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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 14/11/2019

14 de Novembro de 2019

Contemplar o Deus misericordioso

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14 de Novembro de 2019

Contemplar o Deus misericordioso

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04/07/2016 00:00 - Atualizado em 06/07/2016 14:54

Contemplar o Deus misericordioso 0

04/07/2016 00:00 - Atualizado em 06/07/2016 14:54

Dentre as sugestões para a vivência das obras de misericórdia, o mês de julho, que estamos iniciando, que nos faz viver o clima da Jornada Mundial da Juventude, escolhemos um tema mais contemplativo. Acredito que a contemplação do Senhor Misericordioso nos faz ter um coração renovado, que deve se traduzir em atitudes misericordiosas.

A importância da vida de oração nos une cada vez mais ao Senhor das misericórdias para que, acolhendo o dom da graça de Deus em nossas vidas, experimentemos, pela ação do Espírito Santo, a Sua presença.

Existem muitos enfoques que podemos trilhar para essa contemplação. Procuremos alguns textos bíblicos que nos falam dessa direção.

A Palavra de Jesus (Mt 5, 38-48) nos convida a amar a todos, sem nenhuma discriminação, pois assim seremos perfeitos como o Pai Celeste é perfeito. O Senhor nos convida a ser santos como Ele é santo! A santidade a que somos chamados consiste em fazer a vontade de Deus nosso Pai, que ama a todos, sem distinção. Diz-nos São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3). Jesus nos convida a viver a caridade para além dos critérios humanos. Neste sentido, em nossa Carta Pastoral “Com Misericórdia Olhou para Ele e o Escolheu” fixamos como obra de Misericórdia para o mês de julho de 2016 “Contemplar o Deus misericordioso”. (Cf. Carta Pastoral “Com Misericórdia Olhou para Ele e o Escolheu”, n. 23.3). Como Moisés, que ao encontrar com o Senhor voltou com o rosto luminoso, assim somos chamados a ter o mesmo “contagio” que nos transfigura ao encontrarmo-nos com o Senhor.

“Aquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5, 39). Jesus Cristo estabelece novas bases – o amor, o perdão das ofensas, a superação do orgulho – sobre os quais os homens hão de atender a uma defesa razoável dos seus direitos. Ainda: “Amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem e caluniam” (Mt 5, 44). Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz, e os discípulos seguiram o mesmo caminho do Mestre. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais – como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas – e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

Somos chamados a contemplar essa misericórdia! Cristo não pregou essa doutrina somente com a palavra, mas também com o exemplo. Do alto da cruz, depois de crucificado por todos os pecadores, pronuncia aquelas palavras que continuam nos comovendo profundamente: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Faz dois mil anos que essas palavras ressoam aos “ouvidos” do Pai que, em atenção a essa súplica do seu Filho, ao qual não fizeram justiça, continua perdoando e nos levando ao Paraíso.

As consequências dessa contemplação é também aos que nos odeiam e aos que nos maltratam, aos que nos perseguem e aos que falam mal de nós, pois nem excluímos os que difamam a Igreja e os que injuriam os ministros de Deus. Também os insensatos que afirmam disparates contra a fé e os bons costumes, tentando corromper a família, a juventude e as crianças, devem ser objetos do nosso amor que perdoa (mesmo denunciando profeticamente as maldades que fazem). Enfim, todos os que nos consideram inimigos – nós, ao contrário, não somos inimigos de ninguém – se sintam amados e perdoados por nós. O amor de Cristo não conhece fronteiras e nós, seus discípulos, também devemos desconhecê-las.

Jesus chama atenção para o espírito, a intenção, a motivação com a qual se realiza o preceito: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente” – é justo, era a medida da justiça da Lei de Moisés e ainda hoje é a medida de todos os tribunais do mundo. Este preceito não é de vingança, é de justiça: um olho por um olho, um dente por um dente! “Eu, porém, vos digo: não só justiça, mas misericórdia, generosidade, porque vosso Deus é assim”! “Ouvistes o que foi dito: amarás a quem te ama, não tens obrigação para com teus inimigos. Eu, porém, vos digo: amai a todos, amai sem esperar recompensa, porque o coração do vosso Pai no céu é assim”! Abri-vos, pois, irmãos meus, abri-vos para Deus, aquele Deus que vos deu tudo quando vos deu o Filho Único, o Amado, até a morte e morte de cruz.

Peçamos a Deus na nossa oração pessoal que nos dilate o coração; que nos ajude a oferecer sinceramente a nossa amizade a um círculo cada vez mais vasto de pessoas; que nos anime a ampliar constantemente o campo do nosso apostolado, ainda que num caso ou noutro não sejamos correspondidos, ainda que seja necessário ceder nalgum ponto de vista ou nalgum gosto pessoal. 

O Senhor sempre nos perdoa! Ele tem uma paciência infinita com a nossa mesquinhez e com os nossos erros. Por isso nos pede – e assim nos ensinou expressamente no Pai Nosso – que tenhamos paciência em face de certas situações e circunstâncias que dificultam que os nossos amigos ou conhecidos se aproximem de Deus.   


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Contemplar o Deus misericordioso

04/07/2016 00:00 - Atualizado em 06/07/2016 14:54

Dentre as sugestões para a vivência das obras de misericórdia, o mês de julho, que estamos iniciando, que nos faz viver o clima da Jornada Mundial da Juventude, escolhemos um tema mais contemplativo. Acredito que a contemplação do Senhor Misericordioso nos faz ter um coração renovado, que deve se traduzir em atitudes misericordiosas.

A importância da vida de oração nos une cada vez mais ao Senhor das misericórdias para que, acolhendo o dom da graça de Deus em nossas vidas, experimentemos, pela ação do Espírito Santo, a Sua presença.

Existem muitos enfoques que podemos trilhar para essa contemplação. Procuremos alguns textos bíblicos que nos falam dessa direção.

A Palavra de Jesus (Mt 5, 38-48) nos convida a amar a todos, sem nenhuma discriminação, pois assim seremos perfeitos como o Pai Celeste é perfeito. O Senhor nos convida a ser santos como Ele é santo! A santidade a que somos chamados consiste em fazer a vontade de Deus nosso Pai, que ama a todos, sem distinção. Diz-nos São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3). Jesus nos convida a viver a caridade para além dos critérios humanos. Neste sentido, em nossa Carta Pastoral “Com Misericórdia Olhou para Ele e o Escolheu” fixamos como obra de Misericórdia para o mês de julho de 2016 “Contemplar o Deus misericordioso”. (Cf. Carta Pastoral “Com Misericórdia Olhou para Ele e o Escolheu”, n. 23.3). Como Moisés, que ao encontrar com o Senhor voltou com o rosto luminoso, assim somos chamados a ter o mesmo “contagio” que nos transfigura ao encontrarmo-nos com o Senhor.

“Aquele que te fere na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5, 39). Jesus Cristo estabelece novas bases – o amor, o perdão das ofensas, a superação do orgulho – sobre os quais os homens hão de atender a uma defesa razoável dos seus direitos. Ainda: “Amai os vossos inimigos, rezai por aqueles que vos perseguem e caluniam” (Mt 5, 44). Devemos também viver a caridade com aqueles que nos tratam mal, que nos difamam e roubam a honra, que procuram positivamente prejudicar-nos. O Senhor deu-nos exemplo disso na Cruz, e os discípulos seguiram o mesmo caminho do Mestre. Ele nos ensinou a não ter inimigos pessoais – como o testemunharam heroicamente os santos de todas as épocas – e a considerar o pecado como o único mal verdadeiro.

Somos chamados a contemplar essa misericórdia! Cristo não pregou essa doutrina somente com a palavra, mas também com o exemplo. Do alto da cruz, depois de crucificado por todos os pecadores, pronuncia aquelas palavras que continuam nos comovendo profundamente: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Faz dois mil anos que essas palavras ressoam aos “ouvidos” do Pai que, em atenção a essa súplica do seu Filho, ao qual não fizeram justiça, continua perdoando e nos levando ao Paraíso.

As consequências dessa contemplação é também aos que nos odeiam e aos que nos maltratam, aos que nos perseguem e aos que falam mal de nós, pois nem excluímos os que difamam a Igreja e os que injuriam os ministros de Deus. Também os insensatos que afirmam disparates contra a fé e os bons costumes, tentando corromper a família, a juventude e as crianças, devem ser objetos do nosso amor que perdoa (mesmo denunciando profeticamente as maldades que fazem). Enfim, todos os que nos consideram inimigos – nós, ao contrário, não somos inimigos de ninguém – se sintam amados e perdoados por nós. O amor de Cristo não conhece fronteiras e nós, seus discípulos, também devemos desconhecê-las.

Jesus chama atenção para o espírito, a intenção, a motivação com a qual se realiza o preceito: “Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente” – é justo, era a medida da justiça da Lei de Moisés e ainda hoje é a medida de todos os tribunais do mundo. Este preceito não é de vingança, é de justiça: um olho por um olho, um dente por um dente! “Eu, porém, vos digo: não só justiça, mas misericórdia, generosidade, porque vosso Deus é assim”! “Ouvistes o que foi dito: amarás a quem te ama, não tens obrigação para com teus inimigos. Eu, porém, vos digo: amai a todos, amai sem esperar recompensa, porque o coração do vosso Pai no céu é assim”! Abri-vos, pois, irmãos meus, abri-vos para Deus, aquele Deus que vos deu tudo quando vos deu o Filho Único, o Amado, até a morte e morte de cruz.

Peçamos a Deus na nossa oração pessoal que nos dilate o coração; que nos ajude a oferecer sinceramente a nossa amizade a um círculo cada vez mais vasto de pessoas; que nos anime a ampliar constantemente o campo do nosso apostolado, ainda que num caso ou noutro não sejamos correspondidos, ainda que seja necessário ceder nalgum ponto de vista ou nalgum gosto pessoal. 

O Senhor sempre nos perdoa! Ele tem uma paciência infinita com a nossa mesquinhez e com os nossos erros. Por isso nos pede – e assim nos ensinou expressamente no Pai Nosso – que tenhamos paciência em face de certas situações e circunstâncias que dificultam que os nossos amigos ou conhecidos se aproximem de Deus.   


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro