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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/11/2019

20 de Novembro de 2019

Jerusalém e o mistério Pascal

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20 de Novembro de 2019

Jerusalém e o mistério Pascal

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16/08/2016 14:17 - Atualizado em 16/08/2016 14:22

Jerusalém e o mistério Pascal 0

16/08/2016 14:17 - Atualizado em 16/08/2016 14:22

O texto base do XVII Congresso Eucarístico Nacional está dividido em cinco capítulos. A divisão foi a seguinte: 1 – Jerusalém e o mistério pascal, 2 – Emaús – eles o reconheceram na fração do Pão, 3 – Eucaristia, fonte de comunhão e partilha na Amazônia missionária, 4 – Nazaré – Ele vai à frente, na Galiléia e 5 – Maria, mulher Eucarística.

Quanto o primeiro capitulo: Jerusalém e o mistério Pascal, este por sua vez faz uma explanação geral sobre o significado e a importância de Jerusalém para o contexto Eucarístico e depois fala sobre os nomes da Eucaristia: memória, sacrifício, comunhão, presença real e Eucaristia e iniciação cristã.

A iniciação cristã encontra seu ápice no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Com efeito, as ações litúrgicas da iniciação vão ordenadas a significar e produzir a união íntima do cristão com Cristo e com a sua missão. A destinação para essa missão, que se recebe no batismo, no qual o batizado fica marcado indelevelmente com o sinal de Cristo, reforça-se na plenitude do Espírito Santo, que nos é dada no sacramento da confirmação. Mas a Eucaristia, ao estabelecer a comunhão entre a pessoa do cristão e o seu Senhor, morto e ressuscitado, coloca-o diretamente no seio da vida divina. A Eucaristia não é só participação na graça, mas na própria fonte da graça.

Comer e beber, atividades naturais do ser humano, conservam e fortalecem a vida e são, ao mesmo tempo, o contato primário com o mundo. A maioria dos povos desenvolveu uma cultura em torno do cear, por meio de comer e beber em conjunto se representa e estabelece comunhão. Também no Antigo Testamento a ceia é um sinal de realizador de comunhão. No atendimento solícito realiza-se a hospitalidade (cf. Gn 18,1-8), tratados de paz e alianças são selados em meio à ceia (cf. Gn 14,18; 26,30; 31,54; Ex 18,12).

Na aliança feita no Sinai o sacrifício está em primeiro plano: Moisés toma a metade do sangue dos bezerros sacrificados e o asperge sobre o altar dos sacrifícios; depois lê o documento da aliança, e o povo concorda com os termos do documento; em seguida, Moisés asperge a outra metade do sangue sobre o povo (cf. Ex 24,8). Desse modo, nessa efetivação da aliança o sacrifício se associa com a ceia. Ambas as coisas unem com Deus: o sangue do sacrifício aspergido sobre o altar e o povo e a ceia dos anciãos, que por essa ocasião puderam ver a Deus.

Toda refeição começa com o louvor no partir do pão e termina com a oração de agradecimento. Isso é associado muitas vezes com a anamnese dos feitos salvíficos de Deus.

A festa do pesah é o memorial central da ação salvífica libertadora de Deus. Ela se desenvolveu a partir de duas festas pré-israelitas: a festa da primavera, os nômades que celebravam a partida para novas pastagens com o abate de um animal pequeno e uma refeição comunitária e, a festa dos pães ázimos, por ocasião da qual eram sacrificadas as primeiras espigas da cevada, seguindo com uma refeição com pão não levedado, cozido com o cereal da nova colheita. Em Israel a festa foi relacionada com o evento do êxodo. Novamente estão interligados ceia, sacrifício e memória.

No Novo Testamento, a comunhão de mesa é o ato simbólico de Jesus, por várias vezes referido nos Evangelhos. Ele é entendido por amigos e inimigos. Para uns é um ato convidativo, para outros é motivo de escândalo e inimizade por causa dos comensais com os quais Jesus se envolve. Com a parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32), Jesus justifica sua comunhão de mesa com os pecadores, e com o convite para o banquete, com a qual termina a parábola, tenta convencer os justos a se alegrarem com o retorno do perdido. No relato da última ceia, por um lado, é ceia de despedida: resumo da vida e, ao mesmo tempo, testamento comprometedor para os discípulos; por outro lado, ela aponta, como todas as comunhões de mesa de Jesus, para o futuro escatológico. A última ceia é, portanto, ceia de despedida em perspectiva escatológica, sinal de esperança em face da ruína.

A Eucaristia é sacrifical, sacramento da morte e da ressurreição, porque ela é o corpo de Cristo, “corpo entregue”, ele se torna presente no instante da realização da salvação, corpo entregue e glorificado, a fim de que a Igreja se torne um só corpo com ele na realização da salvação. A Eucaristia é o sacramento da presença de Cristo, e é sacrifical em razão dessa presença. A Eucaristia é o sacramento do sacrifício de Cristo, porque, por ela, Cristo se doa à Igreja em seu único sacrifício, em sua morte e sua ressurreição, nas quais foi eternizado. Ele se doa a ela, a fim de que ela celebre com ele o único sacrifício.

Contudo, a Eucaristia é o corpo de Cristo no ato redentor, dado à Igreja para que se torne aquilo que ela recebe o corpo de Cristo no ato redentor. Assim, salva em Cristo e com ele, ela participa na salvação do mundo.

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Jerusalém e o mistério Pascal

16/08/2016 14:17 - Atualizado em 16/08/2016 14:22

O texto base do XVII Congresso Eucarístico Nacional está dividido em cinco capítulos. A divisão foi a seguinte: 1 – Jerusalém e o mistério pascal, 2 – Emaús – eles o reconheceram na fração do Pão, 3 – Eucaristia, fonte de comunhão e partilha na Amazônia missionária, 4 – Nazaré – Ele vai à frente, na Galiléia e 5 – Maria, mulher Eucarística.

Quanto o primeiro capitulo: Jerusalém e o mistério Pascal, este por sua vez faz uma explanação geral sobre o significado e a importância de Jerusalém para o contexto Eucarístico e depois fala sobre os nomes da Eucaristia: memória, sacrifício, comunhão, presença real e Eucaristia e iniciação cristã.

A iniciação cristã encontra seu ápice no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Com efeito, as ações litúrgicas da iniciação vão ordenadas a significar e produzir a união íntima do cristão com Cristo e com a sua missão. A destinação para essa missão, que se recebe no batismo, no qual o batizado fica marcado indelevelmente com o sinal de Cristo, reforça-se na plenitude do Espírito Santo, que nos é dada no sacramento da confirmação. Mas a Eucaristia, ao estabelecer a comunhão entre a pessoa do cristão e o seu Senhor, morto e ressuscitado, coloca-o diretamente no seio da vida divina. A Eucaristia não é só participação na graça, mas na própria fonte da graça.

Comer e beber, atividades naturais do ser humano, conservam e fortalecem a vida e são, ao mesmo tempo, o contato primário com o mundo. A maioria dos povos desenvolveu uma cultura em torno do cear, por meio de comer e beber em conjunto se representa e estabelece comunhão. Também no Antigo Testamento a ceia é um sinal de realizador de comunhão. No atendimento solícito realiza-se a hospitalidade (cf. Gn 18,1-8), tratados de paz e alianças são selados em meio à ceia (cf. Gn 14,18; 26,30; 31,54; Ex 18,12).

Na aliança feita no Sinai o sacrifício está em primeiro plano: Moisés toma a metade do sangue dos bezerros sacrificados e o asperge sobre o altar dos sacrifícios; depois lê o documento da aliança, e o povo concorda com os termos do documento; em seguida, Moisés asperge a outra metade do sangue sobre o povo (cf. Ex 24,8). Desse modo, nessa efetivação da aliança o sacrifício se associa com a ceia. Ambas as coisas unem com Deus: o sangue do sacrifício aspergido sobre o altar e o povo e a ceia dos anciãos, que por essa ocasião puderam ver a Deus.

Toda refeição começa com o louvor no partir do pão e termina com a oração de agradecimento. Isso é associado muitas vezes com a anamnese dos feitos salvíficos de Deus.

A festa do pesah é o memorial central da ação salvífica libertadora de Deus. Ela se desenvolveu a partir de duas festas pré-israelitas: a festa da primavera, os nômades que celebravam a partida para novas pastagens com o abate de um animal pequeno e uma refeição comunitária e, a festa dos pães ázimos, por ocasião da qual eram sacrificadas as primeiras espigas da cevada, seguindo com uma refeição com pão não levedado, cozido com o cereal da nova colheita. Em Israel a festa foi relacionada com o evento do êxodo. Novamente estão interligados ceia, sacrifício e memória.

No Novo Testamento, a comunhão de mesa é o ato simbólico de Jesus, por várias vezes referido nos Evangelhos. Ele é entendido por amigos e inimigos. Para uns é um ato convidativo, para outros é motivo de escândalo e inimizade por causa dos comensais com os quais Jesus se envolve. Com a parábola do pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32), Jesus justifica sua comunhão de mesa com os pecadores, e com o convite para o banquete, com a qual termina a parábola, tenta convencer os justos a se alegrarem com o retorno do perdido. No relato da última ceia, por um lado, é ceia de despedida: resumo da vida e, ao mesmo tempo, testamento comprometedor para os discípulos; por outro lado, ela aponta, como todas as comunhões de mesa de Jesus, para o futuro escatológico. A última ceia é, portanto, ceia de despedida em perspectiva escatológica, sinal de esperança em face da ruína.

A Eucaristia é sacrifical, sacramento da morte e da ressurreição, porque ela é o corpo de Cristo, “corpo entregue”, ele se torna presente no instante da realização da salvação, corpo entregue e glorificado, a fim de que a Igreja se torne um só corpo com ele na realização da salvação. A Eucaristia é o sacramento da presença de Cristo, e é sacrifical em razão dessa presença. A Eucaristia é o sacramento do sacrifício de Cristo, porque, por ela, Cristo se doa à Igreja em seu único sacrifício, em sua morte e sua ressurreição, nas quais foi eternizado. Ele se doa a ela, a fim de que ela celebre com ele o único sacrifício.

Contudo, a Eucaristia é o corpo de Cristo no ato redentor, dado à Igreja para que se torne aquilo que ela recebe o corpo de Cristo no ato redentor. Assim, salva em Cristo e com ele, ela participa na salvação do mundo.

Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro