Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 20/11/2017

20 de Novembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (49) Interpretação e tradução da Bíblia

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20 de Novembro de 2017

A Palavra de Deus na Bíblia (49) Interpretação e tradução da Bíblia

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24/06/2016 12:03 - Atualizado em 24/06/2016 12:03

A Palavra de Deus na Bíblia (49) Interpretação e tradução da Bíblia 0

24/06/2016 12:03 - Atualizado em 24/06/2016 12:03

Após concluirmos a exposição sobre as ‘Abordagens Contextuais (E)’, a saber, as Abordagens ‘da Libertação’ e aquela ‘Feminista’, o Documento avança para uma perspectiva bíblica atualíssima em nosso tempo, dentro e fora do Cristianismo: ‘A Leitura Fundamentalista’, que passamos a expor.

A leitura fundamentalista parte do princípio de que a Bíblia, sendo Palavra de Deus inspirada e isenta de erro, deve ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes. Mas por “interpretação literal”, ela entende uma interpretação primária, literalista, isto é, excluindo todo esforço de compreensão da Bíblia que leve em conta seu crescimento histórico e seu desenvolvimento. Ela se opõe assim à utilização do método histórico-crítico, como de qualquer outro método científico, para a interpretação da Escritura1.

Nesta introdução são colocados os diversos elementos que caracterizam esta ‘leitura’ bíblica: primeiro a Bíblia ‘ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes’ Além disso, este ‘literalismo’ de leitura da Bíblia implica numa interpretação ‘primária, literalista’, em dano de todos os esforços válidos e até necessários do método histórico-crítico empregue na interpretação sadia de textos bíblicos.

Percebem-se, já desde o princípio os graves danos que podem ser infligidos à interpretação integral e correta das Sagradas Escrituras por este tipo de ‘leitor’.

Mas de onde nasce esta convicção fundamentalista como forma de interpretação bíblica?

A leitura fundamentalista teve sua origem na época da Reforma, com uma preocupação de fidelidade ao sentido literal da Escritura. Após o século das Luzes, ela se apresentou no protestantismo como uma proteção contra a exegese liberal. O termo ‘fundamentalista’ é ligado diretamente ao Congresso Bíblico Americano realizado em Niagara, Estado de New York, em 1895. Os exegetas protestantes conservadores definiram nele «cinco pontos de fundamentalismo»: a inerrância verbal da Escritura, a divindade de Cristo, seu nascimento virginal, a doutrina da expiação vicária e a ressurreição corporal quando da segunda vinda de Cristo. Logo que a leitura fundamentalista da Bíblia se propagou em outras partes do mundo ela fez nascer outras espécies de leituras, igualmente «literalistas», na Europa, Ásia, África e América do Sul. Esse gênero de leitura encontra cada vez mais adeptos, no decorrer da última parte do século XX, em grupos religiosos e seitas assim como também entre os católicos2.

Recorda-se aqui, por motivos históricos que a ‘Reforma protestante3’ com sua ‘preocupação de fidelidade ao sentido literal da Escritura’, traz à tona os primeiros germens que irão se propagar nos séculos adiante, inclusive como uma forma de ‘luta interna’ ao movimento reformista, que no século XIX irá reagir ao uso da razão histórico-crítica na interpretação bíblica.

Se bem que o fundamentalismo tenha razão em insistir sobre a inspiração divina da Bíblia, a inerrância da Palavra de Deus e as outras verdades bíblicas inclusas nos cinco pontos fundamentais, sua maneira de apresentar essas verdades está enraizada em uma ideologia que não é bíblica, apesar do que dizem seus representantes. Ela exige uma forte adesão a atitudes doutrinárias rígidas e impõe, como fonte única de ensinamento a respeito da vida cristã e da salvação, uma leitura da Bíblia que recusa todo questionamento e toda pesquisa crítica4.

A comissão expõe uma crítica severa aos fundamentos da leitura fundamentalista: A primeira afirma que a leitura fundamentalista decorre de uma ideologia e não das doutrinas bíblicas, corolários de uma teologia, ‘essas verdades está enraizada em uma ideologia que não é bíblica, apesar do que dizem seus representantes.’

No âmbito da leitura fundamentalista residem imposições e forçosas doutrinações que obstruem a necessária utilização da razão científica na interpretação correta da Bíblia: ‘uma leitura da Bíblia que recusa todo questionamento e toda pesquisa crítica’.

O problema de base dessa leitura fundamentalista é que recusando de levar em consideração o caráter histórico da revelação bíblica, ela se torna incapaz de aceitar plenamente a verdade da própria Encarnação5.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

3 Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica  Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco Solas. Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o protestantismo.

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

5 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

 

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A Palavra de Deus na Bíblia (49) Interpretação e tradução da Bíblia

24/06/2016 12:03 - Atualizado em 24/06/2016 12:03

Após concluirmos a exposição sobre as ‘Abordagens Contextuais (E)’, a saber, as Abordagens ‘da Libertação’ e aquela ‘Feminista’, o Documento avança para uma perspectiva bíblica atualíssima em nosso tempo, dentro e fora do Cristianismo: ‘A Leitura Fundamentalista’, que passamos a expor.

A leitura fundamentalista parte do princípio de que a Bíblia, sendo Palavra de Deus inspirada e isenta de erro, deve ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes. Mas por “interpretação literal”, ela entende uma interpretação primária, literalista, isto é, excluindo todo esforço de compreensão da Bíblia que leve em conta seu crescimento histórico e seu desenvolvimento. Ela se opõe assim à utilização do método histórico-crítico, como de qualquer outro método científico, para a interpretação da Escritura1.

Nesta introdução são colocados os diversos elementos que caracterizam esta ‘leitura’ bíblica: primeiro a Bíblia ‘ser lida e interpretada literalmente em todos os seus detalhes’ Além disso, este ‘literalismo’ de leitura da Bíblia implica numa interpretação ‘primária, literalista’, em dano de todos os esforços válidos e até necessários do método histórico-crítico empregue na interpretação sadia de textos bíblicos.

Percebem-se, já desde o princípio os graves danos que podem ser infligidos à interpretação integral e correta das Sagradas Escrituras por este tipo de ‘leitor’.

Mas de onde nasce esta convicção fundamentalista como forma de interpretação bíblica?

A leitura fundamentalista teve sua origem na época da Reforma, com uma preocupação de fidelidade ao sentido literal da Escritura. Após o século das Luzes, ela se apresentou no protestantismo como uma proteção contra a exegese liberal. O termo ‘fundamentalista’ é ligado diretamente ao Congresso Bíblico Americano realizado em Niagara, Estado de New York, em 1895. Os exegetas protestantes conservadores definiram nele «cinco pontos de fundamentalismo»: a inerrância verbal da Escritura, a divindade de Cristo, seu nascimento virginal, a doutrina da expiação vicária e a ressurreição corporal quando da segunda vinda de Cristo. Logo que a leitura fundamentalista da Bíblia se propagou em outras partes do mundo ela fez nascer outras espécies de leituras, igualmente «literalistas», na Europa, Ásia, África e América do Sul. Esse gênero de leitura encontra cada vez mais adeptos, no decorrer da última parte do século XX, em grupos religiosos e seitas assim como também entre os católicos2.

Recorda-se aqui, por motivos históricos que a ‘Reforma protestante3’ com sua ‘preocupação de fidelidade ao sentido literal da Escritura’, traz à tona os primeiros germens que irão se propagar nos séculos adiante, inclusive como uma forma de ‘luta interna’ ao movimento reformista, que no século XIX irá reagir ao uso da razão histórico-crítica na interpretação bíblica.

Se bem que o fundamentalismo tenha razão em insistir sobre a inspiração divina da Bíblia, a inerrância da Palavra de Deus e as outras verdades bíblicas inclusas nos cinco pontos fundamentais, sua maneira de apresentar essas verdades está enraizada em uma ideologia que não é bíblica, apesar do que dizem seus representantes. Ela exige uma forte adesão a atitudes doutrinárias rígidas e impõe, como fonte única de ensinamento a respeito da vida cristã e da salvação, uma leitura da Bíblia que recusa todo questionamento e toda pesquisa crítica4.

A comissão expõe uma crítica severa aos fundamentos da leitura fundamentalista: A primeira afirma que a leitura fundamentalista decorre de uma ideologia e não das doutrinas bíblicas, corolários de uma teologia, ‘essas verdades está enraizada em uma ideologia que não é bíblica, apesar do que dizem seus representantes.’

No âmbito da leitura fundamentalista residem imposições e forçosas doutrinações que obstruem a necessária utilização da razão científica na interpretação correta da Bíblia: ‘uma leitura da Bíblia que recusa todo questionamento e toda pesquisa crítica’.

O problema de base dessa leitura fundamentalista é que recusando de levar em consideração o caráter histórico da revelação bíblica, ela se torna incapaz de aceitar plenamente a verdade da própria Encarnação5.

Referências:

1 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

2 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

3 Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão culminado no início do século XVI por Martinho Lutero, quando através da publicação de suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517 na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica  Romana, propondo uma reforma no catolicismo romano. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco Solas. Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contrarreforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento. O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o protestantismo.

4 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

5 http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/pcb_documents/rc_con_cfaith_doc_19930415_interpretazione_po.html.

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Autor

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos

Doutor em Teologia Bíblica