Arquidiocese do Rio de Janeiro

32º 17º

Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 27/05/2017

27 de Maio de 2017

Artigo 14: Por que sentimos vergonha?

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27 de Maio de 2017

Artigo 14: Por que sentimos vergonha?

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09/06/2016 00:00 - Atualizado em 15/06/2016 16:49

Artigo 14: Por que sentimos vergonha? 0

09/06/2016 00:00 - Atualizado em 15/06/2016 16:49

Você com certeza já passou por alguma situação vergonhosa... e sabe bem como é desagradável! Ninguém que passar vexame ou “pagar mico” na frente dos outros. A reflexão de hoje faz parte ainda do segundo módulo de catequeses da Teologia do Corpo que trata da redenção do coração humano que Jesus veio trazer. Vamos refletir um pouco sobre o conceito da “VERGONHA” no que diz respeito ao nosso corpo e como a vergonha pode ter uma dimensão negativa e uma positiva. Assim, entenderemos as raízes da sua presença em nossas vidas.

Primeiramente, vale ressaltar que só sente vergonha quem sabe o que é o mal e o pecado. Um bebê, por exemplo, ainda não criou consciência das coisas... vive muito bem nu e acha tudo que o entretenha como sendo bom. Conforme o ser humano vai se desenvolvendo física e psicologicamente, vai começando a perceber que existe o bem e o mal, a partir daí a vergonha começa a se instaurar.

São João Paulo II nos recorda que, desde o “Princípio”, a vergonha vem logo depois da dúvida. O homem e a mulher duvidam da ordem divina, cometem o pecado original e rompem sua aliança perfeita com Deus. A nudez representava a entrega total de amor que tinham um para com o outro, como espelho do amor de Deus. Sem o vínculo profundo de comunhão que os unia, eles já não conseguem mais se enxergarem na mais profunda essência do ser humano. Eles procuram logo se cobrir, se esconder (cf. Gn 3, 7). Por quê?

Podemos compreender mais facilmente comparando com a triste realidade que perdura até hoje. Quantas pessoas não são consideradas como pessoa, mas tem seu valor reduzido a uma simples parte do seu corpo?! Quer ver um exemplo bem simples? Quando um homem diz: “Aquela garota tem cada coxão!”, ele deixa de enxergar a pessoa como um todo e transforma em objeto apenas uma parte do seu corpo que lhe agrada. Ninguém sente vergonha sozinho: a vergonha me toca internamente, mas ela só existe porque eu tenho medo que o outro me olhe desse jeito: com luxúria, querendo apenas me usar. Não é o meu corpo que me causa vergonha, mas sim a forma como os outros à minha volta vão interpretá-lo. Esse é o aspecto negativo da vergonha, pois sua origem vem da concupiscência, ou seja, nossa inclinação para o mal.

A necessidade de se esconder revela o colapso da relação original da comunhão, afirma o Santo Padre. Entretanto, a vergonha pode ter um aspecto positivo. Só temos a preocupação de proteger aquilo que julgamos ser importante para nós ou ter muito valor. Quanta gente não desembolsa um bom dinheiro pra fazer seguro saúde, seguro de carro e até de celular... Como as mães não fazem de tudo pra protegerem os seus filhos (se pudessem nos carregariam a vida inteira no colo...)! Se temos o cuidado de preservar o nosso corpo do olhar luxurioso dos outros, cobrindo-o com vestimentas é porque reconhecemos que ele é valioso demais. É o que chamamos de pudor.

O pecado não conseguiu destruir esse “eco” do “princípio” em nós. Mas ele tenta até hoje. Basta ver como a cultura vem estimulando principalmente as mulheres a se exibirem com cada vez menos roupa. O problema do decote, da minissaia, da transparência não que eles revelam demais. É que revelam de menos. Mostram apenas partes de um corpo e não uma pessoa, com corpo e alma tão preciosos que valeram o sacrifício do próprio Filho de Deus na cruz para redimir cada pessoa por inteiro! O mundo moderno diz: “O que é bonito é pra se mostrar!”. A verdadeira revolução sexual trazida pela Teologia do Corpo de São João Paulo II nos faz compreender que meu corpo é especial demais para ceder aos olhares maldosos de qualquer um. Faz parte do nosso processo de conversão revermos o modo como nos comportamos e nos vestimos e o que o nosso estilo de vida tem despertado nos outros: a vontade de conhecer a mim, como pessoa por inteiro ou só o meu “corpo”?

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Artigo 14: Por que sentimos vergonha?

09/06/2016 00:00 - Atualizado em 15/06/2016 16:49

Você com certeza já passou por alguma situação vergonhosa... e sabe bem como é desagradável! Ninguém que passar vexame ou “pagar mico” na frente dos outros. A reflexão de hoje faz parte ainda do segundo módulo de catequeses da Teologia do Corpo que trata da redenção do coração humano que Jesus veio trazer. Vamos refletir um pouco sobre o conceito da “VERGONHA” no que diz respeito ao nosso corpo e como a vergonha pode ter uma dimensão negativa e uma positiva. Assim, entenderemos as raízes da sua presença em nossas vidas.

Primeiramente, vale ressaltar que só sente vergonha quem sabe o que é o mal e o pecado. Um bebê, por exemplo, ainda não criou consciência das coisas... vive muito bem nu e acha tudo que o entretenha como sendo bom. Conforme o ser humano vai se desenvolvendo física e psicologicamente, vai começando a perceber que existe o bem e o mal, a partir daí a vergonha começa a se instaurar.

São João Paulo II nos recorda que, desde o “Princípio”, a vergonha vem logo depois da dúvida. O homem e a mulher duvidam da ordem divina, cometem o pecado original e rompem sua aliança perfeita com Deus. A nudez representava a entrega total de amor que tinham um para com o outro, como espelho do amor de Deus. Sem o vínculo profundo de comunhão que os unia, eles já não conseguem mais se enxergarem na mais profunda essência do ser humano. Eles procuram logo se cobrir, se esconder (cf. Gn 3, 7). Por quê?

Podemos compreender mais facilmente comparando com a triste realidade que perdura até hoje. Quantas pessoas não são consideradas como pessoa, mas tem seu valor reduzido a uma simples parte do seu corpo?! Quer ver um exemplo bem simples? Quando um homem diz: “Aquela garota tem cada coxão!”, ele deixa de enxergar a pessoa como um todo e transforma em objeto apenas uma parte do seu corpo que lhe agrada. Ninguém sente vergonha sozinho: a vergonha me toca internamente, mas ela só existe porque eu tenho medo que o outro me olhe desse jeito: com luxúria, querendo apenas me usar. Não é o meu corpo que me causa vergonha, mas sim a forma como os outros à minha volta vão interpretá-lo. Esse é o aspecto negativo da vergonha, pois sua origem vem da concupiscência, ou seja, nossa inclinação para o mal.

A necessidade de se esconder revela o colapso da relação original da comunhão, afirma o Santo Padre. Entretanto, a vergonha pode ter um aspecto positivo. Só temos a preocupação de proteger aquilo que julgamos ser importante para nós ou ter muito valor. Quanta gente não desembolsa um bom dinheiro pra fazer seguro saúde, seguro de carro e até de celular... Como as mães não fazem de tudo pra protegerem os seus filhos (se pudessem nos carregariam a vida inteira no colo...)! Se temos o cuidado de preservar o nosso corpo do olhar luxurioso dos outros, cobrindo-o com vestimentas é porque reconhecemos que ele é valioso demais. É o que chamamos de pudor.

O pecado não conseguiu destruir esse “eco” do “princípio” em nós. Mas ele tenta até hoje. Basta ver como a cultura vem estimulando principalmente as mulheres a se exibirem com cada vez menos roupa. O problema do decote, da minissaia, da transparência não que eles revelam demais. É que revelam de menos. Mostram apenas partes de um corpo e não uma pessoa, com corpo e alma tão preciosos que valeram o sacrifício do próprio Filho de Deus na cruz para redimir cada pessoa por inteiro! O mundo moderno diz: “O que é bonito é pra se mostrar!”. A verdadeira revolução sexual trazida pela Teologia do Corpo de São João Paulo II nos faz compreender que meu corpo é especial demais para ceder aos olhares maldosos de qualquer um. Faz parte do nosso processo de conversão revermos o modo como nos comportamos e nos vestimos e o que o nosso estilo de vida tem despertado nos outros: a vontade de conhecer a mim, como pessoa por inteiro ou só o meu “corpo”?

Tatiana e Ronaldo de Melo
Autor

Tatiana e Ronaldo de Melo

Núcleo de Formação e Espiritualidade da Pastoral Familiar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro