Arquidiocese do Rio de Janeiro

26º 22º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 16/10/2018

16 de Outubro de 2018

Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

16 de Outubro de 2018

Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

01/07/2016 14:45 - Atualizado em 01/07/2016 14:46

Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo 0

01/07/2016 14:45 - Atualizado em 01/07/2016 14:46

No contexto dessa Solenidade Semanal, o Domingo, dia do Senhor, a Igreja nos convida a celebrar a Solenidade transferida do dia 29 de passado: a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo. Celebrar o Domingo é celebrar o mistério da Páscoa do Senhor, que continua sempre vivo e atuante na vida da Sua Igreja.

Também celebramos, como já dito acima, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Celebrar os Santos nada é mais do que celebrar o mistério pascal de Cristo em suas vidas, por isso hoje podemos dizer que celebramos a Páscoa destes dois Grandes Apóstolos: aquele que foi escolhido como Pedra e Fundamento da Igreja e o Apóstolo das Gentes.

O evangelho que hoje a Igreja nos apresenta é este trecho de Mt 16,13-19. Jesus está em Cesareia e aí pergunta aos discípulos: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? Jesus quer saber o que pensam d’Ele os de fora, os que não pertencem ao grupo dos discípulos. Os discípulos, em conjunto, respondem dizendo que, para alguns, Jesus é João Batista que ressuscitou dos mortos; para outros Ele é Elias que, segundo a profecia de Malaquias (cf. Ml 3,22-24), deveria voltar antes que chegasse o verdadeiro Messias; e ainda, um terceiro grupo de pessoas, pensa que Jesus é Jeremias ou algum dos profetas que havia retornado...

Percebemos, então, que não havia uma clareza a respeito de quem era Jesus fora do grupo dos discípulos. O Senhor dirige, então, sua pergunta para os próprios discípulos: E vós, quem dizeis que eu sou? E agora, não é mais o grupo todo que responde; mas Pedro, sozinho, como chefe dos doze, toma a palavra e responde, confirmando a fé dos seus irmãos: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

A resposta de Pedro é clara e não ambígua como era a dos de fora do grupo dos discípulos. Jesus é o Messias, ou seja, Aquele prometido pelos profetas que viria libertar o povo. Mas, não se trata de qualquer Messias, de um rei novo apenas, mas do próprio Filho de Deus, que se encarnou, que se fez homem para salvar a todos os homens. Este é um conhecimento que a Pedro não podia ter sido revelado por um homem, mas apenas pelo Pai dos Céus como afirma Jesus.

A partir dessa confissão de fé, Jesus confirma Pedro como fundamento da Igreja: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus.

Pedro é frágil, cheio de falhas como os outros apóstolos. Jesus sabe até mesmo que ele irá negá-lo no momento crucial da sua vida, mas mesmo assim o escolhe, porque não é sobre as qualidades humanas nem sobre as aptidões intelectuais de Pedro que Ele, o Senhor, está edificando a sua Igreja, mas sobre sua confissão de fé. Pedro é frágil, um homem apenas, mas a fé que ele professa é clara e firme como uma rocha, por isso Cristo pode sobre Ele edificar a sua Igreja.

A confissão de fé de Pedro é o alicerce sobre o qual está edificada a Igreja de Cristo. Pedro possui as chaves do Reino não para fechá-lo aos homens, mas para abrir os seus tesouros, os tesouros da Palavra e do conhecimento de Cristo, para que todos cheguem à salvação. Esse ministério de Pedro continua hoje, no Santo Padre o Papa.

Na sucessão da história Cristo jamais deixou sua Igreja à deriva no mundo, mas sempre colocou à frente dela hábeis pescadores de almas que continuam a missão de Pedro. Como Pedro, são frágeis e também possuem suas debilidades e pecados. Mas, também como Pedro, possuem uma fé clara, são sinais sacramentais dessa fé, que é como um farol que nos guia no meio do mar revolto e confuso do mundo.

Assim devemos agradecer a Deus pelo ministério do Santo Padre, o Papa Francisco, porque para nós que vivemos no meio do mar da história, tantas vezes confuso e cheio de descaminhos, sua presença, sua palavra, sua exortação firme, são para nós como a luz de um farol que nos aponta o caminho seguro, pelo qual devemos seguir.

Na primeira leitura Pedro é mantido na prisão até que o anjo do Senhor aparece para libertá-lo. No mundo de hoje, muitos tentam também silenciar a voz de Pedro, que é a voz de Cristo na história. Muitos tentar aprisionar essa voz. Mas o Senhor, que “nos livra de todos os temores”, como diz o salmo, nunca permite que a verdade fique aprisionada e sempre gera novas ocasiões para que a Palavra da Verdade possa chegar até nós. Muitas vezes somos nós mesmos, que por nos incomodarmos com a verdade queremos aprisionar a voz de Pedro. Quantos cristãos aos ouvirem um pronunciamento do Papa que os desagrada, porque estão no pecado, não procuram se converter, mas querem que a verdade que os incomoda se cale?

Na segunda leitura que acabamos de ouvir Paulo deixa como que o seu testamento espiritual para Timóteo. Paulo afirma que “combateu o bom combate, completou a corrida, guardou a fé”. E, diante do martírio iminente, do “seu sacrifício”, quando chega a hora dele também se tornar uma “Eucaristia” para Deus, ele professa com fé firme e clara que crê na ressurreição: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça”; e ainda “O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste”. Paulo reconhece ainda a sua debilidade e afirma “o Senhor esteve a meu lado e me deu forças”. Tudo o que Paulo fez foi para manifestar a glória de Deus e ele termina a sua vida, resumindo-a nesta bela doxologia “A ele a glória, pelos séculos dos séculos!”. Paulo também é frágil e débil, mas de uma estatura interior elevadíssima. Um homem que não esmoreceu, mesmo consciente da sua fraqueza; um homem que não se deixou abater nem desanimar pelo “espinho” que dizia carregar em sua carne que era como um anjo de Satanás a esbofeteá-lo a fim de que ele não se orgulhasse.

Nós podemos tirar para a nossa vida grandes lições espirituais da celebração desta solenidade. Olhando para a figura débil do apóstolo Pedro, sobre cuja fé firme e clara Cristo quis construir a sua Igreja, somos levados a refletir sobre o fato de que Cristo, de maneira análoga, quer construir também sobre a nossa fragilidade. Somos frágeis e débeis, mas Cristo deseja construir sobre nós; sim, ele deseja estender o seu Reino no mundo, edificá-lo através de nós, e Ele não aceita que a nossa fragilidade seja uma desculpa, porque se tivermos uma fé firme como a de Pedro, experimentaremos a sua força sustentando-nos cada vez que cairmos e fazendo-nos caminhar cada dia mais além, superando com Ele, com sua força, nossas fraquezas.

Cristo deseja que sejamos como Paulo, que anunciemos com vigor a sua Palavra. Carregamos, como este Apóstolo, as nossas debilidades; talvez alguns espinhos na carne; mas estamos ainda assim firmes, porque sabemos que “basta-nos a graça” como o próprio Senhor disse a Paulo. Se tivermos uma fé firme como a de Pedro e se formos humildes como Paulo em reconhecer as nossas fraquezas, o Senhor sempre nos dará o seu Espírito Santo, que nos fará progredir na fé, a fim de que Cristo construa o seu Reino a partir de nós e propague também através de nós, como o fez com Paulo, o bom anúncio que é o Seu Evangelho.

Que possamos rezar hoje pelo Santo Padre e por todos os pastores legitimamente constituídos na Igreja, a fim de que sejam para os fiéis como faróis a guiar com a luz da fé aqueles que se encontram tantas vezes mergulhados na escuridão do mar do mundo, revolto e com ventos tão contrários à fé. Rezemos também por todos aqueles, aliás por todos nós, que somos chamados desde o nosso batismo a anunciarmos com destemor a Palavra da Verdade como fez Paulo. Que nenhum medo nos paralise e nem mesmo a desculpa das nossas fraquezas e dos nossos pecados. Acreditemos que o “anjo do Senhor” vem acampar ao nosso redor e que Ele, em nome do Senhor, nos liberta de todos as ciladas como fez com Pedro, como fez com Paulo. Façamos do Senhor o nosso refúgio, porque o salmo proclama feliz, quem assim procede: “Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!” (cf. Sl 33,9).


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo

01/07/2016 14:45 - Atualizado em 01/07/2016 14:46

No contexto dessa Solenidade Semanal, o Domingo, dia do Senhor, a Igreja nos convida a celebrar a Solenidade transferida do dia 29 de passado: a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo. Celebrar o Domingo é celebrar o mistério da Páscoa do Senhor, que continua sempre vivo e atuante na vida da Sua Igreja.

Também celebramos, como já dito acima, a Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Celebrar os Santos nada é mais do que celebrar o mistério pascal de Cristo em suas vidas, por isso hoje podemos dizer que celebramos a Páscoa destes dois Grandes Apóstolos: aquele que foi escolhido como Pedra e Fundamento da Igreja e o Apóstolo das Gentes.

O evangelho que hoje a Igreja nos apresenta é este trecho de Mt 16,13-19. Jesus está em Cesareia e aí pergunta aos discípulos: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? Jesus quer saber o que pensam d’Ele os de fora, os que não pertencem ao grupo dos discípulos. Os discípulos, em conjunto, respondem dizendo que, para alguns, Jesus é João Batista que ressuscitou dos mortos; para outros Ele é Elias que, segundo a profecia de Malaquias (cf. Ml 3,22-24), deveria voltar antes que chegasse o verdadeiro Messias; e ainda, um terceiro grupo de pessoas, pensa que Jesus é Jeremias ou algum dos profetas que havia retornado...

Percebemos, então, que não havia uma clareza a respeito de quem era Jesus fora do grupo dos discípulos. O Senhor dirige, então, sua pergunta para os próprios discípulos: E vós, quem dizeis que eu sou? E agora, não é mais o grupo todo que responde; mas Pedro, sozinho, como chefe dos doze, toma a palavra e responde, confirmando a fé dos seus irmãos: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

A resposta de Pedro é clara e não ambígua como era a dos de fora do grupo dos discípulos. Jesus é o Messias, ou seja, Aquele prometido pelos profetas que viria libertar o povo. Mas, não se trata de qualquer Messias, de um rei novo apenas, mas do próprio Filho de Deus, que se encarnou, que se fez homem para salvar a todos os homens. Este é um conhecimento que a Pedro não podia ter sido revelado por um homem, mas apenas pelo Pai dos Céus como afirma Jesus.

A partir dessa confissão de fé, Jesus confirma Pedro como fundamento da Igreja: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus.

Pedro é frágil, cheio de falhas como os outros apóstolos. Jesus sabe até mesmo que ele irá negá-lo no momento crucial da sua vida, mas mesmo assim o escolhe, porque não é sobre as qualidades humanas nem sobre as aptidões intelectuais de Pedro que Ele, o Senhor, está edificando a sua Igreja, mas sobre sua confissão de fé. Pedro é frágil, um homem apenas, mas a fé que ele professa é clara e firme como uma rocha, por isso Cristo pode sobre Ele edificar a sua Igreja.

A confissão de fé de Pedro é o alicerce sobre o qual está edificada a Igreja de Cristo. Pedro possui as chaves do Reino não para fechá-lo aos homens, mas para abrir os seus tesouros, os tesouros da Palavra e do conhecimento de Cristo, para que todos cheguem à salvação. Esse ministério de Pedro continua hoje, no Santo Padre o Papa.

Na sucessão da história Cristo jamais deixou sua Igreja à deriva no mundo, mas sempre colocou à frente dela hábeis pescadores de almas que continuam a missão de Pedro. Como Pedro, são frágeis e também possuem suas debilidades e pecados. Mas, também como Pedro, possuem uma fé clara, são sinais sacramentais dessa fé, que é como um farol que nos guia no meio do mar revolto e confuso do mundo.

Assim devemos agradecer a Deus pelo ministério do Santo Padre, o Papa Francisco, porque para nós que vivemos no meio do mar da história, tantas vezes confuso e cheio de descaminhos, sua presença, sua palavra, sua exortação firme, são para nós como a luz de um farol que nos aponta o caminho seguro, pelo qual devemos seguir.

Na primeira leitura Pedro é mantido na prisão até que o anjo do Senhor aparece para libertá-lo. No mundo de hoje, muitos tentam também silenciar a voz de Pedro, que é a voz de Cristo na história. Muitos tentar aprisionar essa voz. Mas o Senhor, que “nos livra de todos os temores”, como diz o salmo, nunca permite que a verdade fique aprisionada e sempre gera novas ocasiões para que a Palavra da Verdade possa chegar até nós. Muitas vezes somos nós mesmos, que por nos incomodarmos com a verdade queremos aprisionar a voz de Pedro. Quantos cristãos aos ouvirem um pronunciamento do Papa que os desagrada, porque estão no pecado, não procuram se converter, mas querem que a verdade que os incomoda se cale?

Na segunda leitura que acabamos de ouvir Paulo deixa como que o seu testamento espiritual para Timóteo. Paulo afirma que “combateu o bom combate, completou a corrida, guardou a fé”. E, diante do martírio iminente, do “seu sacrifício”, quando chega a hora dele também se tornar uma “Eucaristia” para Deus, ele professa com fé firme e clara que crê na ressurreição: “Agora está reservada para mim a coroa da justiça”; e ainda “O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste”. Paulo reconhece ainda a sua debilidade e afirma “o Senhor esteve a meu lado e me deu forças”. Tudo o que Paulo fez foi para manifestar a glória de Deus e ele termina a sua vida, resumindo-a nesta bela doxologia “A ele a glória, pelos séculos dos séculos!”. Paulo também é frágil e débil, mas de uma estatura interior elevadíssima. Um homem que não esmoreceu, mesmo consciente da sua fraqueza; um homem que não se deixou abater nem desanimar pelo “espinho” que dizia carregar em sua carne que era como um anjo de Satanás a esbofeteá-lo a fim de que ele não se orgulhasse.

Nós podemos tirar para a nossa vida grandes lições espirituais da celebração desta solenidade. Olhando para a figura débil do apóstolo Pedro, sobre cuja fé firme e clara Cristo quis construir a sua Igreja, somos levados a refletir sobre o fato de que Cristo, de maneira análoga, quer construir também sobre a nossa fragilidade. Somos frágeis e débeis, mas Cristo deseja construir sobre nós; sim, ele deseja estender o seu Reino no mundo, edificá-lo através de nós, e Ele não aceita que a nossa fragilidade seja uma desculpa, porque se tivermos uma fé firme como a de Pedro, experimentaremos a sua força sustentando-nos cada vez que cairmos e fazendo-nos caminhar cada dia mais além, superando com Ele, com sua força, nossas fraquezas.

Cristo deseja que sejamos como Paulo, que anunciemos com vigor a sua Palavra. Carregamos, como este Apóstolo, as nossas debilidades; talvez alguns espinhos na carne; mas estamos ainda assim firmes, porque sabemos que “basta-nos a graça” como o próprio Senhor disse a Paulo. Se tivermos uma fé firme como a de Pedro e se formos humildes como Paulo em reconhecer as nossas fraquezas, o Senhor sempre nos dará o seu Espírito Santo, que nos fará progredir na fé, a fim de que Cristo construa o seu Reino a partir de nós e propague também através de nós, como o fez com Paulo, o bom anúncio que é o Seu Evangelho.

Que possamos rezar hoje pelo Santo Padre e por todos os pastores legitimamente constituídos na Igreja, a fim de que sejam para os fiéis como faróis a guiar com a luz da fé aqueles que se encontram tantas vezes mergulhados na escuridão do mar do mundo, revolto e com ventos tão contrários à fé. Rezemos também por todos aqueles, aliás por todos nós, que somos chamados desde o nosso batismo a anunciarmos com destemor a Palavra da Verdade como fez Paulo. Que nenhum medo nos paralise e nem mesmo a desculpa das nossas fraquezas e dos nossos pecados. Acreditemos que o “anjo do Senhor” vem acampar ao nosso redor e que Ele, em nome do Senhor, nos liberta de todos as ciladas como fez com Pedro, como fez com Paulo. Façamos do Senhor o nosso refúgio, porque o salmo proclama feliz, quem assim procede: “Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!” (cf. Sl 33,9).


Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida