Arquidiocese do Rio de Janeiro

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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 11/12/2018

11 de Dezembro de 2018

Profissão de Fé

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17/06/2016 14:16 - Atualizado em 17/06/2016 14:16

Profissão de Fé 0

17/06/2016 14:16 - Atualizado em 17/06/2016 14:16

O evangelho de hoje nos coloca diante de três cenas lucanas: a confissão de fé de Pedro, o primeiro anúncio da paixão e as condições para se seguir Jesus.

Em Lc 9,18-21 encontramos a confissão de fé de Pedro. Jesus está rezando num lugar retirado com seus apóstolos e propõe-lhes uma pergunta: Quem diz o povo que eu sou? O Senhor deseja saber, em primeiro lugar, o que dizem dele os de fora, os que não fazem parte do grupo específico dos apóstolos e discípulos. A resposta é muito confusa, pois no dizer do povo não aparece com clareza quem é Jesus: uns dizem que és João Batista; outros que és Elias, mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou...

O Senhor dirige, então, sua pergunta, para o grupo específico dos doze: E vós, quem dizeis que eu sou? Em nome dos doze, Pedro toma a palavra e assevera: O Cristo de Deus. Pedro confessa sua fé segundo a qual Jesus é o “Cristo”, ou seja, o “Messias”, esperado por Israel.

Chama a nossa atenção, no entanto, a proibição de Jesus, que lhes diz que devem guardar absoluto segredo dessa afirmação. Não é difícil de se entender essa atitude de Jesus. O conceito de Messias estava impregnado de uma concepção própria de Israel. Eles aguardavam um Messias mais político que apocalíptico. A expectativa comum era a de que o Messias fosse um novo Davi, capaz de expulsar os estrangeiros e de fazer o reino prosperar como nos dias antigos. Todavia, o Senhor Jesus não é um Messias nesses moldes. O seu reino “não é desse mundo” como Ele mesmo vai dizer a Pilatos. Era necessário esperar, então, até que se cumprisse o seu Mistério Pascal, para que os apóstolos e todas as pessoas pudessem compreender que tipo de Messias era Jesus, ou seja, não um Messias político, mas um Messias que veio dar a sua vida em favor dos homens e abrir para eles as portas do Reino Eterno.

Jesus já anuncia aqui o mistério da paixão (cf. Lc 9, 22). Ele realizará aquilo o que vem descrito na primeira leitura. A profecia de Zacarias, tão semelhante aos chamados “cantos do servo sofredor” encontrados em Isaías, encontra em Jesus Cristo a sua plena realização. Todos olharão para Ele, quando estiver pendurado na cruz para a nossa salvação. Ao de chorá-lo e lamentá-lo. Mas a morte não terá a última palavra, pois ele deverá “ressuscitar ao terceiro dia” e então, pelo mistério da sua ressurreição, será aberta uma “fonte acessível” (cf. Zc 13,1), pela qual os homens poderão entrar em comunhão com Deus e se alegrar na esperança da sua própria ressurreição e vida eterna.

O texto do evangelho, no entanto, continua. Os vv. 23-24 nos apresentam as condições necessárias para ser discípulo. É interessante que as condições do discipulado tenham sido colocadas depois da confissão de fé de Pedro e do anúncio da paixão. Não se pode ser discípulo de Jesus sem se ter uma fé clara e firme a respeito de quem Ele é e sem querer abraçar na vida aquilo o que foi a vida do Mestre: o sacrifício e a cruz. Por isso Jesus afirma que, para segui-lo, é necessário: renunciar a si mesmo e tomar a cruz. Só quem está disposto a perder a vida poderá, de fato, salvá-la. Esse é o caminho do discípulo. Eis aqui o paradoxo perder/ganhar, tão necessário para a vida do discípulo e, ao mesmo tempo tão difícil de realizar. Contudo, aquele que nos dá o mandamento nunca nos deixa sozinhos.

Poderíamos concluir lançando um breve olhar sobre a segunda leitura. Nesse trecho da carta aos Gálatas Paulo nos faz ver como o batismo nos torna criaturas totalmente novas. Todos os que foram batizados em Cristo, se revestiram de Cristo. Isso significa não somente uma realidade exterior, mas significa que os batizados são, agora, outros Cristos, porque se identificaram com Ele de forma plena. E o que vale, agora, não é a nacionalidade, nem a condição social, nem nada. Todos os batizados são perfeitamente iguais diante de Deus, aliás, se existe alguma distinção, esta é a dada pelo próprio sacramento do Batismo, que nos torna novas criaturas. Nos tornamos pelo batismo descendentes de Abraão, filhos da promessa como o povo da primeira aliança. Se tudo se fez novo em nós a partir desse sacramento, quão grande deve ser o nosso esforço em vivermos de acordo com a vida nova recebida. É claro que vamos sempre nos defrontar com nossas fraquezas e limitações, com nossas quedas aqui e acolá. Mas devemos nos levantar de tudo isso e, guiados pela força do Espírito Santo, continuar caminhando numa vida nova.

 

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17/06/2016 14:16 - Atualizado em 17/06/2016 14:16

O evangelho de hoje nos coloca diante de três cenas lucanas: a confissão de fé de Pedro, o primeiro anúncio da paixão e as condições para se seguir Jesus.

Em Lc 9,18-21 encontramos a confissão de fé de Pedro. Jesus está rezando num lugar retirado com seus apóstolos e propõe-lhes uma pergunta: Quem diz o povo que eu sou? O Senhor deseja saber, em primeiro lugar, o que dizem dele os de fora, os que não fazem parte do grupo específico dos apóstolos e discípulos. A resposta é muito confusa, pois no dizer do povo não aparece com clareza quem é Jesus: uns dizem que és João Batista; outros que és Elias, mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou...

O Senhor dirige, então, sua pergunta, para o grupo específico dos doze: E vós, quem dizeis que eu sou? Em nome dos doze, Pedro toma a palavra e assevera: O Cristo de Deus. Pedro confessa sua fé segundo a qual Jesus é o “Cristo”, ou seja, o “Messias”, esperado por Israel.

Chama a nossa atenção, no entanto, a proibição de Jesus, que lhes diz que devem guardar absoluto segredo dessa afirmação. Não é difícil de se entender essa atitude de Jesus. O conceito de Messias estava impregnado de uma concepção própria de Israel. Eles aguardavam um Messias mais político que apocalíptico. A expectativa comum era a de que o Messias fosse um novo Davi, capaz de expulsar os estrangeiros e de fazer o reino prosperar como nos dias antigos. Todavia, o Senhor Jesus não é um Messias nesses moldes. O seu reino “não é desse mundo” como Ele mesmo vai dizer a Pilatos. Era necessário esperar, então, até que se cumprisse o seu Mistério Pascal, para que os apóstolos e todas as pessoas pudessem compreender que tipo de Messias era Jesus, ou seja, não um Messias político, mas um Messias que veio dar a sua vida em favor dos homens e abrir para eles as portas do Reino Eterno.

Jesus já anuncia aqui o mistério da paixão (cf. Lc 9, 22). Ele realizará aquilo o que vem descrito na primeira leitura. A profecia de Zacarias, tão semelhante aos chamados “cantos do servo sofredor” encontrados em Isaías, encontra em Jesus Cristo a sua plena realização. Todos olharão para Ele, quando estiver pendurado na cruz para a nossa salvação. Ao de chorá-lo e lamentá-lo. Mas a morte não terá a última palavra, pois ele deverá “ressuscitar ao terceiro dia” e então, pelo mistério da sua ressurreição, será aberta uma “fonte acessível” (cf. Zc 13,1), pela qual os homens poderão entrar em comunhão com Deus e se alegrar na esperança da sua própria ressurreição e vida eterna.

O texto do evangelho, no entanto, continua. Os vv. 23-24 nos apresentam as condições necessárias para ser discípulo. É interessante que as condições do discipulado tenham sido colocadas depois da confissão de fé de Pedro e do anúncio da paixão. Não se pode ser discípulo de Jesus sem se ter uma fé clara e firme a respeito de quem Ele é e sem querer abraçar na vida aquilo o que foi a vida do Mestre: o sacrifício e a cruz. Por isso Jesus afirma que, para segui-lo, é necessário: renunciar a si mesmo e tomar a cruz. Só quem está disposto a perder a vida poderá, de fato, salvá-la. Esse é o caminho do discípulo. Eis aqui o paradoxo perder/ganhar, tão necessário para a vida do discípulo e, ao mesmo tempo tão difícil de realizar. Contudo, aquele que nos dá o mandamento nunca nos deixa sozinhos.

Poderíamos concluir lançando um breve olhar sobre a segunda leitura. Nesse trecho da carta aos Gálatas Paulo nos faz ver como o batismo nos torna criaturas totalmente novas. Todos os que foram batizados em Cristo, se revestiram de Cristo. Isso significa não somente uma realidade exterior, mas significa que os batizados são, agora, outros Cristos, porque se identificaram com Ele de forma plena. E o que vale, agora, não é a nacionalidade, nem a condição social, nem nada. Todos os batizados são perfeitamente iguais diante de Deus, aliás, se existe alguma distinção, esta é a dada pelo próprio sacramento do Batismo, que nos torna novas criaturas. Nos tornamos pelo batismo descendentes de Abraão, filhos da promessa como o povo da primeira aliança. Se tudo se fez novo em nós a partir desse sacramento, quão grande deve ser o nosso esforço em vivermos de acordo com a vida nova recebida. É claro que vamos sempre nos defrontar com nossas fraquezas e limitações, com nossas quedas aqui e acolá. Mas devemos nos levantar de tudo isso e, guiados pela força do Espírito Santo, continuar caminhando numa vida nova.

 

Padre Fábio Siqueira
Autor

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida