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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (53): Interpretação e tradução da Bíblia

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27 de Maio de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (53): Interpretação e tradução da Bíblia

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22/07/2016 12:23 - Atualizado em 22/07/2016 12:23

A Palavra de Deus na Bíblia (53): Interpretação e tradução da Bíblia 0

22/07/2016 12:23 - Atualizado em 22/07/2016 12:23

“O que dizer dessas teorias contemporâneas de interpretação dos textos?”. Com esta pertinente questão, iniciamos o artigo anterior sobre a validade do uso das hermenêuticas modernas na exegese bíblica.

“O conhecimento justo do texto bíblico só é acessível àquele que tem uma afinidade viva com aquilo do qual fala o texto1”.

A comissão identifica alguns princípios fundamentais para responder a problemática do estabelecimento das relações entre as hermenêuticas filosóficas modernas e a exegese bíblia, um problema que não começou agora. Desde a antiguidade, nos textos do NT, mas em toda a Bíblia, “os acontecimentos narrados na Bíblia são acontecimentos interpretados”.

Chama a atenção este conceito de ‘afinidade viva’ do intérprete com a Bíblia, condictio sine qua non para que se apreenda semanticamente das Escrituras o modo fiel e dinâmico.

A hermenêutica contemporânea é uma reação sadia ao positivismo histórico e à tentação de aplicar ao estudo da Bíblia os critérios de objetividade utilizados nas ciências naturais. De um lado, os acontecimentos narrados na Bíblia são acontecimentos interpretados. De outro lado, toda exegese dos relatos desses acontecimentos implica necessariamente a subjetividade do exegeta2.

A pergunta que se faz a todo intérprete é a seguinte: qual teoria hermenêutica torna possível a justa apreensão da realidade profunda da qual fala a Escritura e sua expressão significativa para o homem de hoje?

A perscrutação da melhor teoria hermenêutica (filosófica) para a leitura escriturística passa ao menos por dois critérios a serem escolhidos: De um lado, ‘a justa apreensão da realidade profunda’, isto é, quaisquer chaves interpretativas só podem ser preferidas se se apresentam capazes de uma equidade com o conteúdo revelado, que se atualiza na leitura.

Do outro, como acabamos de acenar, ‘expressão significativa para o homem de hoje’, uma leitura significa trazer à tona, à contiguidade existencial do leitor os significados interpretados.

A Igreja nos alerta que diante das Sagradas Escrituras é preciso que ‘interpretemos’, dadas as características imanentes de um ‘texto’ que exige apropriação interpretativa, e ao mesmo tempo, faz-se mister que reconheçamos os ‘limites’ da interpretação na ‘tradição’ da comunidade (“Traditio Apostolica”) eclesial.

É preciso reconhecer, efetivamente, que certas teorias hermenêuticas são inadequadas para interpretar a Escritura. Por exemplo, a interpretação existencial de Bultmann conduz ao aprisionamento da mensagem cristã na argola de uma filosofia particular3.

Advertências que resultam de uma longa história da interpretação bíblica com seus percalços, seus erros e avanços. A interpretação é uma tarefa a ser realizada; renunciar a ela é tornar-se vítima do ‘fundamentalismo’. De outro lado, por se tratar de um livro normativo, da eclesialidade, há de se encontrar caminhos da interpretação segundo a ‘intenção do ‘Autor Divino’ (Mensagem da Revelação).

Além disso, em virtude dos pressupostos que comandam esta hermenêutica, a mensagem religiosa da Bíblia é esvaziada em grande parte de sua realidade objetiva (na sequência de uma excessiva ‘demitização’) e tende a se subordinar a uma mensagem antropológica4.

O documento insiste, portanto, que sem a coragem da fé adulta a tarefa inevitável da interpretação bíblica, sempre confrontada por ideologias, poderá sucumbir ao medo expresso no ‘positivismo’ fundamentalista, refratário à tarefa interpretativa em sua verdade, ou se aliena a mensagem divina e eclesial, substituindo-a pelos sabores de ideologias de nosso tempo.

A filosofia torna-se norma de interpretação, ao invés de ser instrumento de compreensão daquilo que é o objeto central de toda interpretação: a pessoa de Jesus Cristo e os acontecimentos da salvação realizados em nossa história. Uma autêntica interpretação da Escritura é primeiramente acolhida de um sentido dado nos acontecimentos e, de maneira suprema, na pessoa de Jesus Cristo5.

Para isso, católicos, precisamos acordar à necessidade do aprofundamento da fé pelos estudos teológicos. Estes exigem tempo e amor às Escrituras. O norte da vida eclesial passa pela intimidade com a Revelação Divina em Jesus Cristo, encerrada nas Escrituras.

Este sentido é expresso nos textos. Para evitar o subjetivismo, uma boa atualização deve então ser fundada sobre o estudo do texto e os pressupostos de leitura devem ser constantemente submetidos à verificação através do texto6.

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

3http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4can.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

5http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

6http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

 

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A Palavra de Deus na Bíblia (53): Interpretação e tradução da Bíblia

22/07/2016 12:23 - Atualizado em 22/07/2016 12:23

“O que dizer dessas teorias contemporâneas de interpretação dos textos?”. Com esta pertinente questão, iniciamos o artigo anterior sobre a validade do uso das hermenêuticas modernas na exegese bíblica.

“O conhecimento justo do texto bíblico só é acessível àquele que tem uma afinidade viva com aquilo do qual fala o texto1”.

A comissão identifica alguns princípios fundamentais para responder a problemática do estabelecimento das relações entre as hermenêuticas filosóficas modernas e a exegese bíblia, um problema que não começou agora. Desde a antiguidade, nos textos do NT, mas em toda a Bíblia, “os acontecimentos narrados na Bíblia são acontecimentos interpretados”.

Chama a atenção este conceito de ‘afinidade viva’ do intérprete com a Bíblia, condictio sine qua non para que se apreenda semanticamente das Escrituras o modo fiel e dinâmico.

A hermenêutica contemporânea é uma reação sadia ao positivismo histórico e à tentação de aplicar ao estudo da Bíblia os critérios de objetividade utilizados nas ciências naturais. De um lado, os acontecimentos narrados na Bíblia são acontecimentos interpretados. De outro lado, toda exegese dos relatos desses acontecimentos implica necessariamente a subjetividade do exegeta2.

A pergunta que se faz a todo intérprete é a seguinte: qual teoria hermenêutica torna possível a justa apreensão da realidade profunda da qual fala a Escritura e sua expressão significativa para o homem de hoje?

A perscrutação da melhor teoria hermenêutica (filosófica) para a leitura escriturística passa ao menos por dois critérios a serem escolhidos: De um lado, ‘a justa apreensão da realidade profunda’, isto é, quaisquer chaves interpretativas só podem ser preferidas se se apresentam capazes de uma equidade com o conteúdo revelado, que se atualiza na leitura.

Do outro, como acabamos de acenar, ‘expressão significativa para o homem de hoje’, uma leitura significa trazer à tona, à contiguidade existencial do leitor os significados interpretados.

A Igreja nos alerta que diante das Sagradas Escrituras é preciso que ‘interpretemos’, dadas as características imanentes de um ‘texto’ que exige apropriação interpretativa, e ao mesmo tempo, faz-se mister que reconheçamos os ‘limites’ da interpretação na ‘tradição’ da comunidade (“Traditio Apostolica”) eclesial.

É preciso reconhecer, efetivamente, que certas teorias hermenêuticas são inadequadas para interpretar a Escritura. Por exemplo, a interpretação existencial de Bultmann conduz ao aprisionamento da mensagem cristã na argola de uma filosofia particular3.

Advertências que resultam de uma longa história da interpretação bíblica com seus percalços, seus erros e avanços. A interpretação é uma tarefa a ser realizada; renunciar a ela é tornar-se vítima do ‘fundamentalismo’. De outro lado, por se tratar de um livro normativo, da eclesialidade, há de se encontrar caminhos da interpretação segundo a ‘intenção do ‘Autor Divino’ (Mensagem da Revelação).

Além disso, em virtude dos pressupostos que comandam esta hermenêutica, a mensagem religiosa da Bíblia é esvaziada em grande parte de sua realidade objetiva (na sequência de uma excessiva ‘demitização’) e tende a se subordinar a uma mensagem antropológica4.

O documento insiste, portanto, que sem a coragem da fé adulta a tarefa inevitável da interpretação bíblica, sempre confrontada por ideologias, poderá sucumbir ao medo expresso no ‘positivismo’ fundamentalista, refratário à tarefa interpretativa em sua verdade, ou se aliena a mensagem divina e eclesial, substituindo-a pelos sabores de ideologias de nosso tempo.

A filosofia torna-se norma de interpretação, ao invés de ser instrumento de compreensão daquilo que é o objeto central de toda interpretação: a pessoa de Jesus Cristo e os acontecimentos da salvação realizados em nossa história. Uma autêntica interpretação da Escritura é primeiramente acolhida de um sentido dado nos acontecimentos e, de maneira suprema, na pessoa de Jesus Cristo5.

Para isso, católicos, precisamos acordar à necessidade do aprofundamento da fé pelos estudos teológicos. Estes exigem tempo e amor às Escrituras. O norte da vida eclesial passa pela intimidade com a Revelação Divina em Jesus Cristo, encerrada nas Escrituras.

Este sentido é expresso nos textos. Para evitar o subjetivismo, uma boa atualização deve então ser fundada sobre o estudo do texto e os pressupostos de leitura devem ser constantemente submetidos à verificação através do texto6.

Referências:

1http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

2http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

3http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

4can.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

5http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

6http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica