mais pobres, aos mais desvalidos, e o que apenas interessava a ela era o que era rejeitado pelo mundo. Muito oportuno que também nesse Dia do Cristão Leigo, dentro do Mês Vocacional, também celebrássemos o Dia do Catequista. Ela sempre se preocupou com a orientação catequética para as pessoas em recuperação e na orientação dos necessitados.

A liturgia de suas exéquias, com as leituras desse 22º Domingo do Tempo Comum do ano “C”, resumia perfeitamente pela voz de Deus e da Igreja o que foi a vida e o trabalho de Dona Marina: “Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. Na medida em que fores grande, deverás praticar a humildade e, assim, encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios. Pois grande é o poder do Senhor, mas ele é glorificado pelos humildes” (Eclo 3,19-21). É nesta glorificação de sua dedicação aos mais pobres e excluídos que Dona Marina entra no céu para cantar, eternamente, o que rezamos nas suas exéquias: “Os justos se alegram na presença do Senhor, rejubilam satisfeitos e exultam de alegria! Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a seu nome! O seu nome é Senhor: exultai diante dele!”(Sl 67).

Neste Ano Santo, a Igreja Arquidiocesana do Rio de Janeiro agradece a vida de excepcional santidade na vivência da caridade ao próximo na pessoa da grande leiga, Dona Marina Martins de Araújo. O seu exemplo fortificará muitos frutos em favor do Banco da Providência. Ainda mais neste ano de tantas dificuldades para os patrocínios da Feira da Providência, e em tempos de tantas necessidades sociais, o exemplo da tenacidade e coragem de Marina irá inspirar os que continuam essa obra iniciada aqui no Rio de Janeiro por D. Helder Câmara.

Vamos confiar que na vida eterna Dona Marina continue sendo permanente inspiração para a Igreja do Rio de Janeiro, e muitos leigos e leigas sigam por esse mesmo caminho de dedicação, pro-atividades, santidade, unidade e carinho com a Igreja nesses trabalhos sociais.

 

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro