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Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, 17/08/2017

17 de Agosto de 2017

A Igreja e as festas juninas

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17 de Agosto de 2017

A Igreja e as festas juninas

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10/06/2016 10:33 - Atualizado em 10/06/2016 10:39

A Igreja e as festas juninas 0

10/06/2016 10:33 - Atualizado em 10/06/2016 10:39

Durante o mês de junho se comemora as tradicionais festividades juninas. De origem europeia, elas adentraram as nossas terras através da colonização portuguesa e do processo de evangelização. Aos pouco foram ganhando contornos nacionais através das músicas, das danças e das comidas típicas desse período invernal. Em todos as regiões do Brasil é fácil encontrar as comunidades se reunindo para comemorar as datas de Santo Antônio, São João e São Pedro. A respeito disso, seria muito proveitoso se resgatássemos o conteúdo principal dessas celebrações que, para além do aspecto cultural, possuem uma importância também para a vida espiritual dos fiéis e dos homens em geral.

A primeira festa que surge no calendário é a de Santo Antônio. Encarado na religiosidade popular como um santo casamenteiro ou como o santo do pãozinho milagroso, sua figura oferece aos cristãos de nosso tempo um verdadeiro projeto de discípulo de Jesus Cristo. Dedicou sua vida, primeiramente, como monge agostiniano, ao estudo das Escrituras Sagradas e da Literatura Patrística e, depois, se tornou um frade franciscano, exercendo o ministério da Palavra. Sua fama de santo, místico e letrado se espalhou ainda em vida, levando muitos a se converterem. Resta para nós, hoje, redescobrir a figura deste Santo Doutor e propô-la a todos como modelo de vida cristã, a fim de que mais homens e mulheres se consagrem também ao estudo, a pregação, a caridade e a catequese dos povos.

A segunda comemoração é a da natividade de São João Batista. Popularmente, este é o dia mais festivo no qual se ascende a habitual fogueira – simbolizando o nascimento do precursor do Messias. Por isso, na verdade, somos chamados a contemplar a própria História Sagrada nos acontecimentos que antecederam a vinda de Deus entre os homens. Com o anúncio do anjo a Zacarias e Isabel, vem ao mundo aquele que o Senhor qualificou como “dentre os nascidos de mulher, não há maior do que João” (Lc 7,28). A data do nascimento do Batista está conectada com a de Jesus: Isabel estava no sexto mês de gestação por ocasião da anunciação à Maria (cf. Lc 2,36). Como este natalício tem uma vinculação capital para o Mistério Pascal, a Igreja classificou este dia litúrgico como uma solenidade. A comunidade eclesial pode, então, perceber, neste dia festivo, a missão profética a qual é chamada e, ainda, a radicalidade do compromisso com o plano divino da salvação.

A terceira festa é conhecida por todos como a de São Pedro. Nas devoções populares é o dia da bênção das chaves da casa, do caro, dos negócios etc. Fato é que o dia 29 de junho se dedica a reconhecer como o Mistério de Cristo atuou nos dois pilares da Igreja Apostólica: São Pedro e São Paulo. Ambos anunciaram com a vida e a morte o Evangelho do Reino de Deus, edificando e expandindo a comunidade eclesial. Com esta solenidade, o magistério eclesial pretende incutir no coração de seus filhos o amor martirial, capaz de se doar plenamente como o próprio Jesus se entregou para que a Igreja se estabeleça e cresça ainda mais.

O mês de junho é um tempo preenchido de celebrações. Sem perder o conteúdo histórico e cultural das festas populares, urge redescobrir o sentido teológico de tais dias. Fazendo memória do Senhor na vida de seus santos, somos nós também relembrados da nossa vocação a santidade. O nº229 do Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia ensina que “é preciso instruir os fiéis sobre a ligação que há entre as festas dos santos e a celebração do Mistério de Cristo. Com efeito, as festas dos santos, reconduzidas à sua íntima razão de ser, trazem à luz as realizações concretas do desígnio salvífico de Deus e proclamam as maravilhas de Cristo manifestadas por seus seguidores; as festas dos membros, os santos, são, definitivamente, festas da Cabeça, Cristo”. Que Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo intercedam para que reconheçamos a presença atuante do Mistério do Senhor em nossas vidas, nos conduzindo ao estudo, ao anúncio, à caridade e ao testemunho do Evangelho de Deus.


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A Igreja e as festas juninas

10/06/2016 10:33 - Atualizado em 10/06/2016 10:39

Durante o mês de junho se comemora as tradicionais festividades juninas. De origem europeia, elas adentraram as nossas terras através da colonização portuguesa e do processo de evangelização. Aos pouco foram ganhando contornos nacionais através das músicas, das danças e das comidas típicas desse período invernal. Em todos as regiões do Brasil é fácil encontrar as comunidades se reunindo para comemorar as datas de Santo Antônio, São João e São Pedro. A respeito disso, seria muito proveitoso se resgatássemos o conteúdo principal dessas celebrações que, para além do aspecto cultural, possuem uma importância também para a vida espiritual dos fiéis e dos homens em geral.

A primeira festa que surge no calendário é a de Santo Antônio. Encarado na religiosidade popular como um santo casamenteiro ou como o santo do pãozinho milagroso, sua figura oferece aos cristãos de nosso tempo um verdadeiro projeto de discípulo de Jesus Cristo. Dedicou sua vida, primeiramente, como monge agostiniano, ao estudo das Escrituras Sagradas e da Literatura Patrística e, depois, se tornou um frade franciscano, exercendo o ministério da Palavra. Sua fama de santo, místico e letrado se espalhou ainda em vida, levando muitos a se converterem. Resta para nós, hoje, redescobrir a figura deste Santo Doutor e propô-la a todos como modelo de vida cristã, a fim de que mais homens e mulheres se consagrem também ao estudo, a pregação, a caridade e a catequese dos povos.

A segunda comemoração é a da natividade de São João Batista. Popularmente, este é o dia mais festivo no qual se ascende a habitual fogueira – simbolizando o nascimento do precursor do Messias. Por isso, na verdade, somos chamados a contemplar a própria História Sagrada nos acontecimentos que antecederam a vinda de Deus entre os homens. Com o anúncio do anjo a Zacarias e Isabel, vem ao mundo aquele que o Senhor qualificou como “dentre os nascidos de mulher, não há maior do que João” (Lc 7,28). A data do nascimento do Batista está conectada com a de Jesus: Isabel estava no sexto mês de gestação por ocasião da anunciação à Maria (cf. Lc 2,36). Como este natalício tem uma vinculação capital para o Mistério Pascal, a Igreja classificou este dia litúrgico como uma solenidade. A comunidade eclesial pode, então, perceber, neste dia festivo, a missão profética a qual é chamada e, ainda, a radicalidade do compromisso com o plano divino da salvação.

A terceira festa é conhecida por todos como a de São Pedro. Nas devoções populares é o dia da bênção das chaves da casa, do caro, dos negócios etc. Fato é que o dia 29 de junho se dedica a reconhecer como o Mistério de Cristo atuou nos dois pilares da Igreja Apostólica: São Pedro e São Paulo. Ambos anunciaram com a vida e a morte o Evangelho do Reino de Deus, edificando e expandindo a comunidade eclesial. Com esta solenidade, o magistério eclesial pretende incutir no coração de seus filhos o amor martirial, capaz de se doar plenamente como o próprio Jesus se entregou para que a Igreja se estabeleça e cresça ainda mais.

O mês de junho é um tempo preenchido de celebrações. Sem perder o conteúdo histórico e cultural das festas populares, urge redescobrir o sentido teológico de tais dias. Fazendo memória do Senhor na vida de seus santos, somos nós também relembrados da nossa vocação a santidade. O nº229 do Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia ensina que “é preciso instruir os fiéis sobre a ligação que há entre as festas dos santos e a celebração do Mistério de Cristo. Com efeito, as festas dos santos, reconduzidas à sua íntima razão de ser, trazem à luz as realizações concretas do desígnio salvífico de Deus e proclamam as maravilhas de Cristo manifestadas por seus seguidores; as festas dos membros, os santos, são, definitivamente, festas da Cabeça, Cristo”. Que Santo Antônio, São João Batista, São Pedro e São Paulo intercedam para que reconheçamos a presença atuante do Mistério do Senhor em nossas vidas, nos conduzindo ao estudo, ao anúncio, à caridade e ao testemunho do Evangelho de Deus.


Padre Vitor Gino Finelon
Autor

Padre Vitor Gino Finelon

Professor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida