Arquidiocese do Rio de Janeiro

33º 18º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 23/05/2019

23 de Maio de 2019

Junho e suas festas típicas

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do e-mail.
E-mail enviado com sucesso.

23 de Maio de 2019

Junho e suas festas típicas

Se você encontrou erro neste texto ou nesta página, por favor preencha os campos abaixo. O link da página será enviado automaticamente a ArqRio.

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do erro.
Erro relatado com sucesso, obrigado.

24/06/2016 10:35 - Atualizado em 24/06/2016 10:35

Junho e suas festas típicas 0

24/06/2016 10:35 - Atualizado em 24/06/2016 10:35

Junho é o mês das festas populares e folclóricas de inspiração religiosa: Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. São festas que não deixam morrer costumes e tradições do passado: danças, músicas, trajes e comidas típicas. Em 13 de junho se comemorou o dia de Santo Antônio. Esta comemoração é mais religiosa, com missa, procissão, bênção dos pães. É invocado por tantos, sobretudo por aqueles que sonham com um bom casamento. É um misto de religiosidade, folclore e crendice, que expressam a alma simples do nosso povo que venera este grande santo. O importante é conhecer esse grande evangelizador e seu ânimo missionário.

Outro santo bastante festejado é São João, com vésperas e solenidade no dia 24 de junho. Novamente a religiosidade e o folclore se mesclam para manifestar a fé e a alegria do povo. Como precursor, nos inspira a estarmos preparando sempre os caminhos do Senhor para os nossos irmãos e irmã. E temos ainda São Pedro, o primeiro Papa, celebrado no final do mês, cujo dia é 29, sempre celebrado liturgicamente no domingo seguinte, neste ano no dia 3 de julho. Carregando as chaves do reino dos céus e celebrando o “dia do Papa” completa a tríade de santos merecedores de grande devoção popular.

As festas juninas são festas com amigos, na família, na rua, na comunidade. Santo Antônio, São João e São Pedro estão presentes nelas como traço de união entre amigos na comunhão da nossa fé e na participação da mesma luta por uma convivência mais fraterna entre os homens. São festas que trazem à nossa lembrança a possibilidade de viver em tempos de gratuidade e congraçamento. 

A alegria, marca das festas populares, é também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo. Por isso, São Paulo insistia: "Alegrai-vos, mais uma vez exorto, alegrai-vos"! Que as nossas comunidades saibam valorizar as festas juninas como serviço à fraternidade e como manifestação autêntica da verdadeira alegria.

O que caracteriza estas festas é que elas, apesar da mudança de época, em geral mantêm a pureza e a beleza iniciais, desafiando modismos ou inovações. Ainda hoje são celebradas com entusiasmo, com comidas e bebidas típicas, com trajes caipiras e danças, sobretudo da quadrilha, sendo eloquente expressão de convivência e de fraternidade, apanágios fundamentais para o escopo da sociedade humana em que somos convidados a viver em harmonia e a construir a paz e o respeito mútuo. Podem variar um pouco conforme a região do país, mas têm muitos traços comuns.

São vários os símbolos dessas festas, mas os mais comuns são: a fogueira – criada desde os tempos mais antigos para agradecer pela fertilização da terra e pelas fartas colheitas. Além disso, por manifestar tanto o bem quanto o mal; o bem por representar a criação, a luz, e o mal por ser um elemento destruidor.

Os balões foram criados para lembrar as pessoas do início da festa. Porém, essa prática deu início a grandes incêndios, e passou a ser proibida. Hoje existe uma lei que proíbe o uso dos mesmos, a fim de evitar maiores acidentes. As bandeirolas surgiram por causa dos três santos: São João, Santo Antônio e São Pedro, onde estes eram pregados nas bandeiras para serem admirados durante a festa. Assim, passaram a fazer bandeirinhas pequenas e coloridas para alegrar o ambiente da festa.

Os fogos de artifício são usados para festejar e chamar a atenção para o momento alegre. A quadrilha, a dança típica, é uma forma de agradecimento pelas boas colheitas feita aos santos juninos.

As comidas típicas também são símbolos juninos, como forma de agradecimento pela fartura nas colheitas, principalmente do milho. A festa se tornou farta em seus deliciosos quitutes.

As festas juninas vieram para o Brasil na época da colonização, trazidas pelos portugueses. São de origem francesa, por isso nas danças aparecem várias palavras nessa língua.

A Conferência de Aparecida ressalta que “Em nossa cultura latino-americana e caribenha conhecemos o papel tão nobre e orientador que a religiosidade popular desempenha, especialmente a devoção mariana, que contribuiu para nos tornar mais conscientes de nossa comum condição de filhos de Deus e de nossa comum dignidade perante seus olhos, não obstante as diferenças sociais, étnicas ou de qualquer outro tipo”. (DAp, 37).

Os bispos em Aparecida reforçaram o respeito pela religiosidade popular e pedem a valorização por estas bonitas expressões: “Esta maneira de expressar a fé está presente de diversas formas em todos os setores sociais, em uma multidão que merece nosso respeito e carinho, porque sua piedade reflete uma sede de Deus, que somente os pobres e simples podem conhecer. A religião do povo latino-americano é expressão da fé católica. É um catolicismo popular, profundamente inculturado, que contém a dimensão mais valiosa da cultura latino-americana”. (DAp, 258).

Que possamos celebrar este mês com toda alegria e fé, pois estas confraternizações aumentam em nós a capacidade e o cultivo da cultura do encontro. Também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo.

Santos juninos, intercedei por paz para o nosso país!


Leia os comentários

Deixe seu comentário

Resposta ao comentário de:

Enviando...
Por favor, preencha os campos adequadamente.
Ocorreu um erro no envio do comentário.
Comentário enviado para aprovação.

Junho e suas festas típicas

24/06/2016 10:35 - Atualizado em 24/06/2016 10:35

Junho é o mês das festas populares e folclóricas de inspiração religiosa: Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. São festas que não deixam morrer costumes e tradições do passado: danças, músicas, trajes e comidas típicas. Em 13 de junho se comemorou o dia de Santo Antônio. Esta comemoração é mais religiosa, com missa, procissão, bênção dos pães. É invocado por tantos, sobretudo por aqueles que sonham com um bom casamento. É um misto de religiosidade, folclore e crendice, que expressam a alma simples do nosso povo que venera este grande santo. O importante é conhecer esse grande evangelizador e seu ânimo missionário.

Outro santo bastante festejado é São João, com vésperas e solenidade no dia 24 de junho. Novamente a religiosidade e o folclore se mesclam para manifestar a fé e a alegria do povo. Como precursor, nos inspira a estarmos preparando sempre os caminhos do Senhor para os nossos irmãos e irmã. E temos ainda São Pedro, o primeiro Papa, celebrado no final do mês, cujo dia é 29, sempre celebrado liturgicamente no domingo seguinte, neste ano no dia 3 de julho. Carregando as chaves do reino dos céus e celebrando o “dia do Papa” completa a tríade de santos merecedores de grande devoção popular.

As festas juninas são festas com amigos, na família, na rua, na comunidade. Santo Antônio, São João e São Pedro estão presentes nelas como traço de união entre amigos na comunhão da nossa fé e na participação da mesma luta por uma convivência mais fraterna entre os homens. São festas que trazem à nossa lembrança a possibilidade de viver em tempos de gratuidade e congraçamento. 

A alegria, marca das festas populares, é também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo. Por isso, São Paulo insistia: "Alegrai-vos, mais uma vez exorto, alegrai-vos"! Que as nossas comunidades saibam valorizar as festas juninas como serviço à fraternidade e como manifestação autêntica da verdadeira alegria.

O que caracteriza estas festas é que elas, apesar da mudança de época, em geral mantêm a pureza e a beleza iniciais, desafiando modismos ou inovações. Ainda hoje são celebradas com entusiasmo, com comidas e bebidas típicas, com trajes caipiras e danças, sobretudo da quadrilha, sendo eloquente expressão de convivência e de fraternidade, apanágios fundamentais para o escopo da sociedade humana em que somos convidados a viver em harmonia e a construir a paz e o respeito mútuo. Podem variar um pouco conforme a região do país, mas têm muitos traços comuns.

São vários os símbolos dessas festas, mas os mais comuns são: a fogueira – criada desde os tempos mais antigos para agradecer pela fertilização da terra e pelas fartas colheitas. Além disso, por manifestar tanto o bem quanto o mal; o bem por representar a criação, a luz, e o mal por ser um elemento destruidor.

Os balões foram criados para lembrar as pessoas do início da festa. Porém, essa prática deu início a grandes incêndios, e passou a ser proibida. Hoje existe uma lei que proíbe o uso dos mesmos, a fim de evitar maiores acidentes. As bandeirolas surgiram por causa dos três santos: São João, Santo Antônio e São Pedro, onde estes eram pregados nas bandeiras para serem admirados durante a festa. Assim, passaram a fazer bandeirinhas pequenas e coloridas para alegrar o ambiente da festa.

Os fogos de artifício são usados para festejar e chamar a atenção para o momento alegre. A quadrilha, a dança típica, é uma forma de agradecimento pelas boas colheitas feita aos santos juninos.

As comidas típicas também são símbolos juninos, como forma de agradecimento pela fartura nas colheitas, principalmente do milho. A festa se tornou farta em seus deliciosos quitutes.

As festas juninas vieram para o Brasil na época da colonização, trazidas pelos portugueses. São de origem francesa, por isso nas danças aparecem várias palavras nessa língua.

A Conferência de Aparecida ressalta que “Em nossa cultura latino-americana e caribenha conhecemos o papel tão nobre e orientador que a religiosidade popular desempenha, especialmente a devoção mariana, que contribuiu para nos tornar mais conscientes de nossa comum condição de filhos de Deus e de nossa comum dignidade perante seus olhos, não obstante as diferenças sociais, étnicas ou de qualquer outro tipo”. (DAp, 37).

Os bispos em Aparecida reforçaram o respeito pela religiosidade popular e pedem a valorização por estas bonitas expressões: “Esta maneira de expressar a fé está presente de diversas formas em todos os setores sociais, em uma multidão que merece nosso respeito e carinho, porque sua piedade reflete uma sede de Deus, que somente os pobres e simples podem conhecer. A religião do povo latino-americano é expressão da fé católica. É um catolicismo popular, profundamente inculturado, que contém a dimensão mais valiosa da cultura latino-americana”. (DAp, 258).

Que possamos celebrar este mês com toda alegria e fé, pois estas confraternizações aumentam em nós a capacidade e o cultivo da cultura do encontro. Também uma virtude cristã, pois Deus quer filhos felizes e alegres, mesmo em meio a tantas dificuldades pelas quais passa nosso povo.

Santos juninos, intercedei por paz para o nosso país!


Cardeal Orani João Tempesta
Autor

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro