Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 18/07/2019

18 de Julho de 2019

O Centro Inter-religioso na Vila Olímpica

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18 de Julho de 2019

O Centro Inter-religioso na Vila Olímpica

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06/07/2016 00:00 - Atualizado em 07/07/2016 11:22

O Centro Inter-religioso na Vila Olímpica 0

06/07/2016 00:00 - Atualizado em 07/07/2016 11:22

Dentre as várias atividades que ocorrerão nas Olimpíadas no Rio de Janeiro, o respeito para a busca do transcendente é elogiável, dando oportunidade aos atletas para celebrar seus momentos de orações em um local próprio da Vila Olímpica. Um padre da Arquidiocese do Rio foi escolhido pelo Comitê Olímpico para ser o responsável, e um rabino da Comunidade Judaica é o vice-responsável para organizar esse Centro Inter-religioso da Vila dos Atletas, que também vai receber os atletas paralímpicos, em setembro. Além das religiões assinaladas pelo COI sempre haverá a abertura para o atleta pedir um ministro de sua religião que não estiver contemplada na lista inicial. Dessa forma todos os que quiserem terão sua assistência de acordo com a sua crença.

O fato de ter sido nomeado um padre de nossa Arquidiocese foi o reconhecimento, por parte do Comitê Olímpico Internacional, da postura da Igreja Católica no respeito às religiões e outras igrejas cristãs. Esse trabalho supõe acolher e organizar as demandas religiosas dos atletas, sendo que cada religião ou igreja presente terá seus representantes. Na Vila Olímpica só estarão os atletas, e a capelania, portanto, é só para eles.

Houve um momento de abertura desse trabalho e estivemos juntos no início dessa missão na Sede do Comitê Olímpico. O Comitê Olímpico já tem uma bela tradição de respeitar a dimensão transcendental da pessoa e oferece essa possibilidade para quem desejar. É um exemplo que demonstra que “estado laico” é aquele que respeita todas as religiões e proporciona a possibilidade de seu cidadão ter seu lugar de oração.

Da parte da Arquidiocese, temos uma vasta experiência no diálogo inter-religioso e ecumênico, e temos a máxima alegria em acolher a todos sem distinção, desde que com a permissão do Comitê Olímpico que organiza a Vila Olímpica. Para essa função foi nomeado o Padre Leandro Lenin. É bom entender que a Igreja não mede esforços para sempre ressaltar o valor da pessoa que está envolvida nisto. Os encontros inter-religiosos e os diálogos ecumênicos nesta nossa cidade comprovam essa nossa postura.

Como Católicos, que primamos pelo diálogo que aqui no Rio de Janeiro é comprovado com tantas e belas partilhas, a nossa responsabilidade está em saber acolher bem e aproveitar este espaço como um campo de respeito e diálogo. Porque é desafiador o tema, é desafiador o contexto, ou seja, estamos falando do maior evento esportivo do mundo e que, no Rio de Janeiro, com certeza será o maior da história pelo número de atletas, de turistas e até de modalidades esportivas. Esse local de oração e culto será um belo testemunho do dialogo fraterno e respeito às diferenças. A repercussão das notícias com relação a esse fato demonstra a importância do mesmo e a necessidade desse diálogo construtor de unidade.

Dentro do Comitê Organizador da Rio 2016, o Centro Inter-religioso da Vila dos Atletas – que funcionará por quase dois meses – será organizado por essa equipe coordenadora para servir a todas as religiões dos atletas. Na abertura tivemos representantes do Judaísmo, do Budismo, do Islamismo, do Hinduísmo, e de cristãos Evangélicos e Católicos. Além disso, de nossa parte sempre estivemos e estaremos abertos a solicitações de outras religiões e igrejas. Como a responsabilidade da Vila Olímpica é do Comitê Olímpico Internacional, qualquer mudança supõe aprovação da direção. Um modo de organizar o serviço corrente da Vila porque, pelo conceito, a Vila dos Atletas é casa deles e, por isso, deve oferecer um pouco de tudo, inclusive o aspecto religioso.

O diálogo inter-religioso é o grande desafio que se apresenta hoje à sociedade, de um modo particular neste mundo da globalização que se está a afirmar perante os olhos estupefatos tanto dos que a aprovam como dos que dela discordam.

Os documentos católicos sobre o diálogo e a reflexão que se lhes seguiram apresentam o diálogo como um fator positivo, de aprofundamento da própria fé, e não como elemento negativo que a leva a enfraquecer. O Diálogo e Anúncio, no número 50 da Dignitatis Humanae, diz mesmo que “o diálogo, longe de lhes enfraquecer a fé, torná-la-á mais profunda... compreenderão mais claramente os elementos distintivos da mensagem cristã e a presença operante do mistério de Jesus Cristo para além dos confins visíveis da Igreja e do rebanho cristão”.

A relação dialógica deve ser assim entendida como relação de diferentes conceitos, sensações, ações expressas em palavras a dizer ao outro e a escutar do outro.

Contudo, a declaração Dignitatis Humanae veio consagrar a liberdade religiosa e afirmar a dignidade da consciência que deve ser respeitada. A declaração Nostra Aetate, por seu lado, afirmou a estima e o reconhecimento que a Igreja Católica tem pelos valores presentes nas outras religiões, expressamente no Hinduísmo, Budismo, Islamismo, Judaísmo. Estas “refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens”. A Declaração Conciliar não ignora a herança histórica  e exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua, e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens. Além desses dois documentos o “Unitatis Redintegratio” nos ilumina com relação ao ecumenismo que tanto temos trabalhado em nossa cidade.

Os membros das várias religiões e os cristãos das diversas denominações sabem muito bem a postura respeitosa e amorosa de nossa Arquidiocese com relação a esse diálogo. Ao mesmo tempo agradecemos por essa oportunidade, porque isso nos ajuda ainda mais a viver com carinho a nossa identidade católica. É também um belo exemplo de convivência fraterna entre tantas situações diferentes, tanto entre religiões como entre países. Que isso ajude ainda mais a “trégua da Paz” ou os “100 dias de Paz” que iniciamos no mês passado. Que estes Jogos Olímpicos e Paralímpicos em nossa acolhedora cidade sejam canais de união e diálogo entre as várias religiões e os cristãos das diversas denominações. Se depender de nossa Arquidiocese, tenho certeza de que tudo isso acontecerá.


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O Centro Inter-religioso na Vila Olímpica

06/07/2016 00:00 - Atualizado em 07/07/2016 11:22

Dentre as várias atividades que ocorrerão nas Olimpíadas no Rio de Janeiro, o respeito para a busca do transcendente é elogiável, dando oportunidade aos atletas para celebrar seus momentos de orações em um local próprio da Vila Olímpica. Um padre da Arquidiocese do Rio foi escolhido pelo Comitê Olímpico para ser o responsável, e um rabino da Comunidade Judaica é o vice-responsável para organizar esse Centro Inter-religioso da Vila dos Atletas, que também vai receber os atletas paralímpicos, em setembro. Além das religiões assinaladas pelo COI sempre haverá a abertura para o atleta pedir um ministro de sua religião que não estiver contemplada na lista inicial. Dessa forma todos os que quiserem terão sua assistência de acordo com a sua crença.

O fato de ter sido nomeado um padre de nossa Arquidiocese foi o reconhecimento, por parte do Comitê Olímpico Internacional, da postura da Igreja Católica no respeito às religiões e outras igrejas cristãs. Esse trabalho supõe acolher e organizar as demandas religiosas dos atletas, sendo que cada religião ou igreja presente terá seus representantes. Na Vila Olímpica só estarão os atletas, e a capelania, portanto, é só para eles.

Houve um momento de abertura desse trabalho e estivemos juntos no início dessa missão na Sede do Comitê Olímpico. O Comitê Olímpico já tem uma bela tradição de respeitar a dimensão transcendental da pessoa e oferece essa possibilidade para quem desejar. É um exemplo que demonstra que “estado laico” é aquele que respeita todas as religiões e proporciona a possibilidade de seu cidadão ter seu lugar de oração.

Da parte da Arquidiocese, temos uma vasta experiência no diálogo inter-religioso e ecumênico, e temos a máxima alegria em acolher a todos sem distinção, desde que com a permissão do Comitê Olímpico que organiza a Vila Olímpica. Para essa função foi nomeado o Padre Leandro Lenin. É bom entender que a Igreja não mede esforços para sempre ressaltar o valor da pessoa que está envolvida nisto. Os encontros inter-religiosos e os diálogos ecumênicos nesta nossa cidade comprovam essa nossa postura.

Como Católicos, que primamos pelo diálogo que aqui no Rio de Janeiro é comprovado com tantas e belas partilhas, a nossa responsabilidade está em saber acolher bem e aproveitar este espaço como um campo de respeito e diálogo. Porque é desafiador o tema, é desafiador o contexto, ou seja, estamos falando do maior evento esportivo do mundo e que, no Rio de Janeiro, com certeza será o maior da história pelo número de atletas, de turistas e até de modalidades esportivas. Esse local de oração e culto será um belo testemunho do dialogo fraterno e respeito às diferenças. A repercussão das notícias com relação a esse fato demonstra a importância do mesmo e a necessidade desse diálogo construtor de unidade.

Dentro do Comitê Organizador da Rio 2016, o Centro Inter-religioso da Vila dos Atletas – que funcionará por quase dois meses – será organizado por essa equipe coordenadora para servir a todas as religiões dos atletas. Na abertura tivemos representantes do Judaísmo, do Budismo, do Islamismo, do Hinduísmo, e de cristãos Evangélicos e Católicos. Além disso, de nossa parte sempre estivemos e estaremos abertos a solicitações de outras religiões e igrejas. Como a responsabilidade da Vila Olímpica é do Comitê Olímpico Internacional, qualquer mudança supõe aprovação da direção. Um modo de organizar o serviço corrente da Vila porque, pelo conceito, a Vila dos Atletas é casa deles e, por isso, deve oferecer um pouco de tudo, inclusive o aspecto religioso.

O diálogo inter-religioso é o grande desafio que se apresenta hoje à sociedade, de um modo particular neste mundo da globalização que se está a afirmar perante os olhos estupefatos tanto dos que a aprovam como dos que dela discordam.

Os documentos católicos sobre o diálogo e a reflexão que se lhes seguiram apresentam o diálogo como um fator positivo, de aprofundamento da própria fé, e não como elemento negativo que a leva a enfraquecer. O Diálogo e Anúncio, no número 50 da Dignitatis Humanae, diz mesmo que “o diálogo, longe de lhes enfraquecer a fé, torná-la-á mais profunda... compreenderão mais claramente os elementos distintivos da mensagem cristã e a presença operante do mistério de Jesus Cristo para além dos confins visíveis da Igreja e do rebanho cristão”.

A relação dialógica deve ser assim entendida como relação de diferentes conceitos, sensações, ações expressas em palavras a dizer ao outro e a escutar do outro.

Contudo, a declaração Dignitatis Humanae veio consagrar a liberdade religiosa e afirmar a dignidade da consciência que deve ser respeitada. A declaração Nostra Aetate, por seu lado, afirmou a estima e o reconhecimento que a Igreja Católica tem pelos valores presentes nas outras religiões, expressamente no Hinduísmo, Budismo, Islamismo, Judaísmo. Estas “refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens”. A Declaração Conciliar não ignora a herança histórica  e exorta todos a que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua, e juntos defendam e promovam a justiça social, os bens morais e a paz e liberdade para todos os homens. Além desses dois documentos o “Unitatis Redintegratio” nos ilumina com relação ao ecumenismo que tanto temos trabalhado em nossa cidade.

Os membros das várias religiões e os cristãos das diversas denominações sabem muito bem a postura respeitosa e amorosa de nossa Arquidiocese com relação a esse diálogo. Ao mesmo tempo agradecemos por essa oportunidade, porque isso nos ajuda ainda mais a viver com carinho a nossa identidade católica. É também um belo exemplo de convivência fraterna entre tantas situações diferentes, tanto entre religiões como entre países. Que isso ajude ainda mais a “trégua da Paz” ou os “100 dias de Paz” que iniciamos no mês passado. Que estes Jogos Olímpicos e Paralímpicos em nossa acolhedora cidade sejam canais de união e diálogo entre as várias religiões e os cristãos das diversas denominações. Se depender de nossa Arquidiocese, tenho certeza de que tudo isso acontecerá.


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro