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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 24/07/2017

24 de Julho de 2017

Cultura do estupro?

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Cultura do estupro?

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10/06/2016 13:57 - Atualizado em 10/06/2016 14:02

Cultura do estupro? 0

10/06/2016 13:57 - Atualizado em 10/06/2016 14:02

Pela sua própria construção gramatical, a palavra “cultura” indica a ação de cultivar. Aplicando esse sentido às culturas existentes na vida de uma nação, entende-se que um povo deve ocupar-se de cultivar os seus valores e os bons costumes populares, a fim de não mais deixar as pessoas num puro estado natural.

Um povo culto, uma pessoa culta, uma comunidade culta, é somente aquele povo e aquela pessoa ou comunidade, que se cultivou a si mesmo, enriquecendo-se, amadurecendo, progredindo em humanidade.

A cultura no seu sentido objetivo é, portanto, um progresso da natureza humana. É um sinal de superação da mera animalidade da pessoa e da sua materialidade!

Devido à falta desse conceito de cultura humana, chama muita atenção na atualidade essa tendência de considerar como cultura o que degrada o ser humano, o que faz regredir toda uma sociedade, o que causa um atraso educacional ao Brasil e o que é pior, considerar cultura aquilo que embrutece o povo brasileiro.

Não é admissível continuar ouvindo, passivamente, certas afirmações de grupos, que insistem na promoção de uma cultura da morte, de uma cultura da corrupção, de uma cultura “do levar vantagem” e, o que é a mais cruel das nomeações, a cultura do estupro, que se anuncia na mídia como uma presença forte na sociedade brasileira.

O que aconteceu no Rio de Janeiro há semanas atrás jamais pode ser visto como um ato dentro de uma cultura! Foi um ato mais do que chocante e cruel! Sem perder essa crueldade e esse choque, o estupro coletivo de uma adolescente foi a ponta de um iceberg, que tem abaixo de si uma grandiosa “massa gélida”, que muitos intelectuais, políticos e analistas “fingem” não existir, ou não querem, propositalmente, que exista.

Um estupro coletivo não é – jamais será – uma expressão cultural, mas é uma crueldade tão grande, que revela a existência de uma crise: a da cultura dos valores humanos. Sim! Um estupro é um ato de violência contra uma pessoa e toda a população, é uma história de corrupção dos costumes, é um crime revelador da gravíssima crise cultural presente no Brasil e no mundo.

Só uma análise ética e uma busca profunda das verdadeiras causas dessas ações desumanas mostrará aos responsáveis pela condução da nossa nação que eles devem ser pessoas mais lúcidas e mais corajosas. São eles que devem promover esse progresso real e tão esperado pelo povo, que é o progresso ético.

O nosso povo anseia por esse progresso nos valores humanos, sobretudo os da família, os da dignidade da sexualidade humana, os que favorecem o respeito à vida, às crianças e aos adolescentes, os que ensinam quais são os critérios favoráveis ao domínio de si, para que um ser humano possa respeita-se e olhar e tratar os outros com respeito.

Também são as responsáveis a Igreja Católica e as demais igrejas e religiões presentes na nação brasileira, e são muito mais do que as instituições políticas e civis, porque faz parte da sua missão a promoção e a defesa da “ação de cultivar” o humano e o divino presentes em cada pessoa religiosa.

Os líderes religiosos são as vozes proféticas que, sem abstrações nem acusações, anunciam que todo ser humano nunca pode ser tratado como um objeto qualquer, ou como uma simples peça dentro de uma “engrenagem” social, econômica, política, ideológica-cultural, etc. A eles foi confiada cada pessoa, que  criada à imagem e semelhança de Deus, é um dom singular e de excelência para o mundo!

Também cabe aos pais e aos educadores serem os promotores de uma inteligente e responsável utilização da tecnologia, especialmente dos celulares que as crianças e jovens têm hoje, muito acessíveis em suas mãos. Quando uma pessoa socializa via celular o que ela vive, acaba sendo uma imagem pública “nesse “palco” que é o vídeo postado no Facebook ou no Youtube.

A tecnologia no campo da informática certamente é um progresso, podendo ser um excelente instrumento da cultura que enriquece e amadurece o caráter humano. Nesse ponto, todos nós adultos somos responsáveis por essa “cultura” que se espalha pelas redes sociais, para que os fatos “viralizados” não sejam escandalosos ou chocantes. Somos como pessoas que por já termos vivido mais, devemos ser os despertadores da consciência ética dos mais jovens, que estão sofrendo hoje muitos “estupros mentais”.

Há muita gente “violentando”, “estuprando” a inteligência humana, sobretudo a das crianças, impedindo que elas sejam mais educadas nos valores que dignificam e que favorecem o real amadurecimento na infância e na juventude das pessoas que construirão o Brasil do futuro.

Governantes, legisladores, líderes religiosos, professores, pais, jornalistas, psicólogos, sociólogos, artistas, enfim, nosso querido povo brasileiro, todos devemos ser pessoas cultivadas nos valores éticos, e todos nós precisamos denunciar todas essas falsas culturas, que denigrem a imagem divina presente em cada pessoa humana!

Essas crises mundiais são, portanto, crises culturais, provocadas por carências profundas de virtudes, porque ao se desconhecer o humano existente na pessoa que se tem ao lado, sobretudo a mais fragilizada e a menos educada, ela se torna mais vulnerável às manipulações dessas pseudo-culturas que estão querendo impor através de fatos midiáticos e da educação laicista.

 

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Cultura do estupro?

10/06/2016 13:57 - Atualizado em 10/06/2016 14:02

Pela sua própria construção gramatical, a palavra “cultura” indica a ação de cultivar. Aplicando esse sentido às culturas existentes na vida de uma nação, entende-se que um povo deve ocupar-se de cultivar os seus valores e os bons costumes populares, a fim de não mais deixar as pessoas num puro estado natural.

Um povo culto, uma pessoa culta, uma comunidade culta, é somente aquele povo e aquela pessoa ou comunidade, que se cultivou a si mesmo, enriquecendo-se, amadurecendo, progredindo em humanidade.

A cultura no seu sentido objetivo é, portanto, um progresso da natureza humana. É um sinal de superação da mera animalidade da pessoa e da sua materialidade!

Devido à falta desse conceito de cultura humana, chama muita atenção na atualidade essa tendência de considerar como cultura o que degrada o ser humano, o que faz regredir toda uma sociedade, o que causa um atraso educacional ao Brasil e o que é pior, considerar cultura aquilo que embrutece o povo brasileiro.

Não é admissível continuar ouvindo, passivamente, certas afirmações de grupos, que insistem na promoção de uma cultura da morte, de uma cultura da corrupção, de uma cultura “do levar vantagem” e, o que é a mais cruel das nomeações, a cultura do estupro, que se anuncia na mídia como uma presença forte na sociedade brasileira.

O que aconteceu no Rio de Janeiro há semanas atrás jamais pode ser visto como um ato dentro de uma cultura! Foi um ato mais do que chocante e cruel! Sem perder essa crueldade e esse choque, o estupro coletivo de uma adolescente foi a ponta de um iceberg, que tem abaixo de si uma grandiosa “massa gélida”, que muitos intelectuais, políticos e analistas “fingem” não existir, ou não querem, propositalmente, que exista.

Um estupro coletivo não é – jamais será – uma expressão cultural, mas é uma crueldade tão grande, que revela a existência de uma crise: a da cultura dos valores humanos. Sim! Um estupro é um ato de violência contra uma pessoa e toda a população, é uma história de corrupção dos costumes, é um crime revelador da gravíssima crise cultural presente no Brasil e no mundo.

Só uma análise ética e uma busca profunda das verdadeiras causas dessas ações desumanas mostrará aos responsáveis pela condução da nossa nação que eles devem ser pessoas mais lúcidas e mais corajosas. São eles que devem promover esse progresso real e tão esperado pelo povo, que é o progresso ético.

O nosso povo anseia por esse progresso nos valores humanos, sobretudo os da família, os da dignidade da sexualidade humana, os que favorecem o respeito à vida, às crianças e aos adolescentes, os que ensinam quais são os critérios favoráveis ao domínio de si, para que um ser humano possa respeita-se e olhar e tratar os outros com respeito.

Também são as responsáveis a Igreja Católica e as demais igrejas e religiões presentes na nação brasileira, e são muito mais do que as instituições políticas e civis, porque faz parte da sua missão a promoção e a defesa da “ação de cultivar” o humano e o divino presentes em cada pessoa religiosa.

Os líderes religiosos são as vozes proféticas que, sem abstrações nem acusações, anunciam que todo ser humano nunca pode ser tratado como um objeto qualquer, ou como uma simples peça dentro de uma “engrenagem” social, econômica, política, ideológica-cultural, etc. A eles foi confiada cada pessoa, que  criada à imagem e semelhança de Deus, é um dom singular e de excelência para o mundo!

Também cabe aos pais e aos educadores serem os promotores de uma inteligente e responsável utilização da tecnologia, especialmente dos celulares que as crianças e jovens têm hoje, muito acessíveis em suas mãos. Quando uma pessoa socializa via celular o que ela vive, acaba sendo uma imagem pública “nesse “palco” que é o vídeo postado no Facebook ou no Youtube.

A tecnologia no campo da informática certamente é um progresso, podendo ser um excelente instrumento da cultura que enriquece e amadurece o caráter humano. Nesse ponto, todos nós adultos somos responsáveis por essa “cultura” que se espalha pelas redes sociais, para que os fatos “viralizados” não sejam escandalosos ou chocantes. Somos como pessoas que por já termos vivido mais, devemos ser os despertadores da consciência ética dos mais jovens, que estão sofrendo hoje muitos “estupros mentais”.

Há muita gente “violentando”, “estuprando” a inteligência humana, sobretudo a das crianças, impedindo que elas sejam mais educadas nos valores que dignificam e que favorecem o real amadurecimento na infância e na juventude das pessoas que construirão o Brasil do futuro.

Governantes, legisladores, líderes religiosos, professores, pais, jornalistas, psicólogos, sociólogos, artistas, enfim, nosso querido povo brasileiro, todos devemos ser pessoas cultivadas nos valores éticos, e todos nós precisamos denunciar todas essas falsas culturas, que denigrem a imagem divina presente em cada pessoa humana!

Essas crises mundiais são, portanto, crises culturais, provocadas por carências profundas de virtudes, porque ao se desconhecer o humano existente na pessoa que se tem ao lado, sobretudo a mais fragilizada e a menos educada, ela se torna mais vulnerável às manipulações dessas pseudo-culturas que estão querendo impor através de fatos midiáticos e da educação laicista.

 

Dom Antonio Augusto Dias Duarte
Autor

Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro