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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2018

17 de Agosto de 2018

Chamado radical

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24/06/2016 11:29 - Atualizado em 24/06/2016 11:30

Chamado radical 0

24/06/2016 11:29 - Atualizado em 24/06/2016 11:30

A primeira leitura de hoje e o evangelho nos apresentam dois relatos de vocação. O objetivo, todavia, do evangelho, é nos mostrar quem é Jesus segundo a concepção lucana.

Olhando a primeira leitura temos o relato da vocação de Eliseu. O Espírito do Senhor manda que Elias, em vista da proximidade de sua partida desse mundo, vá ungir Eliseu como profeta em seu lugar, pois a palavra do Senhor não pode deixar de ser proclamada. Elias realiza, então, um gesto simbólico. Passa e lança sobre Eliseu o seu manto. Eliseu entendeu que se tratava de uma ação em vista de convocá-lo à vocação profética e então corre atrás de Elias. Ele lhe faz um pedido: ir primeiro despedir-se dos seus familiares. Elias permite e, então, depois disso, Eliseu começa a seguir Elias como seu servo até que assumirá, futuramente, a função de profeta em lugar de Elias.

O final do evangelho está em conexão com essa primeira leitura. Todavia, o evangelho começa com Lc 9,51: Jesus tomou resolutamente o caminho para Jerusalém. O caminho para Jerusalém é um ponto forte na teologia de Lucas. É lá que morrem os profetas, pois é também lá que eles anunciam a Palavra de Deus, palavra esta muitas vezes de juízo contra as autoridades constituídas. Lucas faz questão, então, de dizer, que Jesus não se furta nem à vocação e nem ao destino de um profeta. Ele vai anunciar a palavra, em Jerusalém, e ali vai dar a sua vida. Ele não titubeia, nem vacila, mas toma esse caminho “resolutamente”.

Depois do episódio que narra brevemente a rejeição dos samaritanos, Lucas nos apresenta um relato de vocação, que se assemelha ao da primeira leitura, mas que mostra a superioridade do chamado de Cristo.

Primeiro é alguém que se oferece: Eu te seguirei para onde quer que fores. Para este que está empolgado, Jesus diz qual é a realidade daquele que se propõe segui-lo: As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça. Depois Jesus toma a iniciativa e convoca alguém dizendo Segue-me, semelhante ao que Elias fez com Eliseu na primeira leitura. E, assim como Eliseu, este que foi chamado, cujo nome não conhecemos, quis ir primeiro sepultar seu pai. A resposta de Jesus foi negativa e extremamente dura: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus. A mesma dureza na resposta se encontra diante do terceiro, que quer seguir, mas quer ir primeiro despedir-se de seus familiares: Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus. Com estas respostas tão contundentes de Jesus, Lucas quer mostrar que o chamado do Mestre é radical e exige uma decisão tão radical quanto à dele, que se pôs “resolutamente” a caminho de Jerusalém. Não se trata de impedir alguém de realizar sua obrigação filial de sepultar o próprio pai. Se trata de uma expressão com sentido teológico, que visa demonstrar a radicalidade que é exigida de quem quer, de fato, tornar-se discípulo de Jesus.

Jesus é mais que um profeta e, por isso, daqueles que querem ser seus discípulos se exige mais do que o que se exigia dos que queriam ser discípulos dos antigos profetas (cf. primeira leitura). O chamado de Cristo é radical e radical deve ser também a resposta dada a Ele.

A segunda leitura é uma lectio cursiva (leitura contínua) da carta aos Gálatas. Este trecho do c. 5 começa com a máxima paulina É para a liberdade que Cristo nos libertou. Agora, o que é a “liberdade”? O próprio apóstolo adverte aos Gálatas para não fazerem da liberdade uma desculpa para servir à carne. Vemos que a discussão e a dúvida são tão antigas quanto o mandamento. Ainda hoje muitos alegam a necessidade de um cristianismo sem regras, onde prevaleça a “liberdade”. Todavia isso brota de uma compreensão equivocada do que seja a liberdade. A partir do momento que eu usei minha liberdade para tornar-me cristão, devo estar disposto a seguir o que o cristianismo me propõe como caminho de vida. Do contrário, estaria agindo de modo incoerente. Se me fiz cristão, aceitei a vida nova do espírito. Agora, sou tanto mais livre quanto mais me adequo àquilo o que significa viver a vida do espírito. Do contrário, não teria sentido tornar-me cristão e aceitar a beleza desse nome.

Que a liturgia de hoje nos ajude a compreender melhor a que tipo de vida somos chamados. Que o Senhor nos ajude a aceitarmos e a vivermos com radicalidade o chamado à vida cristã e que possamos, iluminados pelo Espírito Santo, descobrir o verdadeiro sentido da liberdade para a qual Cristo nos chamou.

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24/06/2016 11:29 - Atualizado em 24/06/2016 11:30

A primeira leitura de hoje e o evangelho nos apresentam dois relatos de vocação. O objetivo, todavia, do evangelho, é nos mostrar quem é Jesus segundo a concepção lucana.

Olhando a primeira leitura temos o relato da vocação de Eliseu. O Espírito do Senhor manda que Elias, em vista da proximidade de sua partida desse mundo, vá ungir Eliseu como profeta em seu lugar, pois a palavra do Senhor não pode deixar de ser proclamada. Elias realiza, então, um gesto simbólico. Passa e lança sobre Eliseu o seu manto. Eliseu entendeu que se tratava de uma ação em vista de convocá-lo à vocação profética e então corre atrás de Elias. Ele lhe faz um pedido: ir primeiro despedir-se dos seus familiares. Elias permite e, então, depois disso, Eliseu começa a seguir Elias como seu servo até que assumirá, futuramente, a função de profeta em lugar de Elias.

O final do evangelho está em conexão com essa primeira leitura. Todavia, o evangelho começa com Lc 9,51: Jesus tomou resolutamente o caminho para Jerusalém. O caminho para Jerusalém é um ponto forte na teologia de Lucas. É lá que morrem os profetas, pois é também lá que eles anunciam a Palavra de Deus, palavra esta muitas vezes de juízo contra as autoridades constituídas. Lucas faz questão, então, de dizer, que Jesus não se furta nem à vocação e nem ao destino de um profeta. Ele vai anunciar a palavra, em Jerusalém, e ali vai dar a sua vida. Ele não titubeia, nem vacila, mas toma esse caminho “resolutamente”.

Depois do episódio que narra brevemente a rejeição dos samaritanos, Lucas nos apresenta um relato de vocação, que se assemelha ao da primeira leitura, mas que mostra a superioridade do chamado de Cristo.

Primeiro é alguém que se oferece: Eu te seguirei para onde quer que fores. Para este que está empolgado, Jesus diz qual é a realidade daquele que se propõe segui-lo: As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça. Depois Jesus toma a iniciativa e convoca alguém dizendo Segue-me, semelhante ao que Elias fez com Eliseu na primeira leitura. E, assim como Eliseu, este que foi chamado, cujo nome não conhecemos, quis ir primeiro sepultar seu pai. A resposta de Jesus foi negativa e extremamente dura: Deixa que os mortos enterrem seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus. A mesma dureza na resposta se encontra diante do terceiro, que quer seguir, mas quer ir primeiro despedir-se de seus familiares: Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus. Com estas respostas tão contundentes de Jesus, Lucas quer mostrar que o chamado do Mestre é radical e exige uma decisão tão radical quanto à dele, que se pôs “resolutamente” a caminho de Jerusalém. Não se trata de impedir alguém de realizar sua obrigação filial de sepultar o próprio pai. Se trata de uma expressão com sentido teológico, que visa demonstrar a radicalidade que é exigida de quem quer, de fato, tornar-se discípulo de Jesus.

Jesus é mais que um profeta e, por isso, daqueles que querem ser seus discípulos se exige mais do que o que se exigia dos que queriam ser discípulos dos antigos profetas (cf. primeira leitura). O chamado de Cristo é radical e radical deve ser também a resposta dada a Ele.

A segunda leitura é uma lectio cursiva (leitura contínua) da carta aos Gálatas. Este trecho do c. 5 começa com a máxima paulina É para a liberdade que Cristo nos libertou. Agora, o que é a “liberdade”? O próprio apóstolo adverte aos Gálatas para não fazerem da liberdade uma desculpa para servir à carne. Vemos que a discussão e a dúvida são tão antigas quanto o mandamento. Ainda hoje muitos alegam a necessidade de um cristianismo sem regras, onde prevaleça a “liberdade”. Todavia isso brota de uma compreensão equivocada do que seja a liberdade. A partir do momento que eu usei minha liberdade para tornar-me cristão, devo estar disposto a seguir o que o cristianismo me propõe como caminho de vida. Do contrário, estaria agindo de modo incoerente. Se me fiz cristão, aceitei a vida nova do espírito. Agora, sou tanto mais livre quanto mais me adequo àquilo o que significa viver a vida do espírito. Do contrário, não teria sentido tornar-me cristão e aceitar a beleza desse nome.

Que a liturgia de hoje nos ajude a compreender melhor a que tipo de vida somos chamados. Que o Senhor nos ajude a aceitarmos e a vivermos com radicalidade o chamado à vida cristã e que possamos, iluminados pelo Espírito Santo, descobrir o verdadeiro sentido da liberdade para a qual Cristo nos chamou.

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida