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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 22/02/2017

22 de Fevereiro de 2017

Bem-Aventurados os Misericordiosos

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22 de Fevereiro de 2017

Bem-Aventurados os Misericordiosos

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07/07/2016 12:14 - Atualizado em 07/07/2016 15:27

Bem-Aventurados os Misericordiosos 0

07/07/2016 12:14 - Atualizado em 07/07/2016 15:27

Ensina-nos o grande doutor da Igreja, São Tomás de Aquino que o evangelista associa a misericórdia à justiça “porque a justiça sem a misericórdia é cruel, ao passo que a misericórdia sem a justiça é a mãe da dissolução moral”. Cita também o Salmo 84, que fala: “a misericórdia e verdade se encontrarão, justiça e paz se abraçarão”.

Assim, caros leitores, podemos perceber que a misericórdia está intimamente ligada à verdade e à justiça, sem a qual se torna conivência e falta de compromisso de amor ao irmão, pois permite que o mesmo se deixe cada vez mais enveredar pelo sufocante caminho da autodestruição, por causa do pecado e de suas seduções.

Falar de misericórdia é fundamental, porém não permitamos cair no risco de banalizá-la. É uma experiência forte de perdão, em que as feridas profundas do pecado são saradas. Não se pode menosprezar este momento de encontro profundo e transformador com o Senhor e, por conseguinte, com os irmãos de fé.

A misericórdia suscita, justamente, um sentimento de piedade autêntico suscitado diante da miséria do outro. Não é uma superioridade daquele que tributa misericórdia, mas de corações que se unem pela solidariedade e pelo respeito mútuos.

Evidentemente, não se podem confundir misericórdia e mera sensibilidade, sentimentalismo estéril que nada faz para que as situações anti-humanas sejam superadas. Tenhamos como exemplo o bom samaritano que, sem sentimentalismo ou dubiedade, fez algo de concreto pelo irmão.

Temos muitas oportunidades de exercitar a misericórdia na cotidianidade dos nossos afazeres já que nossa propensão em julgar e condenar as pessoas precisa sempre ser domada. Nossas impressões são limitadas e parciais, portanto, não podem ser absolutizadas. Basta um desapontamento, uma palavra, um gesto para que iniciemos este mecanismo de julgamento e condenação.

A Bem-Aventurança dos misericordiosos se deve aplicar todas as vezes que o embate interior do capricho pessoal e da objetiva justiça acontecem. Essa luta acontece no interior e, precisamos estar atentos para que a verdade, o sentimento de compaixão e a justiça deem a tônica de uma ação verdadeiramente humana e cristã.

Como Bem-Aventurança é sinônimo de felicidade, podemos reafirmar, sem sombra de dúvidas, que o ser misericordioso nos traz grande paz e realização. Não significa conquistar, possuir, prevalecer-se sobre o outro, mas deixar ser possuído por Deus, submetendo-se à sua generosa justiça, no aprender d’Ele a prática cotidiana da misericórdia. Experimentaremos, deste modo, que existe mais alegria em dar que receber, e a misericórdia nos invadirá com uma alegria interior.

Façamos esta enriquecedora experiência, inundando a nossa realidade com a misericórdia e a compaixão, sanando feridas provocadas pelas mágoas e oferecendo amor e solidariedade aos que estão caídos e machucados de tantas formas nas estradas da vida. 


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Bem-Aventurados os Misericordiosos

07/07/2016 12:14 - Atualizado em 07/07/2016 15:27

Ensina-nos o grande doutor da Igreja, São Tomás de Aquino que o evangelista associa a misericórdia à justiça “porque a justiça sem a misericórdia é cruel, ao passo que a misericórdia sem a justiça é a mãe da dissolução moral”. Cita também o Salmo 84, que fala: “a misericórdia e verdade se encontrarão, justiça e paz se abraçarão”.

Assim, caros leitores, podemos perceber que a misericórdia está intimamente ligada à verdade e à justiça, sem a qual se torna conivência e falta de compromisso de amor ao irmão, pois permite que o mesmo se deixe cada vez mais enveredar pelo sufocante caminho da autodestruição, por causa do pecado e de suas seduções.

Falar de misericórdia é fundamental, porém não permitamos cair no risco de banalizá-la. É uma experiência forte de perdão, em que as feridas profundas do pecado são saradas. Não se pode menosprezar este momento de encontro profundo e transformador com o Senhor e, por conseguinte, com os irmãos de fé.

A misericórdia suscita, justamente, um sentimento de piedade autêntico suscitado diante da miséria do outro. Não é uma superioridade daquele que tributa misericórdia, mas de corações que se unem pela solidariedade e pelo respeito mútuos.

Evidentemente, não se podem confundir misericórdia e mera sensibilidade, sentimentalismo estéril que nada faz para que as situações anti-humanas sejam superadas. Tenhamos como exemplo o bom samaritano que, sem sentimentalismo ou dubiedade, fez algo de concreto pelo irmão.

Temos muitas oportunidades de exercitar a misericórdia na cotidianidade dos nossos afazeres já que nossa propensão em julgar e condenar as pessoas precisa sempre ser domada. Nossas impressões são limitadas e parciais, portanto, não podem ser absolutizadas. Basta um desapontamento, uma palavra, um gesto para que iniciemos este mecanismo de julgamento e condenação.

A Bem-Aventurança dos misericordiosos se deve aplicar todas as vezes que o embate interior do capricho pessoal e da objetiva justiça acontecem. Essa luta acontece no interior e, precisamos estar atentos para que a verdade, o sentimento de compaixão e a justiça deem a tônica de uma ação verdadeiramente humana e cristã.

Como Bem-Aventurança é sinônimo de felicidade, podemos reafirmar, sem sombra de dúvidas, que o ser misericordioso nos traz grande paz e realização. Não significa conquistar, possuir, prevalecer-se sobre o outro, mas deixar ser possuído por Deus, submetendo-se à sua generosa justiça, no aprender d’Ele a prática cotidiana da misericórdia. Experimentaremos, deste modo, que existe mais alegria em dar que receber, e a misericórdia nos invadirá com uma alegria interior.

Façamos esta enriquecedora experiência, inundando a nossa realidade com a misericórdia e a compaixão, sanando feridas provocadas pelas mágoas e oferecendo amor e solidariedade aos que estão caídos e machucados de tantas formas nas estradas da vida. 


Dom Luiz Henrique da Silva Brito
Autor

Dom Luiz Henrique da Silva Brito

Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro